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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

onde comer os melhores caracóis de lisboa

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A minha querida Mulher Mistério é uma pessoa fácil de agradar – graças a Deus! Basta ser recebida num restaurante com um:

– Olá, minha linda!...

...para imediatamente eleger esse como o melhor serviço do mundo. E o melhor serviço do mundo foi coroado na semana passada, com distinção e louvor, no Filho do Menino Júlio dos Caracóis. Esse mesmo. Não o Júlio, não o Menino Júlio, mas o próprio do Filho do Menino Júlio, que por acaso também se chama Júlio.

Eu sei que é difícil de acompanhar, mas faça um esforço, porque este é, sem margem para dúvidas, um dos melhores sítios para comer caracóis em Lisboa. (Antes de correr para o Facebook para me chicotear em público por causa das enormidades que digo, repare que eu disse "um dos melhores" por isso tenho aqui alguma margem para clemência).

Todos os anos, eu pego na populosa Família Mistério e vou em romaria até este paraíso dos caracóis. Os meus prezados Filhos Mistério são absolutamente viciados no petisco – contam os dias até à abertura da época. E, na semana passada, estreámos esta verdadeira delícia da natureza.

 

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O serviço

Ir ao Filho do Menino Júlio dos Caracóis em grupo numeroso e em época de caracóis pode ser um acto de suicídio colectivo. O Filho do Menino Júlio é, há vários anos, um dos mais famosos locais de Lisboa para comer caracóis. Se der uma vista de olhos pela página de Facebook do restaurante, vai encontrar fotografias com o grande Nuno Eiró, com o ainda maior José Figueiras, com o ainda mais gigante Fernando Mendes ou com muitas outras consagradíssimas figuras do jet set que, à falta de legenda, infelizmente eu não consigo identificar. 

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Mas o que para aqui interessa é que vai encontrar um restaurante cheio e uma fila interminável à porta. Para dois, pode haver solução; para um grupo, pode haver desilusão. A única saída é tentar marcar mesa. Na verdade, não é bem uma marcação, é mais um nome numa lista de espera. A partir da hora marcada, as mesas vão sendo atribuídas primeiro aos nomes da lista e só depois a quem chegou sem aviso.

Nós chegámos cedo, com aviso e antes das 20h. Já havia fila à porta, no entanto, depois do:

– Olá, minha linda!...

...a minha prezada Mulher Mistério recebeu a notíca inesperada:

– Oh, minha querida, acabou de vagar ali uma mesa para seis.

Esta simpatia afectuosa da filha do dono estende-se à grande maioria dos outros empregados. Não ao nível do "Minha linda" – especialmente os homens – mas sempre sorridentes e muitíssimo rápidos. E isso é uma verdadeira raridade em cervejarias famosas, como é o caso do Filho do Menino Júlio.

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A ementa

Ponto prévio: gosta de caracóis? Se não gosta, pode dar meia volta e correr para os braços do blog da Teresa Guilherme. Se gosta, o melhor é ficar. E então se procurar um sítio para petiscar uns caracóis enquanto vê o futebol (agora, em época de Euro, vale sempre a pena...), este é o sítio ideal: tem televisões gigantes espalhadas por todo o lado e uns caracóis quase todos fora da casca e servidos com um magnífico molho salpicado com enormes nacos de cebola e de alho cozinhados, tenrinhos e deliciosos.

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Aquele sabor meio amargo que se encontra, de vez em quando, num ou noutro caracol é raríssimo aqui e o molho é digno de várias ensopadelas de pão torrado (€2,25) que não pode deixar de pedir a acompanhar. Ponto negativo: cada dose de caracóis – que não é propriamente generosa – custa uns pesados €5. E uma família viciada como a nossa pede facilmente quatro doses para seis pessoas. Se a isto juntar o pão, a manteiga (€0,70), um queijinho seco razoável (€3,30) e as magníficas e geladíssimas imperiais (€1,20), rapidamente transforma um simples petisco num verdadeiro investimento financeiro.

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Nós pedimos ainda umas caracoletas assadas (€12 a dose), que vinham servidas com manteiga derretida e que não estavam nada más e meia dose de pica-pau de vaca (€11) que foi a grande desilusão da noite: além de a carne vir bem passada, estava seca e ligeiramente farinhenta, e também com pickles a mais para o meu gosto. As batatas fritas que pedimos a acompanhar (€4) também não eram nada de especial: grossas e moles.

Por isso, não se esqueça do ponto prévio: gosta de caracóis? 

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O ambiente

É o único restaurante que conheço que tem uma caixa multibanco no interior. Até se podia justificar se o Filho do Menino Júlio não aceitasse pagamento com cartões. Mas aceita. E a caixa tem uso. É claro que as duas salas gigantescas (uma para fumadores, outra para não fumadores) ajudam a dar clientela ao multibanco, mas convenhamos que não é comum. 

Além disso, o espaço é animado e agitado, com barulho, empregados a correrem de um lado para o outro, televisões ligadas... mas, às 22h30, pára tudo e ouve-se uma voz pelo intercomunicador, como se fosse a menina do supermercado a chamar a colega à caixa três: toca o gongo duas vezes e uma senhora anuncia, através do microfone, que a cozinha vai fechar – é a última oportunidade de fazer o seu pedido.

A decoração tem ainda fotografias gigantescas nas paredes e quadros como este na casa-de-banho dos homens...

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As crianças

Não tem menu infantil, mas há pregos e hambúrgueres. No entanto, se o seu filho não gostar de caracóis, o melhor é deixá-lo sossegado em casa. O Filho do Menino Júlio é mesmo para quem gosta de caracóis.

 

O bom 

A simpatia do serviço

O mau

As filas de espera

O óptimo

Os caracóis servidos com nacos suculentos de alho

 

Uma óptima caracolada para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: casal mistério; o filho do menino júlio dos caracóis

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.

 

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