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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

espargos selvagens salteados com tostas de aveia

Ontem foram as túbaras, hoje são os espargos. Fininhos, selvagens, apanhados no campo e comprados à beira da estrada, a caminho de… bom, o melhor é estar calado que ainda falo demais. Os espargos selvagens são um dos meus petiscos preferidos: com ovos, alho e chouriço (como vêem, muito light) ou em migas, com alho, pão, azeite e coentros (também um prato fantástico para quem está de dieta).

E foi por isso que, tentando não ser expulso de casa a pontapé pela minha querida Mulher Mistério das Dietas, tentei cortar um bocadinho nas calorias. Mas só um bocadinho.

Primeiro, lave os espargos, corte-lhes o pé e deite para o lixo. Depois, separe a ponta, que vai cozinhar mais rapidamente, e pique o resto do espargo em bocadinhos pequeninos. Corte seis dentes de alho às fatias e esmague outros dois inteiros. Passe-os num bocadinho de azeite e chouriço picado (só um bocadinho para dar gosto, não vai estragar toda uma dieta). Junte o tronco dos espargos e deixe cozinhar durante uns dez minutos. Depois junte as pontas, um pouco de sal e pimenta. Quando as pontas estiverem moles, tire os espargos do lume e sirva. O melhor é preparar uma salada e umas tostas de aveia para acompanhar – aquelas brancas e hiper leves. Nós costumamos comprar as Diet Rádisson no Continente: cada tosta tem apenas 16 calorias e é uma maravilha. Vai ver que o conjunto da refeição não é assim tão dramático para a dieta.


Ingredientes

- 1 molho de espargos

- 2 rodelas de chouriço

- 8 dentes de alho

- Sal

- Pimenta

- Tostas de aveia


Uma semana com menos quilos para si, onde quer que eles estejam,

Ele

pergunta da semana: porque é que os hotéis de luxo cobram pelo wifi e os low cost não?

Waldorf Astoria. Nova Iorque. Nunca lá fiquei (vá se lá saber porquê?) mas já lá bebi um café no lobby. Um espaço gigante, lindo e elegante com milhares de empregados (na porta, nas várias receções, nas esquinas, nos corredores, nas mesas, no bar, ufa!). Obama costuma ficar aqui. O quarto mais baratucho custa 399 dólares. E o wifi? 19,95 por dia. Em Portugal, é raro o turismo rural que não tenha wifi gratuito. São hotéis simples, cheios de charme, onde normalmente o rececionista é o empregado do restaurante que também faz as vezes de bagageiro… Isto quando não é o próprio dono. A pergunta que fazemos é: porque é que os hotéis mais caros cobram tudo o que é extra? Porque podem e sabem que os seus clientes podem e nem se preocupam com isso. Os hotéis de luxo cobram mais porque os seus clientes podem pagar mais. Há dois tipos de pessoas que ficam instaladas nestes hotéis: as que estão em trabalho e nem olham para os preços porque é a empresa que paga ou as que estão de férias, e essas não olham para os preços porque não precisam! Já as que optam por unidades low cost olham e voltam a olhar, por isso, estes hotéis oferecem wifi para que o preço fique mais atrativo e competitivo.

Mas as coisas estão a mudar. Muito graças às redes sociais. Os hotéis de luxo não gostam de ver os seus nomes em listas de queixas na Internet. Por isso, alguns começam a ceder e já estão a oferecer wifi, aumentando, claro, subtilmente o preço dos quartos. Por isso, bem hajam os hotéis de charme espalhados por esse Portugal fora. E viva a wifi gátis.

Boa semana,

Ela

revuelto de túbaras alentejanas (descanse, não tem nada a ver com túbaros)

E é assim: fomos passar o fim-de-semana ao Alentejo, resolvemos parar pelo caminho numa daquelas bancas maravilhosas a venderem legumes frescos na estrada e acabou-se a obsessão com as saladas. Ou, pelo menos, interrompeu-se. Dietas tudo bem. Mas só saladas transformam-nos em ruminantes falantes. Havia melão óptimo, alfaces fantásticas, laranjas docíssimas e muitas outras frutas e legumes que ficariam lindamente com variadíssimos adjectivos. Mas nós não inventámos. Trouxemos aquela que é uma das maiores maravilhas do Alentejo: túbaras. Também conhecidas por túberas, batatilhas ou tubras, por favor não confunda com túbaros que isso é demais até para mim. As túbaras são um tubérculo que cresce debaixo da terra e é difícil de encontrar. Não são trufas (e estão longe do sabor e do aroma único das trufas) mas são óptimas e custam 10 euros o quilo. Bem conversado, consegue por 9 euros um saco na estrada. E é um dos mais surpreendentes e raros petiscos da gastronomia portuguesa (ena, que bela frase de crítico gastronómico!)

Primeiro, deve lavá-las bem para tirar toda a terra. Depois descasque-as e lave-as novamente para tirar qualquer resto de terra que possa ter ficado agarrado. Corte-as então às fatias fininhas e guarde. Corte uma cebola em fatias de meia lua e deixe-a alourar em azeite durante um minuto. Depois junte as túbaras e deixe-as cozinhar durante dez minutos em lume brando. Quando começarem a ficar mais escuras, coloque o sal, a pimenta e junte oito ovos. Não os bata, misture-os apenas na frigideira com o lume mais forte. Mal a clara começar a ficar cozinhada, tire tudo para fora da frigideira e sirva. O ideal é conseguir que os ovos fiquem com a gema mal passada para não secarem. É uma óptima entrada ou um prato principal para quem está de dieta. Acompanhe com uns grelos salteados e já está. Amanhã, falo do outro petisco que comprámos na estrada (ai a dieta!).

Ingredientes

- 800 gramas de túbaras

- 8 ovos

- 1 cebola

- Sal 

- Pimenta

- Azeite

- 1 raminho de salsa (só para dar uma cor à fotografia)

 

Um bom domingo para si, onde quer que esteja (porque nós estamos no Alentejo),

Ele

ambrósio, apetece-me algo VII

... de preferência um almoço light, saudável e com poucas calorias. Pode ser?

 

créditos: 

http://blog.williams-sonoma.com/fresh-fast-10-vibrant-salads-for-spring/

http://www.gourmettraveller.com.au/recipes/recipe-search/feature-recipe/2014/1/black-fig,-mozzarella-and-basil-salad/

 

dicas para um jantar de luxo em sua casa

O chefe do seu marido vai jantar lá a casa e tem de o impressionar? A mulher dele é insuportável e tem a mania que é fina? Pior: não sabe o que fazer para o jantar e é um desastre na cozinha? Aqui fica uma lista de sugestões e ideias para fazer uma vistaça e convencer os seus convidados de que você nasceu para receber e que é uma anfitriã de mão cheia. Dois lugares comuns fundamentais para fazer um brilharete: keep it simple e less is more. Estas duas regras aplicam-se a todas as dicas que se seguem:

 

1 – Use o seu melhor serviço de mesa (se não tiver um da Vista Alegre, use pratos brancos, ficam bem com tudo).

2 – Ponha uma toalha de linho branca com guardanapos a condizer (se não tiver uma toalha de linho, pode usar uma outra, desde que seja simples e clean, sem muitos floreados).

3 – Use velas como centro de mesa. Dá sempre um charme e aquece o ambiente. Se quiser ser muuuiiito original, ponha um aquário redondo com dois peixinhos tipo Nemo, no centro. É sucesso garantido.

4 – Se herdou um faqueiro de prata (sim, porque hoje a vida não está para se fazer um de raiz!), tire-o do estojo e limpe-o porque este é o momento certo para o usar.

5 – Quando o chefe do seu marido e a insuportável mulher chegarem, encha-os de aperitivos (os do Lidl são os melhores). Se quiser impressioná-los, compre uns amendoins de wasabi Lorenz (há no Continente), uma boa broa de milho e uns queijinhos frescos (da marca Teté). Ofereça-lhes, claro, uma bebida: "vinho, cerveja, gin?" E reze para que não aceitem um gin que dá uma trabalheira prepará-lo! (eu chuto logo para o perito cá de casa: “querido, preparas aqueles teus gins maravilhosos, como só tu sabes fazer?” Resulta sempre.)

6 – Quando forem para a mesa, sirva de entrada, um gaspacho bem frio comprado no supermercado (o melhor é o Don Simon) e fique com os louros. Diga que passou a tarde toda na cozinha a “apurá-lo”. Sirva com presunto e ovo cozido picado.

7 – Para o prato principal, faça uma empada de perdiz, seguindo a receita do 24kitchen. Se não tiver paciência, encomende no Chef ou na Casa de São Bernardo. Tanto uma como outra são ótimas e chiquérrimas. 

8 – Para acompanhar, faça uma salada de alface e agrião com tomate, cebola roxa, abacate e mozzarella. Fica bem com qualquer prato.

9 – Para sobremesa, compre a tarte. Não sabe do que estou a falar? É A Tarte. Ponto. (Ok é uma maravilhosa tarte de amêndoa que também ela se intitula a melhor do mundo)

10 – Termine em grande oferecendo nespressos e um cálice de vinho do porto.

Garanto-lhe que, no dia seguinte, o seu marido vai ser aumentado.

 

Boa sorte,

Ela

 

créditos fotos:

http://www.alittlefleurish.com/

http://tr.pinterest.com/pin/343540277796862095/

http://www.stylemepretty.com/

http://littleemmaenglishhome.blogspot.com

http://www.gettyimages.pt/

http://www.24kitchen.pt/

http://atarte.pt/home.html  

chegou a hora de verão (e das saladas a esta casa)

Está sol, mas também está chuva. Está calor, mas também está frio. Estamos de dieta, mas eu não estou. Como pode calcular por esta sequência de frases absolutamente esquizofrénicas, ando dividido. Mas hoje pus ordem nesta cabeça tão iluminada quanto uma gruta talibã nas montanhas de Tora Bora: se chega a hora de Verão a este país, têm também de chegar as saladas a esta casa. Mas, para começar, é melhor uma salada de meia estação, que é como quem diz uma salada meio esquizofrénica: leve mas consistente.

Comece por cozer o feijão frade, em lume brando, durante seis a oito horas, depois de colocado de molho durante dois dias... Peço desculpa, foi mais uma travagem brusca cerebral. Deixe-se de maluqueiras e compre o feijão frade em frasco, que é mais rápido e prático. Despeje para uma taça e junte duas embalagens de ventresca de atum. E isto faz toda a diferença: a ventresca de atum não é o habitual atum de conserva, é o músculo da barriga. E é a parte mais saborosa do peixe. Basicamente, está para o atum como o chateubriand está para o bife: é tenra, saborosa e desfaz-se em lascas. Hoje em dia, encontra a ventresca à venda em quase todos os grandes supermercados. Eu aconselho o atum Santa Catarina, dos Açores, e a conserva em azeite ou água – já que estamos em dieta, evite o óleo. Depois disto, coloque um ovo cozido picado por pessoa, muito tomate aos cubos e uma cebola picada. Acabe com coentros aos bocadinhos e tempere com azeite, vinagre de orégãos e flor de sal.

É a chamada dieta light: é salada, mas enche como se não fosse.

 

Ingredientes 

500 gr de feijão frade

2 latas de ventresca de atum ao natural ou em azeite

4 ovos cozidos

4 tomates

1 cebola

Coentros picados

Azeite

Vinagre de orégãos

Flor de sal

 

Uma boa hora de Verão para si, onde quer que o Verão esteja,

Ele

socorro, estou de dieta (outra vez... sim, eu sei)

 

http://www.mowielicious.com/

Como o meu querido marido já avançou em primeira mão, no post anterior, estou oficialmente de dieta. Bem, vou reformular a frase: Estou sempre de dieta. É um facto. Como adoro comer, vivo com este constante guilty pleasure: como os petiscos do meu querido marido mistério um dia, passo fome no outro, e assim vou vivendo em sofrimento constante. Já tentei tudo: até aquela maldita aplicação, a Carrot Fit (lembram-se do meu post "medo, tenho a treinadora do Biggest Loser no meu telemóvel"?) que quase me levou à loucura (OK, aniquilei-a ao fim de 24 horas de insultos consecutivos). Mas agora é de vez! Estou decidida a ter um corpinho de vinte na praia este verão. Estou motivada! Desta é de vez.

http://laposegourmande.blogspot.pt

E qual é a minha primeira decisão? Fechar a boca. Não há segredos: Só se emagrece, fechando a boca a cadeado, de preferência. Segunda decisão: salada ao almoço, sopa ao jantar. Terceira decisão: vou encher a despensa com aqueles pacotes de maçã desidratada e de coca-cola light. Quarta decisão: vou ali suicidar-me e já volto... Bom, também não é preciso tanto. Basta motivação e força de vontade. Por isso, a partir de hoje, lá em casa só entram alimentos light. E o meu querido marido mistério terá de mostrar o que vale na cozinha, fazendo arte com ingredientes como estes:

https://www.tumblr.com

É que esta moda do detox não é para mim. Não aguento passar o dia a líquidos, muito menos verdes ou castanhos. Eu sou uma pessoa que precisa de trincar para saciar. Por isso, preparem-se para as receitas light que aí vêm. A coisa promete. (Aproveito para deixar aqui alguns pratos para Ele se inspirar):

http://www.greenkitchenstories.com

http://www.okuchnia.pl/ 

http://www.cannellevanille.com

http://www.versesfrommykitchen.com

http://www.marthastewart.com

Boa sorte para mim,

Ela

 

sugestão para a dieta: bolachas de gengibre sem açúcar

Tenho de confessar duas coisas. Primeiro, não gosto de gengibre. Segundo, não gosto de dietas. Foi, por isso, com um intenso mau humor que vi entrar cá em casa um pacote de bolachas de gengibre sem açúcar. (Oh, Deus, o que é que passa pela cabeça das mulheres a partir do início da Primavera?!) Mas, a verdade é que tive de reconhecer uma coisa: há bolachas boas sem açúcar. E depois outra: também há bolachas boas de gengibre. E mais difícil ainda de reconhecer: há bolachas boas de gengibre, sem açúcar.

As responsáveis por esta mudança radical na minha vida foram as Simpkins Ginger Biscuits, uma marca inglesa que produz bolachas desde 1921 e que, como quase todas as marcas inglesas de biscoitos, bolinhos e outras coisas que se comem com o chá, tem umas embalagens com óptimo aspecto que nos dão vontade de aspirar um pacote seguido em 30 segundos.

A verdade e que as Simpkins são doces e conseguem misturar o sabor típico da bolacha com um toque apimentado do gengibre. É uma óptima escolha para quem está de dieta e não quer deixar de comer (situação em que infelizmente me encontro porque produtos calóricos deixaram de entrar cá em casa). Segundo parece, as Simpkins vendem-se no Celeiro, uma loja de comida que, nunca percebi bem porquê tem empregadas vestidas com uma bata branca de dentista em fim de carreira. E é melhor acabar por aqui para não ter de falar do cheiro a remédio dos corredores…

Uma boa dieta para si, onde quer que esteja,

Ele 

monte das falperras, o spot ideal para ver as estrelas durante a hora do planeta

Há dois anos, o céu do Alqueva foi reconhecido como o melhor do MUNDO, ao ser considerado como a primeira reserva a obter a certificação Starlight Tourism Destination, atribuída pela UNESCO e pela Organização Mundial do Turismo. Desde então, a região tem sido invadida por curiosos e fanáticos observadores de estrelas, cometas, meteoritos e afins. Por isso, quando li que a Hora do Planeta se celebra este sábado entre as 20h30 e as 21h30, lembrei-me logo do local ideal para se estar precisamente a essa hora: o Monte das Falperras, onde eu e Ele passámos um fim-de-semana inesquecível.  

“Fal… quê?” perguntei, incrédula, quando Ele me sugeriu passar uns dias neste monte. Fui procurar no dicionário e mais baralhada fiquei já que a única definição que encontrei foi “lugar de ladrões”. Mas mal entrei no site do monte, respirei de alívio. Afinal, Ele não estava louco! De frente para a barragem, uma casa térrea pintada de branco e forrada a xisto olha de cima para uma piscina com uma localização ímpar, no meio de uma típica paisagem alentejana, mas com um pormenor que faz toda a diferença: tem como pano de fundo o grande Lago do Alqueva. Inspirada pelas fotografias, marquei um fim-de-semana só para nós os dois. Já estávamos a precisar de fugir da equipa de futsal!

A casa

Confesso que parti de Lisboa com medo de me dececionar, porque muitas vezes o que vemos nas fotografias não é bem aquilo que encontramos in locco. Não foi o caso. Aquilo que vi online foi exatamente o que encontrámos. Minto, foi bem melhor, porque a paz e os sons da natureza não se conseguem ver nem sentir nas fotografias. Muito menos a simpatia do casal anfitrião: os arquitetos Inês e Diogo. 

E por todo o monte (que pertencia à família dele: do Diogo, não do meu querido Marido Mistério) se sente o toque simples e minimalista tão distinto dos arquitetos. Todos os espaços se resumem a duas palavras: branco e xisto. Uma combinação vencedora em todos os cantos da casa: nos seis quartos, simples e confortáveis, todos com terraços privados virados para a barragem, separados entre si por umas cortinas brancas; na sala comum, onde uma lareira convida os hóspedes a por ali ficarem nas noites de inverno; na sala do pequeno-almoço, com uma única mesa para todos os hóspedes; e até na sala de televisão, onde coabitam o mínimo e o indispensável: o aparelho propriamente dito e um sofá branco. E aqui o bom-gosto abunda nos pormenores: nos gigantescos blocos de xisto que povoam o chão, no aproveitamento dos nichos herdados da versão original da casa, transformados em mesinhas de cabeceira ou em pequenos armários embutidos nas paredes, e nas banheiras quadradas de cimento afagado.

O jardim 

Mas o melhor do Monte das Falperras é o seu exterior. O simpático alpendre com vista para a piscina com o Alqueva a servir de moldura é maravilhoso, sobretudo, ao final da tarde, quando o pôr-do-sol arrepia. Aliás, ficámos horas ali: só nós, a cama branca, dois livros e o pôr-do-sol… e claro, um copo de ótimo vinho branco alentejano (que comprámos no supermercado). Em redor da piscina, foram criados vários recantos à sombra das árvores com camas de exterior improvisadas (que é como quem diz colchões-forrados-com turcos-brancos-colocados-em-cima-de-estrados-de-madeira). E da piscina, temos aquela sensação de perspetiva em que a água parece desaguar na barragem. Depois, é aquele maravilhoso som do silêncio alentejano interrompido pelo barulho das cigarras. Um sonho!

O pequeno-almoço 

Quando nos sentámos pela primeira vez na única mesa da sala do pequeno-almoço, não estávamos preparados para o choque calórico que se seguiu: pão alentejano, compotas caseiras, queijos frescos de cabra feitos na queijaria mais próxima, um bolo acabadinho de cozer, sumos, chás, cafés: tudo fresco, ótimo e caseiro. Só há um drama: o pequeno-almoço é a única refeição que se pode fazer no Monte das Falperras, o que, a avaliar pela experiência matinal, é no mínimo, um crime.

E assim passámos um fim-de-semana delicioso, entre livros, mergulhos na piscina e a paisagem alentejana como cenário... e descobrimos finalmente o significado da palavra descanso.

Só quando estava no carro de regresso a Lisboa e à nossa equipa de futsal é que me dei conta de que me esqueci de perguntar ao Diogo e à Inês porque raio se lembraram de chamar àquele paraíso escondido Monte das Falperras. Não faz mal. Pergunto para a próxima. Este é daqueles lugares a que vamos voltar, sem dúvida alguma. Só tenho pena de não podermos ir já este fim-de-semana. Sim, porque este é o lugar ideal para se estar no próximo sábado, na Hora do Planeta. Já imaginou o mundo às escuras e você iluminado pelas estrelas do céu do Alentejo refletidas nas águas do Alqueva?

O Ótimo 

O alpendre e o pequeno-almoço

O Bom 

A decoração da casa e dos espaços exteriores, o jardim e a piscina

O Mau 

Não servem refeições além do pequeno-almoço

O Péssimo 

As palhinhas do teto dos terraços dos quartos caem em cima das nossas cabeças (vale a pena investir numa placa transparente protetora)

 

Boa Hora do Planeta, de preferência debaixo de um imenso céu estrelado,

Ela

 

 

a melhor chef do mundo é brasileira

Foi arquitecta (o que quer dizer que tem bom gosto), foi modelo (o que quer dizer que é bonita) e foi eleita a melhor chef do Mundo (o que quer dizer que sabe cozinhar) – que mais é que um homem pode querer? Não estamos a falar da mulher perfeita – até porque Ela não autorizaria –, estamos a falar de Helena Rizzo, a chef do Maní, um dos melhores, mais bonitos e mais criativos restaurantes de São Paulo, no Brasil (como, aliás, pode ver pelo espectacular site).

A eleição de Helena foi anunciada esta terça-feira pela revista Restaurant Week que, em Abril, irá anunciar a lista dos 50 melhores restaurantes do Mundo em 2014. No ano passado, o espanhol El Celler de Can Roca, de Girona, ganhou a eleição, considerada a mais prestigiada a nível internacional. 

Helena, que trabalhou também na cozinha do El Celler, é a primeira brasileira a vencer o prémio, depois de Anne-Sophie Pic, do Maison Pic de França, e de Elena Arzak, do Arzak, o três estrelas Michelin de San Sebastián. Helena recria pratos sofisticados e elegantes baseados em alimentos tipicamente brasileiros. Uma das suas mais famosas criações são as mandiocas assadas com espuma de tucupi (o sumo da raiz da mandioca brava), leite de coco e azeite de trufas brancas.

E depois de escrever tudo isto, só tenho uma pergunta a fazer: porque é que Ela nunca me convidou para jantar no Maní?

 

 

Parabéns à Helena, onde quer que ela esteja,

Ele

4 sugestões para jantar no sábado à luz de velas (durante a hora do planeta)

Não, não estamos a falar daquela velazinha pseudo-romântica em cima da mesa com o piano em fundo a tocar o Don't Cry For Me Argentina. Estamos a falar da Hora do Planeta, a iniciativa internacional que já é celebrada por mais de 50 milhões de pessoas em 154 diferentes países e territórios do Mundo. Em Portugal, há 80 concelhos envolvidos e vários restaurantes e hotéis que neste sábado vão desligar as luzes entre as 20h30 e as 21h30. Conheça quatro sugestões para celebrar o momento.

 

A sugestão confortável

Arola, Quinta da Penha Longa

O Arola é um dos melhores restaurantes da grande Lisboa. Com uma vista magnífica para os jardins da Penha Longa e uma decoração sóbria e clean, tem uma óptima ementa. No sábado, não vão ter um menu único. Mantêm a carta habitual do restaurante, mas prepararam um cocktail especial para oferecer aos clientes à chegada. As luzes serão reduzidas ao mínimo e o restaurante estará todo decorado com velas.

A seguir ao jantar, poderá dar um passeio pelos jardins da quinta e ver as estrelas no céu sem as luzes de Lisboa. Na recepção da Penha Longa, estará ainda desenhado um gigante 60 (o símbolo do movimento, que representa a duração em minutos da Hora do Planeta) feito apenas com velas.

 

A sugestão conservadora

Palácio de Seteais, Sintra

O Hotel Tivoli Seteais é outro sítio magnífico para ver as estrelas. Durante a Hora do Planeta, o hotel reduzirá as luzes ao mínimo e estará decorado essencialmente com velas. Para o jantar de sábado, terá um menu especial para comemorar a iniciativa. Trio de queijadas de entrada (requeijão, compota de abóbora e doce), peixes e mariscos sobre espuma de batata doce como prato principal e uma sobremesa. Tudo por 45 euros por pessoa. Uma sugestão cara para quem não dispensa mesmo a vista incrível do palácio e dos jardins. Se preferir algo mais barato, os Tivolis de Vilamoura e do Parque das Nações, em Lisboa, estão a sortear a oferta de um jantar para duas pessoas no sábado. Basta ir aqui até sexta-feira e concorrer.

 

A sugestão radical 

Onyria, Cascais

O restaurante do Hotel Onyria, no meio do pinhal da Quinta da Marinha, em Cascais, também reduzirá as luzes, também estará decorado com velas e também terá um menu especial para comemorar a Hora do Planeta. Mas a poupança de energia é só na luz. A seguir ao jantar, haverá música com DJ e muitos watts consumidos. O jantar custa 35 euros e dará direito a um cocktail (cerveja premium Onyria, sumo de abacaxi com pepino e hortelã, sangria e snacks: folhados de linguiça e paté de farinheira com pão caseiro e cubinhos de queijo do Pico) e a um jantar: tempuras de feijão verde, pastéis de bacalhau, mini bruschettas de legumes; canoa de Abacaxi com camarão, alfaces e molho rosa; peito de galinha recheado com espinafres e sultanas, arroz de açafrão, courgette e cenoura salteadas; e para acabar um buffet de doces e frutas. Está ainda incluído o vinho – branco e tinto S de Sol –, cerveja Onyria, águas, refrigerantes e um digestivo por pessoa: whisky novo, vinho do Porto ou licor Beirão (quem é que se lembra de licor Beirão?!).

 

A sugestão para o lanche

Soundwich, Parque da Cidade, Porto

Aqui não tem luz de velas, não tem poupança de energia, mas tem o Parque da Cidade – e isso vale por tudo o resto. Em vez de estar à espera pelo jantar, vá até ao Soundwich durante o dia e aproveite a vista, o parque e a natureza com as óptimas sanduíches, saladas e carpaccios dos melhores chefs do Porto. Da sanduíche de perú crocante com molho de parmesão do chef António José Vieira à de rosbife de vitela com molho tonato do chef Rui Paula, vai ver que não se arrepende. E à noite, durante a Hora do Planeta, pode ir passear para a praia do Aterro, em Leça, e ver o mar. Se estiver com muita fome, pare no L'Kodac e coma qualquer coisa.

 

 

Uma boa hora do planeta para si, onde quer que esteja,

Ele

um olhar pelo mundo

Neste preciso momento, no outro lado do mundo, está alguém a morrer, está alguém a nascer, está alguém a cantar, está alguém a brincar, está alguém a adormecer, está alguém a acordar, está alguém a plantar, está alguém a rezar, estamos todos a viver. O mundo é demasiado rico e maravilhoso para ficarmos no nosso canto, orgulhosamente sós. E a internet tem este poder: de nos mostrar o mundo e a sua imensa diversidade cultural sem saírmos de casa. O site Buzz Feed fez uma seleção incrível de 47 retratos que são pequenos pedaços do planeta. Desses retratos, escolhi os olhares que mais me marcaram. Estes olhos, sim, dizem muita coisa. 

Maira Fridman 

 

Marie Brizard 

  

David Lazar

 

Ghoststone

  

Iain McKell

 

David Lazar

 

Dave/The Longest Way Home 

 

Randy Olson 

 

Chris Lambeth

 

Boa viagem,

Ela

 

os hambúrgueres do cais da pedra

Primeiro, vamos aos defeitos que isto vai ser rápido:

1 - Meus senhores, estamos no século XXI, não fiquem parados no tempo: um restaurante como o vosso ter um site que é apenas o horário e os contactos não se admite.

2 - Meus senhores, estamos no século XXI, mas não queiram ser modernos demais: um restaurante como o vosso não aceitar reservas ao almoço não se recomenda.

E é isso. Não temos mais nada a dizer. Boa tarde e até amanhã.

Nãaaaaa, não se vá já embora. Agora vamos falar das coisas boas. E isto vai demorar. Começando pelo horário (aberto até à meia-noite ou até às 2h da manhã), passando pela animação (há música boa e DJ) e continuando no resto (gins, cocktails e chás gelados fantásticos).

O serviço

Chegámos em bando. Não apenas os quatro elementos titulares da nossa equipa de futsal, mas também os suplentes, que é, como quem diz, um amigo para cada um dos nossos filhos. Somando esta turba a um casal de primos, dá a módica quantia de 12 abdómens sentados à mesa. É o suficiente para assustar qualquer empregado inexperiente ou qualquer gerente empertigado. Mas não bastou para abalar o profissionalismo dos senhores do Cais da Pedra. Mesmo não tendo nós reserva. Mesmo tendo uma energia suficientemente assustadora. E mesmo chegando por volta das nove da noite. Está certo que era um dia de semana, mas o restaurante estava quase cheio. E isso não impediu a empregada de sorrir, ser simpática e ajudar: juntou mesas, arrastou cadeiras, foi prestável e eficiente. É assim um serviço bom. E é assim o serviço no Cais da Pedra. Ao longo de todo o resto do jantar, foram rápidos, atenciosos e amáveis. A turba agradece.

O ambiente

Tem duas hipóteses: esplanada com vista deslumbrante ou interior com vista deslumbrante. Eu sei que pode ser considerado um bocadinho repetitivo, mas eu gosto. E não é tudo. O espaço tem um pé direito gigante e uma mezzanine que acompanha um dos lados da sala. Tem janelas enormes e espelhos imponentes. É decorado com ferro, pedra e um bom gosto simples, moderno e eficaz. Os tampos das mesas fazem lembrar o balcão da cozinha da minha bisavó e os guardanapos a toalha de piquenique da minha tia-avó. Tudo isto tem um charme e uma simplicidade reconfortantes. A cozinha está aberta para a sala e os candeeiros são sofisticados, o que lhe dá um toque de modernidade. É seguramente uma das salas de restaurante mais bonitas de Lisboa. Eu sei que disse isto há pouco tempo em relação ao Darwin's, mas é verdade: Lisboa está com restaurantes lindos.

A ementa 

O couvert

Azeitonas marinadas, pão de mafra quente (adoro pão quente, mas não sou grande fã de pão de mafra – prefiro o alentejano), azeite e vinagre balsâmico e uns croquetes de novilho acabados de fritar (deliciosos): simples e bom.

 

As entradas

Há sopas, carpaccios, umas saladas e até uns folhados de queijo de cabra. É capaz de ser bom (não discuto), mas quando saio para comer hambúrgueres não saio para comer carpaccio. Por isso passei.


Os hambúrgueres

Chegámos ao que finalmente interessa. Todos os hambúrgueres são feitos com carne maronesa – isso já é alguma coisa. E alguns são feitos com foie gras, queijo da ilha ou maionese de trufas – e isso é muito mais. Eu provei três diferentes, com medo de estar a perder alguma coisa importante.

Primeiro, o hambúrguer de salmão em bolo do caco de alfarroba, com cebola roxa, tomate cherry e molho de iogurte grego e cebolinho. A moda do bolo do caco já enjoa ligeiramente, em especial quando o bolo do caco parece uma bola de mafra achatada da véspera (sim, já vi isso por aí). Mas o bolo do caco de alfarroba é diferente, e consegue surpreender no meio desta intoxicação madeirense. Quanto ao recheio, o molho de iogurte grego com cebolinho corta na perfeição a gordura do salmão. É uma óptima solução para começar a refeição se não pedir entrada e se dividir por três.

Depois, o hambúrguer Cais da Pedra, com queijo da ilha, cebola caramelizada e compota de tomate cherry e manjericão. É uma mistura fantástica e claramente o meu preferido. O queijo da ilha é intenso, a compota é doce e a cebola caramelizada é um pormenor maravilhoso.

Finalmente, o Rossini, com foie gras e maionese de trufa preta. Nesta fase, já tinha provado paladares demais. O foie gras é provavelmente uma das sete maravilhas gastronómicas do Mundo e a trufa um dos meus luxos favoritos. Mas a mistura dos dois e, ainda por cima, com maionese pelo meio é ligeiramente enjoativa. São sabores e calorias a mais para um único prato.

 

As batatas fritas

Enganam. São grossas, têm casca... mas também são óptimas: estaladiças, leves e saborosas.

A sobremesa

Há brownies, há crumbles de maçã, há mousses de chocolate e até há quem tenha conseguido comer isso. Mas eu fiquei pelo carpaccio de abacaxi com sorbet de côco. É bom e menos calórico. Ou, pelo menos, parece.

A surpresa

A nova ementa deste ano tem cinco pequenos-almoços para o fim-de-semana e os feriados, quando o restaurante abre às 10h da manhã: americano, continental, light e dois tipos de ovos benedict – com fiambre ou salmão fumado ou com espinafres frescos e cogumelos. É uma ideia – para um dia em que consiga resistir aos hambúrgueres.

 

O óptimo 

Os hambúrgueres

O bom

O serviço

O mau

Não haver reservas para o almoço

 

Um bom jantar para si, onde quer que esteja,

Ele

os vídeos de cozinha mais divertidos

Esqueça o Chef Silva, a Filipa Vacondeus ou o Manuel Luís Goucha (na versão "Sim ou Sopas", com bigode na cara e um avental à cintura). Isto é outra coisa. Não é um programa de culinária, é uma conversa descontraída e divertida entre quatro amigos: um chef e três curiosos que querem aprender um bocadinho mais sobre comida. Todos os dias, juntam-se à mesa ou dentro da cozinha para fazerem pratos simples e delicosos com a ajuda dos espectadores.

O resultado chama-se Sorted Food e é a maior comunidade de comida da Europa. É também o canal do YouTube onde estão os vídeos de culinária mais originais e divertidos. E o site onde estão as receitas mais simples. E a página de Facebook onde estão os comentários mais loucos. E o Instagram onde estão as fotografias mais espectaculares. E o Pinterest onde estão as... (eu sei, se calhar já parava com isto, não é?)

Mas vale a pena visitar. E inspirar-se. Porque, como eles dizem, cozinhar não tem de ser uma chatice.

 

 

 

Cozinhados divertidos para si, onde quer que esteja,

Ele

o pensamento da semana

"Uma couve-flor não é mais do que um repolho com um curso superior".

Mark Twain, escritor norte-americano

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