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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

passei três dias a fazer a dieta do momento: o jejum intermitente... e não é que emagreci?

Vingança divina, só pode ter sido. Não bastasse ter de ir às Finanças, antes das férias, tratar de assuntos muito maçadores, fiquei na fila ao lado de um “avaliador de condição corporal” em plena missão “evangelizadora”. Com um físico digno de um ringue de wrestling, bastaram-lhe dois segundos para ter percebido que não, não faço ginástica! (corro de um lado para o outro, não chega?) e que estou de dieta (sou capaz de ter comentado alto o quanto me apetecia um croissant de chocolate quando tirei, com um ar tristíssimo, uma maçã da carteira). Foi o gatilho para uma conversa bizarra em que me sugeriu (com bastante autoridade, diga-se!), que experimentasse o jejum intermitente. Jejum intermitente? Agoro como, agora não como, agora já como e depois não como??? Imaginei um sinal de jejum a piscar, pareceu-me uma coisa estranha e a abordagem do especialista entroncado, bem... mais estranha ainda.

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- A que horas comeu pela primeira vez hoje?

- Às sete…

- E a que horas vai jantar?

- Às oito, oito e meia, nove? Respondi já a medo…

- Ah pois… Come durante demasiadas horas, tem consciência? São mais de 13 horas sempre a meter comida no seu organismo. Está sempre a comer…

- Sim, bem… (meta-se na sua vida!) mas tento fazer uma alimentação equilibrada…

Indiferente, continuou…

- Devia comer durante um intervalo de tempo de oito horas. Nunca mais. Se quer começar a comer às sete, não pode comer mais a partir das 15h, até ao dia seguinte.

- Deixar de comer às três?!!! E o lanche? E o jantar?... Não consigo, impossível... e gosto muito de jantar com a família!

Não vos parece um bom argumento? Olhem a resposta pronta:

- Então tem de começar a comer mais tarde, é óbvio! Eu, por exemplo, só começo a comer às três da tarde porque gosto de comer de noite. Como até às onze. E como vê estou aqui perfeitamente bem. Sabe que isto de almoçar, jantar, de x em x horas, são hábitos que nos foram impingidos pela publicidade porque a indústria alimentar move milhões… 

Seguiu-se uma grande explicação sobre os benefícios do jejum intermitente que se cruzou com a dieta do paleolítico, altura em que não havia supermercados, não se passava o dia a comer e as caçadas levavam o seu tempo. Naquela manhã, nas Finanças, confesso, foi too much

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Até que, de repente, de todo o lado, parece que só me sai informação sobre o jejum intermitente como a mais popular tendência na saúde e uma das dietas do momento. Promove perda de peso, melhora o metabolismo, reforça o sistema imunitário protegendo o organismo, melhora os níveis de colesterol e a resistência à insulina, protege contra a doença de Alzheimer, previne o cancro... Em resumo, dá-nos mais anos de vida. Supostamente tantas horas a comer potenciam  estados inflamatórios no nosso corpo enquanto que os períodos de jejum alargados vão permitir ao corpo descansar, gerir as reservas, eliminar toxinas e fazer tudo funcionar como deve ser. É uma dieta que não nos diz o que comer mas raciona o tempo em que podemos comer. Há vários métodos, mas o “16/8” (jejuar durante 16 horas e comer durante 8 que o personal trainer das Finanças me ditou) parece ser o mais popular. Há quem cumpra a dieta escrupulosamente, há quem a reserve para uns dias de limpeza por semana, por mês ou uma altura específica do ano. Falei também, claro, com a minha amiga nutricionista, que me deu o aval para fazer a experiência. Assim fiz, durante 3 dias: sexta, sábado e domingo. O wrestler bem me avisou que podia ser difícil ao início.

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6ª feira – 1º dia de jejum intermitente

A guardar-me para o jantar, decidi que só começava a comer por volta das 2 da tarde. Erro crasso. Pensei que de manhã não precisava assim tanto de energia e… enganei-me. Não tomar o pequeno almoço às 8 foi fácil, na parte do jejum podemos beber café (sem açúcar), chá e água. Foi o que fiz mas às 11 da manhã comecei a ouvir roncos estranhos vindos do meu estômago. Às 11:30 estava com um humor péssimo capaz de matar qualquer pessoa por causa do toque de um telemóvel e a partir do meio-dia começou uma dor de cabeça lancinante. Às 13:30 comi a bela salada com frango, grão e tomate que tinha preparado e duas aspirinas, uma de entrada, outra de sobremesa. Começou o dia, pensei, mas não. A dor de cabeça nunca mais passou, a má disposição também não e ao jantar estava com um humor de cão.

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Sábado – 2º dia de jejum intermitente

Decidi que começava a comer mal acordasse e só a partir daí contaria as 8 horas. Afinal de contas, o jejum da noite é para ser quebrado depois do período de sono, ao levantar de manhã, daí o nome breakfast (fast = jejum, break = quebra). Fiz refeições equilibradas ao longo do dia, com normalidade, e reforcei bastante o jantar às 19:30 (cedíssimo para a Família Mistério). Em meia hora até a minha cortina de tempo acabar comi… um boi. Nessa noite de filmes no sofá, roí unhas e bebi tanto chá que passei o tempo todo a parar o filme para ir à casa de banho. Desisti. Fui para a cama, esganada de fome, e dei muitas voltas até adormecer a morder o lençol.

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Domingo – 3º dia de jejum intermitente

Acordei às 10:30 (porquê tão cedo?!!!) com instintos de caça, deve ser o tal cruzamento com a dieta do Paleolítico! Acordei mais esganada do que adormeci e ataquei o frigorífico e a despensa com um archote na mão e uma faca entre os dentes. Pedi ao meu querido Marido Mistério para fazer um brunch ajantarado com ovos, frutas e carnes frias para tentar deixar o pão para o resto da prole. Pensar que só tinha até às 18:30 para comer fez-me aproveitar bem todas as restantes refeições mas tive de saltar o jantar porque a Família Mistério se recusou a ir mais cedo para casa para "jantar ao lanche". Portanto lanchei, e bem, e confesso-vos que, por volta das nove, recolhi à caverna e acabei por adormecer, sem voltas. 

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2ª feira

Decidi interromper o jejum intermitente. Razões principais: não estou preparada e a minha Família Mistério menos ainda. Não posso arrastar os miúdos, nem o meu querido Marido Mistério para a minha dieta e a limitada janela de horas implica grandes mudanças de hábitos e de gestão de horários cá em casa. Mas não posso deixar de notar que nem tudo foi mau. Há qualquer coisa que bate certo. Até aquele estranho acordar mais cedo enérgico no domingo teve qualquer coisa de natural e saudável. Mais positivo ainda, perdi 400 g! Não sei como, mas é verdade. Há semanas que fecho a boca com agrafos e mesmo assim a balança não desce um grama. Pois bem, segunda-feira de manhã tinha menos 400 g o que, em três dias, é, sem dúvida, pelo menos para mim, uma vitória. Bebi muitos liquídos no período em que não podia comer e a parte intestinal, talvez também por isso, funcionou particularmente bem. Não sei se foi por aí.  A minha resolução é adiar o jejum intermitente e guardá-lo para as próximas férias, altura em que acordo tarde, durmo mais e os miúdos não estão nem aí para mim! 

Agora, diga-me: já tinha ouvido falar neste método? Já experimentou?

 

Boa sorte para mim,

Ela

 

P.S. Não posso deixar de chamar a atenção para o facto de o Jejum Intermitente não ser uma solução milagrosa para toda a gente. Pessoas com baixo peso ou historial de distúrbios alimentares não devem seguir este regime, bem como grávidas e mães a amamentar.  Por via das dúvidas, consulte sempre um médico.

 

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