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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

rio do prado: um hotel de charme escondido pela natureza

Ah e tal… turismo sustentável e ecológico. Sinceramente não tenho muita paciência para os verdes e os seus fundamentalismos. O que não significa que não tenha alguma consciência ecológica: separo o lixo em casa, poupo água e energia e vivo a reciclar papel. Mas quando escolho um hotel, não estou nem aí para a ecologia. Preocupa-me o ambiente sim, mas das salas, dos quartos, das casas de banho, dos jardins, da zona da piscina, etc. Gosto de hotéis cuja principal preocupação seja o conforto. Claro que a decoração importa. Claro que o luxo é simpático. Se for em comunhão com a paisagem, melhor ainda. Por isso quando entrei pela primeira vez no Rio do Prado, tenho de admitir que fiquei rendida. Conforto, bom gosto e luxo em simbiose perfeita com a Natureza.

Os anfitriões

Fomos recebidos por Marta Garcia, a proprietária. Sorridente, bem-disposta, faladora e sem cerimónia, é impossível ficar-lhe indiferente. Dois minutos de conversa e sentimo-nos imediatamente em casa, com aquela sensação de que nos conhecemos de toda uma vida. Mas passadas duas horas de convivência, já está a esticar a corda e a mandar-nos aquelas piadas que o ex-colega da escola nos manda quando nos revê 20 anos depois: “Estás um bocado despenteada hoje... Mais um copo? Hoje vai a garrafa toda, não?” E outras coisas do género. Já o marido, Telmo Faria, pareceu-nos mais discreto. Durante o dia, andava sempre de um lado para o outro, com cara de quem tinha milhares de coisas para tratar, e à noite, vestia o papel de mestre de cerimónias e dava-nos ótimas sugestões para o jantar.

O hotel

Olhei em volta. Estávamos no edifício principal que alberga a receção, uma biblioteca com uma espetacular lareira suspensa, e o restaurante Maria Batata. Decoração clean, minimalista e original, com pormenores em madeira deliciosos. O edifício tem a forma de uma meia-lua, com a sua fachada arredondada, em frente à qual se acende uma lareira exterior, à noite. Lá fora, uma apetecível piscina em ambiente zen e um imenso jardim com cinco lagos e quinze suites, todas independentes, todas originais. 

As suites 

A nossa, como dizia o outro, era “um luxo de imobiliário”: Ainda deslumbrados com o terraço e a lareira exterior, hesitámos entre entrar pela porta ou pela janela, tal o tamanho do vidro que vai do teto ao chão e ocupa toda a fachada do quarto. Optámos pela porta para não parecermos muito saloios e o deslumbre subiu de nível: um enorme open space com sala de estar, televisão e lareira suspensa, uma secretária, uma cama king size e uma banheira em pleno quarto. Primeira dúvida: atiro-me para cima da cama ou mergulho na banheira? Esta, sendo em cimento afagado, tem uma característica que a torna muito mais confortável do que as banheiras de cimento normais e que são muito giras mas muito quadradas e desconfortáveis: tem o fundo a acompanhar as formas do corpo que faz uma espécie de onda como algumas espreguiçadeiras de piscina.

O que mais me impressionou foram os detalhes da decoração. Pormenores surpreendentes, quase todos escolhidos e feitos à mão pelos proprietários, como os troncos de árvore que os próprios cortaram com um palmo de espessura, pintaram e penduraram no teto. Outro exemplo do talento e do bom gosto de Marta Garcia e Telmo Faria são os espelhos da casa de banho: pedaços de espelhos emoldurados por madeira tosca criam um efeito original no seu conjunto.

As únicas portas que existem (além da porta da rua, claro!) são as das zonas mais íntimas da casa de banho: só que são de vidro. Será este talvez o único inconveniente da decoração, para aqueles casais mais púdicos que não gostam de partilhar certos e determinados momentos com ninguém a não ser com um livro ou um Ipad. Por falar em Ipad, o Rio do Prado coloca um em cada quarto, onde o hóspede pode controlar em tempo real o seu consumo de eletricidade e água. (Escusado será dizer que nem o liguei!)

O restaurante

Com uma cozinha de mercado, preparada com produtos biológicos do pomar e da estufa orgânica, a ementa é variada e surpreendente. O ritual, esse, é sempre o mesmo: o jantar começa lá fora, à lareira, com um copo de vinho, pão com chouriço e torresmos acabados de fazer no forno a lenha. Continua, irrepreensível, numa das mesas da sala da lareira suspensa com vista para o jardim, e termina (se o tempo o permitir) lá fora outra vez, à fogueira. Um fim de noite de sonho em que a conversa só é interrompida por um gole ou outro de vinho e pelo coaxar das rãs que vivem nos lagos do jardim.

Efeito estufa

Quando explorar o jardim não deixe de espreitar a magnífica estufa, toda em madeira clara, decorada com ervas aromáticas nas mesas e nas paredes. Verá que terá um efeito em si: de repente vai sentir uma vontade súbita de se casar outra vez, fazer 40 anos ou inventar um qualquer pretexto para ali dar uma festa. Ideal para celebrações ou jantares especiais, o espaço promete momentos inesquecíveis. Os preços não são nada caros. Comparando com o Areias do Seixo, por exemplo, é muito mais barato e o restaurante é bem melhor.

PS – O hotel tem ainda spa, inúmeras atividades, workshops e afins. Obrigatório: o paddle na lagoa e uma visita a Óbidos. Se quiser saber mais, vá direto à fonte: www.riodoprado.pt

  

O Bom

A decoração, o restaurante, o jardim, a piscina, o serviço

O Mau

A intimidade excessiva da anfitriã

O Ótimo

As lareiras exteriores, o vinho e o pão com chouriço ao anoitecer, as suites

 

Um bom fim de semana para si,

Ela

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