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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

camarão com manteiga de alho e salsa para começar este fim de semana em grande

É sexta-feira

Yeah

Quero ir para a brincadeira

Yeah

Hoje acordei com a música inspiradora do Boss AC na cabeça. Feliz e bem-disposta. Já a sonhar com o fim-de-semana. E com as nossas aventuras gastronómicas, claro. Calor e bom tempo para mim são sinónimo de felicidade: praia, piscina, petiscos, imperial, vinho branco. Para Ele, o bom tempo resume-se a uma única obsessão: churrasco. E vou confessar aqui uma coisa: eu odeio churrasco (em minha casa, claro; adoro na casa dos outros). Detesto o cheiro a fumo, o frete que é esperar que a brasa pegue, a grelha para lavar, tudo. É um verdadeiro inferno. Por isso, decidi antecipar-me. Antes que ele proponha um churrasco para amanhã, vou sugerir este petisco maravilhoso, que se faz no forno e que só suja uma frigideira ou um tabuleiro. A receita, da infalível jo cooks, é facílima e deliciosa.

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sushi light sem arroz para se preparar para o verão

O Kim Jong-un cá de casa decretou este fim-de-semana que o sushi tinha sido banido das nossas vidas. A tirania da dieta está a consolidar-se aos poucos nesta família. Acho que vou chegar ao Verão a comer plantas e a beber água – mas só destilada para engordar menos.

Eu sei, já está aí desse lado com uma lágrima no canto do olho, a chorar de pena de mim. Aceito a sua solidariedade. E agradeço. Mas, antes de começar a estudar quais as melhores plantas para fazer no churrasco, resolvi procurar sushi light, o que é o mesmo que dizer sushi sem arroz. E foi assim que encontrei esta salvadora receita do blog The Clothes Make the Girl

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uma massa com zero hidratos de carbono? é isso mesmo! e para fazer em 10 minutos

Segunda-feira é dia de descanso e de dieta. Por favor, não me interprete mal: não estou a dizer que é dia de descanso da dieta. Não se aproveite de mim para se encher por aí de gorduras, açúcares e hidratos de carbono. O que estou a dizer é exactamente o contrário: é dia de descansar da agitação do fim-de-semana e de tentar abater toda essa gordurinha extra ingerida nos jantares fora, nos copos ao fim do dia e nos pequenos-almoços caprichados. Agora tem duas hipóteses: enfia-se no ginásio e só sai de lá amanhã à hora de deitar ou ouve o que este vosso casal amigo tem para lhe sugerir. Como é que vai ser: 10 horas de ginásio ou 10 minutos de cozinha?

Eu calculei... Por isso é que tenho aqui para partilhar consigo esta fantástica receita de massa de konjac, uma massa que, além de não ter hidratos de carbono (zero, leu bem, zero), não precisa de ser cozinhada. A sugestão é do blog Apron Strings.

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2 jantares deliciosos para fazer em menos de 15 minutos

Já percebi. Está tudo explicado. Toda a gente gosta muito de cozinhar e de conhecer as melhores receitas que existem por essa Internet fora, mas o que é certo é que, mal falei aqui de um cheesecake de lima que não precisava de ser cozinhado, toda essa legião de ferverosos cozinheiros explodiu de júbilo. Amigos aspirantes a Chef Silva do século XXI, digam de vossa justiça: gostam de cozinhar ou gostam de não cozinhar?

Por favor, não respondam, eu desconfio que sei qual é a resposta: quanto menor a chatice, melhor a lambarice, não é?

Pois então, cá estou eu, o Brise Contínuo, para ajudar os milhares de adeptos do lema Comer Sem Cozinhar a terem um bom resto de semana à mesa. E como? Com estas duas deliciosas receitas que demoram menos de 15 minutos a preparar. É só escolher, sentar e comer.

 

Gambas e espargos salteados com molho de limão

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  • 4 colheres de sopa de azeite
  • 450 g de camarão grande (sem casca nem a tripa)
  • 450 g de espargos cortados em 4 pedaços sem o último centímetro do pé
  • 1 colher de chá de gengibre ralado
  • 1 colher de chá de alho ralado
  • Flor de sal

Para o molho de limão

  • 2/3 de chávena de caldo de galinha
  • 1 colher de sopa de amido de milho
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 1 colher de sopa de molho de soja
  • 1/4 de chávena de sumo de limão espremido
  • 1 colher de chá de raspas de limão

 

6 receitas fáceis que não sujam tachos nem panelas

Qual é a pior parte de cozinhar? Além de cortar cebola e alho, claro...

Lavar as panelas e os tachos, tarefa que infelizmente me cabe quase sempre a mim. Ele cozinha, eu lavo. É a história da minha vida. Ai, e tal, “que sorte, o teu marido cozinha lindamente”, dizem as minhas amigas. Mas não sabem o caos em que fica a cozinha cada vez que o meu querido Marido Mistério se aproxima do fogão. O que se segue é quase trabalho escravo. Por isso, em vésperas do Dia Internacional da Mulher, disse basta aos tachos e panelas por lavar e arranjei, ao mesmo tempo, com a preciosa ajuda do Buzz Feed, a solução para os meus problemas: 6 receitas no forno que só sujam um único tabuleiro ou travessa. É o meu presente para ti, meu querido Marido Mistério, para celebrarmos em paz e harmonia o Dia Internacional da Mulher.

 

1. Salmão Wasabi, com Acelga Chinesa, Couve e Shiitake 

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Pelo nome parece difícil mas não pode ser mais fácil: o segredo desta receita está na maionese de wasabi que deve preparar antes (maionese, wasabi, gengibre, alho). Depois é só temperar os legumes com azeite, alho e gengibre, o salmão com sal e pimenta e espalhar tudo muito bem num tabuleiro de ir ao forno. Espere 15 minutos e já está. Se quiser saber mais detalhes, espreite o fantástico site onde encontrei esta receita: o maravilhoso Bon Appétit.

 

 

linguini preto com camarão e molho de sherry e cebolinho (um prato feito com o presente de natal de há seis anos)

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Confesso que esta receita nasceu no momento em que olhei para o bar cá de casa e vi uma garrafa de sherry que estava ali acampada há uns cinco ou seis natais. É daqueles presentes amorosos que recebemos do tio da mãe do sobrinho do irmão do pai daquele nosso primo em 12.º grau que vemos uma vez por ano no dia de Natal e de quem nunca nos lembramos do nome. No entanto, há sempre o tal momento constrangedor em que ele nos entrega um presente e nós não sabemos bem o que fazer porque... não comprámos nada.

Eu tenho uma técnica infalível. Olho para Ela e pergunto, com um ar incrédulo:

- Então, Ela, onde é que puseste o presente que comprámos tão carinhosamente aqui para o primo que não víamos há tanto tempo? E para o tio da mãe do sobrinho do irmão do pai dele, que nos comprou esta deliciosa garrafa de sherry? Não me digas que deixaste no carro... O quê?! Deixaste em casa?! Oh, minha santa Efigénia, como é que te pudeste esquecer?!

Costuma resultar. Pelo menos, ele finge que acredita. E eu volto sempre para casa com uma garrafa nova de alguma coisa que invariavelmente não costumo beber (devo ter cara de quem gosta de pinga...). Daquela vez, foi um sherry. Que esta semana terminou em cima de um delicioso linguine nero com camarão. Os astros gastronómicos conjugaram-se: no congelador estava uma embalagem de camarão e na despensa estava um delicioso linguine nero comprado no Lidl. Posto isto…

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Os ingredientes 

  • 500 g de linguine nero
  • 350 g de camarão médio
  • 80 g de manteiga
  • 50 ml de sherry
  • 2 dl de natas
  • Um molho de cebolinho
  • Azeite
  • Sal
  • Pimenta

 

…comece por ferver o linguine com água e sal até ficar al dente – menos um minuto do que o tempo previsto na embalagem. Enquanto isso, coloque a manteiga a derreter numa panela média. Acrescente metade do cebolinho e os camarões e deixe fritar em lume brando um minuto ou dois, sem ferver para não queimar a manteiga. Junte as natas e o sherry e vá mexendo. Assim que os camarões estiverem prontos, retire-os. Tenha atenção para não os cozinhar demais – os camarões devem ficar mal passados, caso contrário secam. Continue a cozinhar o molho por uns minutos enquanto mexe, até reduzir um pouco a quantidade.

Retire o linguine, passe-o por água fria para tirar a goma e coloque-o numa frigideira com um fio de azeite durante um minuto ou dois para ficar húmido. Sirva a massa numa taça e junte o molho e o camarão. Ou, se preferir, junte apenas no prato. Tempere agora com sal grosso, pimenta e o resto do cebolinho. Assim, fica menos salgado e vai sentir as pedras do sal ao trincar.

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Quem é que deu um bom presente de Natal, quem foi?

 

Um abraço para o tio da mãe do sobrinho do irmão do pai do nosso primo em 12.º grau, onde quer que ele esteja,

Ele

 

fotos: casal mistério

despedida do algarve: a maravilhosa anchova grelhada da esplanada do sem espinhas

Quando entro num restaurante e ouço o empregado dizer-me:

- Boa noite, cavalheiro...

...sinto-me de volta ao século XVII.

Então, se o mesmo empregado se vira depois para alguma das crianças e lhe diz:

- O que é que a menina vai desejar?...

...não me restam dúvidas: encarnei no corpo do Dartacão e estou à frente da Milady, pronto para derrotar o temível Cardeal Richeleão.

Como sou o mais devoto admirador dessa obra-prima dos desenhos animados que foi "Dartacão e os Três Moscãoteiros", entrei no Sem Espinhas da Praia do Cabeço a imaginar os saltos acrobáticos de Mordos e a sonhar com o charme contagiante de Arãomis. E é importante deixar bem claro um ponto prévio: este Sem Espinhas está para o seu homónimo da Manta Rota tal como o Dartacão está para a personagem original de Alexandre Dumas: não tem qualquer comparação.

Eu tinha ido há uns anos ao restaurante da Manta Rota e confesso que gostei de lá comer como de ver o Passos Coelho a fazer carreirinhas na praia. Não me convenceu: nem o ambiente (demasiado sofisticado) nem a comida (caril de gambas?!).

Mas mal cheguei à praia do Cabeço para o jantar de despedida das nossas férias (infelizmente, já lá vão) percebi que tinha entrado num mundo diferente.

O ambiente 

O restaurante está em cima da praia e tem uma esplanada com uma maravilhosa vista para o mar. Decorado com madeira rústica e cadeiras de realizador às cores, é simples, alegre e despretensioso. Tanto sabe bem almoçar aqui de fato-de-banho (confesso que, no Verão, é coisa que só fazemos quando estão menos de 12 graus no areal e caem mais de 5 mm de chuva por hora) como jantar já com o duche tomado e o cabelo penteadinho. 

O ambiente é simpático – é frequente encontrar alguns jogadores de futebol sentados em mesas numerosas, às vezes com as crianças a guincharem um pouco alto demais – e o local é agradável. Sempre que estiver bom, aproveite a esplanada.

 

O serviço 

Cavalheiros, Meninas, Donzelas e Miladys. Prepare-se para uma educação enternecedora. E para um serviço atencioso. E para um atendimento rápido. E para uma cerimónia agradável. Tudo isto de T-shirt e calções. Que mais é que uma pessoa pode pedir?

A ementa 

O peixe

Aqui come-se peixe. Muito bom peixe. E, quando eu digo peixe, não digo robalos e douradas – que é aquilo que se serve em 90% dos restaurantes portugueses. Não. Peixe a sério, como pregado, anchova, salmonete, cherne, garoupa – sempre no singular, como dizem as peixeiras na praça.

Nós optámos por dividir. Pedimos dois camarões tigre mais pequenos (que o Pedro Passos Coelho não permite sequer os médios) e uma anchova de meio quilo. Primeiro arrumámos os camarões, depois tratámos da anchova.

Confesso que gostei imenso do camarão tigre. Muito bem grelhado, nada seco e acompanhado com um fantástico arroz de alho. Mas a grande surpresa da noite foi a anchova. Deliciosa, tem um sabor completamente diferente dos robalos ou das douradas. O excesso de gordura dá-lhe uma consistência única. Grelhada de uma forma digna do Conde Rocãforte, vinha tostada por fora e molhada por dentro. Simplesmente maravilhosa.

As entradas

Antes, pedimos meia dúzia de ostras muito boas, mas infelizmente não tão boas como as da Casa da Igreja – além de custarem um euro e meio, não têm o mesmo sabor a mar. E uma óptima muxama de atum.

Esta é para mim uma das melhores entradas que existem no Algarve. Inventada pelos fenícios há dois mil anos, a muxama é um lombo de atum passado por flor de sal e seco ao calor. Depois é cortado em fatias finíssimas e servido com azeite. A muxama do Sem Espinhas é maravilhosa, mas eu acho que fica ligeiramente atrás da muxama do Estaminé na Ilha de Faro. Temos de lá voltar para um jogo mata-mata à Scolari entre os dois restaurantes e tirar as teimas de vez.

As sobremesas

A tarte três delícias é qualquer coisa de absolutamente estratosférico. Juntar num bolo figo, amêndoa e alfarroba é pedir a Cristo para descer à Terra e jantar connosco. Não há forma moderada de descrever o que é isto. Por isso o melhor é calar-me e procurar rapidamente outro sítio onde exista alguma coisa tão boa como esta. As crianças pediram também um tradicional D. Rodrigo que estava fantástico.

Para acabar toda esta loucura, ainda estive quase, quase, quase a pedir um shot de aguardente de medronho bem gelada. Mas achei que era capaz de ser demais. Especialmente depois de ter bebido uma garrafa de Esporão branco. Fica para a próxima.

 

O bom 

A simpatia e a descontração do serviço

O mau 

Os guinchos dos filhos dos futebolistas

O óptimo 

A anchova grelhada e a frescura do peixe

 

Um abraço para o Dartacão onde quer que ele esteja,

Ele

farfalle de cogumelos boletus com camarão, tomate cherry e azeite de trufas

O que é que se passa com a televisão portuguesa às segundas-feiras à noite? Qual foi a ordem divina que proibiu os canais do cabo de terem um programa a partir das dez da noite que não envolva três homens, muitos gritos e um único tema: bola. Não é que eu não goste de futebol. Mas uma coisa é gostar de futebol, outra é gostar de ruído. E se as camisas do Manuel Serrão sozinhas já são ruído, as camisas do Manuel Serrão ao lado da barriga do Eduardo Barroso e da voz do Fernando Seara são uma trovoada em cima da minha cabeça. Por isso, eles começam a gritar na televisão e eu começo a cozinhar ao fogão. Foi isso que aconteceu ontem à noite. E foi graças aos três que comi um delicioso farfalle de cogumelos boletus com camarão, tomate cherry e azeite de trufas. De facto, o desespero obriga-nos a puxar pela imaginação.

Tudo começou com a prateleira gourmet do Lidl de que já falei aqui e que costuma ter óptimos produtos a preços baratíssimos. Este farfalle, comprado a 1 euro e que dá para quatro pessoas, estava na despensa à espera da primeira segunda-feira à noite em casa. Foi ontem. E correu bem.

Comecei por cozer a massa enquanto passava os camarões no wok por azeite virgem, alho picado, flor de sal, pimenta e um pouco de azeite de trufas. Quando os camarões começaram a deixar de ficar transparentes, juntei o tomate cherry e o manjericão. Mexi uma ou duas vezes e desliguei para não desfazer o tomate.

Entretanto, a massa já estava a ficar al dente. (E aqui é preciso fazer este parêntesis: por tudo quanto é mais sagrado, não deixe a massa e os camarões cozinharem demais porque vai estragar-lhe o jantar. Tal como o Manuel Serrão fica melhor calado, os camarões ficam melhor rijos e a massa solta e escorregadia). Tirei-a da panela e passei-a por água fria para não continuar a cozinhar. A seguir, juntei a massa no wok e aqueci tudo com mais um pouco de azeite de trufas para dar o sabor final. E foi assim que, enquanto três especialistas discutiam um lance de um jogo de futebol, eu consegui fazer o nosso jantar. Quinze minutos dão para muita coisa. 

 

- 500 gramas de farfalle de cogumelos boletus

- 300 gramas de miolo de camarão congelado

- 1 caixa de tomate cherry

- 6 dentes de alho

- Manjericão

- Azeite virgem

- Azeite de trufas

- Flor de sal

- Pimenta

- Azeitonas para enfeitar

 

 

Uma boa semana desportiva para o Manuel Serrão, o Eduardo Barroso e o Fernando Seara, onde quer que eles estejam,

Ele