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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o melhor bolo do caco está aqui (e, já agora, o melhor prego também)

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Estava há algum tempo a resistir ao conceito. Mas, desde que vi um ministro das Finanças de um país do euro com o cabelo rapado, blazer aberto e camisa por fora das calças a cumprimentar o presidente do Eurogrupo com uma das mãos no bolso, achei que estava preparado para tudo. E foi assim que entrei numa peixaria para comer um prego. Estranho? Por amor da santa, estranho é alguém chamar-se Yanis Varoufakis. No Prego da Peixaria, não há cá estranhezas, há apenas aquele que talvez tenha sido até agora o melhor bolo do caco que esta ávida garganta já deglutiu.

 

A ementa 

Os pregos

Hoje, peço desculpa, mas não há tempo para intróitos sobre o ambiente ou o serviço. O assunto é sério e tem de ser tratado com toda a urgência. Eu já comi várias amostras de bolo do caco de alfarroba. Algumas são mais escuras, outras são mais fofinhas (ui, que palavra tão querida!), mas nenhuma – até este mágico dia de Fevereiro de 2015 – se aproximou deste nariz de Júlio Isidro com um aroma a alfarroba tão deslumbrante como este bolo do caco do Prego na Peixaria. Além de ser macio, leve e agradável, sabe claramente a alfarroba, o que nos dias que correm é cada vez mais uma raridade.

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A acompanhar esta imperdível experiência, veio um bife de atum dos Açores cozinhado na perfeição: bem marcado por fora e praticamente cru por dentro (esta é outra raridade dos nossos dias: pedirmos a comida mal passada e ela vir, de facto, mal passada). Muitíssimo saboroso e a separar-se em finas lascas dentro da boca, o atum é temperado com flor de sal do Algarve e vem separado do bolo do caco por uma fina camada de uma suavíssima manteiga de alho. O único ligeiro senão desta escolha é o preço: este magnífico prego Foodie é o mais caro da ementa (€13), mas vale a pena experimentar, nem que seja uma vez na vida.

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Se preferir uma opção mais barata, também há. Tem pregos de carne do lombo por €8,50 e um especial de cogumelo portobello, rúcula e tomate num promissor bolo do caco de tandoori (também por €8,50). Aliás, os bolos do caco do Prego da Peixaria têm tanto de delicioso quanto de surpreendente: há bolo do caco de azeitona, bolo do caco de cebola e um magnífico bolo do caco feito com tinta de choco. Foi este, aliás, que Ela pediu. O pão é preto, delicioso e muitíssimo suave, mas para mim nada bate o de alfarroba.

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O bolo do caco de tinta de choco leva lá dentro um hambúrguer de salmão e choco (€7,50) que é servido com tomate e algas. As algas são maravilhosas e sente-se bem aquela textura rugosa ao trincar. O único problema desta escolha foi o excesso de cebola no hambúrguer, que se nota bastante e acaba por abafar o sabor do peixe. 

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As batatas

O acompanhamento foi a minha única desilusão. Mal vi na lista as chips de batata doce (€1,50), comecei a aguar de tal maneira que nem reparei nas letras pequeninas em baixo que explicavam tratar-se de batatas em palitos. Só quando a pequena lata chegou à mesa é que percebi que se tratava de umas chips à inglesa. Mas o pior foi depois. Apesar de estarem saborosas e bem temperadas, vinham grandes demais e muito moles. Tive pena de não ter experimentado as batatas Marilyn Monroe (€1,50): estas, sim, às rodelas muito fininhas e estaladiças, mas feitas com batata normal.

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A sobremesa

Foi a discussão matrimonial do dia. A partir de certo peso, já não dá para pedir uma sobremesa para cada um ao almoço (ao jantar, ainda conseguimos...). E o momento da escolha é quase sempre uma declaração de guerra. Eu queria experimentar o carpaccio de maçã com mel e uma bola de gelado de canela, Ela insistiu na tarte de amêndoa A Tarte.

É escusado dizer quem ganhou a discussão, não é? 

A tarte estava óptima, como sempre: crocante e verdadeiramente a saber a amêndoa.

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O ambiente 

Nós fomos ao restaurante do Príncipe Real, mas em Janeiro abriu outro no Saldanha – e em breve vai abrir um em Alvalade. A decoração é fantástica. Recria as antigas tascas portuguesas com pormenores magníficos. A ementa vem num papel pardo pequenino e ao lado encontra um daqueles lápis antigos com a chave da tabuada que tantas alegrias me deu nos meus tempos de medíocre estudante (só espero que a minha pequena equipa de futsal não leia isto). À medida que vamos escolhendo, anotamos na ementa, com o lápis, aquilo que queremos pedir. Também pode assinalar se quer os pregos bem, médio ou mal passados. Depois só tem que entregar o papel à empregada.

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Numa das paredes tem um enorme grafitti do Prego da Peixaria, noutra uma série de prateleiras com ervas. As mesas são de madeira e as cadeiras às cores. E tudo é muito descontraído. Ao meu lado, um grupo de neo-punks sentou-se com mais anéis em cada dedo do que o Mr. T nas duas mãos juntas.

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O serviço 

À entrada, encontrámos uma enorme fila de pessoas à espera de mesa. Problema: só tínhamos meia hora para almoçar. Explicámos este ligeiro constrangimento à simpática empregada que nos atendeu e rapidamente resolveu o problema. Arranjou-nos uma mesa grande para dividirmos com outros clientes, recolheu o pedido rapidamente e trouxe os pedidos em dez minutos. Tudo de forma simpática e atenciosa.

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As crianças 

Num restaurante assim, é difícil encontrar menus infantis, mas aqui tudo é indicado para os miúdos. Até os sumos naturais, que vão de abacaxi com hortelã a banana com laranja e gengibre. Há também um chá gelado e uma limonada que me pareceu fantástica. Só falta mesmo uma coisa: Coca-cola, meus senhores, Coca-cola! Pepsi não é definitivamente a mesma coisa. E nunca será.

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O bom 

A decoração

O mau 

As batatas moles

O óptimo 

O bolo do caco de alfarroba e o maravilhoso atum

 

Um óptimo bolo do caco para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: o prego da peixaria

 

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