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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a salada de rosbife açoriano do to.b no chiado

Já não é a primeira vez que tenho esta conversa num restaurante:

- Desculpe, enquanto a comida não vem, não tem um bocadinho de pão e manteiga para ir comendo qualquer coisa?

- Pão, só se for o pão dos hambúrgueres; e manteiga não temos.

- Não, eu estava a pensar mais numa coisa tipo couvert...

- Pois, eu posso arranjar-lhe um pão mas não é isso que está a pensar.

Não, não estou no Burkina Faso a tentar explicar o conceito do couvert num restaurante. Estou no To.B, do Chiado, a tentar não desfalecer enquanto espero pela comida. Da primeira vez que tive esta conversa, há uns anos, noutro restaurante de Lisboa, acabei com uma sanduíche de manteiga à minha frente – o empregado não sabia mesmo do que é que eu estava a falar. Aqui acabei por esperar sem nada à frente – e por quase esquecer a conversa. O To.B pode não ser um restaurante perfeito, mas tem comida fantástica.

 

A ementa 

Aqui a carne é 100% açoriana e picada diariamente no próprio restaurante. O To.B garante mesmo que não usa qualquer produto congelado. É tudo fresco (fresco de ser recente e não fresco do congelador) e isso não é só marketing – nota-se claramente na comida que vem para o prato. Eu, que ia num almoço tête-à-tête com o meu filho mais velho, cometi essa enorme ousadia que é pedir uma salada numa hamburgueria. Devo dizer que estava preparado para uma pequena desgraça. Depois de várias tentativas do género – do McDonald's à Capricciosa – estou suficientemente imunizado contra saladas de plástico e outras coisas do género.

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Mas aqui tive uma enorme surpresa. A minha Salada Alex (uma referência ao chef Alexandre Silva) estava fabulosa. Feita com finas fatias de rosbife das tais vacas açorianas, vinha ainda com uma óptima pêra cozida, vários tipos de alface, rúcula, tomate confitado, bacon, amêndoas laminadas torradas e um molho vinagrete de mel. A mistura é perfeita. Mesmo o vinagrete de mel, que temi ser doce demais, liga na perfeição com o resto. À segunda garfada já nem me lembrava que não havia couvert (se quiser experimentar fazer em casa, tem a receita aqui).

O herdeiro pediu um hambúrguer clássico – eu sei que havia melhores alternativas, mas ele estava irredutível – e também adorou. Feito com uma maionese especial, alface e tomate, vem acompanhado por umas batatas fritas maravilhosas, muito fininhas, quentes (eu sei que é suposto, mas...), estaladiças e com o sal no ponto. Ao lado, para molhar, ele pediu um molho de alho e ervas finas. O molho estava fantástico, mas as batatas estavam tão boas que, para mim, ficam deliciosas sem nada.

Não houve sobremesas, porque este é um restaurante para um almoço rápido: não só por ser um restaurante de hambúrgueres, mas também pelas cadeiras da esplanada.

O ambiente 

Como estava uma tarde de Verão (neste Agosto isso tem sido raro), resolvemos ficar na esplanada. O sítio é simpático, passam poucos carros na rua e a decoração é bonita, em tons de preto e madeira. O problema é o conforto. As cadeiras são pequenas demais e o assento é feito com pequenas réguas de madeira desconfortáveis. E as mesas não melhoram a coisa: além de também serem pequenas, de um dos lados têm uma placa que não permite encaixar os joelhos. A solução é um almoço de perna aberta para um dos convivas: neste caso, por azar, calhou-me a mim.

No interior do restaurante, a decoração é bastante mais cuidada e parece mais confortável. Há umas mesas altas com cadeiras também altas e muito giras, e umas mesas normais com cadeiras às cores. Os candeeiros são feitos com pequenas esferas de lâmpadas led suspensas do tecto. E o chão e os tampos das mesas são de madeira reutilizada de andaimes das obras. Até os detalhes, como a ementa escrita à mão ou os individuais desenhados a preto, demonstram bom gosto.

O serviço 

A empregada foi simpática e eficiente. Mas o atendimento demora um bocadinho demais para um restaurante de hambúrgueres – e que, ainda por cima, não tem couvert. Uma falha: quando lhe perguntei do pão, a empregada podia ter sugerido os nachos com queijo. Estão longe de ser couvert, mas são a única entrada do restaurante.

Pode não ser um restaurante perfeito, mas é definitivamente um sítio a voltar – para uma mesa no interior, pelo menos até trocarem as cadeiras da esplanada. É que fiquei com vontade de experimentar estes morangos com chantilly e suspiros...

As crianças 

Hambúrgueres, saladas com alimentos frescos, carne dos Açores picada no restaurante no próprio dia – não é preciso dizer muito mais, pois não? Só mais dois detalhes. O primeiro: a esplanada está ao lado de uma rua, por isso, se os seus filhos forem muito pequenos, não os pode deixar à solta. Mas, no interior, o ambiente é completamente familiar e as mesas altas são divertidas para os miúdos. O segundo: um hambúrguer clássico com batatas, molho para as batatas e uma Coca-cola custa 12 euros. Não é barato, mas também não é a coisa mais cara do Mundo.

 

O bom 

A decoração do interior

O mau 

A falta que faz o couvert

O óptimo 

A salada de rosbife dos Açores e as batatas fritas

O péssimo 

As cadeiras e as mesas da esplanada

 

Um abraço para todas as vacas açorianas, onde quer que elas estejam,

Ele

 

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