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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

este é um dos espaços mais incríveis para almoçar em lisboa: nós já lá fomos e contamos tudo sobre o palácio chiado

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À primeira vista, a chegada ao novo Palácio Chiado, em Lisboa, pode parecer a chegada à porta da discoteca Kremlin em 1988. Não por causa da fila à espera de entrar, mas por causa dos dois porteiros com ar de treinadores de halterofilismo que o recebem de fato preto nos ombros e cartão de consumo na mão. Ao lado, uma simpática relações públicas tenta aligeirar um pouco o ambiente Homens da Segurança que se vive aqui. Mas, depois de perceber que ninguém o vai revistar com um detector de metais à porta, pode respirar fundo. No lado de dentro, o Palácio Chiado é um dos mais criativos e surpreendentes projectos gastronómicos do país. 

 

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O ambiente

Inaugurado na semana passada, tem sete restaurantes diferentes – quatro mais descontraídos (tradução: mais baratos) no andar de baixo e três mais requintados (ou mais caros) no andar de cima. Tudo isto num palácio restaurado de 1781. O resultado é um ambiente moderno e urbano num espaço coberto de frescos, vitrais, tectos em abóbada e enormes escadarias com candelabros.

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O melhor exemplo desta mistura verdadeiramente espectacular é o gigantesco leão dourado que está pendurado por cima do bar do primeiro andar, entre paredes do século XVIII. Ou os dois manequins em tamanho real que indicam qual é a sua casa de banho.

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Mas tudo isto já deve saber pelas centenas de fotografias que foram publicadas pela imprensa nos últimos dias. O que agora interessa é se vale a pena o que se come aqui. E essa é toda uma outra conversa.

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A ementa

Acompanhado pela minha sempre presente Mulher Mistério, fui lá almoçar esta semana. Fomos recebidos pela simpática relações públicas que nos entregou o cartão de consumo (pode ficar descansado que não há consumo mínimo) e explicou como tudo funcionava: as comidas são self-service e as bebidas são servidas à mesa.

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O único restaurante que funciona à parte deste esquema é o Sushic que tem um espaço autónomo no primeiro piso e onde paga directamente a sua conta. De resto, tem de ir buscar a comida e procurar uma mesa vazia. E este é um problema do Palácio Chiado: para manterem o ambiente confortável e com espaço livre, o andar de baixo tem apenas cerca de 20 mesas para duas pessoas. Como nós fomos almoçar tarde, não ficámos em pé, mas tivemos de optar primeiro por uma mesa alta, com bancos sem encosto, e só cinco minutos depois é que nos mudámos para uma mesa normal que entretanto vagou e que tinha uma cadeira com encosto e um enorme pufe almofadado.

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Eu, empenhado em manter este verdadeiro corpo de aspirante a halterofilista que Deus me deu, optei por experimentar a tão famosa carne do Meat Bar, explorado pelos donos do restaurante Atalho, da Embaixada. Já a minha querida Mulher Mistério, empenhada em atingir um corpo de Kate Moss até ao Verão, experimentou os pratos saudáveis do Local Chiado, explorado pela blogger Maria Gray. As outras alternativas eram os petiscos portugueses do Páteo do Petisco e os hambúrgueres do U-try, no andar de baixo; ou o sushi do Sushic, os petiscos mais requintados de peixe e marisco da Espumantaria, e os queijos, presuntos e enchidos da Charcutaria Lisboa, no andar de cima. 

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Na Espumantaria, por exemplo, pode provar as ostras com espuma do mar, maracujá e algas (€7 por 3 unidades), o tártaro de lagostim e pêra abacate com manjericão (€14,50) ou o carpaccio de vieiras com puré de cherovia, rebentos de mizuna e pepino (€12).

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Mas vamos às carnes. No Meat Bar pode optar por uma entrada, como a empanada de carne (€2); por uma sanduíche, como o prego de vazia maturada servido em bolo do caco com molho chimichurri (€8); por um prato principal, como o bife de wagyu (€22) ou o piano caramelizado no forno com molho barbecue e dip de queijo azul (€12). Se quiser dividir com mais alguém, pode optar por uma tábua com várias carnes.

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É claro que eu optei por nada disto. Qual rebelde da restauração, preferi experimentar os croquetes (€5) e depois o tártaro do lombo (€8,50) acompanhado com uma dose de batatas fritas (€1,50). Os croquetes estavam bem fritos, com o recheio leve e cremoso e vinham acompanhados por uma mostarda de wasabi com um sabor maravilhoso, mas com uma consistência ligeiramente líquida demais. A dose de quatro croquetes bem gordos é quase um prato principal, mas a minha querida Ela, sempre no seu estilo de dieta muito peculiar, fez o favor de tomar conta de metade dos croquetes.

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O bife tártaro veio acompanhado com uma maionese de hortelã fresquíssima e muito leve e umas deliciosas torradas com azeite. Vinha também uma gema de ovo curada que estava demasiado solidificada, o que no entanto não é drama nenhum. A única verdadeira desgraça foram as batatas fritas: além de virem queimadas, eram moles e grossas demais.

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Enquanto roubava metade dos meus croquetes e um terço das minhas batatas fritas (mesmo más, Ela consegue comer...), a minha respeitável Mulher Mistério comeu ainda uma Health Bowl (€10,20), uma salada bem servida com bulgur, agrião, beringela grelhada, amêndoas laminadas, romã e um ovo mal cozido que estava delicioso, ainda com a gema meio líquida.

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As sobremesas

Para acabar, tivemos de optar pelas sobremesas saudáveis do Local, porque o Meat Bar não tem doces. O pudim de chia com mousse de manga, iogurte e mel (€4,30) é simplesmente fantástico. Já a tarte de maçã com a base feita de macadâmia picada e adoçada com tâmaras (€4,60) é um bocadinho insípida.

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O serviço

Depois de fazer o seu pedido ao balcão do restaurante entregam-lhe um pager que vibra quando chega a altura de ir buscar a comida. O prato Dela demorou 10 minutos, o meu foi um pouco mais lento a aprontar-se: já ia Ela na quinta garfada quando o meu pager vibrou 18 minutos depois de ter feito o pedido.

De resto, todos os empregados são muitíssimo simpáticos e disponíveis. E até a roupa é original: as senhoras que levantam a loiça das mesas têm uma touca e um avental tipo empregada francesa que está algures entre o kitsch e o divertido.

Só tivemos um ligeiríssimo percalço quando eu pedi a minha limonada sem açúcar (€1,80) e ela chegou mais doce do que um sumo Compal. A justificação desarmou-me:

– Não leva açúcar, leva só um bocadinho de calda de açúcar.

Acabei por explicar que era a mesma coisa e trouxeram-me logo outra de seguida.

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As crianças

Entre hambúrgueres, pregos e petiscos, tem várias opções para os miúdos.

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Palácio Chiado

Rua do Alecrim, 70, Lisboa

Das 12h às 24h. De quinta a sábado, fecha às 2h

 

O bom 

A carne do Meat Bar e a Health Bowl do Local Chiado

O mau

As batatas fritas do Meat Bar

O óptimo

O espaço maravilhoso

 

Um óptimo almoço para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: palácio chiado; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.

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