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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

já fomos ao novo selfish das amoreiras, um fast food com hambúrgueres de peixe, tártaros de salmão e atum braseado

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Confissão prévia (não, não vou revelar a minha identidade, vou só tratar dos preliminares): os primeiros dias de um restaurante ou de um espaço aberto ao público são sempre caóticos. Horas de espera, descontrolo absoluto no serviço, máquinas que não funcionam, caos na cozinha. É normal e, por isso, é que que eu evito entrar num restaurante novo com menos de dois meses de sofrimento alheio.

No entanto, arrastado de braço dado com a senhora minha mãe, lá tive de ir às Amoreiras e dei de caras com a inauguração semi-clandestina da nova área de restauração. A senhora, do alto dos seus 60 e vários anos, ficou em choque com o cheiro a peixe, com a desorganização do serviço e especialmente com os 30 minutos de espera, em pé, à frente do balcão, pelo prato que teimava em não sair. Mas ficou encantada com o que comeu.

Eu, como estava num restaurante acabado de abrir, dentro de uma área de restauração acabada de abrir, desvalorizo e atiro este desabafo para uma nota prévia. Se daqui a dois meses voltar ao SelFish e passar pelo mesmo, aí farei um post inteiro dedicado ao caos. Agora não. Faço um post inteiro dedicado a uma ideia brilhante.

 

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A ementa 

Um restaurante de fast food, com peixe fresco de qualidade, feito no momento, à nossa frente, é um sonho tornado realidade (especialmente se conseguirem resolver o problema do cheiro e da demora). Aqui também se comem hambúrgueres – mas são hambúrgueres de salmão ou de atum. Também se comem lombos grelhados – mas são de salmão, de atum ou de dourada. A questão não é essa, porque hambúrgueres ou lombos grelhados de peixe já se comem em restaurantes de shoppings desde o tempo em que a minha avó andava de trotinete. A surpresa são os lombos braseados ou os tártaros preparados no momento. E o facto de tudo isto estar junto num único restaurante.

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O SelFish divide a sua ementa em três peixes. E é à volta deles que prepara os seus pratos. A minha pobre mãezinha, que foge de hambúrgueres como quem foge do vendedor de flores paquistanês no Bairro Alto, ficou encantada com o SelFish. Pediu um maravilhoso tártaro de salmão feito com cebola roxa, manga, molho de soja, sumo de limão, wasabi e cebolinho.

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Esteve dividida entre o salmão e o tártaro de atum, com maçã e sementes de sésamo tostadas brancas e escuras no lugar da manga. Mas optou pelo salmão, especialmente depois de ter percebido que eu iria pedir o atum braseado envolvido em sementes de sésamo tostadas e com um delicioso molho de sésamo à parte.

Primeiro, vamos ao tártaro. Estava fresquíssimo e tinha uma ligação perfeita entre o doce da manga e o ligeiro picante da cebola, do wasabi e do cebolinho.

Agora, o atum braseado. O único ligeiríssimo problema é que praticamente não estava braseado. O exterior estava tão cru como o interior e só em alguns cantos é que se percebia uma leve marca de calor. Para mim, que adoro sashimi, não foi drama nenhum. Ainda por cima, e apesar da demora e do caos, vinha com um cuidado especial: o lombo estava cuidadosamente fatiado com cortes diagonais para ser mais fácil comer.

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Para cada um destes pratos ou dos hambúrgueres, pode escolher dois acompanhamentos. A sogra da minha querida Mulher Mistério (a tal das tartes deliciosas) pediu salada e um puré de açafrão das Índias, feito com batata, cebola roxa, açafrão, pimenta preta, cebolinho e sumo de limão – vinha com uma tentadora cor amarelada mas, para mim, estava um pouco espesso de mais.

Eu escolhi a salada e as batatas fritas frescas, que estavam finas, estaladiças e cortadas em enormes e deliciosas rodelas. A salada estava fantástica e muitíssimo bem servida, o que é raro em restaurantes de fast food: além de ter dois tipos de alfaces (normal e roxa), traz rúcula, bastante tomate cherry (o que é cada vez mais uma raridade hoje em dia) e um óptimo molho balsâmico feito com um pouco de mostarda.

Para acabar em semi-beleza, as bebidas e o café. E porquê semi-beleza? Porque a Coca-cola começou por ser servida de pressão (blhac!), mas depois de eu ter dito que preferia a bebida de lata, trocaram sem sequer cobrar mais. E porque o café era Nespresso (o que é maravilhoso), mas veio num copo de plástico (o que é um contrasenso – nunca imaginei que fosse possível beber Nespresso em copo de plástico). No entanto, a empregada garantiu-nos que, também esse, era um problema de dia de inauguração: estavam à espera de chávenas de louça a qualquer momento.

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O ambiente 

Há o problema do cheiro a peixe, mas quero acreditar que o exaustor ainda não estivesse a funcionar bem por ser o primeiro dia. Se esse problema for resolvido, o espaço é fantástico: moderno, trendy, clean, e até com vista para um enorme relvado – tudo aquilo que um shopping normal não é. Decorado em tons de madeira e cortiça, é um sítio onde apetece estar.

Na zona central, mesmo à frente do SelFish, há uma enorme e comprida mesa ondulada onde se podem sentar dezenas de pessoas a comer. Um pouco mais afastada, está uma zona com sofás e mesas pequeninas e uma outra área com vista para o relvado do driving range das Amoreiras. Por todo o espaço, há recantos que dão vida ao espaço.

 

O serviço 

Simpático e disponível para trocar qualquer coisa que pedíssemos. É claro que houve o problema da espera – foram 10 minutos até à caixa registadora e mais 20 minutos da caixa registadora ao prato cheio. Mas vamos convencer-nos de que foi o problema pós-inauguração. Daqui a umas semanas, volto para ver se as coisas melhoraram. Até lá vou sonhando com o tártaro de salmão.

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As crianças 

Como qualquer restaurante de self service que se preze, não tem menu infantil. Em compensação, tem hambúrgueres saudáveis. Se as conseguir convencer de que a comida saudável é o futuro da humanidade, acho que os miúdos aprovam o SelFish.

 

O bom 

O atum braseado

O óptimo 

O tártaro de salmão

O péssimo 

O cheiro a peixe e o caos do primeiro dia

 

Um abraço para todos os peixes onde quer que eles estejam,

Ele

 

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