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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

quer uma sugestão de almoço para o fim-de-semana? os óptimos salmonetes grelhados da tasca da boa viagem

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Depois de, já há alguns anos, ter mergulhado nesta andropausa desportiva, vou à Ericeira apenas com uma envergonhada missão: comer um bom peixe fresco de mar sem sentir o dono do restaurante a desviar uma parcela do meu modesto ordenado por cada escama que me serve no prato. Tempos houve em que ia para a Ericeira passear a minha prancha de surf com uma orgulhosa popa do cabelo cheia de si – e cheia de wax também. Mas esses eram tempos em que cada onda que me enrolava correspondia a mais uma jovem que me era apresentada. Hoje, reconheço que tenho outros objectivos. E o peixe fresco e saboroso apanhado à solta no mar é um dos principais.

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Não estou a dizer que na Ericeira se coma o peixe mais fresco e saboroso do Mundo. Estou simplesmente a afirmar que aqui se come um peixe fresco, saboroso e selvagem que não é vendido ao preço do esturjão. E isso começa a ser cada vez mais raro. Do Guincho à Comporta, passando pelo Chiado ou por Albufeira, há óptimo peixe à sua espera. Mas dificilmente consegue um salmonete tão fresco como este por €13,20.

Mas, como dizia o grande Odorico Paraguaçu no Bem Amado, "deixando de lado os entretantos e indo directo para os finalmentes", o melhor é passar já para...

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... A ementa 

Aqui estamos num restaurante de surfistas. Há empregados de gorro na cabeça, clientes de wax no cabelo (parece que não era só no meu tempo que se usava) e um toque alternativo-saudável na ementa. Juntamente com o pão fresco e fofinho do couvert (meu Deus, o que é que se passa? Já é o terceiro "fofinho" das últimas 24 horas), chegaram umas óptimas azeitonas e um delicioso húmus para animar a festa.

 

As entradas 

Mas é claro que, para nós, festa animada tem de ser festa de arromba. Por isso, não satisfeitos com a magnífica surpresa do húmus (muito mais saudável e embasbacante do que a manteiga, não há dúvida) resolvemos pedir ainda um muito bom queijo de ovelha molíssimo e um ainda melhor presunto pata negra finíssimo.

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O peixe

E já que estamos na onda dos superlativos, o melhor é passar já para o peixe – fresquíssimo, suculentíssimo e muitíssimo bem grelhado! Ela é uma salmonetófila incorrigível: encontrar um salmonete num prato é para Ela tão irresistível como será para o Manuel Luís Goucha descobrir um camião TIR apinhado de fatos amarelos fluorescentes às riscas. Eu sou mais comedido – menos em relação aos salmonetes do que aos fatos fluorescentes às riscas. Salmonetes como com prazer, especialmente se estiverem tão frescos como os da Tasca da Boa Viagem

Como já estávamos ligeiramente alimentados com o couvert, o queijo e o presunto, pedimos os salmonetes só com legumes grelhados. Veio uma boa mistura de brócolos, couve flor, couve coração e feijão verde ainda ligeiramente tostada da grelha.  

Se não gostar de peixe, também pode optar por carne mirandesa e dos Açores – mas isso já não provámos. 

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As sobremesas

Para acabar, ainda pedimos uma divinal mousse irlandesa. É uma fantástica mousse de chocolate caseira com uma cobertura de natas misturada com café e whiskey.

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O ambiente 

Nos dias bons, tem uma óptima vista para o mar. A tasca fica na rua mesmo em frente à praia e só precisa de abrir a janela para ver o mar. Nos dias maus, tem uma decoração que mistura as paredes forradas de madeira com os azulejos portugueses e desenhos típicos de pesca. Alguns desenhos resultam bem...

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...outros nem tanto.

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É uma tasca típica, caseira e muito acolhedora. À noite, o ambiente é cosy, de dia tem o mar à sua frente. E isso basta.

 

O serviço 

Não sendo chato, é muitíssimo (mais um superlativo) simpático e altamente competente. Durante toda a noite, não nos faltou por um único segundo uma cerveja na mesa ou comida no prato. O couvert chegou logo que nos sentámos e, a partir daí, foi sempre a trazer comida. O empregado era muito simpático mas não cruzava aquela fronteira perigosa entre a simpatia e a confiança a mais. E isto num restaurante com um ambiente familiar. Perfeito. E é também por isso que já conto os dias para lá voltar para mais um salmonetíssimo muitíssimo grelhadíssimo. Porque este é um restaurante de superlativos.

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O bom 

O ambiente simpático

O mau 

Alguns detalhes da decoração

O óptimo 

O peixe fresquíssimo

 

Um bom fim-de-semana para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: tasca da boa viagem

 

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