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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

e que tal um leitão fininho, estaladiço e sem osso? não, não é na bairrada, é no novo pigmeu em lisboa!

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Não há nada pior do que entrar num restaurante e não ter vontade de tirar o casaco. Lisboa não é propriamente a Gronelândia, mas no Inverno dá algum conforto encontrar um restaurante com o aquecimento ligado. Não é que seja o mesmo que tomar banho na praia da Nazaré no dia 1 de Janeiro, mas ajuda a evitar a hipotermia. Infelizmente não foi isso que encontrei quando entrei no Pigmeu para almoçar alguma coisa rápida: a sala tinha pouca gente e junto à porta descansava tranquilo um aquecimento a gás desligado.

 

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O ambiente 

O restaurante é completamente clean, tem poucas peças de decoração e encontrou uma forma engraçada de reaproveitar os detalhes rústicos da obra: à volta do balcão e a percorrer o tecto há andaimes pintados de branco aos quais estão presos fios sem candeeiros mas com umas lâmpadas elegantes dentro das quais se consegue ver o circuito iluminado. Depois, tudo é claro: o chão é de mosaico a imitar pedras pequeninas unidas umas às outras, as mesas e os bancos altos junto ao balcão são de madeira muito clara e as paredes foram deixadas com os tijolos à vista pintados de branco por cima. 

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A ementa 

Aqui vem comer sanduíches ou petiscos. E tudo – ou quase tudo, não vamos ser fundamentalistas – leva porco, a especialidade do restaurante. Ao almoço, a ementa tem caldo verde, croquetes de bochecha estufada, presunto, duas saladas – uma de orelha e outra de presunto e queijo de cabra – e sete sanduíches: leitão, barriga, pernil, lombo assado, presunto, cachaço e uma opção vegetariana mas que também tem a ver com porco – de bolota. Ao jantar, há mais alguns petiscos, mas como eu ia almoçar, e com alguma pressa, não pensei duas vezes: a sanduíche tinha de ser de leitão, claro. E porque é que há-de ser claro, pergunta vocemecê? Primeiro, porque eu gosto. Segundo, porque...

...será que posso fazer as minhas escolhas à mesa livremente, sem ter de dar explicações a toda a gente?! SE FAZ FAVOR?!

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Ok, eu explico: sou tão fanático por leitão quanto o Barbas é obcecado pelo Benfica (eu sabia que havia alguma relação entre mim e o Barbas...) e dificilmente suporto outro leitão que não seja o da Bairrada, mais concretamente da Meta dos Leitões. No entanto, fiquei curioso quando descobri que tinha aberto em Dezembro um restaurante em Campo de Ourique, em Lisboa, onde cozinhavam apenas a parte da carne do leitão que está entre o osso das costelas e a pele e que, por uma fatalidade do destino, é a melhor parte do bicho. Mais ainda: os ossos das costelas não vêm para o prato, o que nos poupa muito dedo rechonchudo embebido em gordura. E ainda mais-ainda: o leitão é cozido durante dez horas e, antes de servir, vai ao forno para tostar a pele.

O resultado é maravilhoso. Apesar de não ter o tradicional molho de pimenta da Bairrada, a carne vem a desfazer-se, suculenta e com a pele estaladiça. Isto é servido num pão de água cozido em forno a lenha que me pareceu ligeiramente abaixo da carne. E com outro problema acrescido: como não vem qualquer molho – ainda bem!, para não estragar o sabor do leitão! – o pão torna-se um bocadinho seco demais. No entanto, se pedir um prato, pode comer a carne de garfo e faca.

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Ao almoço, há um menu: por €9,10, tem a sanduíche de leitão mais um acompanhamento e uma bebida (nesta opção não estão incluídas as tentadoras cervejas artesanais, mas também não há problema: dia de trabalho não é dia de álcool). Para beber, escolhi uma boa limonada que vem com hortelã e com pouco açúcar. E para acompanhar, não consegui ficar só por um pedido e resolvi experimentar a salada rosa (com alface iceberg, beterraba, cenoura e um vinagrete de mostarda e iogurte), boa mas um pouco doce demais, e a batata doce frita que merece uma frase só para si: cortada em fatias muito fininhas, ainda com a casca, vem muitíssimo estaladiça e temperada com sal mesmo no ponto – entra directa para o top das melhores batatas doces fritas das redondezas.

 

As crianças 

Aqui só há porco. Se as crianças não gostam de porco, comem bolota.

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O serviço 

Quando nos sentamos, entregam-nos um papel e um lápis para preenchermos o pedido. Depois, é esperar um pouco. O serviço não é muito rápido, mas é simpático e discreto. E, já agora, atencioso: quando à chegada me queixei do frio, ligaram logo o aquecimento no máximo. 

 

O bom 

A decoração

O mau 

O frio à chegada

O óptimo 

O leitão e a batata doce frita

 

Um abraço para todos os porcos deste mundo onde quer que eles estejam,

Ele

 

fotos: pigmeu

 

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