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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

os óptimos mexilhões do moules & gin

Hoje em dia há dois tipos de restaurantes: aqueles que nasceram antes de 2010 e estão a tentar sobreviver à crise e aqueles que nasceram depois de 2010 e estão a tentar aproveitar a crise. O Moules & Gin nasceu em Maio de 2013 e, por isso, tem várias vantagens: uma decoração com o charme dos objectos reciclados, um serviço com a preocupação de quem precisa de agradar aos clientes, uma comida com o encanto dos alimentos simples e saborosos e uma conta com a cerimónia de um país endividado. Aqui tudo é feito com cuidado e empenho, porque o objectivo é aproveitar: aproveitar os preços reduzidos dos fornecedores e aproveitar as condições para cobrar menos aos clientes. O resultado é um restaurante despretensioso, bom e não muito caro.

E foi este restaurante que escolhemos no sábado para o estágio da equipa de futsal antes do cansativo desafio que foi a visita ao Mercado do Chocolate em Cascais. Eu sei que parece comida a mais para um único dia, mas olhe que não, olhe que não.

O ambiente 

Há cinco anos, no auge da euforia socrática, seria impensável entrar num restaurante onde os guardanapos fossem um rolo de papel de cozinha, os vasos das plantas velhas latas de conservas, os talheres viessem dentro de jarros de compota reaproveitados, a iluminação fosse feita com lâmpadas penduradas no tecto sem abat-jour e as cadeiras construídas com madeira simples sem pintura. O Moules & Gin é assim. E não é por isso que deixa de ser confortável e acolhedor. Pelo contrário: é por isso que demonstra que se adaptou ao momento do país e respeita os seus clientes. É simples e bom. Num velho edifício recuperado no centro histórico de Cascais, é uma mistura de despojamento e sofisticação, de tradicionalismo e modernidade. Frequentado por clientes de todas as idades, tem uma qualidade quase única: está aberto todo o dia, seja para comer qualquer coisa ou simplesmente para beber um gin tónico.


O serviço 

Este é um sítio descontraído: sem a pretensão de empregados de Downton Abbey nem o relaxamento de um serviço de tasca. É eficaz e relaxado, é rápido e agradável. Aqui não houve episódios caricatos nem cuidados especiais. No fundo, o serviço é o retrato fiel do que o restaurante pretende ser: uma cervejaria belga com um twist de bar de gin.

A ementa 

O couvert

O pão com manteiga de ervas é aquilo de que precisa enquanto espera pela comida: entretém mas não enche, não é surpreendente mas não envergonha.

 

Os pratos

Tirando as sobremesas, a ementa está dividida em três: entradas – várias bruschettas à escolha; mexilhões – já lá vamos; e um naco de vazia fatiado – o ideal para aconchegar o estômago. O meu conselho é: pão, basta o do couvert; por isso salte as bruschettas e mergulhe nos mexilhões. Há os mais exóticos: Chili (molho picante de tomate e malagueta), Thai (molho de gengibre e lemon grass); os mais tradicionais: ao vapor e à Bulhão Pato; e os mais europeus: Meuniére (o clássico belga), Fraiche (crème fraiche e lima) e Mediterrânica (molho de tomate e ervas aromáticas). Como para mim, exotismo é nos restaurantes asiáticos, optámos pelas moules Fraiche e à Meuniére. Frescas, saborosas, bem abertas e acompanhadas de óptimas batatas fritas (estaladiças e fininhas), as melhores são claramente as de crème fraiche, que misturam na perfeição a acidez da lima com a suavidade do crème fraiche. 

Como éramos seis, comemos as moules como entrada e a seguir o naco de vazia muito mal passado, servido em tábua de madeira, com várias manteigas de ervas e mais batatas fritas deliciosas. A conjugação dos mexilhões – mais enjoativos – e da carne – mais simples – é ideal. Então e para beber?

Os gins 

Há uma mini-selecção de vinhos e uma macro-oferta de gins. As marcas são boas, as quantidades são adaptáveis – há gins e meios gins, o que é uma grande ajuda para voltar a guiar para Lisboa –, mas as águas tónicas falham. Um restaurante que pretende ser o Éden do gin não pode ter apenas uma marca de água tónica. E ainda por cima Schweppes. Eu sei que já existem as Schweppes premium, eu sei que os restaurantes ganham em fazer um acordo exclusivo com uma marca. Mas os clientes não têm culpa. E há tónicas que ligam melhor com um gin e outras que ligam melhor com outro. É como só ter Pepsi. Não chega. Mesmo.

Depois, há outro problema. Eu adoro gin tónico. Até sou capaz de beber um no início da refeição e outro no fim. Mas acompanhar uma refeição inteira só com gin tónico é uma missão para o Tarzan Taborda. Qualquer pessoa com menos de 130 quilos está a ver o tecto à roda ao terceiro mexilhão. E isso pode ser fatal – especialmente para um restaurante em Cascais, de onde é ligeiramente dispendioso regressar de táxi.

O óptimo

Os mexilhões de crème fraiche

O bom 

A decoração

O mau

A pouca oferta de águas tónicas

 

Um bom resto de domingo para si, onde quer que esteja,

Ele

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