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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

kampai, um restaurante de sushi com peixe fresco dos açores

Ir a um restaurante japonês já é bom. Ir a um restaurante japonês com um chef que trabalhou no Aya é melhor. E então ir a um restaurante japonês com um chef que trabalhou no Aya e que tem peixe fresco que vem dos Açores, oh, meus amigos, já estou agarrado ao telefone a chamar um táxi. Eu vou só dar-lhes três pequenas pistas sobre aquilo de que estamos a falar: lula gigante dos Açores, atum gordo dos Açores e lírio delicioso dos Açores. (Eu gosto de repetir a palavra Açores para tudo ficar bem claro)

E onde é que encontra isto? Em São Miguel? Na Terceira? No Faial? Nada disso. Em Lisboa, no Kampai. Tem esse ligeiro inconveniente de ficar mesmo ao lado da Assembleia da República. Mas se conseguirmos evitar encontrar o Manuel Alegre a declamar poesia ou o Miguel Relvas, de avental à cintura, num encontro da maçonaria, não temos mais nada a temer.

A ementa 

O peixe

Começámos com uma pequena discussão: Ela queria sashimi de salmão, eu queria peixe dos Açores; Ela queria o de sempre, eu queria aquilo que torna o Kampai um restaurante especial. Salmão importado da Noruega há em qualquer restaurante japonês, sashimi de peixe fresco vindo directamente dos Açores só há aqui. É claro que a força da argumentação ganhou à argumentação da força. Ela ficou convencida, eu fiquei com um atum maravilhoso.

No Kampai, tem duas fantásticas hipóteses de sashimi: o toro e o chu toro. O toro é a melhor parte do atum, a que fica na barriga e que tem mais gordura. É, de longe, o sashimi mais saboroso e, no Japão, pode valer milhares de dólares o quilo. No Kampai uma dose de sashimi de toro de um atum dos Açores custa 30 euros. Não são os milhares de dólares do Japão, mas também não é barato. Por isso, optámos pelo sashimi de chu toro, uma zona intermédia, menos gordurosa do que o toro mas muito mais saborosa do que o atum habitual. É um bom compromisso qualidade/preço. No Kampai uma dose, que chega perfeitamente para duas pessoas, custa 18 euros.

É claro que, depois de ter experimentado esta pequena maravilha da natureza, Ela já tinha desistido do salmão. Passámos então para um sashimi de lírio, outro peixe difícil de encontrar em Portugal Continental. Não é um atum açoriano, mas é muitíssimo bom também.

Feitas as entradas, foi a vez dos pratos mais elaborados. E num japonês, com um calor destes, um prato elaborado é um tataki. O aji tataki é feito com alho francês e um delicioso chicharro. Tem um nome estranho mas é apenas um carapau açoriano.

Antes do fim, ainda provámos a lula gigante (também típica das ilhas) e as vieiras salteadas (a única excepção não açoriana da noite): salteadas com manteiga, molho mirin (uma espécie de vinho de arroz que é doce), cogumelos e legumes, são imperdíveis. 

Para acabar saltámos directamente para os cafés. Mas foi com alguma pena minha que não experimentei o gelado de chá verde (dos Açores) e a Tarte de Maracujá (vale a pena dizer de onde?).

 

Os vinhos

É claro que, na ementa, não podiam faltar os vinhos dos Açores. E não comece já a torcer o nariz por não estarmos a falar do Douro. Além do famoso verdelho da ilha do Pico (o vinho licoroso que, no século XVIII, exportava quase toda a sua produção para a corte dos czares da Rússia), os Açores têm óptimos brancos. Nós pedimos uma garrafa de Frei Gigante, um fantástico vinho, também do Pico, que já ganhou vários prémios internacionais e que foi classificado com um brilhante 16 pela Revista de Vinhos.

 

O couvert

Desta vez ficou para o fim porque simplesmente não consta: nem ocidental nem oriental, nem açoriano nem japonês. E faz falta ter alguma coisa para entreter enquanto se espera pelo pedido.

O serviço 

Quase toda a ementa foi escolhida pelo empregado. Dissemos apenas que queríamos peixe dos Açores, explicámos o que não gostávamos e pedimos sugestões. Ele fez o resto. E muito bem feito. Hoje em dia é mais difícil encontrar um empregdo assim do que um salmão a nadar no rio Tejo.

O ambiente 

Pequeno detalhe ligeiramente desagradável: o autoclismo da casa-de-banho não funcionava. Não foi dramático, porque os empregados iam lá despejar água mas, num restaurante, não é uma falha muito aconselhável.

De resto, a decoração não incomoda, mas também não encanta. Os quadros dentro de escotilhas de barcos são de gosto duvidoso e os desenhos de navios pesqueiros na parede são de estilo um bocadinho piroso. No entanto, os clientes são civilizados, as cores discretas, o ruído reduzido e o restaurante uma excelente escolha de Verão. Afinal de contas, em dias de calor como este, que mais é que se podia pedir além de peixe fresco muitíssimo bem cozinhado?

 

O bom 

O vinho

O mau 

A decoração

O óptimo 

O peixe dos Açores

 

Um abraço para todos os açorianos, onde quer que eles estejam,

Ele

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