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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a pizzaria lisboa do "zé" avillez

A ementa

A massa

José Avillez é provavelmente o melhor chef português do momento. Mas não basta começar a tratá-lo por Zé Avillez (como acontece nas promoções da Pizzaria Lisboa) para o transformar automaticamente no melhor cozinheiro de pizzas em Portugal. Aqui os ingredientes são bons, as receitas são cuidadas e as combinações são surpreendentes. Mas, como dizia o Ambrósio, às vezes apetece-nos algo. E a mim apetecia-me uma massa de pizza mais definida. Ou é grossa e suave como as napolitanas; ou é fina e estaladiça como as romanas. Infelizmente José Avillez (ou Zé para os clientes da pizzaria) optou por uma mistura: fina e suave. É bom? É. Mas parece que o forno falhou a meio e o estaladiço virou mole. Tirando esse pequeno detalhe, vamos ver...

...O couvert

Como seria de esperar, numa pizzaria não há pão, há grissini. E os do "Zé" são óptimos: grossos, leves, estaladiços e com uma consistência perfeita que não embucha. E há também focaccia: aquela pizza finíssima e estaladissíssima, aqui temperada com azeite, alho e alecrim. Você leu estaladissíssima? Algumas fatias sim, outras não. O que me leva a pensar que existe aqui uma perseguição contra os alimentos estaladiços.

As entradas

A burrata com pesto e pinhões é simples - não é uma receita complicada, mas nem todas as grandes receitas têm de ser complicadas, aqui a surpresa está na qualidade dos alimentos e na simplicidade das combinações. Os carpaccios de novilho e de atum são normais - atenção que "normal" é muito diferente de simples. E a salada de alfaces novas, com alcachofras, vinagrete de balsâmico branco e parmesão é uma pena - estava tudo óptimo se as alcachofras não fossem de lata.

As pizzas

Saltando por cima da questão da massa, sobra-nos a questão do recheio. E aqui está bem servido. Tirando as pizzas picantes, que são MESMO picantes, as outras têm algumas óptimas combinações: burrata e mortadela trufada, pêra rocha e presunto de Chaves, alho e carabineiros do Algarve ou presunto, manjericão e figos (esta só está disponível na época dos figos, tal como a salada da entrada só deveria estar disponível na época das alcachofras). Antes de chamar o empregado para fazer o pedido, dê uma vista de olhos naquela discreta coluna do lado direito da lista, onde estão uns números e uns símbolos de euros. É que aqui o preço de uma pizza varia entre os €9,5 e os €50 (não, não é gralha, não falta nenhuma vírgula entre o 5 e o 0).

O serviço 

É rápido, sóbrio, eficiente e não sorri. Por muito que eu tivesse tentado durante toda a noite, a senhora loura que nos serviu não conseguiu esboçar um único sorriso. Mas quando tudo o resto funciona, não nos podemos queixar.

O ambiente 

Lá por ser um restaurante do chef do Belcanto e por ter pizzas a €50, não espere nada muito sofisticado. Nem mesmo pouco sofisticado. As casas de banho estão sujas com pingos de chichi no chão (para não dizer pequenas poças), a sala está ruidosa (para não dizer barulhenta) e atrás de si pode haver gente sentada ao balcão (para não dizer a tocar nas suas costas). A Lisboa é uma pizzaria e não tenta ter um ambiente diferente. É simples, relaxada e um bocadinho de nada kitsch na ementa, onde cada pizza faz questão de ter o nome de um bairro da cidade.  

O bom

Os ingredientes frescos e os recheios das pizzas com combinações surpreendentes

O razoável

A massa

O péssimo

Os preços e o chão da casa de banho

 

E por falar em kitsch, um abraço para si onde quer que esteja,

Ele

pasta bucatini com mexilhão, queijo boursin e manjericão

A salvação dos restos

 

- 400g de pasta bucatini Garofalo

- 200g de miolo de mexilhão congelado

- 1 cebola

- 1 alho francês anão

- Resto de Boursin

- Manjericão

- Azeite

 

Natal + passagem de ano + férias + jantares em casa = restos, muitos restos. E esse tem sido o drama dos últimos dias: o que fazer à comida que sobrou e que está mesmo ali, pronta a transformar-se numa enorme bola de bolor? Ontem abri o frigorífico e olhei para um magnífico queijo Boursin prestes a despedir-se do mundo dos vivos. Enjoado de aspirar queijos sofregamente para não os deixar estragar, resolvi pegar num resto de pasta bucatini (é uma espécie de spaghetti mais grosso e oco por dentro) e nuns mexilhões congelados que tinha comprado há umas semanas e fazer uma massa. O Boursin é um queijo francês cremoso, meio amanteigado, feito com ervas e especiarias, com um sabor intenso mas delicado, que fica lindamente com marisco. Peguei numa cebola picada finamente, num alho francês acabado de chegar da horta que me fornece os legumes frescos em casa e juntei-os com azeite até alourar. Depois deitei os mexilhões ainda meio congelados para libertarem um pouco de água, umas folhas de manjericão picado, o resto do Boursin e mexi até o queijo se derreter num creme parecido com natas. Quando tudo começou a ficar com bom aspecto, acrescentei a massa cozida al dente e envolvi. Não se esqueça de uma coisa: depois de cozer a massa, passe-a sempre por água para tirar a goma e não a deixar colada, com aquele aspecto de cabelo seboso. Detalhe: não falei de sal e de pimenta, porque você também tem de decidir alguma coisa num prato cozinhado por si.

  

 

E agora, com ano novo, despedida nova:

Em nome de toda a equipa que produziu, realizou e levou até si este blog, um grande abraço,

Ele

o que é que rute marques terá comido ao pequeno-almoço?

como separar a gema da clara do ovo

Aqui está uma dica útil para fugir a um dos maiores pesadelos na cozinha: separar a gema da clara dos ovos. Não perca este divertido vídeo da Handimania... e tente fazer em casa. Nós já tentámos e foi prova superada. Ficamos à espera dos vossos comentários!





Il gattopardo

O restaurante preferido de Sócrates

 

Existe pior cartão-de-visita do que ser o restaurante favorito do ex-primeiro-ministro mais pedante e enervante de que há memória? Não… mas o Il Gattopardo não tem culpa. E Sócrates tem milhares de defeitos, mas ninguém o pode acusar de falta de gosto (exceção feita à escolha das namoradas). Fui convidada pela minha mãe para almoçar e confesso que até torci o nariz. Nem o restaurante nem o ambiente têm muito a ver comigo, mas enfim, sempre que lá fui, comi bem, por isso lá acedi. Além disso, adoro cozinha italiana.

Enquanto nos dirigíamos para a mesa, fui-me deliciando com a paisagem: um banqueiro na mesa do fundo numa espécie de reunião de negócios, um conhecido empresário muitíssimo bem acompanhado, dois políticos com um ar conspirativo e ufa… nada de Sócrates. Constatação: era a cliente mais nova do restaurante. Sorriso na cara. Já não me acontecia há algum tempo! Que felicidade. Il Gattopardo 1 – Restaurantes da moda – 0.

 

 

O ambiente

Volto a olhar com mais atenção. Empate. Os restaurantes da moda recuperam no que toca à decoração. O restaurante do Hotel D. Pedro Palace transporta-nos para o cenário do filme de Visconti. A ideia deve ser mesmo essa, mas definitivamente não é o meu género. O ambiente é luxuoso, elegante, sóbrio e ligeiramente démodé. Será provavelmente o único defeito do Il Gattopardo: a decoração antiquada.

 

O serviço

Cinco estrelas. Impecável. Os empregados estão sempre atentos e presentes, sem se fazerem notar. Basta levantarmos os olhos da mesa para recebermos um olhar solícito de volta. Os pratos chegam da cozinha a um ritmo vertiginoso e os copos estão sempre cheios.

 

 

A ementa

Couvert

Uma variedade infinita de pãezinhos das mais diversas cores e feitios, grissini, e um prato de azeite a acompanhar dão início ao festim. Dois minutos depois, somos presenteadas por uma cortesia do chef: um pratinho redondo com croquetes de carne, bolinhas de queijo creme e amêndoas, e folhadinhos de massa estaladiça com recheio de camarão.

 

Entrada

Pedi, para começar, um queijo de cabra gratinado em folhas de espinafres e croutons: maravilhoso e na dose certa.

 

Prato Principal

Depois, deliciei-me com uns filetes de dourada com risotto de tomate: muito bons, com uma apresentação apelativa, mas confesso que me soube a pouco. É o drama da nouvelle cuisine. Por isso, não consegui recusar a sobremesa.

 

Sobremesa

Optei por uma tarte de maçã com gelado de nata. E só aqui é que o chef siciliano Michele Bono falhou ligeiramente: a tarte (ótima, esclareça-se) era muito doce, por isso, o gelado de nata tornou o prato ligeiramente enjoativo. Se calhar optava por um gelado de limão.

 

No final, veio o café para mim e a conta para a minha mãe. Uma divisão justa e agradável. Quando saímos, olhei novamente em redor. Nem sinal do Sócrates. Um almoço perfeito.

 

 

O Bom – A comida e o serviço

 

O Mau – A decoração

 

O Péssimo – O risco de levar com José Sócrates na mesa do lado

 

Por Ela

gin fifty pounds

Como começar a semana

 

- Gin Fifty Pounds

- Água tónica Fever Tree Premium Indian

- Casca de limão

- Zimbro

 

É fácil, é rápido e ajuda em dias como este. Mal chegar a casa, antes de ligar a televisão e logo a seguir a pousar o casaco em cima do sofá, dirija-se em passo de marcha até à cozinha. Tire um copo de gin do armário e encha-o com pedras de gelo. Faça o gelo rodar dentro do copo até refrescar todos os lados. A seguir, escorra a água do gelo que derreteu, corte uma casca de limão, dobre-a e coloque-a lá dentro juntamente com quatro bagas de zimbro ligeiramente espremidas entre os dedos para libertar um pouco mais os aromas. Chegou então o momento do Fifty Pounds. Despeje suavemente o gin enquanto conta 1001, 1002, 1003. Se o dia tiver sido mesmo difícil, pode ir até aos 1005, mas mais do que isso já entra no campo da patologia. Mexa um pouco com a colher torcida para o gin absorver os aromas do limão e do zimbro e deite uma garrafa de água tónica Fever Tree Premium Indian através da colher para não perder o gás. Mexa uma ou duas vezes e já está. Agora pode sentar-se no sofá - está pronto para sobreviver até sexta-feira e para rever na televisão os melhores golos de Eusébio.

 

 

Como dizia uma lenda do jornalismo desportivo, uma boa semana para si onde quer que esteja,

 

Ele

o adeus

Eusébio 1942-2014

 

 

 

 

 

eusébio 1942-2014

  

 

 

 

 

 

"Em miúdo, nunca pensei chegar onde estou. Valeu-me a minha maneira de ser, pois sou muito simples e pouco falador"

Eusébio, 1992

“follow me” vai ser editado em livro

Há mais de um ano que descobri este casal russo e fiquei fascinada com o seu projeto: Murad Osmann, de 28 anos, conhece o mundo pela mão da namorada, Nataly Zakharova, de 27. O fotógrafo regista imagens únicas dos quatro cantos do planeta sempre de mão dada com Nataly, que se apresenta de costas, vestida com as roupas e os trajes típicos de cada país. E nunca lhe vemos a cara. O projeto começou durante umas férias a dois em Barcelona, em outubro de 2011, quando Nataly, farta de ver o namorado a tirar fotografias a tudo, lhe deu a mão e puxou-o para continuar em frente, só que ele não parou de disparar... Uma ideia original e romântica que vai ser editada em livro.

 

Ora veja:

 

Kremlin, Moscovo, Rússia

 

 

Bali, Indonésia

 

Alhambra, Granada, Espanha 

 

Mesquita Azul, Istambul, Turquia 

 

La Pedrera, Barcelona, Espanha 

 

 

Miami Beach, Florida, EUA

 

Mónaco

 

Nova Iorque, EUA  

 

 

Se quiser seguir o casal, não perca o perfil do fotógrafo no instagram:

 

http://instagram.com/muradosmann

 

Por Ela 

a bica do sapato e o brilhante bacalhau escalfado a baixa temperatura

A ementa

Já foi melhor? Já. Já foi mais surpreendente? Já. Já foi mais da moda? Já. Mas também já foi mais caro, mais cagão, mais difícil de marcar e mais fácil de detestar. Para a Bica do Sapato ser um restaurante obrigatório só precisa de saber uma coisa: ainda tem o bacalhau fresco escalfado em azeite virgem em cima de à Brás? E isso está lá. Tão bom como dantes e com mais algumas vantagens: os preços estão mais suportáveis e o serviço está menos insuportável. Mas vamos ao que interessa. Este bacalhau, cozido a baixa temperatura, parece um peixe macio, branco, que quase se desfaz na boca. Vem numa posta alta e com a quantidade de sal ideal, sem aquelas pontas amareladas nem os fios irritantes que se enfiam nos espaços entre os dentes. É outra coisa. Branco brilhante, divide-se facilmente em finas lascas com umas gotas de azeite e está por cima de uma cama de ovos à Brás: ou seja, ovos mexidos, cebola e batata frita - sem mais bacalhau. A mistura é simplesmente um dos melhores pratos que se pode comer em Lisboa. 

Mas há mais. O risotto de alheira é uma delícia – apesar de não ser O-MELHOR-RISOTTO-DO-MUNDO – e as entradas estão ao nível de um bom restaurante: ostras frescas, carpaccio de mero e salmão com aneto, canja de borrego ou tártaro de bacalhau fresco com poejo. Mas não hesite: se tiver de escolher entre os dois bacalhaus, o primeiro é obrigatório.

Última novidade, especial crise: por €21,50 pode escolher o Menu Bica do Sapato, com uma entrada, um prato, uma sobremesa e um copo de vinho. Mas o bacalhau escalfado não é uma hipótese de escolha deste menu. E sem bacalhau escalfado mais vale ir a outro sítio. 

O serviço

Houve um tempo em que os empregados olhavam para si como o Carson de Downton Abbey olha para alguém que não tenha uma casaca vestida: a espelunca desceu à cidade. Hoje, a coisa está ligeiramente melhor. Em quatro empregados, só fomos desprezados por um (o da entrada), o que, na Bica do Sapato, é um avanço de 100 anos de civilização. O empregado que nos serviu sorria, pedia desculpa quando se enganava e até perguntava se estava tudo bem. É estranho mas, com a crise, até na Bica do Sapato pode haver gente simpática.   

O ambiente

Este pode ser o maior problema. Numa quinta-feira à noite, o restaurante estava a menos de um quinto - e metade eram grupos de americanas insufladas a beberem gins em cascata. De resto, a decoração era surpreendente há 15 anos. Hoje, parece que entramos na USS Enterprise do Caminho das Estrelas. Já não há a divisão entre o restaurante e a cafetaria, o que traz um problema: se não for fumador, terá de ir para a zona do antigo restaurante, que é o mesmo que dizer - ficará no espaço menos arejado e mais pretensioso. Mas tudo isto é o menos quando temos à nossa frente o bacalhau escalfado.

 

E já agora, um bom Ano Novo para si, onde quer que esteja,

Ele

14 sítios a visitar em 2014

  

A nossa lista de resoluções para o novo ano:

comer, beber e avaliar...

  

- Forneria Estado Líquido (Lisboa)

- Moules and Beer (Lisboa)

- Hotel Rio do Prado (Óbidos)

- Pizzaria Lisboa (Lisboa)

- AL Forno Baixa (Porto)

- Cantinho do Avillez (Lisboa)

- Hotel Yeatman (Porto)

- Tasca da Esquina (Lisboa)

- Book (Porto)

- Herdade do Amarelo (Vila Nova de Mil Fontes)

- Honra by Olivier (Lisboa)

- Mesón Andaluz (Lisboa)

- Osteria (Lisboa)

- e ainda...uma pousada de Portugal

 

Bom ano!

 

 

Por Ela

 

 

 

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