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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

risotto com alheira e coração de alcachofra para combater este tempo horrível

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Na segunda-feira, cheguei a casa, abri o frigorífico e dei de caras com duas alheiras de caça. Duas alheiras de caça abraçadinhas? No meu frigorífico? Mas eu não comprei alheira de caça nenhuma... Resolvi perguntar a Ela se sabia, porventura, o que é que se tinha passado:

– Foste tu que compraste estas duas alheiras?

– Alheiras? Não sei o que é isso. Eu comprei dois chouriços para pôr no arroz de pato...

Este é o nível de iliteracia gastronómica com que tenho de lidar.

– Ela, não são chouriços, são alheiras.

– É a mesma coisa...

Não, não é a mesma coisa. É como o Egas e o Becas – parecem iguais, mas não têm nada a ver um com o outro. No entanto, nem tudo correu mal. Uma alheira ficou destinada ao arroz de pato – e o casamento de penalty entre os dois revelou-se uma pequena maravilha da humanidade. A outra guardei-a para fazer este risotto no dia seguinte.

Por acaso tinha sobrado uma alcachofra gigante que tinha trazido no fim-de-semana da praça, por isso resolvi arriscar e misturei estas duas preciosidades com que sonho todos os dias à noite (sim, eu sonho muito – e quase sempre com comida).

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Ingredientes 

  • 1 alheira de caça
  • 1 alcachofra
  • 2 copos de arroz para risotto
  • 1 cebola
  • 1 dente de alho
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 copo de Lambrusco rosé
  • Queijo da Ilha lascado

 

Quando se fala de risotto, muita gente pensa que é a coisa mais difícil do mundo. Olhe que não... Olhe que não... O mais importante é comer logo que acabar de o fazer. Se cumprir isso, está quase tudo feito.

Eu comecei por cortar o pé da alcachofra e colocá-la a cozer em água e sal. Quando espetei um garfo na parte de trás da alcachofra e percebi que estava mole (isto até parece mal), tirei-a da panela e guardei a água para o arroz, como um caldo de legumes. A seguir, tirei à mão as folhas da alcachofra e guardei-as para servir à parte; o coração – a parte do meio, que pode ser toda comida (ao contrário das folhas) – ficou para juntar ao risotto. 

Noutra panela, coloquei a cebola e o dente de alho picados com um pouco de azeite e refoguei em lume médio sem deixar dourar. Juntei a alheira sem pele, partida às fatias, e deixei cozinhar durante um ou dois minutos. Deitei o arroz lá para dentro e mexi mais um ou dois minutos. Depois, despejei o copo de Lambrusco e continuei a mexer. Só quando o vinho se evaporou totalmente é que acrescentei o caldo, até tapar o arroz, e o coração da alcachofra cortado aos bocadinhos. Fui mexendo frequentemente. À medida que o caldo se foi evaporando, fui tapando o arroz com mais caldo.

O risotto demora mais ou menos 20 minutos a cozer. Mas o ideal é ir provando a partir dos dez até ficar ao seu gosto (e assim sempre vai comendo qualquer coisa enquanto cozinha).

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Quando desliguei o lume, juntei a colher de sopa de manteiga e mexi. Depois polvilhei com o queijo da ilha ralado grosso ou lascado.

No prato, servi o risotto e ao lado coloquei as folhas de alcachofra. À medida que fomos comendo o risotto, fomos chupando as folhas. Que maravilha! E foi assim que acabou a minha deriva saudável.

 

Vivam as alheiras e os risottos, onde quer que eles estejam,

Ele

 

fotos: casal mistério (com a poderosa ajuda das duas crianças mistério mais velhas)

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