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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

café com calma, um dos sítios com mais charme no novo bairro da moda de lisboa

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As mesas são velhas, as cadeiras rangem, os bancos são desconfortáveis – mas este sítio é maravilhoso. E até confortável. Entrar no Café com Calma, no coração de Marvila, um dos bairros mais típicos e castiços de Lisboa, é como entrar na cozinha da minha trisavó no pleno apogeu da Mocidade Portuguesa. Não propriamente por os empregados marcharem de braço esticado, mas porque aqui parece que está nos bastidores da série Conta-me como Foi.

 

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O ambiente

Lisboa, 1970. Lembra-se? Não? Se não se lembra, eu explico. O chão é de mosaico com formas geométricas, em tons de castanho e bordeaux, as mesas de madeira são minúsculas e têm uma capa colorida a condizer com os bancos nos quais quase tem de se colocar de cócoras para se sentar (é uma prova de que os portugueses cresceram bem nos últimos anos), as cadeiras de madeira balançam ao mais ínfimo movimento, o telefone em cima do balcão é de disco, as paredes são forradas de azulejos brancos, o balcão é de mármore, a balança ainda funciona com pesos e há almoçadeiras por todo o lado, além de uma colecção dos estrumpfes e de muitos homens de barba comprida e bigodes farfalhudos.

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O Café com Calma consegue misturar uma apaixonante decoração retro-chic com uma clientela que combina turistas fashion de barba ao melhor estilo António Variações com portugueses castiços que viveram toda a sua vida em Marvila. E é esta diversidade cultural que torna este restaurante caseiro num dos sítios mais irresistíveis, mais simpáticos e mais acolhedores de Lisboa para comer qualquer coisa durante a tarde (fecha às 18h).

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Ainda por cima, fica no centro de Marvila, um bairro que está a transformar-se na nova zona cool-típica da cidade, com novos bares e restaurantes a conviverem com cafés tradicionais onde se comem deliciosas caracoletas à palitada.

E foi aqui que eu decidi almoçar esta semana com a minha querida e prezada Mulher Mistério numa espécie de estágio-pré-bailarico de Alfama.

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A ementa

Se o ambiente é típico, a comida também. Aqui não espere grandes preparações nem pratos muito sofisticados. Há duas pastas, três wraps, três saladas e dois hambúrgueres. Depois, tem os pratos do dia. Quando nós fomos, havia jardineira de frango com vegetais, bacalhau com natas e caril de legumes. O problema é que a teoria nem sempre corresponde à prática. E as massas já tinham acabado e o queijo de cabra de uma das saladas tinha sido subitamente transformado em queijo flamengo. Ou seja, uma ementa razoável transformou-se numa crise alimentícia.

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Eu comecei por pedir um creme de abóbora muito saboroso e ainda mais cremoso. A seguir, à falta de massas, optei por um hambúrguer com cebola caramelizada, alface, tomate e ovo estrelado por cima. A carne era alta e mal passada (talvez ligeiramente mal passada demais para hambúrguer) e, como estava misturada com alho, tornou-se um pouco indigesta. De resto, a cebola dava-lhe um toque adocicado e agradável e o bolo do caco suave e fofinho fazia o resto.

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Tudo isto, melhorou bastante com o acompanhamento de chips de batata doce. Fininhos e muito bem fritos, estavam estaladiços e tornavam-se verdadeiramente viciantes, ao ponto de mais de metade dos chips terem voado que nem um tornado directamente para a goela da minha querida Mulher Mistério.

Além de metade dos meus chips, Ela comeu ainda um caril de legumes com grão e salada que vinha com courgette, cenoura e beringela que não estava nada mau – pouco picante e bem caseiro.

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As bebidas

Para beber, eu pedi um chá verde e Ela um chá de frutos vermelhos. Ambos gelados mas muito aguados, o que me deixou profundamente convencido de que devia ter pedido uma amarguinha com limonada que parecia o cocktail mais surpreendente da casa. Ainda tentei mas, perante o olhar reprovador da minha querida Mulher Mistério, achei mais prudente pedir antes uma óptima limonada com hortelã que vinha saborosa, sem açúcar e ainda com uma camada de espuma por cima, típica dos sumos frescos. Já Ela deliciou-se com excelente sumo natural de laranja e kiwi.

Para acabar, dividimos uma mousse de alfarroba que estava surpreendentemente boa.

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O brunch

Ao sábado, há brunch. Mas tem de se despachar porque este fim-de-semana é o ultimo antes do fim do Verão. Inclui sopa, mini-hambúrguer (de carne ou vegetariano), tostinha com ovos mexidos com espargos, iogurte natural com granola caseira e framboesas, salada de rúcula, espinafres, laranja e beterraba, fiambre, queijo, compota, manteiga, croissant, pão com cereais e duas bebidas: uma fria e uma quente.

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O serviço

É rápido, eficiente e muito simpático. Está a ver aquelas empregadas que estão sempre a andar de um lado para o outro e nunca o deixam um segundo à espera sequer de pedir? É o que encontra aqui.

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As crianças

Não tem menu infantil, mas tanto o hambúrguer como os wraps são óptimos para as crianças.

 

O bom

O serviço, os sumos e a sopa

O mau

A ementa é pequena e uma boa parte já tinha acabado

O óptimo

A decoração é simplesmente deliciosa

 

Um óptimo almoço para si onde quer que os anos 70 estejam,

Ele

 

fotos: café com calma; casal mistério

 

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