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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o novo bastardo, um dos restaurantes mais divertidos e bem decorados de lisboa

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Um restaurante num hotel é de desconfiar. Um restaurante chamado Bastardo é de duvidar. Um restaurante só com uma mesa ocupada é de bocejar. Quando entrei pela primeira vez no novo Bastardo, estava, portantos, a modos que com um estado de espírito com o nível de optimismo do Medina Carreira. Mas, à medida que nos vamos aproximando do Dia Internacional da Mulher, tenho de me transformar, ainda mais, num verdadeiro Ambrósio pronto para satisfazer todos os desejos da minha querida Ela. E se Ela queria experimentar o Bastardo, eu experimento o Bastardo.

É claro que – como sempre – todas as minhas dúvidas se revelaram absolutamente...

...descabidas.

Eu sei: começa a ser constrangedor Ela ter sempre razão e eu não acertar uma, mas a vida de um homem é dura.

 

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O ambiente 

Como dizia esse gigantesco monstro da oratória que foi Odorico Paraguaçu, vamos botar de lado os entretantos e partir logo para os finalmentes. Um hotel pode ser um golpe de misericórdia em qualquer restaurante que queira ter um ambiente animado, mas neste caso é um golpe de bom gosto.

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O novo Internacional Design Hotel, situado nessa emblemática Rua da Betesga (onde jamais caberá o Rossio – eu estive lá e posso garantir!), é dos espaços mais agradáveis e surpreendentes de Lisboa: desde o balcão da recepção em verde-brócolo até às escadas em roxo-beterraba, tudo é moderno, fashion e divertido. Nas paredes, há buracos que servem de prateleiras para livros, no chão há cadeiras que parecem coladas à pressa, nos quadros há frases provocatórias escritas à mão, nos canteiros há ervas aromáticas que são utilizadas para cozinhar.

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Todo o restaurante tem cor, estilo e design: as cadeiras são variadas e em tons alegres, o cesto do pão é feito de Lego e as portas das casas-de-banho são todo um programa – na dos homens está escrito Gentlemen, Boy, Guy, Bro, Ken, Dad, Superman, Kind Man; na das mulheres, Girl, Doll, Sis, Barbie, Mom, Wonder Woman, Wow Men (é só escolher em qual definição se encaixa melhor).

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A ementa 

A experiência começa quando a caixa de Lego chega à mesa (€3). Lá dentro vêm umas elegantes fatias de três tipos diferentes de pão: fogazza, figote e pão rústico, acompanhados com azeite biológico. A fogazza é leve, o figote é adocicado e delicioso e o pão rústico é aquilo que já sabemos. A combinação é magnífica para nos ir entretendo enquanto não chega o prato principal. E essa foi a primeira surpresa. 

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Quando os dois esperávamos impacientemente por um prato digno de banquete medieval, chegou-nos à frente um sofisticado amuse-bouche com rúcula, tomate cherry, cebola roxa e pimento picado. Além de delicioso, é também uma opção mais fresca e adequada para estes dias de pré-Primavera. Só depois deste agradável aperitivo é que chegou a segunda surpresa da tarde.

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Enquanto Ela se entreteve com um bife à casa (€14), mal passado, saboroso, com um óptimo molho e legumes em vez de batatas (é a dieta, senhores!), eu fui descobrir a extraordinária reinvenção da francesinha (lamento, mas depois de dias e dias e dias de dieta forçada em casa, tinha de me desforrar em grande).

Ponto prévio: o que aqui se come não tem nada a ver com francesinhas. Ponto subsequente: eu gostei bastante mais do que aqui se come. Eu sei que isto pode chocar muitos amigos do Rui Reininho, mas nunca fui um grande fã de francesinhas. Gosto, como com prazer, mas está muito longe dos meus pratos favoritos. O molho enjoa de mais e o pão nunca é de menos. É um prato muito intenso. Por isso, quando olhei para esta verdadeira torre de ingredientes que me chegou à mesa, fiquei assustado. Mas, apesar de ser maior do que a francesinha habitual, a Bastardinha (€15) é bastante mais delicada.

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Em primeiro lugar, o molho é mais suave. Depois, tem fruta e vegetais que ajudam a cortar o excesso de gordura: por cima da primeira fatia de pão, vem uma fatia fininha de ananás, a seguir uma camada de queijo mozzarella derretido, um bife panado de frango com fiambre, uma cama de rúcula, um bife do beijinho (aquela carne hiper-tenra do sete da pá da vaca), um ovo de codorniz estrelado, cebola frita e tomate cherry. A mistura é simplesmente maravilhosa.

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As sobremesas 

Para acabar, tive de provar uma sobremesa. Eu escolhi um fantástico arroz doce (€4) com finas raspas de laranja. Ela, pobrecita e de dieta, teve de se contentar com um tutti fruti (€5), descrito na ementa como uma mistura de abacaxi, limão, cardamomo e pistácio. Mas, antes de começar aí a lamentar a desgraça da minha querida Mulher Mistério entregue a uma banal salada de frutas, o melhor é perceber bem o que se passou. Ao contrário de todas as expectativas de uma empenhada senhora na sua dieta, o que chegou à mesa não teve nada a ver com salada de frutas. O abacaxi vem em forma de gelado e fruta desidratada, o limão vem num fantástico creme e o pistácio é servido num aveludado pó. Ao lado, chega ainda uma pequena madalena para compor. É claro que Ela teve de se conter e eu tive de a substituir: acabei por comer as duas sobremesas.

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O serviço 

O chefe de sala é de uma competência insuperável. Além de simpático e enérgico (não esperámos à chegada, não esperámos quando quisemos pedir mais água, não esperámos à saída), sabe de cor tudo o que está em cada prato. Foi ele que ouviu os pedidos e foi ele que enumerou sem hesitações todos os ingredientes da Bastardinha (infelizmente para Ela e felizmente para mim, não nos lembrámos de perguntar o que era o Tutti Fruti...). Os outros empregados são simpáticos e atenciosos, mas têm um problema dramático: em vez de falarem, susurram, o que se torna difícil para um senhor de idade como eu ouvir tudo o que dizem.

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As crianças 

Não há menus infantis, há apenas menus especiais para o almoço: por €15 tem o tacho do dia (que vai do cozido à portuguesa até à moamba), mais sopa, sobremesa e água ou vinho da casa. Vale ainda a pena conhecer a ementa do bar, onde se destaca um imponente gin candy (€9), feito com Hendrick's, água tónica, botânicos e algodão doce.

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O bom 

A comida

O mau 

Além da nossa, só estava uma mesa ocupada ao almoço

O óptimo 

A decoração, a originalidade e o sentido de humor

 

Um abraço para todos os bastardos onde quer que eles estejam,

Ele

 

fotos: bastardo

 

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