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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

osteria: um restaurante barato, alegre e surpreendente para este fim-de-semana

Esqueça tudo o que sabe sobre restaurantes italianos e, especialmente, esqueça tudo o que já ouviu falar sobre lasanhas. Isto é completamente diferente. Os nomes e as noções podem ser as mesmas, mas o que vai sentir quando se sentar na Osteria (que abriu no ano passado na Madragoa, em Lisboa) é uma verdadeira revolução cultural, financeira e gastronómica.

 


O ambiente 

Primeiro, a revolução cultural.

Quando aqui nos sentámos com a nossa equipa de futsal para um jantar numeroso, eu vinha com o cepticismo habitual da minha provecta idade.

Madragoa.

Difícil arrumar o carro.

Restaurante pequeno.

Mais um italiano.

Sala a cheirar a Spaghetti à Bolonhesa. 

Massas carregadas de natas.

Como diz o Anselmo Ralph, "Mas o que é que tu estás a fazer?!"

E antes de poder responder "Estou a arrumar as minhas coisas, vou-me embora, pá!", percebi que, mais uma vez, o meu cepticismo rabujento ombreava insistentemente com a minha ignorância profunda. De facto, não é fácil arrumar o carro; de facto, o restaurante é pequeno; mas a Osteria está longe de ser mais um restaurante italiano – a Osteria é o restaurante italiano (e a sala não cheira a Spaghetti à Bolonhesa...).

Decorado com uma encantadora mistura de antigos cartazes italianos, pratos de esmalte floridos, guardanapos de xadrez e mesas de cozinha iguaizinhas às que existiam em casa da minha avó, o restaurante reproduz o típico ambiente de uma tasca com óptima comida caseira: alegria, barulho, agitação, simpatia, mas, acima de tudo, é um sítio onde apetece estar. Um sítio onde um velho resingão entra céptico e sai feliz. Com este espaço, a Osteria consegue teletransportar-nos para outro tempo e outra cultura.

Um único defeito: a decoração típica e charmosa implica algum desconforto. Afinal, não sei se ainda se lembra, mas as cadeiras e, especialmente, os bancos da cozinha da sua avô não eram os assentos mais confortáveis do Mundo.

A ementa 

Agora a revolução gastronómica.

Aqui a lasanha não tem natas, não tem carne, não tem molho branco e nem sequer tem massa. É como a anedota do sem mãos, sem pés, sem dentes – só que com um final feliz. É outra coisa completamente diferente de tudo o que já experimentou. E é deliciosa. Mas, então, o que é essa lasanha? É uma revolução, um golpe de Estado, uma anexação impiedosa dos conceitos universalmente aceites na cozinha tradicional. 

Primeiro, a massa – a tal que não existe. Na Osteria, a lasanha (€9,90) é feita com um maravilhoso e hiperestaladiço pão italiano originário da Sardenha. Chama-se pão carasau e é um pequeno tesouro gastronómico. É este pão finíssimo que vai separar as diferentes camadas da lasanha. Depois lá dentro vai apenas uma mistura de tomate fresco, fatias de courgette e queijo ricotta.

Meus amigos, vale a pena darem quatro voltas a Portugal a pé, dormirem ao relento ou passarem uma noite inteira a ouvirem o Manuel Serrão e o Eduardo Barroso a discutirem futebol só para experimentarem isto. Qualquer sacrifício vale para poder provar esta lasanha.


O couvert

O jantar começa com uns pequenos quadrados de uma macia e saborosa focaccia (€1,50) e uns pratos de azeite italiano (€1,00).

Os pratos

Pedimos vários pratos principais e dividimo-los por todos. Além dessa preciosidade que é a lasanha, veio uma óptima salada de rúcula com burrata e tomate seco (€3,50). É fantástica, baratíssima mas não é tão surpreendente como o prato seguinte que pedimos. Trata-se de mais uma revolução: uma massa fresca com um extraordinário pesto de beterraba e um pouco de parmesão ralado (€7,90). Veio ainda um muito bom risotto de camarão com um caldo de gambas caseiro (€10,00). E, para acabar, um frango de escabeche panado (€9,90) e um gnocchi de batata com molho de tomate e queijo (€10,90) que estavam simplesmente bons – e isso aqui está abaixo do nível habitual.

As sobremesas

Mais uma vez, dividimos. E, mais uma vez, exultámos. O bolo de chocolate era simplesmente delicioso e a tarte de mascarpone fantástica.

As bebidas

Um dos encantos da Osteria é a militância com que encara o facto de ser um restaurante italiano. Os produtos (como, por exemplo o pão carasau) são italianos, os vinhos são italianos, a água servida é italiana e até as chávenas de café vieram de Itália. Este é um restaurante apaixonado por Itália – e isso sente-se em todos os detalhes...

O serviço 

...especialmente nos empregados. Além de servirem com competência e dedicação, são apaixonados a descrever cada prato. Sabem perfeitamente do que estão a falar e conhecem todos os detalhes, tanto dos produtos como da preparação. E essa paixão é contagiante. Quando nos levantámos da mesa, a nossa equipa de futsal que faz o favor de trazer Mistério nos apelidos só pensava quando é que voltaria à Osteria. E será mais rapidamente do que podem imaginar – por causa da comida, por causa do serviço, por causa do ambiente, mas também por causa da revolução financeira, que nos faltava referir. Como pode ter visto pelos números entre parêntesis acima neste texto, este é um restaurante quase low cost. Depois de tudo o que comemos e de uma garrafa de vinho que bebemos, pagámos menos de 20 euros por pessoa. 

As crianças 

Não tem menu infantil, mas também não precisa: tanto a comida como o ambiente é ideal para os miúdos. É aproveitar o fim-de-semana e ir ouvir um fado em família a Alfama e comer uma lasanha à Madragoa. É que, além disto tudo, o restaurante só fecha à uma e meia da manhã.

O bom 

A decoração

O mau 

O desconforto dos bancos

O óptimo 

A comida, em especial a lasanha de pão carasau

 

Um abraço para a Madragoa onde quer que ela esteja,

Ele

 

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