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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

8 restaurantes de lisboa que vale mesmo a pena aproveitar na restaurant week

Entrámos na semana de férias da balança. São 11 dias de preparação física intensiva dos maxilares. Há quem lhe chame descalabro alimentar, eu prefiro chamar-lhe simplesmente Restaurant Week, o que, em português, se pode traduzir para: vamos almoçar e jantar fora todos os dias que preços destes não voltamos a encontrar tão cedo em sítios tão bons. Ok, se calhar todos os dias, é capaz de ser exagero. E porque não o queremos transformar num Fernando Mendes disfarçado de português civilizado, seleccionámos só 16 restaurantes que deve visitar. Hoje publicamos as nossas oito sugestões para Lisboa, amanhã faremos oito para o Porto, o que dá para lhe ocupar oito dias de almoços, jantares e alguns quilómetros de auto-estradas.

Já sabe como é que a coisa funciona, não é? Por 20 euros por pessoa (19 para o restaurante e 1 para uma instituição de solidariedade social) pode comer uma refeição inteira (entrada, prato e sobremesa) em alguns dos melhores restaurantes do País. As bebidas são à parte. Em muitos destes restaurantes, tem mais do que uma opção de menu, mas nós seleccionámos aquela que preferimos, para não transformar este post num discurso do Cavaco Silva. Se quiser saber quais são os outros pratos disponíveis e os outros restaurantes que aderiram à iniciativa (há restaurantes de todo o país), vá aqui. Se não tiver paciência para isso, veja as nossas sugestões. Vamos lá abrir o apetite:

 

Lisboa

1300 Taberna (almoço e jantar)

Cesto de pão taberneiro com pão de cerveja preta, focaccia, pão de tomate com azeite e manteiga aromatizada

Salada de rosbife, crumble do nosso pão breu e lascas de queijo da ilha com nove meses de cura

A nossa visão do bacalhau à Brás

O Irish Coffee numa sobremesa: brulée de café expresso, gelado de whisky, natas baunilhadas

 

Assinatura (almoço e jantar)

Ravioli de queijo de cabra com pinhões e molho de carne

Bife à Portuguesa na nossa versão

Pudim abade priscos com sorvete de tangerina

 

Brasserie Flo (só jantar)

Sopa de cebola gratinada

Tártaro de novilho Flo Lisboa com batata frita e salada verde

Religieuse de avelã com molho de chocolate

 

Faz Figura (almoço e jantar)

O couvert custa mais €2,50

Ninho da codorniz (alheira, maçã, compota de cebola roxa, ovo de codorniz)

Magret de pato com molho de manga e coco e risotto de caril e açafrão

Petit gateau de chocolate branco com espuma de café e rum

 

Largo (só ao almoço)

Salmão curado com figo seco

Carrilheira de porco ibérico com ensopado de grão e cogumelos do campo

Parfait de amêndoa

 

Meson Andaluz (almoço e jantar)

Ovos rotos com virutas de jamón e trufa

Lombo de bacalhau fresco sobre migas de berbigão

Leite creme com framboesas

 

Pedro e o Lobo (almoço e jantar)

Barriga de porco, miso & chouriço

Bochechas de porco, alfarroba, figos, amêndoa & laranja

Farófias & leite cremoso

 

Spazio Buondi/Nobre (almoço e jantar)

Sopa de santola

Lombinho de peixe porco em crosta de amêndoas e jardineira de camarão

Parfait de amêndoas com creme de baunilha

 

Agora, diga lá: apetece, não apetece? Então, o que é que ainda está aí a fazer, especado à frente do computador?

 

Uma boa semana gastronómica para si, onde quer que esteja,

Ele

a oportunidade da semana: seis garrafas de vinho pelo preço de cinco

Mais uma oportunidade da semana e mais dois vinhos óptimos com descontos simpáticos. Meta-se no carro, arranque a alta velocidade e pare com um pião à frente do Minipreço mais próximo (se calhar, é melhor não fazer graças destas para não receber um telefonema do Manuel João Ramos e dos outros cidadãos automobilizados). Vá directamente à prateleira dos vinhos e confirme: seis garrafas de Cabeça de Toiro Reserva 2010 pelo preço de cinco e seis garrafas de Duas Quintas pelo preço de cinco. No primeiro caso, cada garrafa sai-lhe por 4,16 euros em vez de 4,99; no segundo, sai-lhe por 7,49 euros em vez de 8,99. Não é ao preço da chuva, mas são bons descontos e óptimos vinhos. O Duas Quintas é mais conhecido, mas o Cabeça de Toiro é uma compra fantástica a um preço muito razoável. Vencedor de uma medalha de ouro no Challenge International du Vin, em França, já ganhou outros prémios internacionais que não vale a pena estar aqui a dizer para não tornar este blog na versão digital da Revista de Vinhos.

Um bom-fim-de-semana vinícola para si, onde quer que esteja,

Ele

d'oliva lisboa

 

O serviço

Uma coisa é ter o Carson, de casaca vestida e mãos atrás das costas, a olhar pacientemente para nós enquanto acabamos o jantar; outra coisa é ter a empregada do D'Oliva, de avental à cintura e prato na mão, a olhar nervosamente para nós enquanto tentamos engolir de uma só vez o carpaccio e procuramos desesperadamente salvar as últimas lascas de parmesão que estão na iminência de ser sugadas para a cozinha. Eu sei que, assim à primeira vista, posso parecer tão rabugento como a velha condessa de Grantham, mas, convenhamos, há um meio-termo entre o exagero cerimonioso de Downton Abbey e a descontracção amigalhaça do D'Oliva.

 

 

Eu não peço muito, dispenso as vénias à entrada e até ser tratado por m'lord, mas gosto de comer descansadamente e, já agora, agradecia que pudessem esperar que eu terminasse antes de retirarem o prato da minha mesa.

Ultrapassando esse pequeníssimo detalhe, o serviço no D'Oliva é de uma simpatia cândida. A relações públicas, que nos recebe à porta de calças de ganga azuis, uma t-shirt branca decotada e um blazer preto fashion, dá ares de Sienna Miller e falta pouco para nos cumprimentar com um beijinho. E o novo sócio (que ficou recentemente com o restaurante de Lisboa, originalmente dos donos do Al Forno, no Porto) fala com os clientes de forma simpática e atenciosa.

 

 

O ambiente

A decoração é engraçada e mistura quadros grandes de figuras da Disney com janelas enormes a dar para um pátio com algumas oliveiras. Resultados – um bom e um mau: entra muita luz para a sala, mas o pátio é tão pequeno que, por trás das oliveiras, vemos uma rampa que mais parece o telhado de uma entrada de garagem. De qualquer forma, se se conseguir abstrair da rampa, tem um enorme open space, com duas salas divididas apenas por uns degraus. Esta disposição dá um ar arejado ao restaurante, mas também dá um som barulhento e desagradável à sala vindo das mesas que reúnem pequenos grupos de neoyuppies, de fato, sem gravata e com muito tempo para almoçar.

Apesar de já não existir o buffet ao almoço, aqui toda a gente se conhece. E, quando, no fim da refeição, os neoyuppies se levantam para se servirem do mini-buffet de sobremesas, a sala transforma-se no foyer de um teatro.

A música ambiente é uma boa selecção de jazz mas, se estivesse um pouco mais baixa, ajudava a tornar o nosso almoço um pouco mais calmo.

 

 

A ementa

Ao jantar, o serviço à carta é exageradamente caro para o que o D'Oliva tem para oferecer: a comida é boa, mas não é espectacular; a decoração é agradável, mas não é surpreendente; o ambiente é cool, mas já não é da moda. Conclusão: o D'Oliva está desesperadamente a tentar ser aquilo que é no Porto e que nunca conseguiu ser em Lisboa.

Ao almoço, o menu executivo (que substituiu o famoso buffet) é mais equilibrado. Por 18 euros por pessoa, tem direito a um buffet de saladas, uma entrada, um prato principal e um buffet de sobremesas. Todas as semanas, as ofertas mudam.

 

 

As entradas

O carpaccio de novilho com rúcula, parmesão, pinhões e alcaparras (o tal que, no meio do stress para terminar, foi engolido sem mastigar) estava óptimo, cortado fininho, bem temperado e com uma fantástica mistura entre a suavidade dos pinhões e o avinagrado das alcaparras.

 

 

Os pratos principais

Aqui pode escolher entre pizzas, pastas, carnes (como um apetecível rosbife de picanha) e peixes. Eu optei por uma deliciosa garoupa em crosta de ervas. Bem cozinhada, suculenta, a separar-se em apetitosas lascas brancas brilhantes, vinha com a pele estaladiça e um suave molho de azeite.

 

 

As sobremesas

Entre fruta variada, doces e bolos, o buffet de sobremesas é um dos melhores momentos do almoço – e sempre uma óptima oportunidade de ouvir conversas interessantes de empresários, gestores, banqueiros e sofisticados wannabes. Dá para se distrair enquanto saboreia a comida, o que, dependendo da companhia, pode ser útil. Eu, que era o único a cometer essa excentricidade de vestir um fato com gravata, senti-me um bocadinho alienígena. Mas comi bem. Um pouco depressa demais – mas bem.

 



O bom - A comida e os doces

O razoável - A decoração

O péssimo - O barulho e a pressa de levantar os pratos

 

Um abraço para os neoyuppies deste mundo, onde quer que eles estejam,

Ele 

mercado gourmet no campo pequeno

O que é que se passa? O Campo Pequeno parece o Speedy Gonzalez dos mercados nacionais. Está verdadeiramente hiperactivo e, sinceramente, começo a não ter estômago para tanta coisa (bom, com mais umas corridinhas junto às docas, somos capazes de arranjar espaço para uns petiscos). Depois do Chocolate, depois do Comidas do Mundo, agora é a vez do Mercado Gourmet. Como dizia o Bart Simpson, "Ai, karamba!". 

 

 

 

 

Azeites, patês, queijos, presuntos, paios, salpicões, enchidos, vinhos, ervas aromáticas (ganhe fôlego que isto continua...), produtos biológicos, conservas, condimentos, vários tipos de pão (...inspire mais uma vez...), licores, chocolates, compotas, variedades de mel (...só mais uma), doces, bolos e infusões. É impossível ficar em casa, não é? Depois vêm os detalhes interessantes: a entrada é gratuita e a ideia "é recriar o espírito dos mercados antigos portugueses, onde se pode encontrar um pouco de tudo". Tudo isso é muito bonito, mas a mim, quando me falam de azeites, patês, queijos, presuntos e vinhos na mesma frase, já fico de boca aberta. E não é de espanto, é mesmo de fome. Quanto tempo mesmo é que falta para o dia 7 de Março?

 

 

 

Um abraço gourmet para si, onde quer que esteja,

Ele

workshop de cozinha com o chef kiko do talho

Confesso que não sou grande fã de cursos de cozinha. Em primeiro lugar, não gosto de grupos: férias em grupo, excursões em grupo, visitas a museus em grupo, idas ao cinema em grupo e outras coisas mais íntimas que não vou aqui referir também em grupo. Em segundo lugar, não gosto de reuniões de homens de avental: não sei porquê, mas lembro-me logo de Miguel Relvas e do grupo Ongoing.

No entanto, há alguns chefs com os quais seria capaz de abrir uma excepção, colocar um avental e até - se fosse mesmo preciso - cozinhar com o ombrinho colado ao de Miguel Relvas (a única condição é que os aventais não tenham símbolos maçónicos). E entre esses três ou quatros chefs, está Kiko Martins, pelo seu talento, pela sua capacidade de misturar sabores de culturas completamente diferentes, pela sua tendência para inovar e, especialmente, pela sua simpatia e simplicidade.

No próximo dia 5 de Março, o responsável pelo restaurante O Talho, em Lisboa, vai dar um workshop de cozinha, dentro da iniciativa Experiências e Sabores, organizada pela Miele. O mini-curso começa às 19h e só não sabemos a duração e o preço da inscrição, porque a Miele ainda não teve tempo de responder ao nosso email. Se quiserem tentar, a ver se têm mais sorte do que nós, aqui vão os contactos e a lista dos cursos:

  • "O talho, chef Kiko Martins (5 de Março)
  •  “O melhor arroz de Portugal”, chef Vítor Adão (12 março)
  • “Novo Douro”, chef Ricardo Costa (19 março)
  • “Pratos com história(s)”, chef Ivo Loureiro (26 março)
  • “Tendência de sabores”, chef Justa Nobre (2 abril)
  • “Engenharia de um prato”, chef Lígia Santos (9 abril)
  • “É só desenformar”, chef Cristina Manso Preto (16 abril)
  • “Receitas de uma Blogger”, formadora Isabel Zibaia Rafael (23 abril)
  • “Sushicafé”, chef Daniel Rent (30 abril)

Tel: 214248100; email: info@miele.pt

 

Um abraço para si, especialmente se gostar de grupos,

Ele

 

 

chao min estaladiço de gambas, beterraba e alho francês

O que é que você faz a uma segunda-feira à noite, depois de ter andado o dia todo fora de casa a apanhar chuva, vento, sol, mais chuva, mais vento, mais sol? Eu sei o que faria: preparava um chá de tomilho a ferver cheio de mel, enfiava-me debaixo de um cobertor à lareira e via quatro episódios seguidos de Newsroom até começar a acreditar que a Primavera está mesmo quase a chegar. Mas, infelizmente, isso é relativamente difícil quando estão cinco almas famintas à minha espera com o guardanapo à volta do pescoço e os talheres em riste nas mãos. É por isso que passo directo da porta da rua para a porta da cozinha, pressionado pelo salivar das cinco bocas incansáveis - sim, a minha querida Mulher Mistério consegue estar sempre no topo do Ranking do Apetite...

E, como não podia emigrar para a redacção de Newsroom, resolvi emigrar para a China - o mais rapidamente possível para tentar evitar que me assassem a mim no forno, tal era o desespero alimentar.

 

A receita é simples e depende daquilo que tiver no frigorífico, porque a grande vantagem de cozinhar é poder inventar. Pegue num pacote de massa chinesa Colmi (à venda baratinha no Minipreço) e coza-a durante quatro minutos. Entretanto corte às fatias uma cebola e um alho francês e passe por azeite e sal num wok. Junte-lhe depois uns rebentos de soja e reserve (sempre sonhei poder usar esta expressão num texto - dá um ar profissional). Quando a massa estiver cozida (convém ir mexendo com um garfo para ela se soltar), desligue o lume e deite 350 gramas de miolo de camarão congelado lá para dentro. Espere um minuto e escorra por um passador. Isto permite ter o camarão mal cozido, que é o ideal nesta fase. Se o coze demais arrisca-se a deixá-lo seco, empapado e desagradável. Junte a massa e o camarão no wok e rale por cima uma beterraba descascada crua: eu tenho uma aqui acabada de chegar no meu cabaz da horta. Junte tudo durante um minuto com o lume brando, só para passar a cor da beterraba para a massa, e desligue.

E é nesta fase que uma massa normal se torna num verdadeiro chao min chinês. Com cuidado, coloque todos os camarões para baixo e deixe só a massa por cima. Deite mais um bocadinho de azeite e ligue o forno no máximo, só com a resistência superior a trabalhar no modo grelha. Quando a temperatura chegar aos 250 graus, coloque o wok lá dentro durante uns minutos. A ideia é tostar a massa que está por cima e não deixar secar tudo o que está por baixo: massa, camarão e legumes. Por isso, é preciso ter atenção: mal a parte de cima estiver tostada, tire cá para fora e sirva. Só há dois ingredientes obrigatórios neste prato: a massa chinesa e os rebentos de soja. Tudo o resto, depende do que tiver em casa e das conjugações que gostar: bróculos e frango ou porco e caju também ficam deliciosos. E tente não cozinhar demasiado os ingredientes, é bom que os sinta quando os trinca.

A grande vantagem é que, enquanto eles repetem, eu preparo o DVD: não são quatro episódios, são só dois, mas já não é mau.

Ingredientes

- 250 gramas de massa chinesa Colmi

- 350 gramas de miolo de camarão

- 1 cebola

- 1 alho francês

- 1 molho de rebentos de soja frescos

- 1 beterraba

- Azeite 

- Sal

 

一个拥抱你,无论你在哪里

Ele

uma semana em cheio

 

Mais de 1000 seguidores no Instagram, mais de 800 amigos no Facebook, quase 20 mil visualizações nas últimas duas semanas – não é uma aula de matemática, são os resultados do blog do Casal Mistério. E isto graças a quê? À sua infinita paciência para ler os nossos lunáticos considerandos e à incrível simpatia dos outros bloggers com quem nos temos cruzado por aí – virtualmente, é claro.

Primeiro, foi a agradável entrevista da Marta Marques no Histórias-Contadas, depois foi o amável convite da Marta Moncacha no Dolce Far Niente, a seguir foi o encantador elogio do Livros e Outras Manias e finalmente foram os afáveis comentários dos leitores e os simpáticos destaques da equipa de blogues do Sapo. Sentimo-nos mimados. E continuamos com fome. Sempre.

 

Casal Mistério

os óptimos mexilhões do moules & gin

Hoje em dia há dois tipos de restaurantes: aqueles que nasceram antes de 2010 e estão a tentar sobreviver à crise e aqueles que nasceram depois de 2010 e estão a tentar aproveitar a crise. O Moules & Gin nasceu em Maio de 2013 e, por isso, tem várias vantagens: uma decoração com o charme dos objectos reciclados, um serviço com a preocupação de quem precisa de agradar aos clientes, uma comida com o encanto dos alimentos simples e saborosos e uma conta com a cerimónia de um país endividado. Aqui tudo é feito com cuidado e empenho, porque o objectivo é aproveitar: aproveitar os preços reduzidos dos fornecedores e aproveitar as condições para cobrar menos aos clientes. O resultado é um restaurante despretensioso, bom e não muito caro.

E foi este restaurante que escolhemos no sábado para o estágio da equipa de futsal antes do cansativo desafio que foi a visita ao Mercado do Chocolate em Cascais. Eu sei que parece comida a mais para um único dia, mas olhe que não, olhe que não.

O ambiente 

Há cinco anos, no auge da euforia socrática, seria impensável entrar num restaurante onde os guardanapos fossem um rolo de papel de cozinha, os vasos das plantas velhas latas de conservas, os talheres viessem dentro de jarros de compota reaproveitados, a iluminação fosse feita com lâmpadas penduradas no tecto sem abat-jour e as cadeiras construídas com madeira simples sem pintura. O Moules & Gin é assim. E não é por isso que deixa de ser confortável e acolhedor. Pelo contrário: é por isso que demonstra que se adaptou ao momento do país e respeita os seus clientes. É simples e bom. Num velho edifício recuperado no centro histórico de Cascais, é uma mistura de despojamento e sofisticação, de tradicionalismo e modernidade. Frequentado por clientes de todas as idades, tem uma qualidade quase única: está aberto todo o dia, seja para comer qualquer coisa ou simplesmente para beber um gin tónico.


O serviço 

Este é um sítio descontraído: sem a pretensão de empregados de Downton Abbey nem o relaxamento de um serviço de tasca. É eficaz e relaxado, é rápido e agradável. Aqui não houve episódios caricatos nem cuidados especiais. No fundo, o serviço é o retrato fiel do que o restaurante pretende ser: uma cervejaria belga com um twist de bar de gin.

A ementa 

O couvert

O pão com manteiga de ervas é aquilo de que precisa enquanto espera pela comida: entretém mas não enche, não é surpreendente mas não envergonha.

 

Os pratos

Tirando as sobremesas, a ementa está dividida em três: entradas – várias bruschettas à escolha; mexilhões – já lá vamos; e um naco de vazia fatiado – o ideal para aconchegar o estômago. O meu conselho é: pão, basta o do couvert; por isso salte as bruschettas e mergulhe nos mexilhões. Há os mais exóticos: Chili (molho picante de tomate e malagueta), Thai (molho de gengibre e lemon grass); os mais tradicionais: ao vapor e à Bulhão Pato; e os mais europeus: Meuniére (o clássico belga), Fraiche (crème fraiche e lima) e Mediterrânica (molho de tomate e ervas aromáticas). Como para mim, exotismo é nos restaurantes asiáticos, optámos pelas moules Fraiche e à Meuniére. Frescas, saborosas, bem abertas e acompanhadas de óptimas batatas fritas (estaladiças e fininhas), as melhores são claramente as de crème fraiche, que misturam na perfeição a acidez da lima com a suavidade do crème fraiche. 

Como éramos seis, comemos as moules como entrada e a seguir o naco de vazia muito mal passado, servido em tábua de madeira, com várias manteigas de ervas e mais batatas fritas deliciosas. A conjugação dos mexilhões – mais enjoativos – e da carne – mais simples – é ideal. Então e para beber?

Os gins 

Há uma mini-selecção de vinhos e uma macro-oferta de gins. As marcas são boas, as quantidades são adaptáveis – há gins e meios gins, o que é uma grande ajuda para voltar a guiar para Lisboa –, mas as águas tónicas falham. Um restaurante que pretende ser o Éden do gin não pode ter apenas uma marca de água tónica. E ainda por cima Schweppes. Eu sei que já existem as Schweppes premium, eu sei que os restaurantes ganham em fazer um acordo exclusivo com uma marca. Mas os clientes não têm culpa. E há tónicas que ligam melhor com um gin e outras que ligam melhor com outro. É como só ter Pepsi. Não chega. Mesmo.

Depois, há outro problema. Eu adoro gin tónico. Até sou capaz de beber um no início da refeição e outro no fim. Mas acompanhar uma refeição inteira só com gin tónico é uma missão para o Tarzan Taborda. Qualquer pessoa com menos de 130 quilos está a ver o tecto à roda ao terceiro mexilhão. E isso pode ser fatal – especialmente para um restaurante em Cascais, de onde é ligeiramente dispendioso regressar de táxi.

O óptimo

Os mexilhões de crème fraiche

O bom 

A decoração

O mau

A pouca oferta de águas tónicas

 

Um bom resto de domingo para si, onde quer que esteja,

Ele

o exemplo de josé avillez

Há os chefs bons e há os chefs menos bons. Há os chefs convencidos e há os chefs modestos. Há os chefs da alta gastronomia e há os chefs da gastronomia do dia-a-dia. Há os chefs que inventam e há os chefs que copiam. Há os chefs vanguardistas e há os chefs conservadores. E depois há o José Avillez. Já aqui escrevemos sobre a Pizzaria Lisboa, onde pode encontrar coisas muito boas e coisas criticáveis. Mas ninguém é perfeito. E José Avillez é o primeiro a reconhecer isso. Nesta entrevista que dá ao Económico TV, o responsável pelo Belcanto e pelo Cantinho do Avillez demonstra por que é o chef mais especial e mais acarinhado do País.

Ao contrário da maioria dos colegas - portugueses e estrangeiros -, Avillez combina um talento absolutamente invulgar com uma simplicidade incrivelmente genuína, uma paixão contagiante com uma gratidão desconcertante. Recusa ser tratado por chef - prefere que lhe chamem cozinheiro; e fala dos grandes nomes que lhe ensinaram muito, como Ferran Adriá, Bento dos Santos ou Maria de Lourdes Modesto, com o mesmo reconhecimento com que refere os seus colaboradores que puxam por si quando se sente mais desanimado. Nunca cai em autoconvencimentos exacerbados e raramente resvala para falsas modéstias irritantes. Fala da cozinha, da família, das alegrias, das tristezas e do novo restaurante que quer abrir fora de Lisboa. Sempre de uma forma honesta e fascinante.

Uma entrevista simples de um homem genial. Cinco estrelas - que valem muito mais do que as Michelin.

Um abraço ao José Avillez, onde quer que ele esteja,
Ele

ambrósio, apetece-me algo IV

Adoro todos os tipos de queijo. Todos sem exceção. Frescos, curados, amanteigados, bries, camemberts, roqueforts, chèvres, da serra, de São Jorge, até flamengos. Se os adoro de todas as maneiras e feitios, imagine quentinhos, a sair do forno. Como estes deliciosos camemberts: 

Consegue resistir-lhes? Eu não :(

Ela

um presente inesperado

Há dias de sorte. Arrastei-me de casa num domingo à tarde porque deixei acabar as minhas cápsulas Nespresso. E como sabem, pelo meu post “era um clooney, perdão, um café com trufas de chocolate e coco”, eu não vivo sem os meus cinco cafés diários. Lá fui, aterrorizada com a ideia de um shopping atulhado de gente.

 

Pois bem: arranjei lugar à porta, fui direta à loja e apesar de estar cheia de gente, fui imediatamente atendida por uma simpática senhora de preto, que, com um sorriso de orelha a orelha, me pergunta:

- O seu número de membro ou o telemóvel, por favor…

Dei-lhe o meu telemóvel e o sorriso de orelha a orelha chegou aos olhos:

- Se a senhora quiser, se comprar 400 cápsulas, tem direito a uma máquina nova de graça.

Eu olhei imediatamente para trás. Não podia ser comigo. Além de não ter sorte nenhuma na vida, ainda não me habituei ao “senhora”. Não sei por que parva razão estou sempre à espera que me tratem por “menina”.

- Eu? – perguntei incrédula.

- Sim, a SENHORA! Mas tem é que levar as 400 cápsulas.

- Isso dá-me para três meses! Claro que quero!

E não é que me deram a escolher entre três modelos (dos mais baratos, claro, mas a cavalo dado não se olha o dente)? E lá voltei para casa com 400 cápsulas de café e esta magnífica máquina.

 


Podia ter sido melhor? Podia, claro. Se em vez da máquina, me oferecessem o George Clooney, é certo. Mas também depois teria muito que explicar quando chegasse a casa. Pensando bem, agora tenho que esclarecer o meu dileto marido mistério sobre as imensas vantagens de ter não uma mas duas máquinas Nespresso. Enquanto procuro argumentos, deixo-vos mais uma  fotografia inspiradora...

Ela

ganhe bilhetes para o concerto dos xutos com o vinho dos xutos

Um vinho com nome de banda? Uma banda com nome de vinho? Não é natural. O que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu... Peço desculpa, perdi-me, não queria falar do restaurador Olex; queria falar do vinho Xutos&Pontapés - que, apesar de não ser natural, é um vinho da Casa Agrícola Alexandre Relvas, a mesma que produz o Herdade de São Miguel. E porque é que se lembra o meu amigo mistério de falar da Casa Agrícola Alexandre Relvas a uma hora destas, pergunta o taxista lá do fundo: por acaso, os Xutos&Pontapés vão apoiar o Cavaco Silva para um terceiro mandato em Belém? O mundo está louco, mas ainda não chegou a tanto. Não senhor. A propósito do concerto dos Xutos, no próximo dia 8 de Março, no Meo Arena, a CAAR (vamos lá parar de repetir o nome do Alexandre Relvas, senão a Comissão Nacional de Eleições ainda interdita o blog do Casal Mistério...) está a oferecer, em parceria com a Sapo Sabores, cinco bilhetes duplos para o espectáculo.

Para concorrer, basta ir ao Sapo Sabores e responder a uma pergunta sobre o vinho dos Xutos; ou então ir à página do Facebook da CAAR e enviar uma fotografia original e criativa e coiso e tal. Para saber mais pormenores, despache-se, vá até qualquer um destes sites, leia as instruções com atenção e concorra até dia 24 de Fevereiro. Para ir ver o João Cabeleira a suar pela Bastet, vale a pena fazer qualquer coisa. Eu estou nisto - mas discretamente, para não ser descoberto.

Um "tchau, bacano" para si, onde quer que esteja,

Ele

oh, não! outro mercado de chocolate?

Lá teremos de pegar na equipa de futsal e rumar a Cascais outra vez. Este Mercado da Vila está a animar! Depois do Mercado do Mar, agora é a vez de um fim de semana inteiro dedicado ao chocolate. Preto, leite ou branco, líquido ou em tablete, em bolo ou brigadeiros, vai ser a loucura entre os dias 21 e 23 de Fevereiro. Degustações, workshops, conferências, mostras e vendas, demonstrações de chefs ao vivo, e até palestras sobre a minha tentação preferida. O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, a Theo Kakaw, a Bittersweet Chocolates e o Ponto Condensado, entre muitos outros, já confirmaram a presença!

 

 

Vou começar o jejum já! Fechar a boca até sábado porque não vou resistir a lá dar um salto. E desta vez, vou convencer o marido mistério a enfiar a família no comboio: através de uma parceria entre a Câmara Municipal de Cascais e a CP, a viagem até Cascais só custa 1 euro. 

O Mercado do Chocolate pode ser visitado sexta-feira das 12h00 às 24h00, sábado das 10h00 às 24h00 e domingo, entre as 10h00 e as 20h00.

E o melhor, como sempre, fica para o fim: A entrada é gratuita.

Encontramo-nos lá?

Ela

 

 

a primeira entrevista do casal mistério

E ao fim de dois meses de plena actividade, resolvemos dar a nossa primeira grande entrevista. Tivemos propostas da revista americana Time, do jornal britânico Financial Times e da estação de televisão brasileira Globo, mas optámos pelo Histórias Contadas, um dos mais interessantes e surpreendentes blogs do momento - e que, por acaso, também é aqui do Sapo. Na simpática e divertida conversa cibernética que tivemos com a fascinante Marta Marques, revelamos quase tudo sobre nós - menos, evidentemente, os nomes, a morada e o número de telefone. Por isso, se, por alguma razão apenas justificada com a falta de outras coisas mais interessantes para fazer, tiverem alguma curiosidade em saber qualquer coisa sobre nós os dois, não hesitem. Cliquem aqui e tentem lá adivinhar quem somos.

 

Boa sorte e boas refeições,

Casal Mistério

torradas de broa de milho com molho pesto e lascas de bacalhau cozido ao vapor

Gosto de bacalhau branco como a bata do senhor da Olá. Gosto de postas altas que se separam em lascas apetecíveis. Gosto do peixe suculento e macio. Odeio bacalhau amarelado, que se enfia entre os dentes ou que custa a mastigar. É por isso que só me comecei a apaixonar por bacalhau quando, já adulto, comprei uma peixeira. 

Calma, não fui ao mercado da Ribeira comprar uma senhora com pouco menos de 80 anos e muito mais de 80 quilos. Não. Fui ao El Corte Inglés comprar uma panela que infelizmente os franceses resolveram baptizar com esse nome tão charmoso. Estou a falar de uma panela comprida, em aço inoxidável que mais parece um MacBook com um polimento por cima. A grande vantagem é que, além de imponente, esta panela permite cozinhar o peixe - e especialmente o bacalhau - ao vapor. E isso significa que acabou-se a acumulação sucessiva de bolas de fios de bacalhau na boca.

Feita a introdução, vamos à matéria-prima. Eu sei que o bom bacalhau tem de ser comprado salgado e demolhado pacientemente em casa. Mas também sei que, no dia em que tiver a inteligente ideia de entrar com um bacalhau por uma porta, sairei com uma mala por outra. Aliás, eu próprio compreendo que é difícil viver numa casa que cheira à esquina da rua do Arsenal. Por isso, entreguei-me nas mãos da Riberalves e nos braços da Norge. Se há postas altas, já demolhadas e prontas para mergulharem para a peixeira (a panela), porque é que havemos de estar a inventar? E ontem não havia clima para inventar. Havia, isso sim, o resto de uma broa de milho pronta a ficar dura.

Peguei então na peixeira, cobri o fundo com duas cebolas roxas e cinco ramos de tomilho e coloquei, numa metade, uma courgette e um alho francês cortado às fatias. Na outra metade, pus as postas de bacalhau com a pele virada para cima (se preferir usar lombos, também fica óptimo). Deitei água a ferver até meio das postas e liguei o lume no mínimo, com a peixeira tapada (adoro este nome para uma panela!). Cerca de dez minutos depois, estava pronto. É importante ir vendo quando é que o bacalhau está cozido, porque é muito rápido e os tempos podem variar. Basta verificar como é que ele está junto à espinha. Mal estiver branco, está feito.

Enquanto tudo isto acontecia, coloquei a broa cortada em fatias fininhas a torrar no forno. No final, separei o bacalhau em lascas, pus o molho pesto nas torradas e as lascas por cima. Antes de servir, temperei os legumes com um bocadinho de azeite e sal fino, para não ficarem insossos. E o resultado é este:

Ingredientes para 4 pessoas

- 3 postas de bacalhau demolhado Riberalves (as portas mais altas que encontrar)

- 2 cebolas roxas

- 5 ramos de tomilho

- 1 courgette

- 1 alho francês

- 1/2 broa de milho

- Molho pesto

- Azeite

- Sal fino

 

Um abraço para as peixeiras, onde quer que elas estejam,

Ele

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