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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

almoço para o dia do pai: a esplanada do darwin's

Quer uma verdadeira surpresa para o Dia do Pai? Então, finja que não leu este post, vá buscar os miúdos à escola à hora do almoço e leve o Homem a almoçar em família à esplanada do Darwin's, mesmo em cima do rio Tejo, em Lisboa. Isso, sim, é uma surpresa a sério. Nós já lá estivemos. E gostámos.

 

O ambiente

À primeira vista, este restaurante é lindo – o espaço é amplo, arejado e com luz natural a entrar por todos os recantos da sala; a decoração é exuberante sem ser kitsch, é extravagante sem ser pirosa, é colorida sem ser berrante; a clientela é calma, civilizada e fala baixo, o que num espaço todo aberto é fundamental para não transformar um restaurante numa cantina.

À segunda vista, este restaurante é surpreendente  depois de ver todo este ambiente civilizado e sofisticado, este banho de bom gosto e de boa educação, entrei na casa-de-banho e encontrei, ao lado da reluzente torneira e do brilhante lavatório, um copo cheio de palitos. Como?! Depois de desfilarem os seus elegantes fatos cinzentos e as suas discretas gravatas azuis pela sala de jantar, estes senhores enfiam-se na casa-de-banho a palitar os dentes à frente do espelho?

Quando voltei à mesa, percebi finalmente a justificação para um restaurante destes fornecer aos seus clientes palitos iguais aos que usa o empregado do balcão da pastelaria Cristal, na Lapa: entre as dezenas de CEOs, administradores e consultores que frequentam o Darwin’s à hora do almoço, pode encontrar também várias secretárias em discretos tête-a-tête, alguns políticos em secretos tráficos de influências e uns poucos jornalistas em nebulosas buscas de notícias. E sempre é melhor ter um político a palitar os dentes fechado na casa-de-banho do que sentado à mesa.

A ementa

Explicado o fenómeno sociológico dos palitos, vamos ao que interessa: a comida. E essa é uma das grandes vantagens do Darwin’s: a ementa varia consoante a hora do dia, consoante a estação do ano e consoante a vontade das pessoas. É mais leve no Verão, mais barata ao almoço, mais demorada à noite.

Em dias como estes, com um sol de Verão e uma temperatura de Primavera, o que mais apetece é comer um prato leve na magnífica esplanada mesmo em cima do Tejo. E hipóteses não faltam, por exemplo para comemorar amanhã o Dia do Pai: salada de frango com tostas de queijo de cabra, bruschetta de presunto e queijo da Serra com doce de tomate ou tempura de frango com queijo da ilha e mel sobre salada. Já experimentei todos estes pratos e são simplesmente maravilhosos para uma tarde de calor. Depois há também quatro opções de Brás: o tradicional bacalhau com coentros e os mais criativos pato assado com funcho (delicioso!), salmão com rúcula, ou beringela com courgette, tomate e coentros.

Desta vez, eu optei por alguma coisa ligeiramente mais consistente – um lombo de bacalhau com crosta de broa sobre risotto de soja (o bacalhau estava muito bem cozido, a crosta de broa crocante e só o risotto de soja é que foi uma desilusão para quem esperava a combinação perfeita entre a comida japonesa e a italiana) – e Ela por um lombo de salmão com crosta de funcho sobre risotto de cebola roxa, tomate cherry, coentros e balsâmico (o salmão estava mal passado, como deve ser, a crosta de funcho dava um sabor maravilhoso e o risotto não deixou qualquer vestígio no prato).

Com uma refeição brutal como esta, e com o calor que está, não houve qualquer hipótese de ingerir um único grão de açúcar que fosse. Por isso, passámos a sobremesa – até mesmo os fantásticos gealdos Häagen-Dazs. E ganhámos tempo para dar um mini-passeio a pé junto ao rio, o que sempre passa alguma simpática ilusão de perda de parte das calorias que ingerimos ao almoço.

O serviço

Eu contei 14 empregados na sala, a maioria simpática e prestável, o que daria uma média avassaladora de 8,3 clientes por empregado se a sala estivesse cheia. E não estava. Ou seja, aqui os clientes não esperam para pedirem um café, outra Coca-cola ou a conta. Mas o serviço de cozinha é um pouco demorado. Tudo o que são pratos levam, pelo menos, 15 minutos a chegar à mesa.

De todos os empregados com que nos cruzámos, só o chefe de sala, que nos recebeu à entrada, é que fez questão de não sorrir. É um estilo, mas não é um estilo simpático.

 

O óptimo - A decoração, a esplanada, a vista

O bom - A comida

O razoável - O chefe de sala

 

E agora que já se faz tarde, vou ali palitar os dentes, onde quer que os palitos estejam,

Ele

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