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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

os restaurantes preferidos de juan carlos em portugal

Um homem acorda e depara com uma notícia destas, assim vinda do nada: Juan Carlos abdica do trono em Espanha. Acabou o melodrama no PS. Acabou o psicodrama no Tribunal Constitucional. O País já tem tema para os próximos dias. Perante isto, resta-nos fazer o nosso trabalho. E esse é responder à pergunta essencial para compreender todo o debate da sucessão na Casa Real Espanhola. Já adivinhou? Exactamente: quais são os restaurantes preferidos de Juan Carlos em Portugal? Nós sabíamos que vocês sabiam que nós sabíamos quais eram. Por isso aqui ficam as mesas e os petiscos do Rei de Espanha enquanto viveu no Estoril, com a ajuda do livro Um Rei no Estoril, de José António Gurriaran. Depois de ler isto, finalmente, sim, está preparado para seguir o tema da sucessão em Espanha. 

O Pescador

Era neste restaurante do centro de Cascais, junto à lota do peixe, que Juan Carlos costumava encontrar-se com os grandes amigos: Babá Espírito Santo, Bernardo Arnoso (Maná) e Jorge Arnoso. Todos o tratavam por Juanito. Mais tarde juntou-se ao grupo Francisco Pinto Balsemão, a quem o Rei costumava chamar Chiquinho ou Paquito. Antigo bar de pescadores, onde o dono (também ele um antigo pescador) costumava atender o clientes descalço, o restaurante foi o escolhido por Juan Carlos para jantar com a futura Rainha Sofia na véspera do casamento da sua irmã, a infanta Margarida, com Carlos Zurita.

Juan Carlos tornou-se amigo do dono do restaurante, Ramiro, a quem trata por tu. O que o Rei de Espanha mais gosta de comer neste restaurante são os lagostins, o linguado de Cascais, os pastéis de bacalhau e os chocos fritos. A mãe de Juan Carlos, D. Maria de Borbón, era fã do linguado grelhado e o seu pai, D. Juan, tinha como prato preferido a dourada no forno com batatinhas. Cada vez que entrava no restaurante, a primeira coisa que o conde de Barcelona perguntava era:

- Ramiro, tens Barca Velha?

Acompanhava todas as refeições com vinho tinto, um hábito herdado pelo filho que também não gosta de beber vinho branco.


Estalagem do Muchaxo

Era um dos locais mais românticos de Cascais na época em que os Condes de Barcelona viviam no País. Mesmo em frente à, na época deserta praia do Guincho, o Muchaxo era uma pequena barraca onde se chegava normalmente num coche puxado por cavalos. Juan Carlos costumava vir passear para aqui com Maria Gabriela, uma das filhas do Rei de Itália, mais conhecida por (pequena homenagem à minha querida Mulher Mistério...) Ela, entre os amigos mais chegados. O Rei de Espanha começou a frequentar o espaço quando este ainda se chamava apenas A Barraca e era uma simples tasca de marisco fresco apanhado na praia. Ia lá muitas vezes com a família para comer bruxas (também conhecidas como santiaguinhos e um dos pratos preferidos da sua mãe) e amêijoas à espanhola.

O dono do restaurante é Tony Muchaxo, que atendeu o Rei de Espanha várias vezes, e que, mesmo depois de a família se ter mudado novamente para Espanha, enviava bruxas para a mãe de Juan Carlos. Uma vez Tony esteve em Madrid e resolveu ir visitar Juan Carlos ao Palácio da Zarzuela. É claro que foi parado no primeiro controlo de segurança antes de chegar à residência dos Reis de Espanha. Disseram-lhe que, para passar, precisava de uma autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Tony voltou para trás e um tempo depois comentou o caso com a infanta Margarida. A irmã do Rei deu-lhe o telefone particular de Juan Carlos e disse-lhe: 

- Toma o telefone directo do meu irmão, Tony. Telefona-lhe e verás como te recebe logo.

Tony não ligou. 

English Bar 

Foi aqui que Mário Soares e o conde de Barcelona jantaram em 1974, logo a seguir ao 25 de Abril. O pai de Juan Carlos estava com medo das consequências da revolução em Portugal. Nessa altura, havia instabilidade política e a própria embaixada de Espanha em Lisboa já tinha sido assaltada e incendiada. As famílias com quem se davam os condes em Cascais e no Estoril, os Espírito Santo e os Champalimaud, aconselharam-nos a ir para o Canadá. D. Juan não queria. Adorava Portugal e preferia continuar cá.

Raul Morodo, que mais tarde veio a ser embaixador de Espanha em Portugal, organizou um jantar entre D. Juan e Mário Soares, então ministro dos Negócios Estrangeiros. Soares pediu ao conde de Barcelona para não deixar o País – dava má imagem para o exterior. E ofereceu-se para lhe colocar um polícia à porta da Vila Giralda, privilégio de que a família real espanhola nunca tinha beneficiado. 

Depois desse jantar, D. Juan de Borbón decidiu ficar.

Hotel Palácio

Foi aqui que a infanta Pilar celebrou os seus 18 anos, numa enorme festa no jardim do hotel, e era aqui que os pais de Juan Carlos iam para dançar ou para tomar um cocktail de fim de tarde no bar. D. Juan de Borbón bebia sempre um Dry Martini e D. Maria um Old Fashion. Quando o Conde de Barcelona chegava, os empregados pediam sempre "Um Dry Martini tamanho de rei", porque, em vez de uma dose de gin, levava duas. De vez em quando, o pai de Juan Carlos pedia um whisky – e também era duplo.

As doses duplas começaram numa tarde em que a mãe do Rei de Espanha estava com a mulher de Santiago Muguiro, ex-secretário da embaixada de Espanha. D. Maria provou o seu cocktail e reclamou a um empregado do Hotel Palácio:

- Está muito fraco.

O barman comentou o episódio com o próprio Muguiro, que lhe recomendou: 

- Quando preparares cocktails para os senhores, serve sempre duplo.

Juan Carlos e o irmão não costumavam beber bebidas alcoólicas. Normalmente pediam água ou sumos.

Santini

Era em casa de Atilio Santini que o Rei Juan Carlos trocava muitas vezes de roupa quando saía da praia e era na sua geladaria que comia os seus gelados preferidos. Atilio tratava o Rei por Juanito e Juan Carlos ficava muitas vezes à conversa com o fundador do Santini. Foi Atilio quem forneceu os gelados para o casamento da infanta Pilar, em 1967.

 

Um abraço para o rei onde quer que ele esteja,

Ele

 

 

 

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