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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a melhor surpresa do porto: o terraço mesmo de frente para o douro onde se come um sushi divinal

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Há momentos de pânico que nos deixam gelados: cruzar-me na rua com dois rottweilers do Mário Machado; cruzar-me na rua com dois amigos do Mário Machado; cruzar-me na rua com o Mário Machado; ou ligar para um restaurante a confirmar uma reserva e perceber que ela não foi feita.

- Mas como não tem qualquer registo da reserva?!

- De facto, não encontro...

- Mas eu falei com uma senhora que até nem percebeu bem o meu nome... tive de soletrar e tudo...

- Ah, deve ter sido a dona... se calhar esqueceu-se de tomar nota...

Neste momento, o meu coração batia à velocidade da bateria dos Xutos & Pontapés durante um concerto de Verão. Até que...

- Mas não se preocupe. Nós temos mesa disponível na esplanada e eu guardo-lhe uma.

 

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O ambiente

A "esplanada" é só um dos mais espectaculares terraços do Porto (sim, depois dos melhores terraços de Lisboa, tínhamos de partir em busca dos melhores terraços do Porto...). Chama-se Gull, fica no Cais das Pedras, mesmo em cima do Douro, e tem uma vista respeitável para o rio e para Gaia.

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Decorado em tons de branco e bege, tem um deck em madeira e uma enorme parede de pedra com umas trepadeiras japonesas a darem-lhe cor.

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Do outro lado, há uma parede branca com um detalhe que lhe dá ainda mais cor: um bar de gin com várias marcas à escolha. As mesas, as cadeiras e os guarda-sóis são brancos e, no interior, o espaço é moderno, com enormes quadros nas paredes. O melhor, no entanto, é o terraço e a forma como esta típica casa antiga foi remodelada, mantendo detalhes de pedra a romper a fachada pintada de amarelo.

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Mas antes que este vosso recanto se transforme no blog profissional da Graça Viterbo, o melhor é seguir em frente.

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A ementa

E seguir em frente, neste caso, é seguir para uma ementa com óptimo sushi e fantásticas especialidades japonesas. Também há saladas e outras alternativas para bocas "japanofóbicas", mas, no nosso caso, sushi e carpaccios é a melhor solução para almoçar em dias de calor como este.

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O couvert

Apesar de estar pomposamente prometido na ementa com o preço de €2, resumiu-se a dois pauzinhos e dois pratos vazios para cada um. O que vale é que estávamos precavidos com uma dose de edamame (€5), essa maravilha da natureza composta por uns fantásticos grãos de soja cozidos ainda dentro da vagem. Depois vêm servidos com uns flocos de sal por cima. Para comer, só tem de usar a famosa técnica do tremoço: dá uma trincadela na casca e come o grão que está la dentro. Muito bem cozidos, vieram para a mesa ainda mornos mas com um pouco de sal a mais.

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Os petiscos

A seguir, pedimos um wakame (€5) e um ussuzukuri (€12), dois pratos universalmente conhecidos e que dispensam apresentações, não é? Não?! Não me diga que não tem treinado o seu japonês... Wakame é aquela salada de algas que costuma ser servida nos restaurantes japoneses. Fresca e leve, é uma óptima escolha para dias de calor. Pelo menos, para mim... Já para Ela é um prato sem muita graça. Eu adoro a frescura das algas misturada com o picante do gengibre que vem ao lado e o estaladiço das sementes servidas por cima.

Finalmente o ussuzukuri que é basicamente um óptimo carpaccio de peixe branco temperado com umas finíssimas raspas de lima (quase não se vêem) e umas ovas tobiko (que são aquelas cor-de-laranja e mais pequeninas). Para molhar, trazem-lhe um molho do chef, feito com soja, pimenta e limão. Estava muito bom (levemente picante) e o limão corta o excesso de sal da soja, mas o peixe estava tão fresco que se comia perfeitamente sem mais nada.

Antes do sushi, ainda pedimos um fabuloso tataki de salmão (€11), muito levemente braseado e envolvido em sementes de sésamo, acompanhado de um molho de soja e mel. O peixe também estava muitíssimo fresco e bem cozinhado (selado por fora e frio por dentro, com uma cor viva, irresistível).

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O sushi

E foi neste estado pré-comatoso-alimentar que chegámos ao prato principal: uma combinação de 12 peças sugeridas pelo chef (€19). E aqui vale a pena perdermos alguns segundos a fazer uma análise socio-económica da situação. Quando eu chego a um restaurante e peço uma sugestão do chef, eu estou à espera da Liga dos Campeões do sushi. Estou à espera do Cristiano Ronaldo da cozinha. Não quero cá aquilo que comi na véspera, no shopping ao lado do trabalho. Ou seja, dispenso niguiris e hossomakis previsíveis. 

Feita a introdução, devo dizer que este é um dos melhores restaurantes de sushi onde já refeiçoei. Para lá do espaço e da vista, tem uma generosidade invejável em relação ao sushi. Das 12 peças, mais de metade eram gunkans, aquela deliciosa combinação de pouco arroz enrolado em muito peixe fresco e coberto por alguma coisa verdadeiramente surpreendente.

Eu adorei o peixe branco com um pequeno escalope de foie gras por cima. Mas também fiquei deslumbrado com as combinações de salmão: duas peças com salmão enrolado por fora, salmão picado por cima e uma cobertura de amêndoas laminadas e tostadas que estalavam na boca a cada dentada; e outras duas de salmão enrolado por fora, salmão picado por cima e uma fatia de morango docíssimo que lhe dava um toque magnífico.

Ela ficou maravilhada com duas peças de salmão enroladas num crepe de ovo. Eram óptimas, mas, perante o foie gras, francamente, minha querida Ela...

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A sobremesa

O pior da tarde foi claramente a sobremesa. Não por ser muito fraquinha, mas por ser hiper-calórica. É claro que, depois de analisar a lista três vezes com o detalhe com que o Sherlock Holmes estuda o local do crime, a minha prezada Mulher Mistério optou por umas canilhas (que são uns tubinhos de massa crocante) recheadas com ovos moles e acompanhadas por um tártaro de frutos vermelhos. Resultado final: Balança-10; Dieta-0. No entanto, tenho de reconhecer que vale mesmo a pena este pequeno prato impregnado de calorias. Os ovos moles estavam perfeitos, e a mistura de mirtilos, morangos e groselha dava-lhe a acidez necessária para que a sobremesa não fosse enjoativa demais. Além disso, a fruta estava muito madura e ia libertando um sumo que se misturava com o doce de ovos. Muito, muito, muito, muito, muito (cinco muitos...) bom.

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O serviço

Se a confusão com a mesa não se tivesse resolvido, eu estaria aqui a espumar de raiva contra a desatenção imperdoável de um restaurante perante um casal desejoso de se alimentar decentemente. Como se resolveu, posso dizer que o serviço foi fantástico. Atencioso, rápido, simpático e preocupado com os detalhes. Por exemplo, ao contrário do que acontece em alguns restaurantes de petiscos, foram trazendo os pratos aos poucos para a mesa, o que, se não fosse a velocidade de deglutição Dela (e a permanente ameaça à minha metade da comida), me teria dado alguma tranquilidade para saborear a refeição.

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As crianças

Não tem menu infantil e o único vestígio de infância que vi foram dois adolescentes marrecos de tanto olhar para o telemóvel. Na verdade, também havia uma japonesa clonada do Bruce Jenner que fez questão de ser fotografada em cada recanto da esplanada, mas infelizmente essa já era maior de idade.

 

O bom

O sushi, o carpaccio e o tataki

O mau

A confusão com a reserva e a ausência de couvert

O óptimo

O terraço e a vista

 

Um óptimo sushi para si onde quer que o terraço esteja,

Ele

 

fotos: gull; casal mistério

 

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