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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

novidade! novidade! os donos da confraria abriram uma cevicheria "japonesa" na rua com mais charme de cascais

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É uma pequena rua com uma bicicleta pendurada na parede de um dos edifícios e está a tornar-se o epicentro da movida de Cascais. É claro que a palavra movida tem de ser reinterpretada quando falamos de Cascais: no Verão, a rua é fechada ao trânsito, a estrada transforma-se numa enorme esplanada e até há DJs a pôr música; no Inverno, é uma sorte conseguir encontrar meia dúzia de pessoas de cachecol à volta do pescoço.

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De qualquer forma, é nesta rua e na do lado que encontra a Hamburgueria do Bairro, o Moules & Gin, a carpaccio house La Contessa, o bar de tapas Dom Diniz, o restaurante japonês Sushíssimo e agora a novíssima cevicheria Waka, acabada de abrir no início deste ano. Quem diz cevicheria diz também sushi cevichado, porque este é um restaurante que mistura duas das melhores coisas que existem no mundo da gastronomia: os ingredientes e os sabores cítricos fortes típicos do Peru com os paladares exóticos da cozinha japonesa.

 

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O ambiente

Mas antes de começar aí a babar com o que vou descrever, deixe-me só esclarecer que o Waka é dos mesmos donos da Confraria (existe em Cascais e em Lisboa, na Rua do Alecrim) e do restaurante italiano Gulli, no Mercado de Cascais. E se o italiano está longe de ser brilhante, o sushi da Confraria é dos mais frescos que se encontram por aí. Foi, por isso, com o entusiasmo de uma criança de 10 anos que liderei a Família Mistério a caminho desta nova descoberta de Cascais.

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A sala tem apenas oito mesas e está decorada com uns enormes peixes pintados na parede. Tem umas almofadas coloridas que animam o ambiente meio escuro à noite, mas não conte vir aqui para grandes festas – é muito mais um restaurante de um ou dois casais por mesa do que de grandes grupos.

No entanto, se a minha prioridade fosse a decoração teria ido fazer um piquenique à Moviflor...

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A ementa

...O que o deve trazer aqui é o peixe. E esse é servido em ceviches, entradas, tiraditos e uramakis. A escolha não é muito grande, mas está perfeitamente adequada a um restaurante desta dimensão.

Nós começámos com um bom gin Hendricks (€9) servido em copo de balão com uma água tónica Schweppes premium original, cubos de gelo gigantes e três rodelas muito fininhas de pepino.

Ainda esperámos pelo couvert, mas na lista não há qualquer sinal dele. Perante o desespero de uma família de sorvedores de comida sem nada à sua frente, resolvi perguntar à empregada se tinha qualquer coisa para nos entreter enquanto aguardávamos. Explicou que ainda estavam a fazer testes, por isso é que não tinham couvert, mas ofereceu simpaticamente uma das hipóteses que estavam a ser analisadas para experimentarmos. O que nos trouxeram foram uns estaladiços chips de massa com um óptimo guacamole oriental, ligeiramente picante. Foi o suficiente para acalmar a ansiedade familiar e aguentar a demora do serviço: só a tirar o pedido foram dez minutos.

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Se o serviço demorou, a comida compensou. Nós decidimos dividir tudo. O primeiro prato a chegar mostrou logo o que é que nos esperava: uns tiraditos de salmão (€7,90) que são umas finíssimas fatias de peixe fresquíssimo com com um óptimo molho de maracujá adocicado e uns divinais fios estaladiços de batata doce colocados no topo. A mistura de sabores doces e salgados e a combinação dos fios de batata doce estaladiços com o peixe macio são indescritíveis.

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A festa continuou com uma verdadeira visita de estudo ao mundo do ceviche. Começámos com o ceviche de salmão (€11,80) que Ela adorou mas que eu achei pouco cítrico para aquilo que devia ser. Vem com manga e um molho miso que lhe dão um toque bastante mais suave do que o ceviche normal. A seguir provámos o ceviche nikkey (€11,80) que é servido com atum, pepino, quinoa crocante deliciosa e um molho cítrico. E finalmente, experimentámos aquele que para mim foi o melhor: o ceviche waka (€11,80), com peixe branco, polvo e vieiras, tudo marinado em leite de tigre e acompanhado com um enorme milho branco peruano, que achei um pouco seco e sem muito sabor, com o mais conhecido milho frito estaladiço e com laranja. Deve comer tudo misturado e envolvido no molho muito cítrico, o que é delicioso.

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A esta altura, pode parecer que já estávamos jantados, mas convém não esquecer que estamos a falar de seis bocas sem fundo e de pratos leves e saudáveis. Por isso, tivemos de continuar com um fabuloso tataki (€7,90). O peixe é selado com pisco e depois leva a mesma quinoa crocante do ceviche que provoca uma sensação fantástica na boca. A acompanhar é servido o molho ponzo.

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Ainda houve espaço para três meios-uramakis: o Vulkan Maki (€5,90), feito com caranguejo, camarão e abacate enrolados em fatias de salmão braseado, que me pareceu ligeiramente enjoativo e que sabia um pouco ao gás do maçarico usado para brasear o peixe; o Acevichado (5,50), preparado com camarão, abacate e atum mergulhados no mesmo molho do ceviche e que estava saboroso e cítrico; e o Ika Maki (€4,90), feito com lula, peixe branco e uma óptima tempura de cebola, tudo enrolado naqueles divinais fios estaladiços de batata doce com que ainda hoje sonho todos os dias à noite.

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As sobremesas

Depois de muita pressão da ala juvenil da família, lá acedemos a pedir umas sobremesas contra a férrea vontade dietética da minha querida Mulher Mistério. E quem diz umas diz duas porque aqui não tem mais opções. A mousse de chocolate (€3,90) é boa, acompanhada com frutos silvestres e com uma textura muitíssimo leve, e o uramaki (4,90) é recheado com queijo creme e nozes e coberto com banana caramelizada e molho de maracujá, o que me pareceu um excesso de açúcares por centímetro quadrado.

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O serviço

Ao longo de toda a refeição só havia uma única empregada a servir. Está certo que são só oito mesas e o restaurante estava a metade, mas uma pessoa não chega. Por muito simpática e disponível que fosse – e era – acaba sempre por deixar os clientes à espera tempo demais. De resto, tudo correu lindamente.

 

As crianças

Não tem menu infantil.

 

O bom

O ceviche Waka e o tataki de salmão com quinoa crocante

O mau

A demora do serviço

O óptimo

Os tiraditos de salmão e o Ika Maki

 

Um óptimo ceviche para si onde quer que sushi esteja,

Ele

 

fotos: waka; casal mistério; dom diniz