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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o novo restaurante espanhol na marina de cascais

Já não tenho espaço vago no estômago para acompanhar o ritmo a que abrem novos restaurantes em Portugal. Estou a transformar-me numa pequena bola ambulante com esta sofreguidão com que pego logo no telefone mal tropeço no nome de um novo espaço.

Desta vez foi em Cascais. Meti-me no carro, fiz os 30 quilómetros de auto-estrada a salivar e estacionei na Marina de Cascais. Missão: conhecer o novo restaurante espanhol que abriu em Agosto.

 

O ambiente 

A marina é um espaço que nasceu em berço de ouro. Com o Palácio dos Condes de Castro Guimarães por trás, o mar à frente, o farol à direita e a Casa de Santa Marta pelo meio, teve sempre tudo o que quis, especialmente uma vista e uma localização únicas. Mas como qualquer bom menino mimado, estragou-se. Gastou dinheiro onde não devia, exigiu preços altíssimos, não escolheu as companhias e hoje está sozinha e abandonada na vida. De dia é pouco frequentada e à noite é mal frequentada.

Ao contrário das outras marinas do país, está praticamente deserta e, quando aos fins-de-semana à noite, tem mais gente, não é um ambiente muito agradável. É, por isso, um louvável acto de coragem abrir um restaurante aqui. Mesmo com o boom a que Cascais está a assistir, é um risco escolher a marina. 

No entanto, o Malavida conseguiu caprichar em algumas coisas. A decoração interior está engraçada, com relógios gigantes pendurados, letras grandes escritas nas paredes, pipas a servirem de mesas onde se pode beber um copo e a decoração em tons de branco e castanho.

No exterior, há uma esplanada onde se pode refastelar nuns cadeirões a tomar um gin tónico ou sentar-se à mesa com uma toalha de pano a jantar. Cercado de vidros por todos os lados, o espaço é agradável. Mas está longe de ser perfeito. No chão da esplanada, um tapete tipo relva é uma ameaça a um ambiente com bom gosto e em cima da mesa as ementas deixam qualquer cliente desanimado.

A ementa 

O problema não está na comida, está na apresentação. Desde que há 20 anos me perdi em Albufeira e fui dar àquela assustadora rua de bares que não via alguém chamar ementa a um conjunto de folhas A4 agrafadas num canto e com a bandeira de Portugal, de Inglaterra ou de Espanha em cima, consoante a língua em que os textos estão escritos. 

Quando entrei no Malavida e olhei para aquilo, senti-me a regressar na máquina do tempo até Albufeira. Depois olhei melhor e fiquei dividido. De um lado, a descrição dos pratos conquista as nossas papilas gustativas: salada de pimentos assados com ventresca; queijo burrata com tomate, presunto ibérico e manjericão; croquetes cremosos de presunto ibérico e cogumelos boletus; lombos de sardinha envinagrados em molho de tomate fresco; carpaccio de vaca com parmesão e rúcula; sopa fria salmorejo com ovos de codorniz.

Do outro lado, os preços assustam o nosso gestor de conta no banco: 16,50 euros por um carpaccio, 14 euros por uns lombos de sardinha, 10 euros por uns croquetes não são preços para uma ementa escrita em quarto folhas de papel agrafadas.

Apesar do choque inicial, nós pedimos a burrata de entrada para partilhar. Ficámos com fome, mas estava óptima.

A seguir, Ela pediu um steak tartar e eu um tartar de atum. Muitíssimo bem temperado e muito fresco, estava no ponto – dois óptimos pratos para estes dias tropicais, de chuva, calor e humidade. O problema, mais uma vez, estava na coluna do lado: 22 euros por cada um dos pratos.

O conceito do restaurante mistura os petiscos espanhóis com alguns pratos principais também espanhóis. A ideia é poder petiscar ou comer uma refeição a sério. Também pode ir simplesmente beber um copo. Tem cerveja, uma pequena carta de vinhos espanhóis a copo ou em garrafa (também numa ementa em folhas de papel A4 dobradas ao meio) e vários gins, além de outras bebidas.

Durante a semana, o restaurante/bar está aberto entre as 18h e as 2h. Ao fim-de-semana, abre às 11h e fecha às 3h.

O serviço 

Simpático e atencioso, tem alguns detalhes agradáveis. Por exemplo, antes de servir o bife tártaro, o empregado vem à mesa dá-lo a provar para ver se o tempero está do seu agrado. Se não estiver, o chef ajusta na cozinha. Mas também aqui, o preço não justifica o serviço.

 

As crianças 

Apesar de ser um restaurante de petiscos e de a marina ser um óptimo local para os miúdos correrem e saltarem à vontade, é um restaurante caro demais – tanto nos pratos principais como nas entradas.

Conclusão: Acho que nem este pôr-do-sol justifica um carpaccio por 16 euros. É pena.

 

O bom 

O steak tartar e o tartar de atum

O mau 

A ementa tipo restaurante de Albufeira

O péssimo 

Os preços

 

Bons petiscos para si onde quer que esteja,

Ele

 

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