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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

aquele lugar que não existe, o restaurante mais secreto e misterioso de lisboa

Não existe no Facebook, não existe no Instagram, não existe no Zomato e mesmo na rua só existe se for com muita atenção, porque não há qualquer placa à porta a identificar o local. Chama-se Aquele Lugar Que Não Existe, abriu no ano passado e os donos querem mantê-lo assim: discreto, misterioso, quase familiar – frequentado apenas por amigos, conhecidos e pessoas próximas a quem for passada a palavra.

Nós fomos lá parar por acaso, depois de termos ouvido falar deste espaço em Marvila, que para mim é um dos bairros mais criativos e surpreendentes de Lisboa. 

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O ambiente

Da rua, tudo o que vê é uma enorme porta de armazém, igual a muitas outras em Marvila. A única diferença é que esta porta de armazém está cheia de vasos de flores. Se espreitar bem, consegue reparar que, no interior, existe um espaço enorme, totalmente aberto e com um pé direito gigante. Mas o melhor de tudo vai encontrar quando cruzar a porta: a decoração é espectacular e consegue juntar objectos vintage com um ambiente moderno e alternativo. 

No centro da sala, estão três enormes mesas de snooker que, à noite, são usadas para jogar; e, de dia, para servir o buffet. A um canto, encontra um piano velho transformado em garrafeira. No tecto, há instalações com cadeiras empilhadas e malas de viagem antigas e abertas, a fazerem de abat-jour, com uma lâmpada lá dentro. 

Tudo aqui é surpreendente: os sofás para se sentar confortavelmente à mesa, os lustres ao lado de paredes com o tijolo à vista, os banquinhos colocados por baixo dos pratos, o tecto com madeiras rústicas e ventoinhas a rodar, e até o recanto com um guarda-sol aberto, por baixo de uma clarabóia, onde se pode sentir como se estivesse no meio de um jardim. Não gosta de jardins? Prefere comer em casa? Não há problema: ao lado, encontra outro recanto com um sofá encarnado e um baú antigo. Em cima do baú, está a mesa posta para duas pessoas que comem como se estivessem na sala, à frente da televisão.

Não há dúvida de que este é um dos espaços mais criativos e surpreendentes de Lisboa – é quase como se entrasse num mundo completamente diferente, onde não consegue parar de olhar à sua volta à procura de um novo detalhe original. Até as casas-de-banho têm urinóis pousados em cima de bancos de madeira (e prontos a utilizar) ou ramos de flores espalhados ao lado de ripas de madeira desencontradas. É um caos organizado e cuidadosamente pensado.

Ao fundo da tal gigante sala espectacular, encontra um painel de madeira que só é aberto à noite e liga para outro espaço mais pequeno, mais baixo, mas igualmente surpreeendente. No entanto, se puder escolher, não hesite e opte por uma mesa na sala principal.

É também aí que vai encontrar dois fornos a lenha totalmente descobertos, onde são preparadas umas óptimas pizzas com a massa fininha e crocante. Mas, se vamos falar de pizzas, então temos de mudar de assunto.

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A ementa

Ao fim-de-semana, há um menu de brunch. Durante a semena, tem um buffet ao almoço e uma carta de comida indiana e de pizzas exóticas ao jantar (€13,50 se quiser uma pizza com 200 g e €10,50 se quiser com 100 g). Não sabe bem o que são pizzas exóticas? Eu também não sabia, mas é tudo aquilo de que não está à espera numa pizzaria. Por exemplo, já imaginou o que será uma pizza de bacalhau marinado em noz moscada e limão, com espinafres e alho, tomate seco, Queijo da Serra amanteigado e salsa fresca? Ou outra de morcela salteada em laranja, chouriço picante, alheira em vinho branco, creme de feijão manteiga e iogurte com espinafre picante? Calculei...

Como nós fomos almoçar, comemos o buffet que, no fundo, são cinco buffets: saladas frias e fruta; comida indiana; degustação de pizzas; sopas que são uma verdadeira refeição, como, por exemplo, um creme de quatro tipos de feijão, com leite de coco e camarão; e sumos naturais variados.

Destes buffets, pode escolher três para almoçar. Se quiser acrescentar um buffet extra, paga mais €3. Nós optámos pelas saladas frias, os sumos naturais e as pizzas.

Eu comecei por provar um sumo de laranja, figo e maracujá que era bem fresco, consistente e saboroso, mas acabava por se tornar doce demais por causa da combinação do figo com a laranja. Por isso, mudei rapidamente para a boa e velha imperial.

Antes de mergulhar de cabeça no mundo calórico das pizzas, ainda passei pelo buffet de saladas só para não ser massacrado pela minha querida e preocupada (sobretudo com a dieta) Mulher Mistério. E devo confessar que não me arrependo: a salada de tomate e queijo fresco estava agradável, o húmus era bom e a mousse de abacate também não estava nada má. Provei ainda a salada de beterraba em juliana, que ficava lindamente a acompanhar a salada de rúcula selvagem, mel e cebola crocante. 

Mas o melhor mesmo são...

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...As pizzas

Feitas com uma massa fininha e agradável, só precisavam de estar um bocadinho mais cozidas para a massa se tornar ainda mais crocante. As pizzas são preparadas mesmo à sua frente, nos fornos a lenha que estão quase a meio da sala, e trazidas à mesa pelos simpáticos empregados numa espécie de rodízio. Depois têm uma deliciosa e surpreendente combinação de toppings, não tão exótica como a combinação de toppings das pizzas do jantar, mas igualmente tentadora.

A minha preferida foi claramente a pizza de Brie e farinheira. Muito menos forte do que possa imaginar, tem até um toque meio adocicado que a torna quase viciante. Também adorei a pizza de frango, cogumelos e leite de coco que tem um sabor exótico fantástico. E gostei bastante da pizza de Brie, milho e molho pesto.

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Menos surpreendentes – mas igualmente deliciosas – estavam as pizzas de cogumelos, pimentos e cebola; a de rúcula selvagem e queijo Parmesão; e a de quatro queijos. As que gostei menos foram as pizzas de morcela e queijo Brie (o sabor da morcela era forte de mais e, quando misturado com o Brie, tornava-se ligeiramente enjoativo) e a de cavala e picles (que estava com um toque demasiado avinagrado).

 

As sobremesas

É claro que, depois de ter conseguido alojar confortavelmente sete pizzas no meu abdómen (mesmo que tenha sido só uma ou duas fatias de cada), não tive espaço para ingerir qualquer tipo de sobremesa. Tudo o que fui capaz de fazer foi voltar ao buffet de frios e provar o melão e a melancia só para desenjoar. Mas também, por mais que quisesse, não havia doces no buffet.

 

O serviço

É muitíssimo simpático e ainda mais atencioso. Quando chegámos, o empregado explicou-nos detalhadamente todo o conceito do restaurante e do buffet e, à medida que ia trazendo as pizzas, mostrava cuidadosamente o que cada uma tinha. 

 

As crianças

Não tem menu infantil.

 

O bom

As pizzas fininhas com toppings surpreendentes

O mau

O buffet de almoço não tem doces

O óptimo

A decoração do espaço é simplesmente fabulosa 

 

Leia ainda:

 

Um óptimo almoço para si onde quer que o lugar exista,

Ele

 

Nota 1: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial. 

 

Nota 2: Depois de vários pedidos por parte do proprietário do espaço, decidimos retirar as fotos da sala publicadas neste texto, por se tratar de um restaurante cuja filosofia assenta no secretismo do espaço, não tendo por esse motivo qualquer tipo de promoção nem tendo sido retratado em qualquer meio de comunicação social.

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Aquele Lugar Que Não Existe
Rua do Açúcar, 89, Marvila, Lisboa
T: 960 016 208

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