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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

apetece-lhe comer uma pizza com massa caseira, à frente de uma lareira?

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A mim apetece-me. Ou melhor, já me apeteceu. E por isso é que embalei a criançada toda e rumei até Cascais para ver o que é que estava à minha espera no Pizza Itália, também conhecido como Caffe Itália (para ser sincero, ainda não percebi bem qual é o nome da criatura – mas desde que não seja Lyonce Viiktórya, por mim está bem). O que verdadeiramente interessa aqui não é o nome, é a pizza. E as pastas. E os grissini. E tudo o que torna este restaurante num dos melhores sítios para comer comida (bravo, Ele! Brilhante redundância!) italiana.

E é com frases destas que começam as discussões. Todos nós sabemos que não se pode falar de pizzas sem fundamentar cuidadosamente aquilo que se diz. E se aquilo que se diz é que um restaurante é um dos melhores sítios para se comer pizza, então é melhor vestir a armadura porque vem aí guerra. Mas antes de começar aí desse lado a vociferar furiosamente contra as aleivosias que eu digo, deixe-me explicar.

 

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As pizzas

Para mim, o mais importante é a massa. Uma boa cobertura é frequente encontrar, uma boa massa é uma raridade. O mais natural é encontrarmos restaurantes que servem uma massa fina e estaladiça ou restaurantes que servem massa grossa e mole. A maravilha do Pizza Itália é servir a massa grossa e estaladiça. E leve. E saborosa também. Como é que é?! É isso mesmo que acabou de ouvir: massa grossa, leve, estaladiça e saborosa.

Há quem diga que o segredo da boa massa da pizza está na qualidade da água misturada com a farinha. Isso não sei. Nem sei qual é o segredo do Pizza Itália. Mas sei qual é o resultado final: a massa vem alta e pouco consistente, o que é uma vantagem para quem gosta de comer cada fatia até ao fim – pelo menos, não corremos o risco de nos levantarmos da mesa com o perímetro abdominal do Luís Duque. Além disso vem mole por dentro e estaladiça por fora. E essa é a grande maravilha da natureza. É possível mastigar e ir sentindo os estalidos do exterior enquanto se aprecia a suavidade do interior. Imagine um pão alentejano acabado de cozer, quando a côdea estala e o miolo está mole. É o que se passa aqui. 

Depois ainda tem as coberturas: mozzarella, orégãos e gorgonzola; tomate, mozzarella fresca, orégãos e presunto de Parma; tomate, mozzarella, orégãos e salame picante; ou outras combinações tradicionais. Nós pedimos margheritas (€9,50), pizza caprese (€13) e gorgonzola (€13,50). Mas não é definitavamente a cobertura que o vai fazer vir aqui. É a massa – das pizzas e...

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...do couvert

Do couvert?! Bom, de parte do couvert (€1,80). A parte dos grissini. Aqui os grissini são outra pequena maravilha. Feitos no restaurante, são servidos ainda quentes, ligeiramente escamuchados e, claro está, estaladiços por fora e moles por dentro. Mas, como nunca tudo é perfeito, falta o resto: as azeitonas pretas são banais, as manteigas são de pacote e o pão era da véspera (fomos lá num domingo, tivemos a paga).

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As entradas

Nesta fase do jantar já tínhamos decidido eliminar o pão da nossa dieta, por isso a coisa melhorou bastante. Pedimos para dividir um carpaccio com rúcula (€14,50) que estava muito bom e um prato de queijo parmesão (€11) que é imperdível: o queijo é servido em pedaços triangulares grandes e vem para a mesa com uma pequena faca para ser cortado em bocados e não em fatias. É uma pequena delícia.

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As massas

Fora da ementa, foram-nos sugeridos uns óptimos raviolis frescos com cogumelos porcini, natas, alho francês e azeite de trufas (€15). Então, se tivessem um pouco mais de azeite de trufas passariam de óptimos a maravilhosos, mas a crise justifica seguramente a escassez de certas matérias-primas.

 

As sobremesas

Mais uma ligeira discussão familiar-misteriosa. Eu queria pedir um tiramisú (4,90) para dividir, Ela queria pedir uma crostata (€4,50) para repartir. Eu acabei por pedir um tiramisú só para mim, Ela acabou por pedir uma crostata só para Ela. Devo confessa – e este é dos momentos mais difíceis da minha modesta existência – que o Dela estava muito melhor. Não percebo ainda hoje porque raio é que insisto em pedir tiramisú: é ENJOATIVO!

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O ambiente 

Comer na sala de sua casa, rodeado de prateleiras com livros, quadros nas paredes e uma lareira acesa ao fundo é tentador para esta altura do ano. O Pizza Itália é uma moradia de Cascais transformada em restaurante. A casa manteve as divisões – pequenas e acolhedoras, com quatro ou cinco mesas por sala – e a decoração. Do lado de fora, há um pátio fantástico para o Verão, com uma vista incrível para a baía de Cascais.

 

O serviço 

Não se pode dizer que seja o sítio mais simpático do mundo. Aqui não é frequente ver sorrisos nem grandes conversas. Mas a comida chega à mesa. E muitíssimo bem cozinhada.

 

As crianças 

Não há menu infantil e o facto de o restaurante parecer uma casa, com mesas de dois ou de quatro, onde as pessoas falam baixinho, não o transforma no local ideal para famílias. Mas nós só percebemos isso depois de termos chegado. E aí já era tarde: a criançada já tinha tomado conta da lareira.

 

O bom 

O ambiente caseiro com lareira acesa

O mau 

O pão do couvert

O óptimo 

A massa das pizzas e os grissini

 

Bons jantares à lareira onde quer que elas estejam,

Ele

 

fotos: pizza itália e lifecooler

 

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