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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

bem-vindo ao paraíso dos ovos para o brunch

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Para começo de conversa vou dizer-lhe só um número: oito. São oito os diferentes tipos de ovos à escolha para o seu pequeno-almoço. Quer ovos florentine? Tem. Quer ovos benedict? Tranquilo. Prefere ovos royale? Também há. O que gostava mesmo era de ovos rothko? Não, não me engasguei, é mesmo outro tipo de ovos que encontra no Dear Breakfast, em Lisboa.

Mas há mais boas notícias. Tudo isto está disponível diariamente entre as 9h da manhã e as 16h. Por isso, se lhe apetecer um brunch a uma quarta-feira, às três da tarde, depois de uma noite louca em que conseguiu sobreviver aos seguranças do Urban, este é o sítio ideal. O único constrangimento pode ser mesmo arranjar mesa porque costuma estar cheio.

 

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O ambiente

Nós marcámos mesa antes de sair de casa – como somos uma família numerosa, cada vez arriscamos menos em aventuras. Quando chegámos, tínhamos à nossa espera uma mesa nas catacumbas do espaço, o que é uma pena porque o andar de cima do Dear Breakfast é uma maravilha: paredes brancas, arcos em pedra, cadeiras minimalistas, mesas de mármore... tudo aqui é um bom pretexto para tirar o telemóvel do bolso e espalhar inveja pelo Instagram.

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O andar de baixo também tem uma decoração elegante, mas não tem janelas – e isso é uma pena. No fundo, trata-se de uma única mesa grande que está disponível para ser reservada por grupos (ou famílias numerosas como a Família Mistério). No andar de cima, não aceitam reservas.

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Entre uma mesa disponível na cave e 20 minutos de espera por um lugar perto de uma janela, optámos pela janela. E não nos arrependemos. Se for em modo casal romântico, pode até ficar numa das mesas altas que existem mesmo em cima da janela e que transpiram romance por todos os poros.

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Os ovos

Sentados e aconchegados, começámos a pedir. Eu optei por uns deliciosos ovos florentine (€7) que vieram muitíssimo bem cozinhados, com a gema bem líquida e a clara consistente, e servidos por cima de uma cama de espinafres. No topo, levavam um suave molho holandês e uns delicadíssimos croutons quase desfeitos num pó crocante. A acompanhar, vinham duas torradas de pão escuro. Por mim, seria capaz de comer isto todos os dias da semana.

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A minha querida e prezada Mulher Mistério preferiu os tradicionais ovos benedict (€9), também muitíssimo bem cozinhados e servidos por cima de uma fatia de brioche com sementes que estava bem fofinha (nada a ver com a bumba...) e que contrastava lindamente com as fatias de bacon crocante. Para terminar, os ovos levavam por cima o mesmo e suave molho holandês dos meus florentine.

O meu Mini-Misterioso mais velho, que já vai lançadíssimo a caminhar para Maxi-Misterioso, pediu os ovos royale (€9) que são iguazinhos aos benedict só que, em vez das fantásticas fatias de bacon crocante, levavam umas fatias de salmão fumado que estavam ligeiramente mais pálidas e menos saborosas do que eu gostaria.

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O segundo da dinastia Mini-Mistério foi o grande azarado da noite. Resolveu arriscar nuns imprevisíveis ovos rothko (€9) que são claramente mais difíceis de fazer. Trata-se de uma receita clássica – um ovo cozinhado dentro de uma torrada – que terá recebido este nome, num famoso restaurante de Brooklyn, nos Estados Unidos, onde o chef quis homenagear o pintor expressionista abstracto Mark Rothko por alegadamente se tratar do seu pequeno-almoço preferido.

O pão usado é uma fatia de brioche, no centro da qual se faz um buraco para colocar um ovo. Por cima, leva muito queijo. Enquanto o pão torra, o ovo cozinha e o queijo derrete. A combinação é maravilhosa quando resulta numa torrada crocante misturada com um ovo com a gema cremosa e a clara consistente, e uma cobertura de quejo derretido a pingar. O difícil é acertar no tempo e na temperatura exactas que resultam nesta combinação maravilhosa. E, neste caso, isso falhou: o pão estava torrado, mas a gema estava dura e o queijo enrijecido.

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Foi pena, porque a experiência melhorou bastante com os ovos mexidos (€6) do meu Filho Mistério com aspirações a chef. Estavam bem molhadinhos e cremosos e vinham com umas deliciosas lascas de trufa (mais €3) que os promoveram ao pódio do brunch. 

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A experiência acabou com uma inevitável tosta de abacate (€6) servida com uma fatia grande de pão torrado, que podia estar ligeiramente mais crocante do que estava, barrada com uma cremosa mousse de abacate coberta com coentros, cebola, piri-píri e um ovo escalfado feito no ponto. Para terminar, era salpicada com sementes.

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Se não quiser nada disto, tem outras maravilhas: por exemplo, uma taça de quinoa e abacate, uma salada com queijo azul ou até simples tostas com aquele que, para mim, é o melhor pão do momento em Lisboa: o fabuloso pão da padaria Gleba. Isto, claro, para não falar de algo absolutamente necessário na nossa vida matinal...

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...As panquecas

Brunch sem panquecas é como Ronaldo sem gel no cabelo – inaceitável! E por isso, entre a fome voraz dos Filhos Mistério e a dieta falhada da Mulher Mistério, decidimos avançar. Só com três doses de panquecas (€7 cada) a dividir pelos seis, mas avançámos. Servidas com morangos, framboesas, amoras e mirtilos, levavam ainda um bom creme de chocolate derretido. A massa estava alta, leve e fofinha. Não foram as melhores panquecas do mundo, mas souberam-me lindamente.

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As bebidas

Para acompanhar tudo isto, pedimos um bom sumo de laranja natural (€3), um óptimo Tasty Detox (€4), com maçã, cenoura, beterraba e gengibre, um bom chá gelado (€3) e, claro, duas Mimosas (€6,50 cada) que uma refeição destas exige um cocktail à altura – e, de preferência, com muito espumante!

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O serviço

Se quiser marcar mesa, normalmente dão-lhe a mesa da cave. De resto, é por ordem de chegada: uma tendência que se está perigosamente a alastrar a todos os restaurantes com brunch em Lisboa e que é um sério problema para senhores de idade com uma profunda alergia a longas esperas em pé, como é o meu caso.

Como nós fomos já depois das 15h, não esperámos muito tempo, mas se for entre as 12h e as 14h prepare-se para o choque. De resto, fora de horas, a coisa funcionou bem e, em menos de meia hora, comemos o nosso brunch. O serviço foi educado e simpático. Se não fosse o detalhe de ter sido um brunch à hora do lanche, tudo tinha sido perfeito. 

 

Um óptimo brunch para si onde quer que os ovos estejam,

Ele

 

fotos: dear breakfast; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial. 
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Dear Breakfast
Rua Gaivotas, 17 Lisboa
Aberto de segunda a sexta, das 9h às 16h 
Sábados e domingos, das 9h às 17h
T: 912 281 082