Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

petisqueira matateu

 

 

Confesse lá, hoje acordámos mais bem dispostos, não é verdade? Basta olhar para o telemóvel de manhã e ler aquelas duas palavras milagrosas: “quinta” e “feira”. Não, não vou falar da última feira de velharias da Quinta Grande, em Sintra. Vou falar daquele dia fantástico em que começamos a reduzir a velocidade, a fazer a aproximação à pista de aterragem que é o fim-de-semana, a entrar em modo de planador; aquele dia em que começamos a desligar os motores, em que os problemas do trabalho já não têm a mesma importância, em que as imbecilidades do chefe já não parecem tão graves; aquele dia em que já é possível jantar fora sem a confusão de uma sexta ou de um sábado. Sim, parabéns, você acabou de entrar no melhor dia da semana para sair. E, se estamos a falar em sair, temos alguém que devia conhecer. Leitor do Casal Mistério este é o Matateu; Matateu este é o leitor do Casal Mistério.

 

Feitas as apresentações, vamos ao que interessa.

 

 

O ambiente

 

Primeira coisa que devia saber: o Matateu não é bem um restaurante nem sequer apenas o nome de um futebolista famoso do Belenenses. O Matateu é mais uma festa. Aqui há barulho, confusão e descontracção. Mas aqui também há boa disposição, simpatia e animação. Quando vai jantar ou petiscar ao Matateu, tem de se convencer que não vai ser atendido por empregados de farda, não se vai sentar em cadeiras forradas, não vai ouvir um: muito boa noite, bem-vindo ao Matateu. Isto é outra coisa. O que não quer dizer que seja mau, é apenas diferente. A decoração é toda evocativa da velha glória do Belenenses: há fotografias de Matateu nas paredes, há camisolas de Matateu nas molduras, há artigos sobre Matateu impressos nos individuais por baixo dos pratos. O restaurante fica em pleno estádio do Restelo, o que pode parecer assustador, mas acaba por ser um sítio divertido. Nós estivemos lá depois de um concerto de rock – e é esse o espírito com que lá deve entrar: descontraído, bem disposto e animado. Se for assim, vai gostar. Porque aqui tanto pode ficar sentado numa mesa como ao balcão e há quase sempre amigos dos empregados e do dono à conversa. Isso quer dizer que o serviço é mau?

 

 

O serviço

 

Não. Quer apenas dizer que o serviço é ligeiramente diferente do habitual. É um local de amigos. Podem esquecer-se da sua cerveja uma vez, mas estão sempre bem dispostos. E nota-se que fazem aquilo de que gostam, o que hoje em dia é uma raridade no perigoso mundo da restauração. O João Manzarra diz uma graça quando lhe traz o pedido e o empregado não faz má cara quando você pede para trocar de mesa a meio da refeição. Não é o serviço do Gambrinus, mas também não é o aborrecimento do Gambrinus. E tem outras vantagens: é rápido, é flexível, é agradável. Numa frase, é como se estivesse numa festa de amigos. Isso quer dizer que é perfeito?

 

A ementa

 

Também não. Uma festa de amigos é agradável, mas às vezes acaba a cerveja ou o whisky. Aqui acabou uma boa parte da ementa. Quando lá estivemos, não havia o petisco da semana, não havia os pastéis de bacalhau à Brás e não havia o tomate com mozarela. Mas havia outras coisas e, felizmente, não eram nada más.

  

O couvert

O pão é de Mafra, o que não é mau; e a manteiga é de alho e pimentos, o que é ainda melhor. Mas também podia ter vindo um queijinho de Azeitão... Podia, mas por acaso não havia.

   

Os petiscos

Depois das introduções, há as habituais lascas de batata (infelizmente moles e pouco estaladiças), a punheta de bacalhau com tomate e agrião (razoável, mas com este frio não é a altura ideal para pratos destes) e as agradáveis surpresas: os ovos mexidos com cogumelos e parmesão são deliciosos e vêm feitos mesmo no ponto (atenção que não é fácil fazer uns bons ovos mexidos que não saiam secos!) e o picapau de picanha é maravilhoso: é incrível como é difícil temperar a carne com picles sem a deixar com um sabor insuportável a vinagre.

 

 

 

As sobremesas

Tudo isto acabou com uma óptima mousse de chocolate com amêndoa torrada. Podia ter acabado com um promissor crumble de maçã e canela? Poder, podia (se houvesse tudo o que está na ementa), mas não era a mesma coisa.

 

O óptimo - A descontracção, o ambiente e o picapau de picanha. 

O bom - Os ovos mexidos com cogumelos e parmesão.

O mau - A quantidade de pratos que não havia.

 

 

 

E agora meta um cachecol azul ao pescoço e ponha-se a caminho do Estádio do Restelo. Não para ver a bola, mas para gritar golo se houver o picapau de picanha,

 

Ele

 

bolo do caco hamburgueria gourmet II

 

Já lá estivemos, já lá comemos e até já escrevemos sobre ele. Então porquê voltar ao assunto? Começa a faltar temas, é? A crise atirou-nos para o sofá de casa? Calma... não tire já conclusões precipitadas. Volte lá a olhar para o título. Não vê um "II"? Exactamente, estamos aqui para lhe dar uma novidade bem fresquinha, acabadinha de sair. Depois do sucesso do Bolo do Caco Hamburgueria Gourmet de Oeiras (de facto, é difícil encontrar um restaurante mais cheio desde que o FMI aterrou no aeroporto da Portela), agora vai abrir o Bolo do Caco Hamburgueria Gourmet do Monte Estoril. E quem diz agora, diz dia 5 de Fevereiro. Está interessado? Então aqui ficam mais informações: tudo isto se passará na Avenida Sabóia, 515 C e para marcar, pode ligar o 21 467 20 60. Chega de novidades? Não chega, não. A ementa terá dois pratos novos: o Dragon Burger (com caril, tikka massala e chutney de manga) e o Sabóia Burger (com camarão e ovas de lumpo). Enquanto não vamos lá experimentar tudo isto incógnitos, fica aqui a crítica mistério que fizemos ao restaurante de Oeiras:  

http://casalmisterio.blogs.sapo.pt/5606.html

 

Até lá vá abrindo o apetite,

Ele

era um clooney, perdão, um café com trufas de chocolate e coco...

Confesso. Gosto muito de café mas sou fã de Nespresso. Mais grave. Sou viciada. Adoro todos os sabores (os mais antigos, os mais recentes, os exóticos, as edições limitadas, os que ainda hão de inventar, todos, sem exceção), a textura aveludada, a espuma, o design das máquinas, as lojas, a eficiência do serviço de entregas, os anúncios... sim, sobretudo os anúncios. Diria mesmo que na minha vida, há um A.N. e um D.N.

Antes do Nespresso, bebia dois cafés por dia, hoje (o período da minha vida que no futuro será estudado como D.N.) bebo, no mínimo, cinco:

 

- de manhã, começo sempre o dia com um capuccino Fortissio Lungo.

 

 

- a meio da manhã, tenho de recorrer a um Ristretto, para acordar definitivamente.

 

 

 

- a seguir ao almoço, vario entre o Indyra e o Capriccio, depende do nível de dormência que normalmente atinge o meu corpo por essa hora.

 

 

- a meio da tarde, marcha um Livanto bem cheio, para enganar a fome.

 

 

 

- a seguir ao jantar, durante a semana, opto por um Descafeinado, porque por essa altura já tenho os olhos mais abertos do que a Manuela Moura Guedes quando lia um pivot sobre José Sócrates. 

Ah, é verdade, já me esquecia de um pequeno pormenor: é o George Clooney que faz os anúncios da Nespresso. Who else?

 

 

 

 

 

OK. Admito (Ele que me perdoe). Todo este post foi um pretexto para encher o blog com fotografias do Clooney...

 

E já que não podemos ter o Clooney ao longo destes momentos do dia, faça como eu: acompanhe cada chávena de Nespresso com as deliciosas trufas de chocolate e coco ou com os inigualáveis bombons da Chocolataria Equador. Não conhece ainda? Não perca tempo! Depois do sucesso no Porto, já abriu em Lisboa, no Chiado. Mal puser um pé dentro da loja vai viver toda uma experiência sensorial do outro mundo. Até se vai esquecer que o Clooney existe... pelo menos até ao próximo Nespresso com trufas.

 

 

 

Por Ela

A engenhoca que ele adoraria ter na cozinha

Ben Krasnow é um grande cromo e bem que podia ser o meu marido, a pessoa mais perfeccionista que eu conheço na cozinha (só na cozinha, já a arrumar a casa, são outros quinhentos!!!). Este programador informático pensou, pensou e decidiu inventar uma engenhoca com o único objetivo: fazer o biscoito perfeito. Senhoras e senhores, apresento-vos a The Cookie Perfection Machine: uma espécie de carrocel, ligado a um computador, que vai distribuindo os vários ingredientes à vez, testando a dose de cada um em cada biscoito, até atingir a perfeição. Confuso? Ora veja:

 

Por Ela

o novo serra da estrela

 

 

Um regional sofisticado

 

Ponto prévio.

Não há nada mais irritante do que chegar a um restaurante e:

- Para beber queria uma Coca-cola Zero com gelo e limão.

- Pode ser Pepsi Light?

 

O que apetece mesmo é:

- Não, é evidente que não pode ser Pepsi Light. Eu pedi Pepsi Light? Não pedi, pois não? Então não pode ser. É a mesma coisa que pedir um sumo de laranja natural e perguntar-me se pode ser Joy. Ou pedir um bife do lombo e perguntar-me se pode ser da rabadilha. Não pode. Odeio Joy, odeio rabadilha, odeio Pepsi e odeio mais ainda Pepsi Light. Parem com o massacre! Quero Coca-cola! É assim tão difícil de perceber?????!!!!!

 

 

 

Agora que já estou um pouco mais relaxado, podemos passar ao que interessa. Tirando esse gigante detalhe que é a perseguição da Pepsi aos clientes com bom gosto, vamos às notícias: o restaurante Serra da Estrela foi remodelado no Centro Comercial Alegro, em Alfragide. Abriu o novo espaço em Dezembro e só tem coisas boas. Algumas, boas demais.

 

 

O serviço

Uma coisa é um empregado simpático, outra coisa é um empregado com um espasmo muscular que o faz passar 24 horas por dia, 3600 segundos por hora a sorrir. É - como é que posso dizer isto sem ser ofensivo? - um pouco, muito pouco, incomodativo. Eu gosto de alguém que sabe sorrir quando deve ser simpático e sabe fazer um ar sério quando deve ser credível. De qualquer forma, para não dizerem que eu estou sempre a embirrar, também não é por aí. O serviço é rápido, eficiente e só um bocadinho simpático demais. Se houvesse um ar trombudo de vez em quando, seria perfeito.

 

O ambiente

A nova decoração não tem nada a ver com a Serra da Estrela. Mas isso não é obrigatoriamente mau. Especialmente quando a decoração que tem a ver com a Serra da Estrela é a que existia antes e ainda existe nos outros shoppings pelo país. Aqui o espaço é clean, bonito, branco e chama a atenção. Talvez um pouco sofisticado demais para um restaurante regional. Mas quem disse que este quer continuar a ser um restaurante regional?

 

 

A ementa

O couvert

Aqui houve a decência de manter o espírito regional: há presunto, queijo e tudo o resto que possa imaginar. Mas tudo isso se paga e, acima de tudo, demora. Ora, um almoço num centro comercial, entre uma reunião de manhã e uma conferência à tarde, não é programa para demorar nem para custar caro demais. É para ser rápido, barato e saboroso. E, por isso, fiquei apenas pelo pão, pela broa e pelo pão de passas. Tudo muito bom.

 

O prato principal

Aqui houve a ousadia de arriscar alguma coisa mais moderna. A descrição "costeletas de borrego grelhadas com molho de romã e vinho do Porto, folhado crocante de cogumelos e grelos salteados com presunto" dá-lhe vontade de apanhar o primeiro táxi em direcção a Alfragide? A mim dá, mesmo que isso implique 20 minutos a ouvir o taxista a falar das desgraças do País e das tragédias do Mundo. E há boas razões para esse entusiasmo. O prato é fantástico, o molho de romã e vinho do Porto é uma surpresa que joga na perfeição com o borrego, os grelos salteados são óptimos e o folhado crocante é isso mesmo - um folhado crocante. Uma única ligeiríssima crítica. Costeletas de borrego grelhadas têm de vir ligeiramente tostadas e estas estavam ligeiramente moles. Não é perfeito. Mas é bom. Muito melhor do que era antes.

 

Antes de me despedir, porque também não houve tempo para sobremesas, um último pedido - e este vem do fundo do coração: vejam lá isso da Coca-Cola, que eu já não tenho idade para me irritar desta maneira...

  

 

 

E para relaxar, aqui vai uma frase mais comprida:

Em nome de toda a equipa que produziu, relaizou e levou até si este blog, uma boa semana de trabalho,

Ele

salada de peito de pato fumado com salmão e palitos de queijo fresco

 

Está-se mesmo a ver: fim-de-semanazinho com grandes jantaradas fora, almoços até às tantas, sobremesas coladas à sopa da refeição seguinte... basicamente, está asfixiado em comida, não é? Pelo menos, aqui em casa há quem esteja nesse estado lamentável. E foi por isso que hoje fui obrigado a preparar uma refeição light para desintoxicar dos últimos dias. A solução? Uma Salada de Inverno. Sim, é possível juntar as duas palavras no mesmo prato. 

Ao abrir o frigorífico, encontrei um peito de pato fumado que tinha sobrado da passagem de ano (não, não se preocupe que ainda faltavam quatro dias para acabar o prazo de validade). Preparei umas folhas de rúcula, de alface e de agrião (vão vale a pena voltar a dizer que são biológicas, de uma daquelas empresas de cabazes que entregam em casa, pois não?) e juntei uns tomates cherry cortados em quatro. Equanto os verdes estavam a secar, cortei uma cebola: metade às fatias finas para a salada, a outra metade picada para uma panela com um fio de azeite, onde cozinhei ligeiramente uma posta de salmão congelado e umas folhas de coentros.

Depois de o peixe estar pronto - dourado por fora e rosado por dentro - dividi-o às lascas (não é o mesmo que cortá-lo aos bocados) e deixei arrefecer. Enquanto isso, o peito de pato fumado estava ao ar livre a libertar os cheiros da embalagem. Juntei, os verdes, o tomate, o peito de pato, o salmão, o azeite e a cebola que o cozinhou e ainda mais uma maçã laminada e um queijo fresco grande aos palitos. Tudo misturado com mais um pouco de azeite, vinagre balsâmico, sal e pimenta. 

 

E para acompanhar? Bom, não pode ser tudo dieta, pois não? Por acaso estava no frigorífico uma garrafa de espumante Caves da Montanha Grande Reserva bruto de 2005. É mal empregado para acompanhar uma salada? Como dizia o Álvaro Cunhal, olhe que não, olhe que não...

 

 

Um abraço e uma boa semana para si, onde quer que esteja,

Ele

ambrósio, apetece-me algo...

Que tal uma ceviche, para não engordar?

 

  

E um doce de banana, amêndoas, nozes e framboesas, para me desgraçar?

 

 

 

Por Ela

 

gin fifty pounds com framboesas

É domingo, esteve uma tempestade horrorosa durante a noite toda, à sua volta só se discute a adopção por casais homossexuais e os juros da dívida pública. Você tem duas hipóteses: mete-se no próximo avião para as Maldivas ou abre uma garrafa de gin. Como entretanto apareceram os primeiros raios de sol e já passa das duas da tarde, prefiro o gin. Ou melhor, só tenho plafond no cartão de crédito para o gin. Mas convém que seja uma receita especial para conseguir relaxar. E é para os momentos especiais que Deus inventou as framboesas. Pegue num copo próprio para gin e encha-o de cubos de gelo bem grandes. Rode o copo até o gelar todo à volta. A seguir, coloque quatro framboesas e esmague uma (podem ser congeladas, que os tempos não estão para grandes despesas). 

 

 

 

Deite um cálice de Fifty Pounds e misture para o gin absorver os aromas da fruta. Se gostar da bebida um pouco ácida, junte uma casca de limão, se não deixe como está e limite-se a deitar uma garrafa de tónica 1724. Misture duas ou três vezes e sente-se à lareira. Com o calor do fogo e o sol lá fora, vai parecer as Maldivas. Ou quase.

 

- Gin Fifty Pounds

- 4 framboesas

- 1 casca de limão

- Tónica 1724

- Gelo, muito gelo

 

  

Um bom domingo para si, onde quer que esteja,

Ele

boulan – tea room and gourmet corner, um dos segredos mais bem guardados do monte estoril

Está a ver o Mimosa, uma pastelaria muito conhecida no coração do Monte Estoril? Vá até lá, mas entre no portão ao lado, no número 4 da Avenida do Lago, onde se esconde uma casa de chá chamada Boulan: um dos meus sítios preferidos, na linha de Cascais, para um brunch tardio ao fim de semana ou um lanche quente nestes dias de chuva e frio. Aberto das 8h30 às 19h00, serve refeições light (um incentivo para quem como eu vive a começar uma dieta amanhã) e não só... E o problema começa exatamente no “não só”. Mal entro e me deparo com o menu escrito a giz numa ardósia numa das paredes da sala, começa a água a crescer-me na boca, o coração a bater mais depressa, e pronto, esqueço-me rapidamente das minhas boas intenções e sigo o meu instinto animalesco: “Queria, se faz favor, uma dose de scones com todas as compotas (para ir variando) e manteiga (para não enjoar), uma fatia de bolo de chocolate… ah, e um chá (para não engordar!)”

O brunch 

Servido aos sábados, domingos e feriados entre as 11h e as 15h30, inclui oeuf à la coque, iogurte natural com granola, seleção de queijos, presunto, fiambre e salmão fumado, alfaces variadas, seleção de dois pães e um croissant, sumo natural de fruta, bebida quente e escolha de 2 compotas, marmelada e manteiga. Tudo fresco e bom, por 15 euros, por pessoa.

Se não for alarve como eu, pode sempre optar pelo continental, por 8 euros. E se for obcecado pelo físico como a Carolina Patrocínio, tem o Bio à sua disposição: com uma seleção de cereais com granola, um sumo natural, pão escuro, um queijo fresco ou fiambre de frango, e claro, salada. Esta opção light custa-lhe 9,5 euros.

O almoço 

Aqui é mais fácil resistir às tentações, porque a oferta light é boa, variada e com ótimo aspeto. E, por isso mesmo, enche o olho e o estômago: desde sopas aveludadas, a wraps das mais variadas cores e feitios, quiches, empadas, sandwiches e deliciosas saladas, garanto-lhe que não fica com fome. Pessoalmente, peço sempre o wrap de salmão com queijo filadélfia que vem com uma ótima salada e enche-me as medidas.

O lanche  

Aqui é que a porca torce o rabo. É onde me desgraço. Porque o difícil é escolher entre a imensa oferta de chás e os apetitosos scones com as mais diversas compotas, e os bolos caseiros ou os sumos naturais. Os scones, a tarte de lima com framboesas e o bolo de chocolate fazem-nos esquecer que temos uma balança em casa.

O serviço

Simpático mas ligeiramente demorado, já que sempre que lá vamos, estão apenas duas pessoas: uma na cozinha, a outra sozinha a servir na sala. Mas se não tiver pressa, nem dá pelo tempo de espera… e a espera compensa.

O ambiente  

A esplanada é simpática, cuidada e bem decorada. Lá dentro, o ambiente é agradável se não optar pela varanda com vista para os courts de ténis do Clube do Lago, onde se pode fumar. A decoração é moderna e arejada. Tão arejada que, no inverno, trememos de frio. Um conselho: leve casaco porque não vai conseguir tirá-lo. 

No final, quando for a hora de pagar, fique sentado à mesa e não se dirija ao balcão, porque senão a sua conta vai inevitavelmente inchar. Eu estou a avisar: tenha cuidado e não ceda à tentação, porque é impossível resistir ao “gourmet corner” do Boulan, situado precisamente ao lado da caixa registradora. As latas de chá (Mariage Frère, Kusmi Tea) são lindas de morrer, as bolachas e os biscoitos caseiros (Casa Fina) de chorar por mais, os aperitivos salgados (Cottage Delight) uma tentação, as compotas (Quinta do Freixo) uma loucura, e os chocolates (Valrhona) ou o foie gras (Fauchon) de perder a cabeça. 

No regresso a casa, um último conselho: esconda a balança!

 

Um ótimo lanche,

Ela

rosbife com molho de foie gras e vinho do porto

 

O Barcelona tem o Messi, o Real Madrid tem o Ronaldo, o Tarzan tem a Jane e você tem de ter uma faca Shun Damasco. Faz parte das mais elementares ligações do universo: alguém que queira cozinhar minimamente tem de ter uma boa faca de cozinha e a Shun Damasco vai entrar na sua vida como o Egas entrou na vida do Becas - bom, esta, se calhar, é um bocadinho demais...

É um investimento de três dígitos - a faca de chef, com 15 cm, custa em Portugal, na loja online www.commerciol.com, 108,57 euros (com portes de correio incluídos) - mas vale a pena. É com esta faca, que tem o ângulo de lâmina mais reduzido que existe, que a carne se transforma em manteiga e uma fatia de rosbife numa fatia de fiambre.

E é exactamente o rosbife que me traz aqui hoje. Para começar, precisa de um bom naco de carne. Tempere-o com sal e um pouco de alho esmagado e passe-o numa frigideira com muito pouco óleo, bem quente, para o dourar de todos os lados: cima, baixo, esquerda e direita. Não cometa o erro habitual de usar manteiga ou azeite, porque estes queimam a temperaturas mais baixas e, para dourar a carne, vai precisar de ter a frigideira bem quente.

Depois de ter a carne selada, leve-a ao forno, com o molho que sobrou da fritura, a 200 graus, durante aproximadamente 15 a 20 minutos, dependendo de como gosta da carne. Quando esta estiver pronta, tire-a do forno, envolva-a em papel prata e deixe assentar.

Entretanto, invista no molho, porque isso é que vai fazer a diferença. Ponha 50 gramas de manteiga numa panela pequena em lume brando juntamente com quatro chalotas picadas. Para o molho, o lume tem de ser o mais fraco possível. Depois de as chalotas estarem alouradas, junte uns cogumelos frescos cortados aos bocados e 50 gramas de foie gras (ou mousse de pato se estiver numa onda Vítor Gaspar). Vá mexendo até os cogumelos estarem cozinhados e o foie gras desfeito. Falta apenas o último toque: um cálice de vinho do Porto, natas a gosto e corrigir o sal. Se tudo isto não estiver com uma consistência aveludada, passe com a varinha mágica até ficar um líquido espesso.

A seguir, volte à carne. E é aqui que entra a Shun. Corte o rosbife em fatias fininhas e disponha-as numa travessa. Mesmo que a carne esteja morna, não faz mal, desde que o molho esteja muito quente. Leve à mesa, tudo separado e sirva. Lembre-se: não vá na conversa de facas eléctricas ou fiambreiras caseiras para cortar carne. Nós aqui falamos em japonês: Shun para si é sinónimo de rosbife.

 

   

Para a carne

1 naco de rosbife

Sal

Alho

 

Para o molho

50g de manteiga

4 chalotas

Cogumelos frescos

50g de foie gras

1 cálice de vinho do Porto

Natas

Sal

 

Delicie-se, onde quer que esteja,

Ele

a meta dos leitões e a visita de estudo do cds

 

Em relação a esta polémica entre o CDS e a Meta dos Leitões, só não percebo um ligeiríssimo detalhe: como é que os donos do restaurante, cheio a um domingo, se aperceberam de que um grupo de pessoas discretas, amáveis e civilizadas, que seguramente falam com o tom de voz da Mafalda Veiga e agem com a veludez de uma bailarina do Bolshoi, eram militantes do CDS? Não quero crer que, num momento de maior excitação, os militantes tenham entrado no restaurante ainda com os cachecóis do CDS ao pescoço, as bandeiras debaixo do braço e o autocolante com a cara do Paulo Portas junto ao coração. Recuso-me a acreditar que tenham falado alto, gritado urros de vitória ou cantado o hino da Dina. Não é que seja crime, mas no mínimo é desconfortável para os outros clientes, sejam eles Portistas ou Leninistas. Nós que já lá estivemos com os nossos quatro filhos, cinco primos e 23 amigos nunca fomos identificados como Casal Mistério, então porque é que os 15 seguidores do culto a Paulo Portas se fizeram notar? Passada a perplexidade inicial, importa ir ao que interessa: vale a pena ir à Meta dos Leitões? Resposta difícil: primeiro ligue para lá a saber se o João Almeida ou qualquer outro pós-adolescente mergulhado em acne se encontra no raio de 100 quilómetros mais próximo. Se lhe garantirem que não, meta-se rapidamente no carro. E, de preferência, não tome o pequeno-almoço.

  

A ementa

Aqui é um sítio onde não se deve perder tempo com couverts ou entradas. É um restaurante de leitão estaladiço, batatas fritas finíssimas e salada saborosa. E é para isso que deve reservar o estômago. Sobretudo se não for obrigado a ouvir as histórias dos ladrões do rendimento mínimo na mesa ao lado.

 

O leitão

O leitão é suculento por dentro e estaladiço por fora. Pode - e deve - pedir essencialmente costelas e deliciar-se com o molho - picante, mas agradável.

  

O vinho

Não hesite. É o Casa Sarmentinho frisante, um Bairrada equilibrado, gaseificado e muito leve. É produzido pelos donos do restaurante e merece todos os elogios que lhe possam ser feitos.

 

As batatas

As batatas fritas estão naquele ponto em que parecem ter sido todas cuidadosamente cortadas à mão até atingirem a espessura de uma folha de papel de 90 gramas. Não têm óleo a mais nem sal a menos. São simplesmente perfeitas.

  

A salada

Este é o ponto em que se nota a preocupação de quem está na cozinha. A salada é normalmente o alimento desprezado pelos cozinheiros - o acompanhamento que leva umas folhas de rúcula para impressionar e um tomate mal cortado para encher. Aqui não. Aqui há alface boa e cebola picante, divinalmente temperada com azeite e vinagre à medida. São produtos da lavoura, meus senhores! Deveriam ser o orgulho discreto dos centristas, não o local onde se prolonga a festa de entronização do líder sem respeito pelos alimentos.

 

O ambiente

Confesso que poderia ser melhor - e não é só por causa da infeliz visita de estudo dos rapazes do CDS. Ao fim-de-semana, já lá encontrei colegas de trabalho que não queremos ver, amigos que não queremos cumprimentar ou conhecidos que preferimos esquecer. É quase como uma estação de serviço dos patos bravos.

  

O serviço

Com uma média de idades que deve rondar os 67 anos, são empregados que têm de ser tratados com cuidado. Se quer ser bem recebido, peça desculpa por estar a chamar, faça um elogio à comida e ouça aquilo de que eles se têm a queixar. Este é um sítio quase familiar, não é definitivamente para festas partidárias.

 

O melhor -  O leitão, as batatas, a salada, o vinho, tudo

 

O razoável - As sobremesas

 

O que é para esquecer - Os amigos do João Almeida

  

Um abraço para si, especialmente se estiver na Mealhada,

Ele

a oportunidade da semana

Vinho tinto Soligamar Reserva 2009

 

Confesse lá: quando entra no Lidl sente-se um bocadinho como a Angela Merkel a subir para cima de uns skis na Serra da Estrela, não é? É tudo muito pobrezinho, mal amanhado e limitado... Ora, neste momento solene, tenho um anúncio a fazer-lhe: você parou no tempo. Apesar de não ser a Gstaad dos supermercados, o Lidl tem, de vez em quando, algumas surpresas agradáveis (o que manifestamente não acontece na Serra da Estrela): risottos de trufas a 2 euros, farfalle com cogumelos boletos a 1 euro e por aí adiante. Para mim, a surpresa deste fim-de-semana foi um vinho digno do El Corte Inglès. Por cerca de 7 euros, comprei uma garrafa de Soligamar Reserva tinto de 2009. É um Rioja, o que já é bom. É um reserva, o que ainda é melhor. É um tinto elegante e produzido em pequenas quantidades, o que é fantástico. E é 3 euros mais barato do que na generalidade dos supermercados, o que é uma maravilha.

Ora poupanças de 30% numa altura destas fazem a Angela Markel salivar de alegria - e você pegar no saca rolhas.

 

 

Aproveite, onde quer que esteja,

 

Ele 

o casal mistério virou família numerosa

 

Este domingo, ao fim de menos de um mês online, superámos a meta dos 200 likes e chegámos aos 216 na nossa página do facebook e a mais 200 seguidores no instagram (www.instagram.com/casalmisterio). Se isto não se começa a aproximar da familia do Roberto Carneiro, então não sabemos o que é. No blog, ultrapassámos as 4 mil visualizações e as 2 mil visitas. E tudo isto com a discrição de dois monges budistas: sem revelar a identidade, sem contar aos amigos, sem pedir a conhecidos para promoverem a nossa página, sem avisar nos restaurantes que queremos ser bem recebidos porque vamos escrever sobre o sítio. O único responsável por este sucesso é V. Exa., caro internauta, que todos os dias tem a paciência de vir aqui ler as alucinações que escrevemos. Esperamos que continue a gostar e que convide os seus amigos a conhecerem o casal.

Obrigado,

Eles

quinta do vallado, um refúgio de sonho onde o vinho é rei

10150790_774915365865637_2041583696730020213_n.jpg

Imagine um hotel moderno, sofisticado, cercado de vinha, ou melhor, de vinho por todos os lados. É uma ilha de emoções. Um paraíso para quem, como nós, adora esta bebida inspirada. E depois há o conceito: Wine Hotel. A expressão em si é música para os nossos ouvidos. Resultado: acordávamos a desejar que fosse meio-dia, a hora que estipulámos de razoável para beber o primeiro copo de vinho branco. A partir daí, entre provas de branco, tinto e portos secos, vintage e tawny, foi a verdadeira loucura.  

11221691_1022398247784013_2178765447171807269_o.jp

Lá fora

O hotel está dividido em dois edifícios: o histórico, que data do século XVIII, entretanto recuperado, e o novo, do século XXI. Optámos pelo mais recente. Quando chegámos, já perto das oito da noite, depois de vários quilómetros de curva e contracurva, estavam 4 graus. Arrumámos o carro e subimos a escadaria imensa que dá acesso ao hotel, plantado nas típicas encostas das margens do Douro. À nossa esquerda, o edifício construído em 1733 e recentemente recuperado. À direita, o novo, projetado pelo arquiteto Francisco Vieira de Campos, para onde entrámos rapidamente, já com o nariz a congelar.  

Primeiro impacto 

A receção aqueceu-nos a alma. Com paredes e chão de xisto, a decoração é sóbria e elegante. Ao fundo, a miragem das salas e da biblioteca, com as suas três lareiras acesas, pareceu-nos um milagre. Mas todo o encantamento se desvaneceu quando nos anunciaram que não serviam jantares, porque “a taxa de ocupação não justifica”. Gelámos novamente com a perspetiva de ter de voltar a sair. Lá fomos à Régua jantar ao Douro in e regressámos rapidamente para aproveitar o hotel. 

Cá dentro

O quarto é confortável e clean (dispensávamos um gigantesco buraco na parede junto à ombreira da porta), e a casa de banho, toda ela em xisto preto, é minimalista e trendy. A varanda tem uma vista bonita mas não é deslumbrante. A cama dá para mais de duas pessoas (cada um sabe de si! Estou aqui para informar…) e é super confortável. Os lençóis, endredon e almofadas são frescos e macios. Mas onde se estava realmente bem era em frente às lareiras da sala e da biblioteca que tornavam estes espaços os mais quentes e acolhedores da Quinta do Vallado. Por isso, acabámos o dia da melhor forma: a ler um bom livro, com um excelente vinho, ao som do crepitar das chamas e da música ambiente de um discreto iPod colocado numa das mesas da sala.

O pequeno-almoço

No dia seguinte, fomos surpreendidos por um pequeno-almoço de rei: inúmeros pãezinhos, croissants, bolo, fruta variada (até romã!!!), ovos, bacon, presunto, tomate, azeite, manteiga, sumo de laranja natural, queijos, fiambres diversos, mortadela, queijo fresco, compotas caseiras, frutos secos, doce, leite, café, chá, expresso, e até nutella! Ufa! Estava mais para brunch do que para pequeno-almoço, tal era a fartura. Tudo isto servido com requinte e muito bom gosto, numa sala de jantar arejada, com duas janelas enormes que convidam a paisagem a fazer-nos companhia, separadas por uma original lareira suspensa, que aquecia ainda mais o ambiente.

Pormenores que fazem a diferença

No dia seguinte, o pequeno-almoço já foi de príncipe. A "taxa de ocupação" claramente não justificou uma ida ao supermercado. Passou de ótimo a razoável em apenas 24 horas. E a única lareira acesa era a da sala de jantar. As da sala e da biblioteca mantinham as cinzas da véspera. A mesa de jogo da noite anterior permanecia intocável, com os nossos copos de vinho do porto e as chávenas de café por levantar. O serviço, "quando a taxa de ocupação não se justifica", é manifestamente insuficiente, apesar da simpatia dos dois únicos funcionários que nos atenderam durante toda a estada. Por isso, decidimos dar uma ajuda e acendemos nós as lareiras.

524673_411715885518922_1466101175_n.jpg

O jantar

Depois da desilusão da primeira noite, ofereceram-nos a hipótese de jantar no hotel no segundo dia. A mesma sala do pequeno-almoço, com a sua lareira suspensa (acesa!) abriu só para nós. O menu era fixo, mediano e caro: por 35 euros por pessoa, comemos uma canja de galinha razoável, um medíocre bacalhau com broa requentado, e um petit gateau com gelado de baunilha de sobremesa. Os vinhos da casa salvaram a honra do convento. Mas, pelo menos, não tivemos de enfrentar o frio lá fora...

O Douro

Os dias foram passados a descobrir a região, linda com as suas inúmeras quintas e paisagens deslumbrantes, sempre com o Douro como protagonista. A que mais me impressionou, não pelo vinho (porque, francamente ao fim de tanta prova, já não distinguia o tawny do vintage, o tinto do branco) mas pela qualidade e o profissionalismo da visita, e pela beleza da propriedade e da vista, foi a Quinta do Seixo, da Sogrape. Cinco estrelas! 

Em memória da Dona Antónia

No último dia, ao final da tarde, regressámos ao hotel para fazermos finalmente a visita às vinhas e à adega da Quinta do Vallado. Num registo mais intimista mas não menos profissional, dada a proximidade que já tínhamos com o nosso guia, um simpático funcionário do hotel. A paixão com que nos contou a história da quinta, pertencente aos herdeiros da mítica Dona Antónia, e nos explicou todo o processo, desde as vindimas ao engarrafamento, fez-nos sonhar com a nossa própria vinha. E decidimos começar a treinar logo ali, tornando-nos peritos na matéria: atirámo-nos a mais uma prova de vinhos.

O bom

A decoração do hotel, a vista

O ótimo

O pequeno-almoço (no primeiro e último dia), as lareiras, a simpatia do nosso guia durante a visita às caves

O mau

O jantar não é brilhante, o serviço é insuficiente quando a "taxa de ocupação não se justifica"

O péssimo

Não há péssimo

 

Um ótimo descanso,

Ela

e agora algo completamente diferente...

 

Alguém me pode responder a uma pergunta simples e directa? Porque é que em todos os concertos em Portugal as meninas que sentam as pessoas passam o espectáculo inteiro, histéricas, a correr de um lado para o outro da sala a impedir as pessoas de tirarem fotografias com os telemóveis? Eu compreendo o drama dos direitos de autor e percebo perfeitamente que se combata a pirataria ilegal. Mas alguém acha que uma pessoa com um telemóvel, sentada na última fila da sala, vai recolher imagens para as vender? Alguém acredita que os minivídeos gravados da plateia com um smartphone servem para produzir DVDs piratas do espectáculo que depois serão vendidos por fortunas no mercado negro? Alguém está convencido que as fotografias têm qualidade para reprodução na imprensa?

Durante anos foi proibido filmar e fotografar nos concertos para defender os direitos de autor. E durante anos isso fez sentido. Mas entretanto o mundo mudou, o Steve Jobs inventou o iPhone, o Mark Zuckerberg criou o Facebook e toda a gente tem um telemóvel, uma câmara fotográfica e uma conta numa rede social. Tudo no mesmo aparelho. Isso não transforma os espectadores de concertos em perigosos assassinos dos direitos de autor. Transforma-os apenas em clientes que estão a gostar de um espectáculo e que gostariam de partilhar uma fotografia desse momento com os amigos. É assim tão difícil de perceber?

 

Ele