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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a incrível história da provadora oficial de hitler

Confesso que estou um pouco receoso ao escrever este texto. A última pessoa que se aventurou a mergulhar nesse mundo perigoso que é a ementa de Hitler foi o chef flamengo Jeroen Meus. Meus quis recriar o prato favorito do líder nazi. Viajou até ao Ninho da Águia, o bunker onde o ditador se manteve escondido durante os últimos anos da II Guerra Mundial, e preparou uma deliciosa truta com molho de manteiga. Há quem diga que era o prato preferido de Hitler. Há quem diga que era o prato que o ditador tinha à sua espera, à mesa, quando se suicidou. Há quem diga que tudo isso é um disparate – Hitler era um vegetariano irredutível.

 

O que para aqui interessa é que a viagem acabou com o despedimento do chef. Os protestos dos familiares das vítimas do Holocausto levaram o canal de televisão belga a cancelar o programa e a mandar o chef recriar comidas para algum sítio bem longe dali. 

Agora, a comida de Hitler volta à imprensa internacional. E porquê? Por causa de uma entrevista com Margot Wölk. Wölk é a única sobrevivente do grupo de 15 provadoras de comida que Hitler tinha no seu bunker. Como vivia em pânico com medo de ser envenenado por espiões britânicos, o líder nazi não levava uma garfada à boca sem que a comida passasse antes por este grupo de voluntárias à força. 

Na entrevista à estação de televisão alemã RBB, a mulher de 96 anos (na altura tinha apenas 25) conta como acabava cada refeição submersa em lágrimas por ter conseguido escapar com vida a mais uma prova. Por volta das 11h da manhã, guardas das SS iam buscá-la a casa e levavam-na até ao refeitório de uma escola. Aí era servida a comida a ela e às outras 14 raparigas, enquanto os soldados aguardavam na expectativa. Só depois de elas terminarem um prato completo é que o oficial de serviço dava ordem para que a comida seguisse para o bunker.

E o que é que ela comia? Enquanto todo o país estava com racionamento de alimentos, só conseguindo ter uma refeição por dia, Margot provava legumes frescos e as melhores frutas que já tinha experimentado em toda a sua vida. Havia espargos com molho holandês, pimentão encarnado assado, caldo de legumes com bolinhos de sémola ou cozido de vegetais. Para acompanhar, havia sempre arroz ou pasta. O que Margot nunca viu foi carne ou peixe – Hitler era um vegetariano obcecado. Confirma-se.

Pouco antes do fim da guerra, Margot conseguiu fugir. Todas as outras 14 provadoras de Hitler foram apanhadas pelo exército vermelho e fuziladas. Ela escapou. Só há pouco tempo contou ao marido o que tinha feito durante a II Guerra Mundial. Na terça-feira passada, revelou o resto dos pormenores sobre a sua vida.

Um abraço para Margot Wölk onde quer que ela esteja,

Ele

 

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