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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

onde ir jantar hoje enquanto vê o festival da luz em cascais? à confraria, pois então

Faz parte dos meus sonhos mais picantes. E, não, ainda não transformámos o Casal Mistério numa versão online do Cinema Erótico da CMTV. Estou a falar de comida – exótica, surpreendente, deliciosa e, de vez em quando, também picante.

A Confraria é um dos meus restaurantes japoneses preferidos. Em primeiro lugar, pela frescura do animal (neste caso, o peixe). Depois pela decoração do espaço. E, finalmente, pela simpatia das empregadas (daqui a nada já explico porque é que uso o feminino). Tudo isto junto faz da Confraria um dos poucos restaurantes que me dá, às vezes, um daqueles ataques de desejo típicos da gravidez. Podem chamar-me Félix, Bicha Má para o resto da vida. Mas se for esse o preço a pagar para comer na Confraria quando de repente me apetece, estou disposto a pagá-lo.

Há Confraria em Lisboa (no Lx Boutique Hotel) e há Confraria no Mercado da Ribeira, mas a original é a Confraria de Cascais. Ainda por cima com o Lumina-Festival da Luz a decorrer na vila, não há qualquer dúvida. Corra já para o telefone e marque uma mesa na esplanada do restaurante. Se hoje já não houver lugares lá fora, marque para amanhã ou para domingo. Vai ver que vale a pena esperar pela esplanada. 

 

O ambiente 

Situada numa moradia típica, na zona velha de Cascais, a Confraria vai ficar mesmo no centro do percurso para o espectáculo de luz. Além disso, a esplanada é pequenina, charmosa, acolhedora e está toda decorada com mesas e cadeiras de madeira. Por cima, o que lhe faz sombra são umas simpáticas trepadeiras verdes e lilases. Aqui os clientes sentam-se como se estivessem sentados no terraço de sua casa. Se, por um qualquer golpe de azar, por acaso chover no meio deste Verão de sol radioso que temos tido, não ficará nada a perder com o interior do restaurante. Decorado com cores vivas, cadeiras coloridas, quadros enormes e um grande lustre alegre no tecto, é um restaurante onde entramos já com a dentadura a reluzir no meio de um sorriso rasgado. Aqui apetece estar, há simpatia e um óptimo ambiente.

O serviço 

E é isso que nos leva às empregadas. Não sei o que é que se passou no processo de selecção, mas a Confraria é o maior contributo nacional para a Lei da Paridade. As empregadas são todas mulheres, todas jovens, todas alegres e todas simpáticas. É a versão Mickey Mouse do Movimento Nacional Feminino – só mulheres, sempre com um sorriso na cara.

Apesar de terem mantido a simpatia como se de uma religião se tratasse, nos últimos tempos a Confraria perdeu outra das características mais importantes: a rapidez. Desde que abriu o restaurante Gulli, na baía, e em Lisboa as outras duas Confrarias, o espaço de Cascais tornou-se um pouco mais caótico. Da última vez que lá fomos, esperámos meia hora para que nos trouxessem as cenouras geladas (o couvert daqui) e mais um bom bocado pelos pratos de sushi. Resultado: comemos os pratos quentes antes dos frios, o que não é exactamente aquilo com que eu sonhava durante os meus ataques de desejo estilo Félix, Bicha Má.

A ementa 

O couvert

Vou começar pelas cenouras. Vêm dentro de um copo cheio de gelo picado e ao lado de uma deliciosa maionese. E são uma óptima maneira de começar uma refeição: são frescas, leves, saudáveis e entretêm. É quase viciante ir trincando as cenouras cruas enquanto conversa à espera da comida.

 

As entradas

Para nós há uma obrigação: começar a refeição com um carpaccio de salmão (€6,10). Cortado em fatias finíssimas e servido também em cima de um prato com gelo picado, o peixe é fresquíssimo. Depois vale a pena experimentar o delicioso tataki de atum (€7,20). O problema é que da última vez que lá fomos, as entradas transformaram-se em saídas. Tanto o carpaccio como o tataki chegaram à mesa 48 minutos depois de nos termos sentado, o que deu duas conversas com a empregada a perguntar o que se passava e 23 sorrisos de resposta. É claro que perante tanta simpatia, uma pessoa não pode fazer nada, senão encostar-se na cadeira e comer. 

O sushi

Aqui o sushi é criativo. À volta da base japonesa, inventa-se. E felizmente inventa-se muito bem. O que nos chegou primeiro à mesa foi um prato quente. Chama-se lx roll (€10,90) e é uma deliciosa combinação de camarão, salmão e queijo creme enrolados numa massa fininha frita até ficar altamente estaladiça. A seguir veio o niguiri skin (€8,70) – a pele do salmão grelhada, com lima, cebolinho, maionese e molho taré. E depois o hossomaki de camarão (€13): camarão frito com molho tonkatsu e enrolado numa finíssima alga de soja – maravilhosa!

Finalmente estacionaram na mesa os frios: a ceviche jô (arroz enrolado em salmão, com fatias de peixe branco marinado com especiarias; €9,80) e o ebi shake (rolo de arroz com camarão, ovas e queijo creme; €13,20). Desta vez ficámos por aqui. Mas podíamos ter continuado até enchermos ao ponto de começar a levitar como um balão.

O segredo aqui é ir directo à coluna dos originais. É aqui que estão as mais deliciosas criações desse maravilhoso cruzamento da gastronomia mundial nascido depois da onda de emigração de japoneses para o Brasil: os chefs de olhos em bico com sotaque carioca.

 

As bebidas

Para os adultos há caipirinhas de lima, morango ou kiwi (€5,80). Para as crianças, há óptimos sumos naturais, de manga, de morango ou de abacaxi (€4,10). Tudo é fresco e óptimo. O único problema é o que está dentro desses discretos parêntesis a seguir a esse malfadado símbolo de euro. Quando pega na conta para pagar, dificilmente fica abaixo dos 35 euros por pessoa.

As crianças

Não há menu infantil, por isso se o seu filho não gostar de sushi, está tramado. De resto, o restaurante é descontraído e óptimo para miúdos. Quando o nosso mini-misterioso mais novo ainda se estava a convencer de que um ser humano podia comer peixe cru sem ser considerado um canibal dos mares, nós davamos-lhe hot philadelphia e temakis que basicamente estão para o sushi como as pipocas estão para a comida normal – toda a gente gosta. 

 

O bom 

O espaço, a decoração e a esplanada

O mau 

A demora

O óptimo 

O sushi

 

Um abraço para os confrades do sushi onde quer que eles estejam,

Ele 

 

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