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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o novo de castro na praça das flores

O serviço

Um ser humano entra num restaurante, olha para a direita e vê um ex-banqueiro envolvido com a justiça, olha para a esquerda e vê um casal na casa dos 70 anos, olha para trás e vê um gestor de uma empresa do Estado... Isto só pode correr mal, certo? Errado. À sua frente está uma empregada que sabe o que faz:

- Queria uma mesa para dois, por favor. Não fizemos reserva.

- Concerteza. Quer escolher alguma destas duas mesas com dois lugares, ou prefere aquela para quatro?

- Mas nós somos só dois...

- Não tem problema nenhum, era o que faltava. Se calhar têm mais espaço ali...

É nesta fase da conversa que eu olho para ela com um ar embasbacado e tento perceber se a senhora é mesmo portuguesa ou se é uma marciana disfarçada de alfacinha. Não é. É portuguesa, é a responsável pela sala e sabe o que está a fazer: a conquistar um cliente. Habituado que estou a ser expulso das mesas às 22h15 porque está quase a entrar o segundo turno para jantar, bastou-me esta conversa para tudo o resto me saber melhor. E para querer voltar sem sequer ter começado a comer. Num restaurante cheio como estava o De Castro (aberto apenas no passado dia 9 de Dezembro), sentar duas pessoas numa mesa de quatro é um risco? Não. É um investimento. E o investimento resultou.

 

A ementa

Aqui você tem duas hipóteses: comer apenas petiscos ou comer pratos a sério. Nós optámos pela terceira hipótese: comer petiscos e pratos a sério. Mas vamos começar pelo princípio:

 

O couvert

É a grande falha do novo restaurante do chef Miguel Castro Silva, o antigo responsável pelo Bull & Bear, no Porto: o pão! O pão é fundamental num restaurante. Até pode nem ser pão artesanal ou feito num forno a lenha. Mas tem de ser definido, agradável e com um miolo suave. No De Castro não é nenhuma destas coisas: há uma broa dura que parece da véspera, uma carcaça banal que parece da semana anterior e um pão de forma tipo Pingo Doce que parece do ano passado. Num restaurante onde os petiscos são uma aposta, nem a simpatia e a competência da empregada me conseguem fazer esquecer um pão sofrível. Salvou-se a pasta de azeitona, que estava óptima.

 

 

As entradas

As escolhas na ementa são uma mistura de sofisticado e substancial, de moderno e antigo, de inovação e tradição. Pratos como pataniscas da horta com maionese de alho e limão, picapau do lombelo de vitela ou iscas do cachaço de bacalhau são um bom exemplo do que pode encontrar aqui. Nós optámos por uns maravilhosos ovos de codorniz com chouriço - estrelados no ponto, com a clara dourada e estaladiça e a gema líquida - e por umas lulinhas fritas com molho tártaro - as maravilhosas puntillitas espanholas, que vieram com uma cor clara (ou seja, foram fritas num óleo novo) e completamente estaladiças, mesmo depois de mergulhadas no molho.

 

Os pratos principais

Nesta parte, há algumas coisas de que não gosto nada e há outras de que gosto muito. É uma questão de feitio: não consigo comer pezinhos de coentrada, sou incapaz de provar rojões e só muito dificilmente pagaria €16,20 por um polvo no forno com batata a murro. Mas há outras opções. E boas opções. Provámos um óptimo fígado de vitela maronesa salteado com cebola e Porto (€11,80) e experimentámos aquele que já era a especialidade no De Castro Elias (o outro restaurante de Miguel Castro Silva, em Lisboa, na rua Elias Garcia): as amêijoas com feijão manteiga (€14,20). Não são pratos leves nem moderninhos, mas são muito bons. O fígado estava perfeito e as amêijoas fazem uma mistura surpreendente com o feijão. 

 

 

A sobremesa

Eu vou dizer-lhe três palavras e vai responder-me a qual delas é que consegue resistir: pudim, mel e requeijão. Agora junte as três num pudim de mel com a textura ideal (muito longe daqueles flans de pacote da nossa infância, muito mais próximo da textura de um pudim Abade de Priscos) acompanhado por um requeijão fresco fantástico. É a maneira perfeita de acabar um jantar.

 

Os vinhos

A oferta não é grande, mas procura fugir às marcas habituais. Nós bebemos apenas vinhos da casa. São vinhos feitos por produtores prestigiados e para os quais Miguel Castro Silva faz um blend exclusivo para os seus restaurantes. O tinto que escolhemos, o Ribeiro Santo lote Miguel Castro Silva, não surpreende por aí além, mas o vinho do Porto com o qual comemos a sobremesa, o Dalva Miguel Castro Silva, é maravilhoso: leve, pouco doce e servido muito fresco.

  

O ambiente

Deixámos para o fim, este pequeno detalhe: não espere um restaurante com vida, boa disposição e alegria. A média de idades está na casa dos 67 anos e meio e os poucos clientes na casa dos 50 tinham cara de 90. Nós já não vamos propriamente para novos, mas podia ser um pouco mais animado...

E, antes de me despedir, recomendo apenas que passe pela casa-de-banho: daí consegue ouvir as conversas na cozinha. Para quem gosta de comida, pode ser um programa animado.

 

Um bom-fim-de-semana para si, onde quer que esteja,

Ele 

chá de tomilho com limão e mel (para todos os homens com gripe neste país)

Aviso já: estou doente, rabujento, fechado em casa, não propriamente de cama mas de sofá, com um cachecol enrolado ao pescoço e um computador sentado ao meu colo. Por isso, por favor, não me peçam boa disposição, sentido de humor ou graçolas de circunstância. Quero voltar a dormir uma noite seguida sem interrupções, deglutir um brioche misto tostado sem me doer a garganta e simplesmente respirar pelo nariz. O maior pesadelo para alguém que gosta de comer é a incapacidade de cheirar os alimentos, sentir os aromas que nos deixam água na boca, apreciar a comida sem termos três quilos e meio de ranho a entupir-nos as narinas. 

Mas para tudo há uma solução e, enquanto Ela está feliz e contente numa esplanada a aproveitar os primeiros raios de sol dos últimos 15 dias ao mesmo tempo que fala de chás frios com sabores exóticos, eu estou a estudar a melhor maneira de desentupir o nariz e voltar ao activo - ou seja, voltar a jantar fora. Felizmente encontrei um caminho e quero partilhá-lo com todos os engripados às portas da morte (falo evidentemente dos homens, porque as mulheres têm uma capacidade sobrehumana inexplicável de reagir às doenças). É o chá de tomilho com limão e mel.

O tomilho é, segundo os especialistas, uma erva milagrosa para curar doenças - tem propriedades antibióticas e foi usada durante centenas de anos como medicamento contra doenças respiratórias. O limão é o limão - tem resmas de vitamina C e é anti-inflamatório. Falta o mel, que não tem nada - é simplesmente bom. Feitas as apresentações, vamos para a cozinha. Largue lá a manta e ponha um litro de água a ferver ao lume. Quando começar a levantar bolhas, junte quatro ou cinco tiras de casca de limão e deixe borbulhar durante um ou dois minutos. Depois deite o chá para um bule e junte dois raminhos de tomilho - pode ser seco ou fresco, mas eu prefiro o seco. E falta o mel, que é ao seu gosto. Servido o chá, gema mais uma ou duas vezes e diga que está péssimo - é garantido que não terá de fazer nada em casa pelo menos durante um dia.

Se nada disto o curar, tome um Antigrippine e ligue para o centro de saúde, que eu não sou médico - só estou aqui para tornar os seus dias mais saborosos.

 

- 1 litro de água fervida

- 2 ramos de tomilho

- 4 tiras de casca de limão

- Mel

 

 

As melhoras para si, onde quer que esteja,

Ele 

gostamos de...

...chás frios com sabores e misturas exóticas, mesmo nesta altura do ano.

  

 

 

 

 

 

não gostamos de...

...restaurantes que servem o café morno.  

 

slow, o novo restaurante da equipa do h3

Quando a promessa é grande, a desilusão pode ser enorme. E quando a promessa é gigantesca?...

"Carnes que se desfazem", "carnes com uma textura, suculência e sabor raros" (peço desculpa mas a repetição não é minha), "acompanhamentos inesperados", "combinações infinitas", frango "com uma textura que nunca provou", "fatias muito finas" de vaca e, para acabar que isto já vai longo, um conceito que "não existia" e uma forma de cozinhar que não deixa "perder um grama de sabor". Estamos a falar do Celler de Can Roca, em Espanha? Do Noma, na Dinamarca? Vá lá, do Bel Canto, em Lisboa? Não. Estamos a falar do Slow, o novo restaurante de fast food português. Convenhamos que é um pouco constrangedor não encontar adjectivos como estes nos sites dos dois melhores restaurantes do Mundo e depois descobrirmo-los no Amoreiras Plaza, a dez minutos do velho Casal Ventoso, em Lisboa. Mas Portugal é um rectangulozinho de surpresas.

 

A ementa 

A carne

Ultrapassados os entusiasmos da publicidade, vamos ao que interessa: a carne desfaz-se mesmo, ou não? Lamento, mas só posso responder a um terço dessa pergunta: a carne de vaca não se desfaz, quanto à de frango e de porco não tive perímetro abdominal para experimentar tudo na mesma refeição. Isso não quer dizer que a carne seja má. Mas também não quer dizer que tenha um sabor raro, uma textura que nunca provou ou fatias muito finas. Não tem. É uma carne moderadamente saborosa, com fatias razoavelmente finas (não são "muito finas"), mas até ligeiramente farinhenta. No entanto, é uma boa ideia para um almoço num fast food, desde que não esteja muito frio. Só não é a última lata de espinafres do Popeye, como nos querem convencer no site do restaurante.

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Os acompanhamentos

Experimentei o cuscuz de laranja, com hortelã e sultanas (que estava cozinhado no ponto e foi servido frio, o que é agradável) e a salada slow, feita de couve e cenoura em juliana (que me pareceu simpática).

 

Os molhos

Tem três variedades de molhos quentes e quatro de molhos frios. Os quentes vão com a carne e os frios podem acompanhar as batatas, a salada ou o que quiser. Nos quentes, escolhi o de manteiga e alho, que passava bastante despercebido; e nos frios o de iogurte e hortelã, que era muito bom e acabei por o comer com a carne.

O ambiente 

Primeiro, a apresentação. É aqui que a equipa do H3 (dona deste novo restaurante, inaugurado no final de Dezembro) é imbatível. A decoração é sofisticada, o logótipo é moderno, as frases espalhadas pelo restaurante são engraçadas e a forma como somos guiados pela ementa é muito, muito eficaz. Aqui, tal como no H3 ou na Empadaria do Chef, ficamos rapidamente com uma ideia do que vamos comer, do que podemos misturar e do que devemos aproveitar. Melhor: ficamos rapidamente com uma ideia de que tudo é muito bom.

Depois, as redondezas. E aqui a culpa não é do Slow. O Amoreiras Plaza é um shopping que não é bem um shopping; é arejado mas é muito frio; é cool mas é terrivelmente desconfortável. Especialmente no Inverno, quando tem de estar desesperadamente à procura de uma mesa que não levante voo com a corrente de ar.

 

O serviço 

Rápido, simpático e eficaz. Uma raridade: sendo um fast food, os empregados sabem responder às suas dúvidas sobre a comida e dão-lhe sugestões de combinações.

 

O bom 

O conceito em que pode misturar tudo o que lhe apetecer

O mau 

O exagero dos autoelogios

O péssimo 

O frio do Amoreiras Plaza durante o Inverno

 

Uma boa tarde para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: slow

o que é natural é bom

Joana andava desmotivada e decidiu dar um novo rumo à sua vida. Farta de uma rotina chata e igual à de tanta gente, interrompeu o curso de Audiovisuais e Multimédia da Escola Superior de Comunicação Social e mergulhou em livros e artigos sobre saúde e bem-estar. Impressionada com o impacto que a alimentação tem nas nossas vidas, decidiu eliminar da sua todos os alimentos processados, aditivos, químicos e açúcares artificiais. A regra de Joana, 23 anos, é comer alimentos o mais próximo do natural possível. Ela chama-lhes “coisas que a Natureza nos oferece no seu melhor estado e que as fábricas não contaminam". Como por exemplo, frutas e legumes crus, nozes, sementes e leite de côco feito em casa, por ela. Garante que não é vegetariana nem faz sacrifícios, e não segue nenhuma dieta ou regime alimentar. Vai para a cozinha e dá largas à imaginação, tendo por base ingredientes naturais. Criou no Instagram a página “Felt by Heart” onde começou por colocar os apetitosos batidos que prepara todas as manhãs. Seguiram-se outros pratos igualmente surpreendentes. Um ano depois, já conquistou mais de 25 mil seguidores, a maioria deles fora de Portugal, e também já está no Facebook. Espreite as receitas dela e vai perceber porque é que a velha máxima “os olhos também comem” faz tanto sentido.

Eu estou rendida, e você?

Ela

faltam dez dias para o chocolate em lisboa

 

Ao passo que Ela passa os dias a beber Nespressos enquanto pesquisa resmas de fotografias do George Clooney no Google, eu prefiro investir na segunda metade deste post aqui.

Isso mesmo: estou a falar do chocolate. Não só das trufas que Ela refere – e que são divinais – mas de tudo o que tenha a ver com chocolate: bombons, bolos, brigadeiros, macarrons, bebidas, crepes, fondues e até as simples e mais básicas tabletes. Exactamente: está perante um viciado com mais de 80 quilos de cacau no abdómen. É por isso que estou sempre a acompanhar o que se passa no País sobre o tema (admito, até já fui ao Festival Internacional de Chocolate de Óbidos, se bem que não é nada de que me orgulhe).

Mas hoje tenho novidades para si, e são um pouco mais agradáveis do que as hordas de balofos e criancinhas de Óbidos: faltam precisamente dez dias para começar o evento que vai acalmar todos os chocomaluquinhos como eu – O Chocolate em Lisboa. Entre os dias 6 e 9 de Fevereiro vão estar no Campo Pequeno chefs, exposições, workshops, show cookings, palestras e outras coisas muito interessantes, além do mais importante: todos os tipos de chocolate para comprar e provar, além das melhores ligações (chocolate e vinho, chocolate e frutos secos, chocolate e chá, chocolate e fruta e chocolate e chocolate). A entrada custa 3 euros e eu já estou a babar. A organização é do Cacau Clube de Portugal.

Encontramo-nos lá. Se me quiserem encontrar, procurem o António Costa – eu estarei na outra ponta do recinto.

Ele

 

 

 

 

 

 

o soutien à prova de um copo a mais

É daquelas que sai à noite, bebe uns copos e fica a achar graça ao primeiro cromo que se estica para si e lhe manda umas graças? É daquelas que se apaixona por quem gosta de si? É daquelas que tem muito amor para dar? O Casal Mistério descobriu a solução para os seus problemas: um soutien que vai rapidamente transformar-se no seu melhor amigo, no confidente que sabe todos os seus segredos, e o único que lhe revela se você encontrou ou não o verdadeiro amor. Um soutien revolucionário que sabe o que as mulheres sentem de verdade... porque não pode ser desapertado sem estar apaixonada. A ideia é simples: quando estamos caidinhas por alguém, o nosso ritmo cardíaco dá o alerta. Por isso, o soutien tem um chip que avalia as batidas do coração e quando dispara para os níveis "in love for sure" aciona o fecho através de uma aplicação no telemóvel, via bluetooth, et voilá, abre-se como por magia. É nesse instante que você percebe: "Estou apaixonada!". Não acredita? Nós também não. Mas vale a penar ver - nem que seja só para se divertir:  










Por Ela

ambrósio, apetece-me algo II

Que tal umas ostras, para começar?

 

 

... e uma deliciosa tábua de queijos, para acabar? 

gin bombay sapphire com laranja, lima, anis e cardamomo

 

Ingredientes 

  • 1 cálice de gin Bombay Sapphire
  • 1tónica Fever Tree Mediterranean
  • 2 tiras de casca de laranja
  • 2 tiras de casca de lima
  • 3 bagas de cardamomo
  • 1 flor de anis estrelado

 

- Anis?! Isso é o licor que a minha avó bebia!

- Não comece já a queixar-se do anis no gin. Nós estamos a falar de anis estrelado. Trata-se de uma flor seca, com um aroma muito leve que quase não se sente.

- Então, se não se sente, porque é que põem no gin?

- Pare lá de ser embirrento, homem (só os homens é que conseguem ser assim tão chatos). O anis vai libertar um aroma ligeiríssimo que se vai misturar com a lima e a laranja, formando um sabor exótico, perfeito para este gin.

- Mas se nem se vai sentir para que é que o usam?

- Vai sentir mais no olfacto do que no paladar. Por isso, se estiver mesmo irritado com o anis neste gin, coloque-o no início, mexa e depois tire-o antes de começar a beber.

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- E este gin não tem mais nada de jeito para lá do anis?

- Você é mesmo chato! Sossegue um bocadinho e leia. Primeiro refresca o copo com o gelo. Depois, deita duas finas cascas de laranja e outras duas de lima, cortadas com um descascador de vegetais. Posto isto, coloca três bagas de cardamomo e uma flor de anis estrelado.

- Lá vem o anis...

- ...cale-se lá um minuto. Despeja um cálice de gin Bombay Sapphire e mistura para absorver os aromas. Depois despeja uma garrafa de Fever Tree Mediterranean através da colher torcida para não perder o gás. Mistura mais uma ou duas vezes e está pronto a servir.

- Então e o anis?!

- Irra que o homem é insuportável. Deixe o anis em paz. Se fica mais descansado, tire-o antes de beber ou então sirva-o à sua mulher que este gin é mais floral, feminino e para pessoas sensíveis - o que definitivamente não é o seu caso. Mas faça-me um favor: procure evitar abrir a boca enquanto estiver com Ela, ou a relação vai acabar mal.

 

Umas boas últimas horas de fim-de-semana, de preferência sem domingueiros a maçá-los,

Ele

rio do prado: um hotel de charme escondido pela natureza

Ah e tal… turismo sustentável e ecológico. Sinceramente não tenho muita paciência para os verdes e os seus fundamentalismos. O que não significa que não tenha alguma consciência ecológica: separo o lixo em casa, poupo água e energia e vivo a reciclar papel. Mas quando escolho um hotel, não estou nem aí para a ecologia. Preocupa-me o ambiente sim, mas das salas, dos quartos, das casas de banho, dos jardins, da zona da piscina, etc. Gosto de hotéis cuja principal preocupação seja o conforto. Claro que a decoração importa. Claro que o luxo é simpático. Se for em comunhão com a paisagem, melhor ainda. Por isso quando entrei pela primeira vez no Rio do Prado, tenho de admitir que fiquei rendida. Conforto, bom gosto e luxo em simbiose perfeita com a Natureza.

Os anfitriões

Fomos recebidos por Marta Garcia, a proprietária. Sorridente, bem-disposta, faladora e sem cerimónia, é impossível ficar-lhe indiferente. Dois minutos de conversa e sentimo-nos imediatamente em casa, com aquela sensação de que nos conhecemos de toda uma vida. Mas passadas duas horas de convivência, já está a esticar a corda e a mandar-nos aquelas piadas que o ex-colega da escola nos manda quando nos revê 20 anos depois: “Estás um bocado despenteada hoje... Mais um copo? Hoje vai a garrafa toda, não?” E outras coisas do género. Já o marido, Telmo Faria, pareceu-nos mais discreto. Durante o dia, andava sempre de um lado para o outro, com cara de quem tinha milhares de coisas para tratar, e à noite, vestia o papel de mestre de cerimónias e dava-nos ótimas sugestões para o jantar.

O hotel

Olhei em volta. Estávamos no edifício principal que alberga a receção, uma biblioteca com uma espetacular lareira suspensa, e o restaurante Maria Batata. Decoração clean, minimalista e original, com pormenores em madeira deliciosos. O edifício tem a forma de uma meia-lua, com a sua fachada arredondada, em frente à qual se acende uma lareira exterior, à noite. Lá fora, uma apetecível piscina em ambiente zen e um imenso jardim com cinco lagos e quinze suites, todas independentes, todas originais. 

As suites 

A nossa, como dizia o outro, era “um luxo de imobiliário”: Ainda deslumbrados com o terraço e a lareira exterior, hesitámos entre entrar pela porta ou pela janela, tal o tamanho do vidro que vai do teto ao chão e ocupa toda a fachada do quarto. Optámos pela porta para não parecermos muito saloios e o deslumbre subiu de nível: um enorme open space com sala de estar, televisão e lareira suspensa, uma secretária, uma cama king size e uma banheira em pleno quarto. Primeira dúvida: atiro-me para cima da cama ou mergulho na banheira? Esta, sendo em cimento afagado, tem uma característica que a torna muito mais confortável do que as banheiras de cimento normais e que são muito giras mas muito quadradas e desconfortáveis: tem o fundo a acompanhar as formas do corpo que faz uma espécie de onda como algumas espreguiçadeiras de piscina.

O que mais me impressionou foram os detalhes da decoração. Pormenores surpreendentes, quase todos escolhidos e feitos à mão pelos proprietários, como os troncos de árvore que os próprios cortaram com um palmo de espessura, pintaram e penduraram no teto. Outro exemplo do talento e do bom gosto de Marta Garcia e Telmo Faria são os espelhos da casa de banho: pedaços de espelhos emoldurados por madeira tosca criam um efeito original no seu conjunto.

As únicas portas que existem (além da porta da rua, claro!) são as das zonas mais íntimas da casa de banho: só que são de vidro. Será este talvez o único inconveniente da decoração, para aqueles casais mais púdicos que não gostam de partilhar certos e determinados momentos com ninguém a não ser com um livro ou um Ipad. Por falar em Ipad, o Rio do Prado coloca um em cada quarto, onde o hóspede pode controlar em tempo real o seu consumo de eletricidade e água. (Escusado será dizer que nem o liguei!)

O restaurante

Com uma cozinha de mercado, preparada com produtos biológicos do pomar e da estufa orgânica, a ementa é variada e surpreendente. O ritual, esse, é sempre o mesmo: o jantar começa lá fora, à lareira, com um copo de vinho, pão com chouriço e torresmos acabados de fazer no forno a lenha. Continua, irrepreensível, numa das mesas da sala da lareira suspensa com vista para o jardim, e termina (se o tempo o permitir) lá fora outra vez, à fogueira. Um fim de noite de sonho em que a conversa só é interrompida por um gole ou outro de vinho e pelo coaxar das rãs que vivem nos lagos do jardim.

Efeito estufa

Quando explorar o jardim não deixe de espreitar a magnífica estufa, toda em madeira clara, decorada com ervas aromáticas nas mesas e nas paredes. Verá que terá um efeito em si: de repente vai sentir uma vontade súbita de se casar outra vez, fazer 40 anos ou inventar um qualquer pretexto para ali dar uma festa. Ideal para celebrações ou jantares especiais, o espaço promete momentos inesquecíveis. Os preços não são nada caros. Comparando com o Areias do Seixo, por exemplo, é muito mais barato e o restaurante é bem melhor.

PS – O hotel tem ainda spa, inúmeras atividades, workshops e afins. Obrigatório: o paddle na lagoa e uma visita a Óbidos. Se quiser saber mais, vá direto à fonte: www.riodoprado.pt

  

O Bom

A decoração, o restaurante, o jardim, a piscina, o serviço

O Mau

A intimidade excessiva da anfitriã

O Ótimo

As lareiras exteriores, o vinho e o pão com chouriço ao anoitecer, as suites

 

Um bom fim de semana para si,

Ela

gostamos de...

...restaurantes que têm água quente para lavarmos as mãos.

 

não gostamos de...

...ter hora marcada para acabar a refeição porque vai entrar o turno seguinte.

 

o maravilhoso mundo de elena

Crianças, animais e paisagens bucólicas. Uma talentosa fotógrafa russa juntou estes três ingredientes, fez deles o seu projeto de vida e criou uma receita de sucesso. Quem consegue resistir a crianças lindas de morrer a brincar com animais numa quinta que mais parece um cenário de um filme? Elena Shumilova comprou a sua primeira máquina fotográfica em 2012 e começou a captar os momentos mágicos protagonizados pelos seus dois filhos, Yaroslav, de 5 anos, e Vanya, de 2, e pelos animais da quinta onde vivem em Moscovo. O resultado? Imagens deslumbrantes que não deixam o maior grunho indiferente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se quiser ver o trabalho de Elena, espreite o site:

http://500px.com/ElenaShumilova

 

Por Ela

 

mercado do mar este fim de semana em cascais

 

É sexta-feira, você quer ir para a brincadeira e, apesar de no bolso não ter um tostão, quer ideias, não é isso? Pois claro, é exactamente para isso que nós estamos aqui, tal como o Boss AC está para os pós-adolescentes à procura de um emprego melhor - para o reconfortar. Meta-se no carrinho e faça-se à autoestrada. Vinte e cinco minutos depois, se partir de Lisboa, como nós, está no centro de Cascais, à frente do Mercado da Vila. Nós explicamos. Fascinados com o sucesso do Mercado de Campo de Ourique, os senhores da Câmara Municipal de Cascais quiseram também remodelar o mercado de Cascais. E têm uma coisa a seu favor: sobra-lhes na beleza e na amplitude do espaço aquilo que lhes falta na originalidade. Por isso, de vez em quando, (que todos os dias dá muito trabalho) organizam fins-de-semana temáticos no mercado. Não espere nada de muito sofisticado, nem a onda moderna e trendy de Campo de Ourique. Mas pode ser que um dia chegue lá. No Verão é agradável. No Inverno vamos experimentar.

Este fim-de-semana, de hoje a domingo, entre as 12h e as 23h, vai lá estar o Mercado do Mar. Haverá spots de restaurantes como o Moules&Gin e o Sushiway, haverá vinhos e produtos gourmet à venda e ainda sessões de "show cooking". Tudo à volta do peixe. Eu não estou à espera de nada muito tchan!, mas acho que vale a pena dar lá um salto para experimentar. Vá e depois diga-nos o que achou aqui nos comentários.

 

 

 

 

 

 

Bom fim-de-semana para si, onde quer que esteja,

Ele

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