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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o melhor bolo de praia deste verão: a fabulosa bola de berlim de alfarroba

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É uma das grandes invenções do Universo. A alfarroba está para mim tal como o arroz está para os chineses. Se tudo levasse alfarroba, o mundo seria um lugar melhor. Eu poderia ser feliz a comer spaghetti de alfarroba, risotto de alfarroba, bolo-rei de alfarroba, arroz doce de alfarroba. Mas isso é ainda um sonho. A realidade, por enquanto, é a mais recente criação da doçaria algarvia: a bola de Berlim de alfarroba.

Em vez da esquálida e desinteressante farinha de trigo, esta maravilhosa bola de Berlim leva uma discreta e delicada farinha de alfarroba. No meio, tem um equilibrado e suave creme de pasteleiro. E por cima leva uma finíssima camada de açúcar quase em pó. Esta combinação resulta na promoção da bola de Berlim à Liga dos Campeões dos bolos de praia. Primeiro, porque a alfarroba lhe dá um toque levemente amargo e aveludado que faz lembrar o cacau. Depois, porque a bola de Berlim fica menos gordurosa e enjoativa. E finalmente porque se torna bastante mais saudável.

 

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A alfarroba é um oásis de benefícios e vantagens dietéticas no deserto calórico da doçaria internacional. Com uma cor e um sabor semelhantes ao cacau, a alfarroba tem menos gordura e menos calorias. E ainda tem um sabor mais adocicado que vem de açúcares naturais, compensados por uma catadupa de fibras que não deixam engordar.

Esta é a parte científica e ligeiramente aborrecida que a minha querida Mulher Mistério tanto gosta de citar para justificar a sua imbatível capacidade de comer três bolas de Berlim sem resposta. Eu prefiro falar do sabor inigualável, da textura aveludada e da cor irresistível desta bola. A primeira vez que a descobri foi, no ano passado, na praia, junto à zona de Tavira.

Este ano, encontrei a fábrica responsável por esta fabulosa invenção. É uma pequena casa, escondida nos confins da serra algarvia, em Casa Alta, no interior de Altura, à qual consegue chegar de GPS em punho, depois de passar por vacas a pastarem, casas abandonadas e pequenas quintas agrícolas.

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Chama-se pastelaria Felismina e nem sequer está aberta ao público. É lá que uma simpática senhora produz carregamentos de bolas de Berlim para vender exclusivamente nas praias entre Tavira e Vila Real de Santo António. Além destas maravilhosas bolas de Berlim de alfarroba (com ou sem creme), há ainda bolas de Berlim normais (recheadas com creme tradicional ou com chocolate), jesuítas de gila ou de chocolate e uns pastéis de amêndoa com um sabor ligeiramente acentuado a limão.

Tudo isso é bom, mas nada se aproxima das divinais bolas de Berlim de alfarroba. Então se as pedir com creme, vai sentir como a alfarroba ajuda a contrabalançar o doce do recheio. Experimente ir à fábrica e vai ver como sabe tão bem comer uma bola de Berlim que acabou de ver rechear e passar por discretos e fininhos grãos de açúcar ali mesmo à sua frente.

Não vai resistir a comer só uma bola. Eu confesso que não resisti.

 

Uma óptima bola de Berlim para si onde quer que a alfarroba esteja,

Ele

 

fotos: casal mistério

 

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