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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a fantástica esplanada de inverno e o magnífico fetuccine com trufas e escalope de foie gras fresco do portarossa

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Há sempre um momento na nossa vida em que percebemos que já não vamos para novos. E o meu momento Ternura dos 40 aconteceu quando, a meio do almoço no Portarossa, no Porto, percebi que o meu filho mais velho tinha pedido um prato melhor do que o meu. É triste ver alguém, que há uns anos se alimentava a frascos de Blédina, sentado à frente de um fetuccine com manteiga de trufas e foie gras enquanto eu dividia uma mera salada verde com a minha querida Mulher Mistério. 

Não é definitivamente uma boa maneira de acabar um almoço que começou com uma fantástica esplanada com uma lareira exterior, na Foz.

 

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O ambiente

A Portarossa tem o charme de uma casa que podia ser da Ornella Muti conjugado com a simplicidade de um restaurante trendy. O restaurante está dividido em três áreas: uma sala principal simples e minimalista, uma zona de passagem com duas mesas altas, um balcão e um espelho que lhe dá profundidade e a tal esplanada com um estrado de madeira no chão, aquecimentos eléctricos nas paredes e uma enorme lareira de ferro forjado que, infelizmente, estava apagada no dia em que lá fomos almoçar.

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A decocração alterna candeeiros trendy modernos com baldes de latão vintage e mesas de ferro. A mistura resulta num espaço simpático, simples e acolhedor onde, mesmo no Inverno, é agradável ficar na esplanada coberta por toldos grandes.

O único problema foi a falta de um sítio onde pudéssemos esperar pela mesa – apesar de termos reserva, esperámos cerca de 15 minutos em pé, à entrada, junto ao balcão.

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A ementa

O que se quer de uma boa pizzaria é um forno a lenha, uma massa estaladiça e um recheio equilibrado. Tudo o resto é valor acrescentado. E na Portarossa, mais um restaurante dos donos da Casa Vasco, do Terra e do Cafeína, há vários valores acrescentados.

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O couvert

As boas notícias começam no início. Apesar de não ser espectacular, o couvert serve perfeitamente para nos entreter enquanto escolhemos. Seja por causa do pão com a côdea estaladiça e o miolo macio (infelizmente não vinha quente...), seja pelas boas e tenrinhas azeitonas temperadas com azeite, seja finalmente graças à óptima pasta de frango, leve e com um marcado sabor a pimentos, que faz uma grande diferença. 

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A entrada

Como, nas duas últimas semanas, a minha querida Mulher Mistério esteve sempre em modo pré-dieta, aceitou almoçar numa pizzaria, mas mediante algumas condições. A primeira foi logo colocada nas entradas. Tivemos direito a pedir apenas um carpaccio de novilho com parmesão e rúcula (€7), que vinha fininho e saboroso, e uma burrata de búfala (€6,50) que vinha com manjericão e tomate cherry. Não estava nada mal, mas também estava longe das melhores burratas que comi com o recheio bem cremoso que quase se desfaz em líquido cada vez que cortamos com a faca. O que mais se destacava era o tomate fresco e saboroso, alguns descascados e outros com casca – teria sido melhor se todos tivessem vindo descascados, mas não se pode ter tudo. 

Seja como for, duas entradas a dividir por seis bocas a precisarem de alimentação é quase esclavagista – mas é difícil contrariar uma mulher focada na dieta.

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Os pratos principais

E foi aqui que eu tive o meu choque geracional. A minha querida Mulher Mistério insistiu (estou proibido de usar a expressão "coagiu-me") em dividir uma salada e uma pizza pelos dois. O meu querido Filho Mistério teve a brilhante ideia de pedir o seu fetuccine com manteiga de trufas e foie gras (€15,50). Acontece que o fetuccine estava simplesmente maravilhoso e eu reduzi-me à minha insignificância – ou seja, a provar uma garfada... vá lá, duas... ok, talvez três.

A massa vinha bem cozida e com um molho espesso (a manteiga derretida) com um delicado sabor a trufa. Por cima, levava um delicioso escalope de foie gras selado por fora e suculento por dentro. E no topo foram colocadas umas pedras de sal que se sentiam ao trincar. Tudo isto acabava com um pouco de cebolinho picado espalhado pela massa. Ora, se não é tortura ter uma massa destas no prato do lado, não sei o que será.

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Eu contentei-me com uma salada de mozzarellina com speck e rúcula (€11,50). Estava agradável, o speck vinha fininho e saboroso e a mistura de verdes era simpática, mas está longe de ser um prato que eu peça de livre vontade. 

A seguir, a coisa melhorou ligeiramente com a pizza de cogumelos selvagens trufados (€13,50). Além de ter uma massa leve e estaladiça, com fantásticas bolhas de ar nas bordas, trazia uma base de mozzarella que não estava demasiado forte, uma mistura saborosa de cogumelos frescos e uma pasta de trufa que lhe dava um toque especial.

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Os outros mini-misteriosos que compõem esta quase equipa de futsal dividiram-se entre o linguine com cogumelos e aroma de trufa (€15), que estava bom, e uns raviolis frescos de ricotta com espinafres e tomate (€15) que tinham tomate a mais para o meu gosto.

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A sobremesa

Mais um momento ditadura dietética. Quando todos nos preparávamos para nos atirar a uma sinfonia de sobremesas, eis que Ela impõe mais um decreto salazarento: o máximo era uma pizza calzone com Nutella e banana (€4) a dividir pela comunidade. Da meia garfada que me foi permitido deglutir, não me pareceu nada mal, mas acho que teria preferido a pizza aberta – sempre se dilui mais o peso da massa.

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O serviço

Tirando a espera inicial – que não foi nada de dramático e até pode ser justificada com esta época de festas e de restaurante cheio –, o serviço foi sempre simpático e rápido. 

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As crianças

Tem uma pizza marguerita com fiambre ou um spaghetti à bolonhesa para as crianças. Com água ou refrigerante incluído, o menu fica por €10.

 

O bom

A esplanada aquecida

O mau

A espera pela mesa

O óptimo 

O fetuccine com manteiga de trufas e foie gras

 

Uma óptima terceira idade para si onde quer que o fetuccine de foie gras esteja,

Ele

 

fotos: portarossa; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.