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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

já alguma vez imaginou jantar numa colorida cabana de pescadores, no centro de lisboa? então tem de conhecer o isco

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Primeiro, um aviso: se tem mais de um metro e setenta, pense duas vezes antes de se sentar num destes banquinhos castiços à frente de uma destas mesas de escola primária; se for o Luís Marques Mendes, então seja bem-vindo ao Isco, este restaurante foi feito a pensar em si. 

Agora, vou desfazer um dos grandes mistérios que acompanharam a sua vida ao longo dos últimos três anos: infelizmente, eu não sou o Luís Marques Mendes e por isso passei todo o jantar a tentar encontrar um sítio onde arrumar confortavelmente as minhas pernas de Cristiano Ronaldo. Levantei as pernas, estiquei as pernas, encolhi as pernas e não consegui encontrar uma única posição adequada ao meu alto e espadaúdo metro e oitenta e quatro.

Não se pode dizer por isso que tenha tido uma refeição extraordinariamente confortável. Em compensação, pode dizer-se com toda a segurança que tive uma refeição deliciosa de peixe e marisco que me custou menos de 30 euros.

Mas antes da comida, vamos às cadeiras.

 

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O ambiente

O Isco abriu há sete meses num pequeno espaço na Bica, junto ao Bairro Alto, em Lisboa. É propriedade de uma das sócias da Osteria, um dos melhores restaurantes italianos de Lisboa (e sobre o qual já escrevemos aqui). Tem uma decoração encantadora que tenta recriar com todo o rigor uma cabana de pescadores. E quando digo com todo o rigor não é liberdade poética, é rigor histórico.

Aqui há detalhes maravilhosos: os fios de pesca pendurados no tecto; os jerricans onde é servido o vinho da casa; os baldes de praia de plástico amarelo que fazem de frappé; as bóias que são usadas como candeeiros; as cadeiras coloridas; ou as ripas de madeira rústica que forram as paredes.

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Mas também há detalhes dolorosos: as mesas baixinhas como aquelas que serviam de apoio na cozinha da minha bisavó; os bancos de ripas de ferro, sem encosto, que nos deixam o rabo às riscas; ou a falta de ar condicionado que pode transformar um jantar de Verão numa sessão de banho turco.

O Isco tem o melhor e o pior de ser castiço, despretensioso, surpreendente e cheio de bom gosto. Mas se for para ali com o espírito descontraído de quem vai comer numa cabana de pescadores, vai ver que a experiência é maravilhosa.

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Mal cheguei, acompanhado da minha querida e prezada Mulher Mistério, dirigi-me higienicamente até à casa-de-banho para lavar as mãos. Como vi a porta entreaberta, pensei que a casa-de-banho estivesse vazia. Mas não. No Isco, entreaberto é sinónimo de fechado. Mesmo quando está trancada, a porta não encosta, o que lhe permite assistir a um espectáculo pouco recomendável enquanto espera. Cá fora, o lavatório é uma enorme pia de pedra para onde cai uma mangueira com água corrente. Não há sabão azul para lavar as mãos, mas há dois boiões de creme Nívea para as hidratar depois da lavagem.

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A ementa

Mal nos sentámos à mesa, pedimos duas imperiais enquanto tentávamos ler a ementa escrita num quadro branco pendurado na parede. No Isco, não há pratos fixos e pratos do dia. Tudo é decidido de manhã, dependendo do peixe e do marisco que chegaram frescos. E tudo muda diariamente. Para mim, essa é uma das mais seguras garantias de qualidade e seriedade. Não há sobras da véspera nem congelados do fim-de-semana. Depois, o chef prepara surpreendentes variações à base de peixe e marisco.

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O couvert

As cervejas que pedimos chegaram rapidamente em dois divertidos e muito gelados frascos de compota. A acompanhar, veio um couvert absolutamente viciante: um cesto de plástico colorido com uns finíssimos e ultra-estaladiços chips de batata frita – metade batata doce, metade batata normal). Se não estivessem ligeiramente castanhas demais, teria sido um couvert perfeito: leve, saboroso e ideal para ir petiscando enquanto conversa e bebe um copo. É claro que, como nós conversamos bastante, tivemos de pedir uma segunda dose que chegou à mesa por apenas €1.

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Os pratos

Bebidas as maravilhosas imperiais, tivemos de nos decidir entre vinho ou sangria. Eu ainda pensei três vezes antes de me decidir. Especialmente depois de ver a deliciosa maneira como a sangria é servida: dentro de um frasco de compota e com um funil ao lado – ao encher o copo, deita a sangria através do funil para não cair lá para dentro o gelo e a fruta. Há ideia mais fantástica do que esta? Talvez não, mas a minha querida Mulher Mistério não resistiu a uma garrafa de vinho branco trazida para a mesa dentro de um balde de plástico com água e gelo, que servia de frappé.

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Para comer, começámos por um óptimo tataki de salmão, com o peixe bem fresco e ainda mais fininho. Vem braseado por fora e cru por dentro. O salmão estava suculento e separava-se em apetitosas lascas. Por cima, levava cebolinho, sementes e um molho suave e agradável com soja.

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A seguir veio um ceviche de peixe branco e salmão (€9,90) que também estava fresquíssimo mas menos ácido do que eu gosto. O molho vinha até ligeiramente adocicado, mas o peixe era delicioso, cortado em cubos grandes e saborosos. Ao lado trazia um puré de batata doce que poderia estar um bocadinho menos grosso.

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Apesar de serem pratos leves, tanto o tataki como o ceviche vieram bem servidos, o que não nos deixou muito mais espaço abdominal livre para grandes aventuras. Ainda por cima, depois de termos pedido o último e mais surpreendente prato de todos: um xerém de berbigão e cachaço de porco (€9,50) que estava delicioso. Primeiro, a mistura do sabor da carne macia e desfiada dava um toque maravilhoso ao xerém e ligava na perfeição com a suavidade do marisco. Depois, porque a textura do xerém, solto e molhadinho, estava simplesmente perfeita. Eu, que adoro este prato tipicamente algarvio feito à base de papas de milho, sou suspeito, mas mesmo que duvide da minha sanidade alimentar não deixe de experimentar esta delícia.

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A sobremesa

Com estes três pratos, este casal de muito alimento ficou claramente satisfeito. Mas, com boa vontade, arranja-se sempre lugar para uma pequena sobremesa. E aqui a unanimidade surgiu à volta de uma tarte de seu nome Going Peanuts (€2,90). Trata-se de uma faustosa tarte de chocolate com caramelo no meio e amendoins espalhados por cima. A massa é leve e a mistura do chocolate com o amendoim e o caramelo é irrecusável.

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O serviço

O restaurante é pequeno e a equipa é mínima. Quando nós lá fomos, havia apenas dois empregados a servir às mesas, o que os fazia correr energicamente de um lado para o outro para não deixar os clientes à espera. Às vezes, resulta; outras vezes, tem de esperar um bocadinho. Nós marcámos mesa para o segundo turno (22h15) e quando chegámos já tínhamos o nosso lugar pronto. Depois, trouxeram-nos logo o couvert e as cervejas, mas tivemos de esperar quase cinco minutos para conseguirmos fazer o pedido. 

De resto, correu tudo lindamente e a comida chegou sempre rapidamente. Além disso – e mais importante do que qualquer outra coisa – a empregada que nos atendeu foi sempre de uma simpatia contagiante: acho que nunca a vimos sem ser a sorrir. 

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As crianças

É um restaurante absolutamente descontraído e relaxado, mas não tem menu infantil, é pequenino e não tem espaço para correrias de miúdos inquietos. No dia em que fomos jantar, estava uma noite quente e, como o Isco não tem ar condicionado, as portas e janelas estavam totalmente abertas para a rua, o que faz parecer que o espaço é maior do que aquilo que realmente é. Aliás, os clientes alternavam entre as mesas e um copo e um cigarro na rua. Quase como se estivessem numa cabana de pescadores.

 

O bom

A comida, em especial o tataki e o xerém de berbigão e cachaço de porco

O mau

As mesas e as cadeiras são desconfortáveis para pessoas mais altas

O óptimo

A decoração descontraída com pormenores deliciosos como a sangria servida através de um funil

 

Um óptimo jantar para si onde quer que o Isco esteja,

Ele

 

fotos: isco; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial. 

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Isco
Rua do Almada, 31, Bica, Lisboa
De segunda a quinta, das 19h às 00h30; sexta, das 19h às 2h;
sábado das 12h30 às 2h; domingo, das 12h30 às 00h30
T: 21 346 1376

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