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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

é bar, é restaurante, está na moda e é um dos sítios mais espectaculares de lisboa

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Tem música alta, tem mesa de DJ, tem clientes que passaram mais tempo no cabeleireiro do que a dormir na noite anterior e, se ainda tem dúvidas de que estamos no último sítio da moda em Lisboa, então tome atenção ao aviso colocado à porta de cada casa-de-banho individual: "1 only".

Chama-se JNcQUOI e abriu no final de Abril, no edifício do Teatro Tivoli, em Lisboa. Mas, em menos de dois meses, já se transformou no local mais in da noite. E do dia também. No andar de cima, fica o restaurante, mais caro e formal (pelo menos cerca de €50 por pessoa), onde encontra a taxa de políticos e empresários por metro quadrado mais elevada da capital. Aí tem um ambiente que mistura a arquitectura clássica do teatro com alguns detalhes modernos, como um esqueleto gigante de dinossauro no meio da sala.

No andar de baixo, fica o DeliBar, ligeiramente menos caro e bastante mais descontraído, que é uma mistura de bar e balcão de petiscos sofisticados. Pelo meio, o JNcQUOI ainda tem uma mercearia gourmet (tudo o que come no DeliBar pode comprar para levar para casa), a loja masculina da marca de roupa Fashion Clinic, um cantinho onde se vendem os bolos e macarons da famosa Ladurée e uma mini-livraria com os livros da Assouline, a mais importante editora de luxo do mundo. 

 

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Acha que é muito para um espaço só? Então fique a saber que, este Verão, ainda vai abrir outra loja da Fashion Clinic (a de roupa feminina) e um salão de chá, com os deliciosos bolos da Ladurée. Tudo no mesmo edifício, por onde pode circular livremente, sem portas pelo meio.

Eu sei que no meio de tanta coisa é difícil escolher onde ir mas, se pretende gastar menos de 50 euros por pessoa ao jantar, o melhor é optar pelo DeliBar. Pelo menos, enquanto não abre o salão de chá.

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O ambiente

Como a carreira política ainda não faz parte das minhas ambições (pelo menos enquanto mantiver a sanidade mental) e não tenho uma mulher empresária, é claro que jantámos no ligeiramente mais económico DeliBar. Aqui tudo gira à volta de um enorme balcão. Não há mesas nem grandes cerimónias. Os clientes podem entrar só para beber um cocktail ou para dividirem petiscos que vão de umas simples ostras (12 por €19) ou carpaccio de novilho (€16) até um mais substancial taglioni trufado (€18). Podem ficar em pé ou sentar-se ao balcão. E até podem dançar: ao lado das tais casas-de-banho com o aviso "1 only", há uma mesa de DJ de onde sai a música aos fins-de-semana.

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A decoração é moderna e totalmente surpreendente. O espaço é enorme e cheio de luz. As paredes são ocupadas por uma garrafeira iluminada, onde os vinhos estão cuidadosamente alinhados, tornando-se mais um elemento decorativo do que uma despensa. No tecto, há um espelho que dá profundidade ao espaço. E, a caminho da casa-de-banho, passa pelo recanto com a livraria de luxo.

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Tudo é moderno e arrojado. E até os bancos sem encosto do bar são confortáveis.

A meio da noite, as luzes reduzem de intensidade e a música aumenta, sem se tornar desagradável. É um sítio fantástico para ir beber um copo ou para um jantar animado com amigos. Se for num tête-à-tête, tenha atenção aos torcicolos porque vai sentar-se lado a lado e não será fácil manter a cabeça virada toda a noite para o mesmo lado. 

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Os petiscos

A ementa divide-se entre queijos, petiscos quentes e petiscos frios.

Já que estávamos com um grupo de amigos, aproveitámos para dividir alguns pratos. Primeiro, trouxeram-nos uns ovos rotos (€16) que basicamente são uns ovos estrelados por cima de umas fabulosas batatas fritas, cortadas em finíssimos palitos, e que entram directamente para o top 3 das melhores e mais estaladiças batatas fritas de Lisboa. No meio, vinham uns suculentos cubos de presunto de bellota e um irresistível sabor a trufa que se espalhou por todo o lado e que ligou maravilhosamente com o resto.

O único problema foram os ovos. Os ovos rotos devem vir estrelados em gordura muito quente, o que faz com que a borda da clara fique tostada e crocante, e a gema completamente líquida e cremosa. Estes traziam a clara sem réstia de tostado e a gema cozida e dura. 

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Quase ao mesmo tempo, veio uma burrata de búfala acompanhada com uns tomatinhos cherry e uns fios de manjericão (€17). O queijo estava magnífico, bem fresco e com o interior ultra-cremoso, mas faltava-lhe algum detalhe que o distinguisse de uma burrata servida em casa.

Mal tínhamos dado a primeira trinca e já estavam a colocar em cima do balcão um ceviche de garoupa (€15) delicioso, temperado com coentros e sumo de limão em vez de lima. Com um toque cítrico equilibrado e nada exagerado, o peixe estava magnífico e saboroso e trazia ainda umas lâminas de cebola roxa misturadas e umas tostas caseiras de pão saloio tão fininhas que quase se desfaziam ao pegar.  

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Menos de um minuto depois, chegaram mais dois pratos quentes: um hambúrguer suculento (€16) servido num macio pão de brioche e acompanhado com alface, cebola, tomate, queijo e umas batatas fritas grossas demais; e um pica-pau completamente surpreendente (€18).

Feito com nacos de porco e carregado de picles, o pica-pau tinha tudo para ser uma desgraça, mas revelou-se a maior surpresa da noite. Os nacos de porco eram tenrinhos, macios e ultra-saborosos (pela consistência, quase não parecia porco) e os picles tinham um sabor tão suave que davam um ligeiríssimo e quase imperceptível toque avinagrado ao molho. Mas a grande surpresa foram as amêijoas que transformaram este pica-pau numa espécie de carne de porco à alentejana versão gourmet. E ainda nem falei no fantástico molho de mostarda nem nas fatias de pão torrado perfeitas para molhar até à última gota.

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Os petiscos acabaram com um hot dog de lavagante (€24). Hot dog de lavagante?! Que ultraje foi este que acabei de ouvir?! Exactamente: é um cachorro quente, servido num tradicional brioche comprido, mas com lavagante desfiado em fios grossos em vez de uma salsicha acabada de sair de dentro de um frasco. Para compor esta surpresa, vem ainda uma maionese de trufa que, como quase tudo o que sabe a trufas, era deliciosa.

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As sobremesas

Pode pedir os doces preparados na cozinha do restaurante ou as sobremesas da Ladurée, a famosa marca de pastelaria francesa com mais de 150 anos e que abriu a sua primeira loja em Portugal dentro do JNcQUOI, mesmo ao lado do DeliBar. É de lá que pode mandar vir os conhecidíssimos macarons ou os extravagantes bolos cuidadosamente preparados numa fábrica da marca em Lisboa.

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Nós dividimos um mil folhas de framboesas (€9), feito com umas finíssimas e estaladiças folhas de massa a envolverem um creme magnífico e umas framboesas fresquíssimas, e um cheesecake com geleia de groselhas e mirtilos frescos (€9). Para quem gosta de bolos franceses, é uma perdição. 

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O serviço

Há os serviços que falham porque são muito demorados, e há os serviços que pecam porque são rápidos demais. Um restaurante que funciona à volta de um balcão, com petiscos para dividir, não pode bombardear os clientes com comida sem qualquer ordem lógica. E começar uma refeição com uns ovos quentes, passar depois para um queijo fresco e um ceviche frio, voltar a um hambúrguer e a um pica-pau quentes e regressar novamente a uma sanduíche fria é uma verdadeira montanha-russa climatérica.

Além disso, mal tivemos tempo para engolir cada garfada, porque, no instante em que começávamos a comer um prato, já estava outro no balcão. Chegámos a ter quatro pratos em simultâneo à nossa frente – e desconfio que só não tivemos mais porque não havia espaço.

Em compensação, tivemos muito tempo para respirar entre cada gole de vinho: depois de pedirmos a segunda garrafa, esperámos 14 minutos até ela chegar à mesa. E, quando chegou, não era a garrafa que tínhamos pedido. 

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As crianças

Não tem menu infantil e não é um restaurante para crianças. Especialmente à noite, quando se transforma num bar aberto até de madrugada – e onde é preciso deixar bem claro que só deve entrar uma única pessoa por cada casa-de-banho individual. 

 

O bom

A comida, especialmente o ceviche, o pica-pau, o hot dog de lavagante e as sobremesas

O mau

O serviço demasiado atabalhoado

O óptimo

O ambiente e a decoração

 

Um óptimo jantar para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: jncquoi; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.
_________________________
JNcQUOI

DeliBar

Av. da Liberdade, 182-184 – Lisboa
Das 10h às 00h; quinta a sábado, até às 2h
Fecha ao domingo
T: 219 369 900

 

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