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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casa do rio, o refúgio perfeito para namorar no dia dos namorados

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"Vá pelo mau caminho que encontra o paraíso". Nunca mais me esqueci desta frase deliciosa que nos guiou há uns anos por uma estrada em muito mau estado até um hotel de sonho no Brasil. E voltei a lembrar-me dela quando entrámos no caminho de terra batida com cerca de dois quilómetros e meio que nos levou até à Casa do Rio, perto de Foz Côa e em cima do rio Douro. Quando a irritante voz do GPS anunciou “chegou ao seu destino”, ficámos perfeitamente deslumbrados.

 

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A expectativa, que ia aumentando à medida que o carro avançava por entre curvas e vinhas, foi totalmente superada quando nos deparámos com a Casa do Rio, um hotel de charme dos donos dos vinhos Quinta do Vallado que, no fundo parece mais uma casa de sonho do que um hotel: só tem seis quartos, uma sala grande (tudo com as paredes em vidro) e uma varanda deslumbrante.

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E está suspensa em cima de dois pilares, o que torna a vista para o Douro (a cerca de 100 metros de distância) totalmente desimpedida e impressionante.

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Chegámos ao final da tarde, já escuro, com as luzes do hotel a refletirem-se nas águas do rio. Estacionámos nas traseiras e um simpático empregado veio a correr ter connosco de lanterna em punho, visto que o caminho do parque de estacionamento até ao hotel não está iluminado. Ofereceu-se para nos levar as malas, apresentou-nos o cão Touriga e a nossa anfitriã dessa noite, que apesar de estar em plena prova de vinhos com dois casais, deu-nos as boas vindas e pediu delicadamente ao empregado que nos recebeu para nos indicar o nosso quarto (€190 por noite).

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O quarto

O prestável funcionário encaminhou-nos pelo corredor e abriu uma porta com um ar triunfante. Morta de curiosidade, invadi o espaço sem dó nem piedade. Gelei quando me deparei com um casal deitado na cama… a ver televisão (graças a Deus, nosso Senhor!). Pedi imensa desculpa, o nosso atrapalhado guia ia tendo um ataque cardíaco mas o que nos valeu foi o bom humor dos nossos vizinhos. Riram-se e rapidamente desanuviaram o ambiente. O empregado esclareceu-nos, com suores frios, que o nosso quarto era na porta seguinte. Ah, bom! Felizmente, não tínhamos de dividir o quarto com ninguém.

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Fugimos apressadamente para o quarto certo que era igualmente espetacular. Aliás, os seis quartos são todos iguais. Enormes e em tons de branco, têm todos uma varanda com uma vista deslumbrante para o Douro com duas cadeiras lá fora. Tanto as paredes como o teto de madeira são pintados de branco. Aliás, os tons claros e luminosos conjugam na perfeição com o verde da paisagem mesmo ali em frente.

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Ao fundo, há uma zona de estar perto da imensa janela de vidro que dá acesso à varanda, com um sofá e uma banqueta de pele castanha e uma incrível lareira suspensa que funciona a etanol (para grande tristeza d’ Ele que adora uma lenhazinha a crepitar). Já eu fiquei impressionada com o tamanho da descomunal televisão pendurada na parede em frente da cama. Mas, quando a liguei, foi a desilusão total: afinal tinha o tamanho de uma televisão normal, ficando com uma espécie de gigantesca moldura de vidro fosco à volta.

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O que não desiludiu foi a cama: ótima e gigante, com lençóis e edredões brancos imaculados e fofinhos como eu gosto. Cada um de nós tinha três almofadas de penas superconfortáveis. A cabeceira da cama e as mesinhas de cabeceira eram de madeira clara. Já a casa de banho, situada logo à entrada do quarto, era mais pequena, também toda ela em tons de branco e madeira clara com uma agradável surpresa: tinha o chão aquecido, o que nesta altura é bem simpático. Os amenities são Castelbel, que eu adoro, e o lavatório tinha um copo com duas margaridas frescas, o que é sempre simpático. À hora do jantar, abrem-nos a cama e deixam dois pacotinhos com amêndoas em cima das almofadas e um tapete branco de linho com as iniciais do hotel em cada lado da cama, o que é muito reconfortante.

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O jantar

A Casa do Rio serve jantares a pedido. Tem de avisar com antecedência que quer jantar e a cozinheira prepara uma ementa com os produtos frescos do dia. Os pratos são caseiros, muitíssimo bem cozinhados mas uma desgraça para a minha dieta.

Na primeira noite, deliciámo-nos com umas entradas ótimas: cogumelos portobello com queijo da ilha, chouriço de sangue com maçã, presunto, e umas viciantes amêndoas tostadas no forno. Ainda veio uma sopa de legumes a seguir e um bacalhau com broa, a desfazer-se em lascas. Terminámos em grande com um brownie com doce de framboesas e gelado de natas.

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Na segunda noite, tivemos direito a uma entrada mais light: carpaccio de polvo com alface, mas o prato principal estragou de vez a minha dieta porque serviram-nos umas divinais bochechas de porco preto com açorda de cogumelos. Tudo isto acompanhado sempre por uma degustação dos maravilhosos vinhos da Quinta do Vallado: desde o branco com as entradas até ao vinho do Porto com as sobremesas, passando pelos ótimos reservas. 

Escusado será dizer que nos vimos na obrigação de ir passear a pé pelas vinhas depois do jantar, para tentar digerir tanta caloria. Deitei-me a pensar: “Oh, meu Deus, nem quero imaginar o pequeno-almoço! Que pena, não vou aguentar comer mais!” Mas o meu subconsciente já estava a citar o Fernando Ulrich: “Ai, aguenta, aguenta!”

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O pequeno-almoço 

E é claro que o Fernando Ulrich estava carregado de razão, porque curiosamente acordei cheia de apetite! Que estranho, não é nada meu! E quando nos sentámos à mesa da sala, penteadinhos e de banho tomado, deparámo-nos com uma adolescente incompreendida, despenteada, de pijama e pantufas felpudas, agarrada ao telemóvel, em frente a uns pais igualmente maçados. Nem reparou na nossa presença e, sinceramente, eu já tinha os meus olhos postos no fantástico buffet.

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Tudo estava arranjado e exposto com um cuidado fora do comum, com um bom gosto e uma extraordinária atenção ao detalhe. Tinham, por exemplo, parras a fazer de bases, as mesas estavam impecavelmente bem postas com guardanapos de pano brancos. E a escolha no buffet era fresca, saudável e tentadora: sumo de laranja natural, leite quente e frio, água, chá e Nespresso, um viciante e cremoso iogurte caseiro com molho de frutos silvestres, uma incrível marmelada caseira, vários doces e compotas, um requeijão e um queijo de cabra excelentes. Já para não falar do bolo caseiro do dia, e da variedade de pão: escuro, mistura e croissants, além dos já indispensáveis frutos secos, os óbvios queijo e fiambre, tomate e presunto. Ah, e claro, pode pedir ovos que fazem à sua escolha no momento.

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O serviço

Aqui tudo funciona como se fosse uma casa de férias de luxo: há uma governanta que orienta o serviço e serve à mesa, uma cozinheira que também faz a limpeza dos quartos de manhã e um empregado que trata dos trabalhos pesados, lareiras e ajuda a arrumar os quartos.

Nós apanhámos duas governantas, uma no primeiro dia e outra no segundo. A primeira tratava da Casa do Rio como se fosse a sua casa: recebe os hóspedes com prazer, aceita todos os pedidos e está sempre disponível para ajudar ou dar uma boa sugestão. Vê-se que adora o que faz e prepara tudo com gosto e com prazer. Até nos confessou: "É muito giro trabalhar aqui. Parece que estamos em nossa casa, sempre com convidados diferentes".

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A segunda governanta era competente e disponível, mas menos afável. Cumpria o seu papel com demasiado afinco e num tom muito menos familiar. Quando nos atrasámos a tomar o pequeno-almoço, veio ter connosco: "Queria pedir-vos para tirarem as coisas do quarto porque já passou da hora marcada e são regras da casa". 

Os dois outros empregados são mais discretos, mas sempre muito simpáticos. Ao longo da nossa estadia, uma única falha: não despejaram os caixotes do lixo do quarto. O que é manifestamente pouco para beliscar umas maravilhosas mini-férias de inverno.

 

Leia ainda:

 

O bom

O ambiente caseiro

O mau

A rapariga de pijama e pantufas felpudas ao pequeno-almoço

O óptimo

A vista e as paredes todas em vidro de frente para o Douro

 

Um ótimo fim-de-semana para si,

Ela

 

fotos: casa do rio; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.

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