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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o melhor sítio para comprar sardinhas em lisboa

São as marchas populares a sair à rua e eu a entrar em casa. Para mim o Santo António é como o perú de Natal: morre de véspera. Não é que não goste de festa. Mas, se tivemos arraiais durante toda esta semana, porque é que haveríamos de escolher logo o dia com mais gente?

Posto isto, foi preciso encontrar uma solução alternativa para quatro bocas insaciáveis a salivar por sardinhas, saladas de pimentos, churros, farturas e outras comidas suficientemente calóricas para fazer sorrir o Fernando Mendes e o José Carlos Malato à mesma mesa. E a solução foi um arraial caseiro: com churrasco, com sardinhas, com salada, com orégãos, com pimentos, com sangria, com cerejas e com tudo a que temos direito. Hoje vou falar das sardinhas; quando Portugal entrar em campo falamos da sangria, que é um óptimo acompanhamento para o jogo da selecção.

 

Primeiro é preciso escolhê-las. E, como eu não percebo nada disso, encontrei quem perceba. Há vários anos que compro as sardinhas no Mercado 31 de Janeiro, ao lado do Saldanha, em Lisboa, na banca de Açucena Veloso. Não é a única banca de peixe fresco daquele mercado, mas é um hábito. E é uma garantia. Açucena é de confiança e o peixe é uma maravilha. Ainda por cima tem entregas gratuitas diariamente em Lisboa. E até tem Facebook, email e tudo o que são modernidades.

Sempre que pode, Açucena vai buscar o peixe à lota (Peniche, Setúbal ou Cascais). Quando não pode, já tem dez pessoas a trabalhar para ela que lhe fazem as recolhas e as entregas. É a esta banca que vão alguns dos melhores chefs do País. E é nesta banca que encontra algumas maravilhas impagáveis, como skrei (bacalhau fresco), ostras e lingueirão da Ria Formosa, lapas (também temos de fazer um post sobre lapas), ouriços do mar, vieiras, savel, atum e deliciosas sardinhas. 

No outro dia fui lá e trouxe sardinhas gordas e algumas pequeninas, para satisfazer todos os gostos. Eu, Ela e os mais velhos ficámos com as mais gordas – têm mais gordura, mas também têm espinhas maiores – os mais novos ficaram com as mais pequenas. É importante distinguir porque o tempo na grelha depende do tamanho da sardinha. E, neste caso, um minuto a mais pode significar uma sardinha seca.

Mal cheguei a casa, espalhei as sardinhas e polvilhei-as com sal grosso. É importante terem sal suficiente, por isso tem de se ficar a ver os grãos de sal por cima do peixe. Depois fui tratar do lume: tem de ser forte e aceso com a grelha por cima para a aquecer bem (de preferência uma grelha que feche e possa virar sem mexer nas sardinhas para não sair a pele). Quando o carvão ficou em brasa, coloquei as sardinhas (quanto mais quente estiver a grelha, menos coladas ficam) e deixei durante poucos minutos. Mal tostaram a pele, virei. Tudo isto demora pouquíssimos minutos.

Estavam deliciosas e foram comidas todas as 36. Agora vou ali dormir uma sesta e já venho.

 

Bom dia de Santo António para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: açucena veloso

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