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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o caos do peixe em lisboa (e os seus fantásticos pratos)

Porque é que eu me fui meter nisto?

Esta foi a pergunta que ontem não me saiu da cabeça. Começou logo mal cheguei e encontrei uma fila que vinha até à rua. Pensei que fosse uma coisa rápida para entrar. Mas 40 minutos depois, quando finalmente alcancei à bilheteira, percebi que não. É mesmo um pesadelo. Por isso, primeiro conselho: compre os bilhetes de entrada para o Peixe em Lisboa através da Internet. Se bem que agora já é um conselho um bocadinho datado: num exemplo de franca modernidade, só é possível comprar os bilhetes online até às 18h do dia 31 de Março. A partir das 18h01, é fila consigo – neste caso, comigo.

Quando finalmente consegui entrar, confirmou-se tudo o que eu temia: C-A-O-S. Mesas cheias, cadeiras ocupadas, pessoas sentadas no chão, cotoveladas e discussões para conseguir um espaço encostado à parede. E é aqui que chega o segundo conselho: vá às 19h, sente-se numa mesa e leve um guarda-costas, porque há quem não aceite bem que você possa estar a guardar um lugar para alguém que foi buscar a comida. A organização optou por uma decoração fashion e confortável, com cadeirões tentadores e cadeiras almofadadas. Mas não chega. É preciso colocar também uns balcões onde as pessoas possam comer em pé e mais cadeiras espalhadas pela área. O espaço é muito cool, mas muito pouco prático.

E foi nesta fase da noite, quando estava sentado a comer no chão ao lado de uma senhora de 70 anos e julguei que mais nada podia acontecer, que a luz se apagou e a decoração virou escuridão. 

Mas porque é que eu me fui meter nisto?

De facto, só há uma razão para levar alguém para o Peixe em Lisboa com a mesma disponibilidade com que um kamikaze vai para um voo picado: a comida. No meio de todo aquele Mercado da Ribeira com decoração sofisticada, a comida é divinal. Comecei, em pé, a tentar equilibrar um copo de vinho numa mão e uma sopa de santola do Nobre na outra. Foi complicado, mas foi óptimo. Passei depois para dez minutos à espera de uma ceviche de robalo com leite de tigre do Arola. Sentei-me no chão e juntei-lhe um bacalhau a baixa temperatura com emulsão de queijo da Serra e poejo do Assinatura. É desconfortável, mas é uma delícia. A ceviche podia ser um bocadinho maior, mas é uma surpresa fantástica para uma noite de calor. E o bacalhau desfaz-se em lascas como se fosse um robalo do mar – a mistura com o queijo da Serra resulta na perfeição e a quantidade dá para a refeição de uma pessoa.

Passámos então para umas vieiras marinadas com abacate (excelentes!) e para um bacalhau à brás com azeitonas explosivas do José Avillez. O bacalhau estava com os ovos molhados e as azeitonas moleculares parecem balões que rebentam na boca e libertam o sabor da azeitona líquido. É uma experiência única que faz esquecer o frio do chão nas suas pernas. Acabámos com umas chips do Claro! (picantes, muito fininhas e hiperestaladiças) e com um falso oreo de muxama de atum e hortelã da ribeira do Arola – é uma sanduíche de bolachas doces com o creme salgado da muxama de atum no meio: maravilhoso! 

É claro que, apesar de ter vontade, eu não comi tudo isto sozinho: éramos seis e as crianças comem como adultos (ainda pediram duas doses de sushi). Mas prepare-se porque o Peixe em Lisboa é uma experiência cara e desconfortável. É preciso gostar muito de comida para jantar ali.

Para acompanhar, percebi que os copos de vinho de 1,5 euros são o JP e o BSE, que eu dispenso, muito obrigado. Mas descobri um vinho branco fantástico por 3 euros o copo e que está com uma óptima promoção na venda das garrafas. Chama-se Pasmados e é um vinho excepcional, que mistura um paladar ligeiramente frutado com o sabor da madeira. Depois de ter bebido dois copos por 6 euros, realizei que, na compra de duas garrafas, pagava 5 euros por cada – é um preço que vale mesmo a pena!

Agora a pergunta: está preparado para uma batalha campal ao jantar?

 

Boa batalha para si, onde quer que esteja,

Ele 

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