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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

e quando o melhor hambúrguer de lisboa se junta à melhor esplanada de lisboa, isso é...

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Vem uma pessoa, num lindo dia de sol, preparada para esplanadar e acaba a abarrotar. E porquê? Porque não é fácil resistir aos encantos da Wagyu. Não estou propriamente a falar da última ninfa da mitologia grega, mas sim da melhor e mais saborosa carne do mundo. E é esta carne que pode encontrar dentro de duas fatias de pão de hambúrguer, na magnífica esplanada do Atalho Real, no meio de um jardim cheio de árvores, num lindo dia de sol.

Mas antes de falarmos de carne, vamos ao sol.

 

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O ambiente

Nestes dias de calor exterminador de ares condicionados, é difícil encontrar uma esplanada onde não derreta à mesma velocidade a que um pacote de manteiga derrete na rotunda central da Amareleja. Difícil, mas não impossível – porque o jardim da Embaixada, em pleno Príncipe Real, em Lisboa, tem mais sombras do que Quaresma tem tatuagens. E isso transforma um espaço ao ar livre num sítio fresco e agradável, mesmo às duas da tarde. Além do mais, a fonte cheia de água ao lado das mesas e os passarinhos a cantar por cima de si dão-lhe a tranquilidade de que precisa para resistir ao calor. Tanto as mesas como as cadeiras e o chão de madeira são sóbrios e elegantes.

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Se preferir almoçar no interior, tem umas salas com paredes grossas, arcos gigantes e um pé direito alto típico de um palacete antigo. A decoração mistura o estilo clássico do edifício com toques modernos como o lustre feito com canetas Bic ou as pinturas nas paredes a recriarem talhantes em acção.

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A ementa

Antes de qualquer coisa, deixe-me apresentar-lhe a Wagyu. A Wagyu é uma simpática vaca que durante anos e anos foi criada no Japão, longe das bocas vorazes de americanos e europeus. Como era criada em quintas com pouco espaço, a vaca tinha de ser massajada para evitar problemas musculares causados pela falta de exercício. E, no Verão, era alimentada com um pouco de cerveja ou de sake porque supostamente acelerava a digestão e lhe aumentava o apetite para comer comida decente.

Estas duas tradições são frequentemente contadas, no Ocidente, para justificarem o sabor extraordinário da carne Wagyu. Na verdade, não alteram em nada o gosto e nem sequer são aplicadas há anos. Eram, aliás, uma tradição exclusivamente japonesa enquanto a carne Wagyu que hoje é importada para a Europa é maioritariamente criada fora do Japão: em países como os Estados Unidos, a Austrália ou o Canadá.

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Mas o melhor é voltar ao sabor porque já estou a pressentir a minha prezada Mulher Mistério a mandar-me calar. De facto, a carne Wagyu é muitíssimo mais saborosa do que a carne normal. Primeiro, porque tem muito mais gordura – e é isso que dá sabor à carne. Depois, porque tem uma gordura não saturada, rica em ómega-3 e ómega-6 – o que a torna numa carne suave, delicada, suculenta, nada enjoativa e ultra saborosa. É completamente diferente de qualquer outra carne que já tenha provado. A gordura derrete muito facilmente e mistura-se com a carne, criando uma combinação única de textura e sabor.

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O hambúrguer

No Atalho Real, a carne Wagyu é picada todos os dias para fazer este divinal hambúrguer de 150 gramas que é servido mesmo no ponto (€13). Ao contrário dos hambúrgueres normais, apesar de vir mal passado por dentro, não se torna empapado, separando-se em pequenos pedacinhos de carne que lhe enchem a boca de sabor. Parece que a gordura vem do interior da carne, libertando os sucos a cada dentada.

Junto ao hambúrguer, vem alface, tomate e uma maionese de alho que não incomoda nada. Por fora, encontra duas fatias de pão típico de hambúrguer. Pode ainda escolher um acompanhamento: salada mista, coleslaw, batata gratinada ou batata frita. Eu, que não entro em dietas forçadas, escolhi a batata frita wedges. São gomos grossos de batata temperados com ervas e sal. Ao contrário das batatas que provei no restaurante que o Atalho tem no Palácio Chiado (pode conhecer aqui), estas não vinham moles – eram grossas mas conseguiam estar ligeiramente estaladiças por fora e suaves por dentro.

 

Leia ainda:

 

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A salada

A minha querida e prezada Mulher Mistério manteve-se orgulhosamente agarrada à sua sempre fiel dieta. E, mesmo perante esta fabulosa carne Wagyu, não pestanejou uma única vez:

– Eu vou comer uma salada!

A salada eleita pela senhora, minha mulher, foi uma muito bem apessoada salada de carpaccio (€10). O que lhe trazem para a mesa é um fino carpaccio coberto com uma mistura de alface e rúcula, cebola roxa, tomatinhos cherry doces e bem maduros, parmesão lascado, alcaparras e... tem sempre de haver um "e"... tostinhas com azeite e ervas aromáticas. Eu bem a vi tentar resistir às tostinhas, mas a verdade é que, no fim do almoço, não havia uma única migalha para contar a história.

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As entradas

Eu sei que é estranho falar das entradas no fim, mas o hambúrguer era demasiado importante para esperar. Aqui não há couvert, por isso é melhor fazer como nós: peça um bolo do caco com manteiga de alho (€2). O pão vem aberto ao meio e cortado em quatro. É bem temperado e saboroso, com a manteiga de alho derretida e espalhada por todo o interior.

Pedimos ainda uma salsicha grelhada (€6) que nos foi sugerida pelo empregado. Vem bem grelhada e tostada e é servida com meio bolo do caco cortado em cubos e uma óptima mostarda de Dijon à l'ancienne.

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A sobremesa

Para acabar, ainda conseguimos pedir um crumble de maçã (€4) com sorbet de tangerina (pode escolher um dos sabores do dia). O crumble foi feito na altura, mas estava com a cobertura pouco crocante para o meu gosto e o sorbet doce demais.

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O serviço 

– Eu vou querer o hambúrguer de Wagyu, se faz favor.

– Não quer antes o bife Wagyu?

– Mas...

– É um bocadinho mais caro, mas vale mesmo a pena.

– [Aceno de cabeça envergonhado]

– Vai ver que não se arrepende.

– [Novo aceno de cabeça um pouco menos envergonhado]

– Mesmo!

– [Perdi a vergonha] Acho que não, deixe estar.

– Tem a certeza?

– [Nesta fase, a vergonha já estava transformada em incómodo] Tenho, obrigado.

– Ok, como preferir.

Este estilo de serviço bazar marroquino é muitíssimo eficaz na Feira de Carcavelos, mas torna-se um pouco constrangedor num restaurante onde o cliente já paga uns generosos €13 pelo hambúrguer de Wagyu. Não é que o empregado fosse antipático ou que o bife de Wagyu não valesse a pena, é que, às vezes, a insistência torna-se intensa demais, com sugestões, muitas perguntas e várias interrupções.

Felizmente, os outros empregados foram mais discretos.

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As crianças

Não tem menu infantil.

 

O bom 

A salada de carpaccio e a salsicha grelhada

O mau

A intensidade do serviço a sugerir o bife de Wagyu

O óptimo

A esplanada no meio das árvores e o hambúrguer de Wagyu

 

Um óptimo hambúrguer para si onde quer que a esplanada esteja,

Ele

 

fotos: atalho real; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.

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