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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

hoje é dia de pizza, de presuntos e de queijos tostados a derreter à sua frente – é dia de falar da nova pizzaria zerozero

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Não é fácil ir hoje em dia ao Príncipe Real, no epicentro do furacão turístico de Lisboa. Especialmente se for ao fim-de-semana. E mais especialmente ainda se levar um carro familiar para transportar uma família numerosa. É claro que tudo isto se conseguiu juntar na nossa visita à nova pizzaria ZeroZero. E o resultado foi sermos recebidos de forma semi-violenta por alguém de guarda-chuva em punho.

Depois de mais de meia-hora às voltas, a tentar estacionar na zona do Príncipe Real, encontrámos finalmente um lugar quase à porta. Quando a minha querida Mulher Mistério estava a começar a arrumar, ouvimos alguma coisa a bater no carro: era uma mulher, aos gritos a martelar com o chapéu-de-chuva no capô. A senhora (que, depois de confirmarmos, podemos garantir não se tratar de João Soares) estava em pé, há mais de cinco minutos, no meio da rua, a guardar o lugar para o marido, do qual não havia o mínimo sinal no horizonte. Qualquer carro que se aproximasse era tratado à guarda-chuvada.

Com a sua paciência de freira de clausura, a minha querida Mulher Mistério evitou a discussão e continuou em busca de um estacionamento que apareceu 15 minutos depois, a 800 metros de distância.

Mas as esperas não acabam aqui. Depois de conseguir estacionar o carro, é preciso esperar à porta porque o restaurante não aceita reservas. E essa é a grande vantagem do ZeroZero.

 

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O ambiente

Não é gralha típica de sexta-feira à tarde, é mesmo propositado: o facto de não aceitar reservas é uma vantagem no ZeroZero. E porquê? Porque aqui tudo está pensado para tornar a espera num momento agradável. Mal chega, colocam o seu nome num quadro de ardósia e dão-lhe para a mão uma senha com um número. É essa senha que vai usar para pedir as bebidas e os deliciosos petiscos enquanto espera.

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À entrada do restaurante, do lado direito, tem um simpático balcão onde servem óptimos e originais cocktails. Do lado esquerdo, está um ainda mais simpático balcão onde fica uma divinal charcutaria com queijos, presuntos e enchidos italianos. É entre estes dois balcões que se vai entreter enquanto o seu lugar não fica pronto. Tem ainda uma mesa comum, com bancos altos, onde pode ir petiscando e bebendo o seu cocktail. Nós fomos a uma sexta-feira à noite, esperámos mais de meia hora por um lugar mas, à segunda fatia de presunto, a espera de meia hora já parecia uma espera de meio minuto.

Além disso, a decoração com paredes forradas com troncos de lenha também ajuda a tornar a experiência agradável.

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A ementa

A nossa noite começou com dois fantásticos cocktails exclusivos do restaurante. Ela pediu um Passione, feito com vodka, sumo de maracujá, frutos vermelhos e Prosecco, que era um bocadinho doce demais para o meu gosto mas que Ela adorou; e eu bebi um Don Corleone preparado com uma boa tequilla, um puré de pêra e canela hiper-cremoso e uma fatia de fruta desidratada por cima. Além de pouco doce, tem a mistura dos sabores da tequilla com a canela que é simplesmente perfeita.

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Para acompanhar isto durante a nossa espera, escolhemos na charcutaria uma tábua com três petiscos: um óptimo presunto de Parma com 18 meses (€5,5/100g) cortado finíssimo, um maravilhoso queijo Parmesão (€3,94/100g) com 16 meses de cura servido em nacos toscos que se comem à dentada e finalmente um divinal queijo Scamorza (€7,52/200g) que é grelhado no forno e vem tostado e derretido para a mesa. Agora, diga lá, perante uma espera destas, alguém se importa de esperar?

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Nós não. E foi por isso que chegámos à mesa com um sorriso rasgado e um estômago dilatado. E aqui tem novo impacto. Na sala principal do restaurante, há um gigantesco forno a lenha que quase entra para cima das mesas e que torna o ambiente imbatível numa noite de chuva como aquela que estava. Se for ao ZeroZero com calor, pode sempre optar pela esplanada transformada num recanto de charme com uma vista imbatível para o Jardim Botânico.

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As entradas

Já na mesa, cometemos o nosso primeiro erro da noite: a panzanella (€9). Esta espécie de açorda italiana feita com pão, tomate, azeite, pepino e pimento prensados é servida fria com um forte sabor a alho e uma textura tipo hambúrguer-em-bolo que torna tudo demasiado enjoativo.

Salvou-se esta ronda com uma burrata que podia ser mais cremosa por dentro mas que não estava má. Aqui vem com um presunto fininho e com umas folhas de manjericão pequeninas. Podia – e devia – ser mais convicente para o preço cobrado (€16), mas uma burrata é sempre uma burrata. 

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As pizzas 

Antes que comece a catalogar-nos no grupo de pretendentes a lutadores de sumo, deixe-me esclarecer que não estávamos sozinhos. Fomos jantar com um casal amigo nosso que come tanto como o Monstro das Bolachas fechado sozinho na fábrica da Oreo. Além disso, decidimos partilhar três pizzas pelos quatro, o que nos deixou com a consciência mais leve mas com a barriga ainda pesada.

As pizzas do ZeroZero tornaram-se famosas por serem cozidas num forno rotativo, o que não queima a massa, e com lenha de azinho, o que lhes dá um aroma especial. Tudo isto é magnífico mas, digerida a propaganda, o que interessa mesmo é saber o que vem para a mesa. E, no nosso caso, a massa está longe de se comparar com a massa do magnífico Forno d'Oro, em Lisboa, ou do discreto Lambretazzurra, em Cascais. A massa do ZeroZero não consegue ter a crosta crocante das outras nem a quantidade de ar no interior que transforma as bordas da pizza numa espécie de balão leve e agradável de trincar.

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No entanto, o recheio da pizza de trufas e cogumelos (€15) é simplesmente maravilhoso. Feito com uma base de mozzarella fiordilatte (sem tomate), leva ainda uns cogumelos porcini muito macios e agradáveis, queijo asiago e um creme de trufas pretas espalhado por quase toda a pizza. Mal chega à mesa, aquele cheiro delicioso das trufas inunda o espaço, tornando a experiência numa delícia imperdível.

A segunda pizza que pedimos era feita com presunto de Parma com 18 meses, mozzarella de búfala Campana DOP e rúcula (€17,50) que está longe de justificar o preço, especialmente se comparada com a mais barata pizza de trufas. Por baixo levava um molho de tomate simpático, mas nada do outro mundo. Se tiver em conta a relação qualidade-preço, preferi a nossa última escolha: a pizza formagiosa, com molho de tomate, mozzarella, gorgozola, espinafres e nozes (€10,50).

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As sobremesas

Sim, confesso, ainda pedimos sobremesas. E se lá voltasse hoje, não voltava a pedir, com excepção do mil-folhas de gelado de caramelo (€4,50). Tanto o tiramisú como a mousse de gianduia eram doces demais e muito enjoativos.

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O serviço

A espera é longa, mas o serviço ajuda bastante a diminuir o sofrimento. Tanto no início com os cocktails e os óptimos queijos, como depois com a comida, foi sempre rápido, simpático e muito atencioso. 

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As crianças

Não tem menú infantil, mas tem uma pizza Marinara por €7,50. Ao almoço, é um sítio fantástico para levar os miúdos – especialmente em dias de esplanada, quando pode aproveitar o espaço e a decoração únicas. Ao jantar, é muito mais um restaurante de adultos – tanto pelo ambiente como pelos fantásticos cocktails. E pelos óptimos queijos, claro.

 

Leia ainda:

 

O bom

A decoração, o ambiente e a pizza de trufas

O mau

A panzanella e os preços

O óptimo

As entradas de queijo na charcutaria e a esplanada

 

Uma óptima pizza para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: zero zero; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.

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