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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

passámos uma tarde nas novíssimas e tão elogiadas praias fluviais do alqueva e...

…não sei se está preparado para ler este meu relato. Que tarde, minha Nossa Senhora! Quis o destino que fôssemos passar um fim de semana ao Alqueva em julho, poucos dias depois de terem sido inauguradas as praias fluviais de Monsaraz e de Mourão. Como somos fãs da região, aliás já fizemos aqui um roteiro sobre os nossos sítios preferidos no Alqueva, quisemos ir ver in loco as novas cabeças de cartaz do maior lago artificial português, tão elogiadas pelos meios de comunicação social. Ainda por cima estavam cerca de 40º C à sombra, por isso tudo o que nos apetecia era refrescar estes corpinhos atléticos, sobretudo depois de ter visto imagens como estas nas notícias.

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Começámos pela praia de Mourão que se situa a cerca de 1 km da vila com o mesmo nome. Ainda demos duas voltas ao parque de estacionamento desesperadamente à procura de uma sombra, mas em vão. Resignámo-nos com a ideia de voltarmos para um carro que estaria provavelmente com 52º C no seu interior. Passámos por um parque de merendas, com muito pó, salpicado por mesas e bancos de madeira, algumas zonas de sombra e churrasqueiras, além de uma roulotte com cachorros quentes.

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O acesso à praia faz-se através de um passadiço de madeira e, ao princípio, até que achei que a experiência ia correr bem. Trezentos e vinte metros de areal dos quais 100 metros vigiados – é a maior praia certificada do lago do Alqueva. Tem um relvado, 45 chapéus de sol e uma piscina flutuante. E foi precisamente isso que vislumbrei ao longe: água tranquila, uma zona verde, chapéus de sol de palhinha acabadinhos de estrear, areia… enfim, entrei decidida e feliz da vida e fui direta à equipa de nadadores-salvadores para saber o preço de um toldo. 

Responderam-me os dois em uníssono com visível orgulho:

– São de graça!

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Muito obrigada. Que maravilha! Lá saltámos todos para dentro de água e os nossos queridos Filhos Mistério saíram mais depressa do que entraram à procura de havaianas.

– Mãe, não se vê o fundo!

– Mãe, isto é lodo!

– Mãe, há bichos?

– Mãe…

(4 emojis com os olhos revirados)

– Claro que é lodo, isto é uma praia fluvial! Não é mar, não tem areia fininha como a do Algarve. O que é que esperavam, seus ignorantes? 

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Quando voltámos para o toldo, os nossos vizinhos do lado tinham conseguido a proeza de cercar o estilizado e novíssimo toldo de palhinha não com um, nem com dois, nem com três mas sim com quatro chapéus de sol. Criaram uma espécie de bunker em redor das inúmeras mesas, cadeiras e lancheiras XL cuja fronteira passou claramente os níveis mínimos do bom senso.

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A nossa filha adolescente estendeu a toalha e, quando se atirou para cima dela, deu um salto porque estava convencida de que era igual à areia da praia. Além do areal ser duro porque, no fundo, é constituído por micropedrinhas, a toalha ficou cinzenta. Eu lá insisti que é importante experimentarmos coisas novas, mas sem grande apoio.

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Rodeados por famílias compostas, no mínimo, por quatro gerações e por espanhóis estridentes, desistimos e rumámos para a praia de Monsaraz que o otimista do meu querido Marido Mistério vaticinou como sendo “muito melhor e muito mais calma!” Erro crasso! Não só era muito pior como é muito mais caótica.

A praia fluvial de Monsaraz fica situada no Centro Náutico, a cerca de 4 km da deslumbrante vila medieval. Tem bandeira azul e nadador salvador. Tem ainda mais gente do que o metro à hora de ponta, sendo que aqui os "utentes" estão de fato de banho, a suar muito, e com um perímetro abdominal que faz séria concorrência ao Fernando Mendes depois de ter comido duas feijoadas de rajada. Para ter uma ideia, eu – a mulher em permanente e pouco eficaz dieta – era provavelmente uma das pessoas mais magras daquela praia (o único fator positivo que ainda hoje me faz ponderar um regresso a este autêntico cenário de guerra).

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O areal pareceu-me bem mais pequeno do que o de Mourão e, quando lá chegámos, não conseguimos nem pôr um pé na grossa areia muito menos estender uma toalha. Confesso que, mal vimos a multidão ao sol com Matias Damásio a sair de uns gigantescos altifalantes ao lado de uns contentores onde se localizam as casas de banho, desviámos rapidamente para o restaurante para tentar comer uma salada. Missão cumprida com alguma paciência mas com um cheiro nauseabundo a invadir a esplanada. Não me perguntem de onde vinha o cheiro, não faço ideia. Mas a verdade é que cheirava a esgoto. Intensamente.

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Ainda tentei convencer as crianças a irem até à piscina flutuante, mas olharam para mim com um ar aterrado:

– E onde é que cabemos?

Em desespero, procurei incentivá-los a ir espreitar o parque infantil ou a zona de piqueniques mas fui fuzilada pelo meu querido Marido Mistério que já só queria fugir dali.

Última tentativa:

– Mas também há atividades náuticas, como ski, wakeboard, paddle, bóia de tração, canoagem, gaivotas…

– Mãe, já só queremos ir para casa.

É o que dá termos filhos. Crescem e começam a ter opinião.

 

Uma boa praia para si onde quer que ela esteja,

Ela

 

fotos: câmara municipal de reguengos de monsaraz, josé calixto, d.r.

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