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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

está confirmado: o melhor restaurante de sushi fica em almada e chama-se sushic!

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Ir a um restaurante de sushi aconselhado por uma japonesa é a mesma coisa que passear pelas praias do Meco ao lado de um nudista – eles sabem do que estão a falar e nós não fazemos ideia do que vamos ver. E foi com essa sensação de mergulho no desconhecido que embarquei no cacilheiro para a Margem Sul, a caminho do Sushic. Esta blogger de nome impronunciável deu-se ao trabalho de fazer o ranking dos melhores restaurantes japoneses fora do Japão, com base nas avaliações feitas por gente de todo o Mundo no site TripAdvisor. E chegou à conclusão de que o Sushic estava em segundo lugar, logo atrás do recém-famosíssimo Jorudan Sushi, em Nápoles.

O ranking é de 2013, mas como eu penso quatro vezes no futuro da humanidade antes de mexer um tendão, só mais recentemente é que me juntei à minha querida Mulher Mistério para esta aventura.

 

 

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O ambiente 

O programa do cacilheiro é vivamente recomendável – não só por nós, mas também pela Angela Merkel, que acha que o transporte de automóvel é um luxo fora do alcance de qualquer português. Nós fomos um pouco mais cedo para experimentar o bar que fica à porta do restaurante, dentro do Lisboa Almada Hotel. Além de ter uma óptima carta de gins, feitos com cuidado e atenção, tem ainda uma ementa de hambúrgueres artesanais, para quem não gostar de sushi.

Quando chegámos, encontrámos um ambiente que é tudo menos ambiente de hotel. Apesar ficar mesmo ao lado da recepção, o bar estava cheio e com imensa vida. Aqui não se vêem americanos de calções, sandálias e meias brancas até ao tornozelo, sentados com a máquina fotográfica pendurada ao pescoço. O que existe são pessoas entre os 30 e os 50 anos, a comerem um hambúrguer ou a beberem um gin tónico enquanto esperam por uma mesa ao lado, num clima divertido. 

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Eu procurei divertir-me com um Citadelle, enquanto Ela escolheu um Nordes. Como marcámos mesa para tarde, quase não começámos o gin. Mal este chegou ao balcão, chamaram-nos para o restaurante, decorado com uns engraçados quadros com uns lutadores de sumo e uma enorme janela que dá para a estrada. E é aqui que começa o espectáculo.

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A ementa 

Pedir a ementa num restaurante destes pode fazer todo o sentido para uma blogger japonesa que vai querer discutir, alga a alga, os ingredientes de cada prato. Mas, para mim, não tem grande utilidade. O que procuro, num bom japonês, é dizer o que não gosto e esperar refastelado pela surpresa. Agora, prepare-se porque as surpresas são constantes.

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O primeiro prato a chegar à mesa foi um carpaccio de peixe branco do dia (€18) – a nós calhou-nos uma excelente rainha pintada fresquíssima – com fruta e umas finíssimas fatias de malagueta que só lhe davam um ligeiríssimo toque de picante. Até Ela, que é uma ferverosa militante anti-picante, adorou.

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A seguir vieram umas vieiras braseadas (€14) servidas em cima de uma cama de alface e fios de nabo, que também estavam óptimas. Mas o momento alto das entradas foi o tataki de espadarte de Sesimbra (€15). Em primeiro lugar, o peixe (todo apanhado na costa portuguesa) é muito fresco e ainda mais saboroso. Depois, a combinação da cebola caramelizada em vinho do Porto (forte e doce) com a rúcula (leve e fresca) é perfeita. E é aqui que chega mais uma surpresa do Sushic: por cima do tataki vêm uns maravilhosos filamentos de togarashi: um condimento japonês feito à base de sete ingredientes diferentes. O sabor é ligeiramente semelhante ao do pimentão e é servido em finos fios crocantes que estalam a cada mastigadela.

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Entrados nos gunkans, chegaram um gunkan white (€6), um óptimo gunkan molecular (€6) e um extraordinário gunkan tako (€5) feito com um pedaço de polvo em tempura e servido com arroz e umas ovas (que pareciam de moscatel) dentro de duas rodelas de lima que fecham como se fossem uma concha. A acidez da lima dá-lhe um toque único.

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Antes de avançarmos mais nas surpresas, cortámos todos os excessos anteriores com um combinado de sashimi (€16,50) – uma decisão irrevogável Dela! – que foi o único prato escolhido por nós (neste caso, o nós é mais Ela...). E foi uma óptima forma de nos preparar para os cannelloni de atum (€12) que estavam mesmo a chegar. O atum vem enrolado num recheio feito com caranguejo do Alasca (ok, nem todo o peixe é da costa portuguesa...) e com umas ovas, em cima de uma cama de rúcula.

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Chegados a este ponto de exagero de comida, a empregada veio simpaticamente perguntar se queríamos alguma coisa de sobremesa. E foi neste momento que os dois olhámos envergonhadamente um para o outro e Ela teve a coragem de dizer:

- Não! Nem pensar! Queremos comer mais porque estes abdominais precisam de uma especialidade final só para aconchegar os milhares que calorias que já foram ingeridos.

Acha que estou arrependido deste momento Psycho Dela? Pois engana-se redondamente. Foi a mais avisada e sensata decisão que a minha prezada Mulher Mistério podia ter tomado. E foi a única forma de provarmos o divinal gunkan de atum com um pequeno bloco de foie gras por cima (€8,50). Tudo isto braseado e acompanhado com ameixa de Elvas. Não vale a pena tentar descrever a conjugação de sabores, pois não?

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A sobremesa 

Quando, depois do último gunkan, a empregada voltou a aproximar-se da mesa, vinha preparada para tudo: até para a repetição de cada um dos pratos que tinha trazido. Mas a vergonha, por um lado, e a dieta Dela, por outro, impediram-nos de ir além de uma sobremesa a dividir pelos dois. Pedimos um óptimo gelado (€2,50) de biscoito e canela (adoro canela!) feito pelo chef pasteleiro do Sushic.

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O serviço 

Há os empregados simpáticos e há os empregados divertidos. Infelizmente, na maioria das vezes, os empregados divertidos transformam-se também em empregados chatos, seja pelo excesso de graças, seja pela inconveniência das mesmas. Graças a Nossa Senhora do Bom Humor, não foi isso que aconteceu aqui. Do princípio ao fim da refeição, a empregada foi sempre divertida e engraçada, sem exagerar. Respondeu de forma competente a todas as perguntas que lhe fizemos sobre a ementa, deu óptimas sugestões para provarmos e, no final, teve uma amabilidade cada vez mais rara: quando acabou o seu turno, veio à mesa despedir-se e perguntar se tínhamos gostado de tudo.

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As crianças 

O ambiente é descontraído e animado. Os clientes estão divertidos e falam alto. No entanto, como fomos lá jantar tarde, não vimos crianças. Se os seus filhos foram sushi-cépticos, tem sempre o Mood ao lado, o bar de gin que também serve hambúrgueres e pratos mais leves.

 

O bom 

A simpatia do serviço

O mau 

Ser longe do centro de Lisboa

O óptimo 

O sushi de fusão

 

P.S: Repare como consegui aguentar um texto inteiro sem fazer graças sobre Mário Lino e o "deserto" da Margem Sul.

 

Um bom sushi para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: sushic

 

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