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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

jantar na esplanada do can the can no terreiro do paço

Sentar-se na esplanada do Can the Can à noite, enquanto olha para as arcadas iluminadas do Terreiro do Paço, é um espectáculo ao nível da vista do Arpoador para a favela do Vidigal no Rio de Janeiro. Com uma diferença, claro: em vez de mulheres brasileiras de biquíni, vê o Rui Pregal da Cunha de boina. O ambiente neste restaurante mistura a beleza típica de Lisboa com o estilo alternativo que sempre marcou a banda Heróis do Mar. O grupo já desapareceu há uns anos e, em 2012, o seu antigo vocalista decidiu abrir este restaurante: cozinha elaborada baseada em conservas gourmet. O projecto resulta e o restaurante é perfeito para dias como este, em que o Anthímio de Azevedo ainda não percebeu bem se vamos ter um pequeno dilúvio ou uma noite quente e abafada. Seja como for, aqui estará sempre bem. Especialmente, por causa do...

...Ambiente 

A esplanada é qualquer coisa de maravilhosa. O Terreiro do Paço está cada vez a ganhar mais vida e o espaço está muitíssimo bem cuidado. De dia, é um forno de calor; mas de noite é um dos melhores spots de Lisboa. Com um único problema. O centro da praça está subaproveitado, escuro e meio abandonado. Junto às arcadas, há luz, esplanadas e pessoas. No centro, há um enorme buraco negro. No dia em que a câmara decidir animar o espaço, com artistas, mesas e espectáculos permanentes, esta transforma-se facilmente numa das praças mais bonitas da Europa.

Por isso, quanto à esplanada estamos conversados. Então, e se estiver a chover? Calma, não seja céptico: se estiver a chover, o restaurante tem um espaço incrível no interior. Com dois andares e um pé direito onde uma escada dos bombeiros não consegue chegar ao tecto, está decorado de uma forma deliciosa. E tudo convida a comer: a colecção de torradeiras antigas, a mini-exposição de latas de conserva, as garrafas de azeite típicas, os vinhos ou o enorme lustre pendurado no tecto e feito com três mil latas de conserva. É um espaço típico e cosmopolita, tradicional e moderno, regional e urbano. 

A ementa 

Os cocktails

Antes de comermos, pedimos uma bebida de entrada. Ela escolheu um gin Haymans com frutos vermelhos e eu uma margarita com agave. Ela ficou desiludida, eu fiquei encantado. Apesar dos bons gins, dos bons botânicos e da boa vontade do empregado, faltava o essencial: uma água tónica premium (aqui só servem Schweppes tradicional). Por outro lado, eu fiquei a babar com a mistura exótica desta margarita: é usado agave em vez de licor e sal temperado (e um pouco picante) em vez de sal normal. O resultado é provavelmente uma das melhores margaritas que já provei.

As entradas

Claramente, o melhor do restaurante. E o mais fiel ao conceito original: pratos requintados baseados em conservas gourmet. Como éramos seis, pedimos cinco entradas que dividimos e comemos até à última gota de molho. Uma muxama de atum com gomos de laranja, emulsão de azeite, raspa de casca de laranja e brotos de amaranto que estava deliciosa. Não tão boa como a muxama do Estaminé na Ilha Deserta, em Faro (até agora a melhor que já comi), mas fantástica na mesma: trata-se de um lombo de atum envolvido em sal e seco ao calor. Depois cortado às fatias finíssimas como se fosse presunto.

Depois comemos uma cavala alimada com um espectacular puré de batata doce com marmelo, endro e tomate confitado. Foi uma das melhores entradas. Se bem que Ela não se cansou de elogiar os croquetes de polvo com mostarda, mel e tinta que, de facto, eram de perder a cabeça. Veio também um cogumelo portobello com truta fumada e queijo da ilha que desapareceu antes sequer de eu o conseguir cheirar e umas favinhas novas com ventresca de atum, temperadas com cebola, coentros, tomate, azeite, vinagre e flor de sal. Depois de uma rigorosa votação na mesa, as favinhas novas foram eleitas o melhor petisco, muito de perto perseguidas pela cavala alimada e pelos croquetes.

Tudo isto veio acompanhado de um "cesto" de pão que não era mais do que uma lata antiga de atum de conserva.

Os pratos principais

Podíamos perfeitamente ter pedido também uma tiborna (havia uma bastante tentadora, com pesto de manjericão, beringela assada e tomate confitado com queijo de cabra) e ter feito a refeição assim. Mas não resistimos aos pratos principais. Dividimos por todos uma alheira de bacalhau com grelos salteados em alho, batata frita e ovo estrelado; e uns tentáculos de polvo no forno com migas de espinafres, tomate broa e alho. Devo dizer que o polvo estava ligeiramente seco e mesmo a alheira  ficou abaixo das entradas. O ideal era termos pedido mais uma ou duas entradas e feito uma refeição espectacular só de petiscos.

A sobremesa

Um bocadinho alternativo demais para o meu gosto. Pudim de xerém ou cuscuz de frutos vermelhos não iam correr bem. E, de facto, não correram.

 

O serviço 

Além de escolher a música de forma espectacular (António Zambujo, fado e boa música portuguesa), Rui Pregal da Cunha anda de mesa em mesa a controlar o serviço constantemente. De nós não se aproximou, mas passou a noite a explicar os pratos a uma mesa de estrangeiros. Os empregados são simpáticos, rápidos e competentes.

As crianças 

O restaurante tem uma ementa elaborada, mas também tem hambúrgueres e sanduíches. Além disso tem aquela enorme praça onde as crianças podem andar a correr descansadamente, junto à esplanada.

 

O bom 

As entradas e a margarita

O mau 

Os tentáculos de polvo e as migas

O óptimo 

A decoração e a esplanada

 

Um abraço aos Heróis do Mar onde quer que eles estejam,

Ele

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