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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

e agora a pergunta mais importante da semana: onde é que se comem os melhores percebes? e o melhor camarão com arroz de alho?

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Eu sei que nem tudo é uma questão de tamanho, mas no caso dos percebes vale a pena sair de casa com uma fita métrica na mão. Quanto maiores, mais carnudos, mais tenros e mais saborosos. Os percebes estão para mim no Olimpo da culinária. São o marisco mais estranho, mas também aquele que tem o sabor mais aproximado com o do mar. Talvez a par das cracas, mas com uma enorme diferença: os percebes são maiores. E assim voltamos ao início da conversa: os percebes devem ser degustados de babete ao pescoço e fita métrica na mão. O babate protege-nos das incontroláveis esguichadelas de água salgada que são uma permanente ameaça à domingueira camisinha branca, a fita métrica garante-nos que estamos a comer marisco decente.

Foi assim que eu saí de casa num destes dias (sim, numa figura relativamente ridícula...) à procura dos percebes mais avantajados da região de Lisboa. E encontrei-os, como já suspeitava, na Praia das Maçãs, ao pé de Sintra. O restaurante chama-se Búzio, mas deve ter sido uma desatenção do pai no dia do registo, porque este é o paraíso do percebe. Felizmente não é só. Por isso o melhor é fazer um rápido flashback até ao início de tudo.

 

 

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O ambiente

Quando chegámos à porta, a minha querida Mulher Mistério, uma exímia condutora de qualquer tipo de veículo motorizado, teve de fazer uma brusca travagem para dar lugar a que um simpático pato atravessasse a rua fora da passadeira. A Praia das Maçãs não é propriamente a Barroca da Borralheira, no entanto, conseguiu manter-se típica e castiça ao longo dos anos. Além dos patos a atravessarem a rua, aqui vêem-se pescadores com o peixe acabado de apanhar e poucos daqueles prédios anos 70 tão típicos de uma parte substancial do Algarve.

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No interior, o Búzio é um restaurante moderno e sofisticado (talvez um pouco demais...), com toalhas e guardanapos de pano, confortáveis cadeiras com encosto de braços e uma decoração que, não sendo brilhante, também não incomoda. 

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Os percebes

Comer percebes com o comprimento de um dedo indicador e a grossura de um dedo polegar é algo que se consegue aqui. Mas isso não é tudo. É fundamental que o marisco não se solte da cabeça quando o descasca e que não se desfaça em irritantes fiozinhos quando o puxa com os dentes. Os percebes têm de ser grandes, saborosos, salgados, carnudos e consistentes. Só assim se tornam o melhor marisco do mundo (aí vem polémica!). E tudo isso tem a ver com o tempo de cozedura (muito pouco) e com a quantidade de sal na água (o ideal é água tirada directamente do mar). Eu sei, dava para publicar a Grande Enciclopédia do Percebe, não dava? Mas, antes de começar a escrever, o melhor é pedir outra dose.

No Búzio, pode optar por magníficos percebes da costa (€60/kg) ou por umas raridades da culinária portuguesa, os percebes das Berlengas (€85/kg). Só precisa de escolher bem, porque, não sei se já disse, aqui o tamanho importa.

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O couvert

Agora que já fizemos os elogios vamos às queixas. Neste caso, ao couvert (€8,46) – ou, como diria o Paulo Futre, ao motor de arranque. Mal nos sentámos à mesa, trouxeram-nos umas tostas grossas e frias e uns pacotes de manteiga que não convencem ninguém. Salvou-se um queijo seco forte e agradável e umas azeitonas razoáveis. Mas os dois pães que compunham o conjunto só vieram confirmar que o preço cobrado pelo couvert está a quatro auto-estradas de distância daquilo que valia. À parte, trazem-lhe ainda um pratinho com uma normalíssima pasta de atum caseira pela qual lhe cobram mais €4,90.

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O prato principal

Vale a pena resistir a estes preços dignos dos Hamptons? Eu arriscaria dizer que sim. Primeiro por causa dos percebes. Depois por causa do Camarão à Búzio (€56/kg). Eu não sou grande fã de gambas al ajillo: normalmente vêm congeladas, pequeninas e tão raquíticas quanto o Menino Tonecas. No entanto, no Búzio os camarões estão nos antípodas do raquitismo. Grandes e saborosos, vêm fritos com enormes pedaços de alho e pequeninos bocados de pimentos picados. A acompanhar, trazem-lhe um delicioso e solto arroz de alho e salsa. É escusado dizer o que pode fazer se juntar este magnífico molho com o arroz, não é? Ainda por cima, consegue fazer quase um banquete para duas pessoas com meio quilo (€28) deste prato fantástico.

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A sobremesa

Não deixe de experimentar as divinais queijadinhas de amêndoa. Com finíssimas lascas amêndoa por cima, são uma verdadeira perdição. Ela arriscou experimentar uma tarte de requeijão (€4,50) e ainda hoje não conseguiu ultrapassar o trauma. Acompanhada com um doce de frutos vermelhos demasiado intenso e com uma bola de gelado de limão demasiado desenxabida, é servida morna, o que resulta num doce desequilibrado e ligeiramente enjoativo.

 

A sangria

Para beber, pode optar por um vinho, uma boa cerveja gelada ou uma magnífica sangria de espumante com laranja, limão e canela (€28 um jarro grande). 

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O serviço

É simpático e muito rápido. Só houve uma confusão com a reserva (no início, não a conseguiam encontrar), mas acabou por se resolver tudo num minuto.

 

As crianças

Não há menu infantil, mas há um bitoque da vazia com ovo a cavalo (€10,50). A alternativa é investir numa iniciação dos miúdos ao mundo do marisco: pode sair-lhe mais caro, mas sempre ganha uma companhia que se pode revelar essencial no futuro.

 

O bom

A sangria de espumante

O mau

O preço do couvert e a tarte de requeijão

O óptimo

Os percebes e o camarão à Búzio 

 

Uma boa mariscada para si onde quer que esteja,

Ele

 

 

fotos: búzio

 

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