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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

novidade! novidade! abriu uma pizzaria do bairro nas amoreiras (e tem uma deliciosa pizza de presunto de vaca)

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As pizzas à fatia são conhecidas como o petisco "Vai ser tão bom, não foi?". É aquela comida perfeita que é deliciosa e engorda menos. Podemos provar só uma fatia da nossa pizza preferida sem precisarmos de fazer quatro maratonas a seguir para não nos sentirmos culpados. 

O problema é quando chega o momento da verdade. E, depois de termos passado noites em claro a sonhar com aquela pizza espectacular, encontramos uma fatia ressequida e requentada a olhar para nós. Vamos lá esclarecer esta questão com tranquilidade: pizza boa é acabada de sair do forno, ainda com a massa a estalar e o topping a fumegar. Ora, pizza vendida à fatia não pode ser acabada de fazer, porque se eu vou comer apenas uma fatia alguém vai ter de comer as outras muitos minutos depois. 

 

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Então porque é que nós achamos que as pizzas vendidas à fatia são fantásticas? Porque, sempre que as comemos, acabámos de sair de uma discoteca às cinco da manhã, famintos e com quatro gins tónicos a hidratar o estômago. E essa, há que reconhecer, não é a condição ideal para avaliar a qualidade gastronómica de uma fatia de pizza. 

Ou seja, as pizzas à fatia são divinais para vender à porta de uma discoteca, às cinco da manhã. Não são propriamente recomendáveis às 13h30, num shopping. E esse é o problema da nova Pizzaria do Bairro, que acabou de abrir nas Amoreiras.

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A ementa

Depois de todo o festival publicitário à volta da nova área de restauração das Amoreiras, é claro que não resisti. Logo a seguir à remodelação, fui experimentar o novo Selfish, onde se come um bom atum braseado e um óptimo tártaro de salmão; enquanto Ela não resistiu aos ovos em cocotte do Ovvo. E agora estava lá caído poucos dias depois da abertura da última zona que ainda faltava inaugurar.

É aí que estão as pizzas à fatia da Pizzaria do Bairro. Quando lá cheguei, estava firmemente empenhado em arrendar 50% do meu estômago a uma fatia da pizza Dos Atrevidos (molho de tomate, queijo flamengo, queijo mozarela e salame picante) e a outra fatia da pizza Portugal (molho de tomate, queijo flamengo, queijo mozarela, abóbora, pimentos verdes, pimentos vermelhos, requeijão e chouriço). Apesar do queijo flamengo, que sinceramente dispensava, já estava a babar com a descrição quando cheguei ao balcão e olhei para as fatias de pizza expostas: além de serem cortadas em quadrados e não terem a margem de massa sem recheio que faz a pizza insuflar de uma forma apetitosa, estavam com o queijo seco e duro.

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– Peço desculpa, mas as fatias de pizza são servidas assim, frias?

– Não, nós aquecêmo-las antes de irem para o prato.

Senti-me como o Barbas a saber da saída do Jorge Jesus para o Sporting. E agora?! O que é que vou fazer perante esta hecatombe aspiracional? E foi no momento em que já pensava na melhor desculpa para dar meia volta e experimentar outro restaurante que vi passar por mim uma garbosa pizza de presunto de vaca inteira (€10): com uma massa fina e estaladiça, ostentava umas reluzentes fatias fininhas de presunto e um ar leve e apetecível. É claro que não hesitei dois segundos: como um bebé mimado, apontei para a pizza que passava e disse:

– É aquilo que eu quero.

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Ao contrário das fatias isoladas, a pizza inteira de presunto de vaca é fina e elegante. Em primeiro lugar, não tem o habitual molho de tomate, o que lhe dá um paladar bastante mais delicado. Depois, por cima da mozarela, leva umas finíssimas fatias de presunto de vaca, uma especialidade produzida a partir de vacas alentejanas criadas em agricultura biológica e que tem muito menos gordura do que o presunto normal. Finalmente, vêm umas lascas de um bom queijo curado e forte e umas simpáticas folhas de agrião, ambas colocadas já depois de a pizza sair do forno. No meu caso, em vez de agrião veio rúcula, mas não foi grave. O efeito pretendido – cortar, de uma forma fresca, o sabor intenso do presunto e do queijo curado – estava lá. Para finalizar, um fio de azeite.

A massa é fina e estaladiça e insuflada em agradáveis bolhas nas bordas. Em cada trinca que dá, as bordas desfazem-se em migalhas crocantes na boca.

Além de tudo, a pizza ainda é grande e um verdadeiro exagero para um delicadíssimo corpo de Adónis como o meu. Mais ainda se o Adónis se lembrar de pedir uma salada mista (€1,50) para acompanhar. A salada é agradável e traz alface, cebola, tomate (rodelas grandes demais) e rabanetes (o que eu adoro). É claro que metade da salada ficou no prato e não restou nem um milímetro de esófago livre para provar sobremesas.

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O serviço

Simpático e rápido. Quando cheguei estavam cinco pessoas à minha frente. Depois de ter sido atendido, a pizza demorou 6 minutos a sair. A empregada esqueceu-se de entregar o cartão de cliente na caixa, mas veio dá-lo a seguir enquanto eu estava à espera.

Um detalhe a apontar: a pizza não veio cortada, o que facilitaria imenso a batalha do prato. E uma queixa a reclamar: não havia limão para a Coca-cola.

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O ambiente

A nova área da restauração das Amoreiras está fantástica: com uma decoração trendy e moderna, tem uma mesa comprida e gigante. As mesas, as paredes e o chão são de madeira e até tem um pequeno lago que pode atravessar por umas pedras no chão. Uma das zonas tem vista para um relvado. Aqui imagina-se em qualquer lugar menos na zona de restauração de um shopping.

 

As crianças

Um restaurante de pizzas não tem um menu infantil, ele é um menu infantil.

 

O bom

A nova zona de restauração das Amoreiras

O mau

A pizza à fatia

O óptimo

A pizza inteira de presunto de vaca

 

Uma óptima pizza para si onde quer que o seu bairro esteja,

Ele

 

fotos: amoreiraspizzaria do bairro