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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

bolo do caco hamburgueria gourmet

 

Mesa para dois

 

O ambiente

Imagine um Mini com mesas de jantar lá dentro. Sentir-se-ia confortável? Vai sentir-se. Quando a decoração tem a ver com o espaço, a área é apenas uma questão de perspectiva. E aqui tem de ir preparado para o que vai encontrar. Primeiro, este é um restaurante para almoçar, não é um sítio para jantar - o espaço é minúsculo e as cadeiras não são confortáveis. Depois, este é um restaurante para ir aos pares - se for sozinho vai ficar absorvido pela conversa do lado; se for em grupo arrisca-se a ficar sentado ao colo de uma colega (ou de um colega, o que pode ser ligeiramente mais desagradável, dependendo das perspectivas). Depois, este é um restaurante para marcar mesa - não arrisque porque não vai correr bem.

Se tiver a sua perspectiva acertada nestes pontos, vai gostar. Só precisa de não querer aquilo que este restaurante não é. É como o Mini: é um carro trendy, engraçado, bonito e no qual sabe bem andar - mas não é um carro de luxo, nem um carro para a família. O Bolo do Caco é igual: é um restaurante trendy, engraçado, bonito e no qual sabe bem estar - mas não é um restaurante de topo, nem um restaurante para jantar. A decoração é moderna, o espaço é acolhedor, o ambiente é animado.

Quando nos sentámos, tivemos a sorte de ficar esmagados entre um casal silencioso, mais interessado na nossa conversa do que na deles próprios, e dois amigos empenhados em discutir marcas de artigos desportivos e computadores de última geração. Ou seja, a companhia poderia ter sido pior.

 

 

O serviço

Desde que fui descomposto pelos empregados do English Bar, no Estoril, por ter ousado ir ao restaurante no dia 1 de Janeiro, quando eles estavam estafados da festa na véspera, que dou graças a Deus quando sou bem recebido no dia a seguir ao Natal e ao Ano Novo. E aqui tivemos sorte. No dia 26 de Dezembro, quando metade dos donos dos restaurantes de Lisboa estavam a desintoxicar das filhoses e das rabanadas em excesso, os empregados do Bolo do Caco estavam felizes por estarem abertos. Ou, pelo menos, pareciam. Na quinta-feira, não tínhamos marcado. E, mesmo assim, conseguimos mesa. Com boa vontade e um sorriso - o que, hoje em dia, é raro. O restaurante não tem menu - está tudo escrito a branco nas paredes pretas -, o que acelera logo uma boa parte do serviço. E a comida vem rapidamente e sem erros - o que, hoje em dia, é ainda mais raro. As alterações aos pratos; o "um pouco mais de gelo, se faz favor"; ou o "se não se importa, trazia-me uma Coca-cola enquanto escolhemos" são encarados com naturalidade. Aqui serve-se como deve ser: sem simpatia a mais e sem eficiência a menos. 

 

A ementa

 

Couvert

O pão não é brilhante: está entre o pão de forma Bimbo e o pão de sementes artesanal - é escuro, mas é mole demais; tem côdea, mas é um pouco emburrachada. O azeite vem com um xarope de vinagre balsâmico demasiado espesso e doce. Mas as azeitonas são pequenas, tenras, saborosas e nada ácidas. Resumindo, não é fascinante mas escapa.

 

Os pratos principais

Aqui tudo tem bolo do caco. E quase tudo é elaborado com cuidado. Experimentámos o hambúrguer de salmão e o hambúrguer tártaro. Primeiro, os crus. O tártaro estava bom, mas não é fabuloso. Vem com alcaparras e carne fresca e saborosa, é grande e tem mostarda a acompanhar, mas falta-lhe algum detalhe que o torne especial. E esta é que é a diferença entre um bom restaurante para almoçar, como esta hamburgueria, ou um excelente restaurante para jantar, como o Talho de que falámos há uns dias: os detalhes que surpreendem. A única crítica é em relação às batatas fritas: um pouco grossas demais e moles.

Agora, os cozinhados. O Salmão Burger é a melhor solução para quem passou as últimas 48 horas a comer bacalhau, peru, couves, rabanadas, queijos, mais bacalhau, mais peru e mais tudo. Pelo menos é um prato que finge ser light. Com cebolinho, rúcula e tomate, vem por baixo de um molho tzatziki, de origem grega, à base de iogurte e pepino. É um molho leve e fresco e, juntamente com o cebolinho, ajuda a desenjoar da gordura do salmão. Mas o melhor deste prato - e provavelmente de todo o restaurante - é o acompanhamente: umas chips de batata doce, cortadas à grossura de uma folha de papel, extremamente estaladiças e sem um pingo de gordura a mais. Todos os acompanhamentos são servidos em tachinhos miniatura cinzentos, o que para quem, como eu, já não aguenta a moda das ardósias, representa uma bafurada de ar fresco numa tarde caribenha.

E porque era dia 26 de Dezembro, os doces tiveram de ficar para outro dia - ao almoço, claro.

 

 

Um bom fim-de-semana para si, onde quer que esteja,

 

Ele

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