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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

roteiro para passar 3 dias inesquecíveis em madrid

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Adoro ir a Madrid. A cidade tem muita pinta, as lojas têm outro salero, respira-se cultura, anda-se imenso a pé, tem tudo. Menos uma coisa: mar. E isso para mim é fatal. Não sei se conseguiria viver na capital espanhola mas passava lá, se pudesse, pelo menos, um fim de semana por mês.

Além do óbvio roteiro cultural como os museus, os palácios e as exposições para explorar, o que mais gosto de Madrid é o contraste de tribos que se encontra, por exemplo, quando se vai do bairro da Chueca para o bairro de Salamanca. É mais ou menos como passar do Bairro Alto para a Avenida da Liberdade, só que em bom. Em muito melhor. Nós já lá estivemos várias vezes com e sem crianças e aqui ficam as nossas sugestões para 3 dias inesquecíveis em Madrid.

 

 

Dia 1 

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Nós começámos sempre os nossos dias em Madrid com um brunch ou não fôssemos uma família obcecada pelo conceito. No primeiro dia, fomos ao espetacular Federal, um café com linhas minimalistas e modernas, onde se cruza com turistas, estudantes de lap top em punho e habitués do bairro, e onde os ovos feitos de inúmeras maneiras são uma tentação, como os espetaculares ovos florentinos que o meu querido Marido Mistério devorou num ápice. Mas há de tudo: tostas, taças de cereais, bolos, tudo com ingredientes frescos, saudáveis e deliciosos.

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Depois vá a pé pela Gran Vía (só para apalpar terreno, não se desgrace já nas compras! Deixe para o fim do dia. Não vai querer conhecer Madrid carregado de sacos!) até ao nosso ponto de partida: a praça Puerta del Sol. Tire uma selfie à frente do Relógio da Casa de Correios onde, desde 1962, milhares de pessoas se juntam para ouvir as badaladas na passagem do ano. Também aqui se encontra o Quilómetro Zero, o ponto onde começam as estradas radiais espanholas. Turista que se preze não pode sair de Madrid sem tirar uma fotografia sobre este marco emblemático. Siga para a Plaza Mayor, são apenas 6 minutos a pé.

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Esta impressionante praça foi ao longo da sua história palco dos mais diversos acontecimentos, servindo não só como mercado da vila, mas também como recinto de touradas, autos de fé, coroações, casamentos, execuções públicas, enfim. Hoje vale a pena sentar-se numa das esplanadas, pedir uma caña e apreciar a beleza dos edifícios que a cercam. A 2 minutos a pé tem o espetacular Mercado San Miguel, onde apetece comer e comprar tudo. É uma tentação mas não deixe de provar umas tapas. Aproveite para almoçar e ganhar forças para uma tarde cultural.

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Em 7 minutos está na imponente Catedral de Almudena, onde os atuais reis Felipe e Letizia se casaram em maio de 2004, e a 3 minutos da catedral, o Palácio Real que está aberto ao público. Mas não se empolgue, dificilmente encontrará por aqui Letizia e as suas filhas, a princesa Leonor e a infanta Sofia, porque a família real vive no Palácio da Zarzuela.

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Depois de uma tarde cultural, está na hora de umas comprinhas, não acha? O meu querido Marido Mistério já está a revirar os olhos, mas ninguém é de ferro. Lá o convenci a ir até à Gran Vía, uma das ruas mais movimentadas de Madrid, que tem as grandes lojas e armazéns e muita animação e turistas. Aqui as compras são claramente mais baratas.

E já que está por aqui, aproveite a animação do Bairro da Chueca e jante por ali, onde tem por exemplo o Bosco de Lobos. Ou então vale mesmo a pena apanhar um taxi e ir à Sala de Despiece, na Calle Ponzano 11, provavelmente um dos melhores e mais originais restaurantes a que já fomos na nossa ainda curta vida. O meu querido Marido Mistério gostou tanto que vai dedicar um post só à Sala de Despiece, porque é pura e simplesmente imperdível.

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Quando fomos com as crianças, ficámos a dormir na centralíssima Calle Fuencarral, na cadeia BB Hotels, que fica entre o prédio da Brown e da Brandy Melville, o que provocou uma onda de excitação na ala feminina da nossa prole mistério.

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O hotel não pode ser mais giro: recentemente remodelados, os quartos são espaçosos e muitíssimo bem decorados: cheios de luz, em tons de branco e azul, com janelas enormes e uma parede de tijolo que lhes dá muita graça. No nosso quarto, por exemplo, a casa de banho escondia-se atrás da cama de casal, que aliás era grande e muito confortável. Sendo no centro da movida espanhola, vai ouvir a animação lá fora quando se deitar, mas nada de desesperante! Cada quarto custa cerca de €120 por noite.

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Se ainda tiver pedal, não deixe de ir espreitar a animada noite da Chueca. Perca-se pela ruas e ruelas e entre nos vários bares que nasceram ali como cogumelos. Garanto-lhe que não se vai arrepender!

 

Dia 2 

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No dia seguinte, claro, fomos em excursão direitinhos a outro brunch. A 3 minutos a pé do nosso hotel, descobrimos o surpreendente La Bicicleta Café. Um espaço que nasceu de “uma paixão por bicicletas, arte e café em partes iguais", explicam os proprietários. O ambiente mistura uma decoração quase industrial, com peças de mobiliário vintage (nalguns sofás sentem-se mesmo a molas a saltar) e, como não podia deixar de ser, bicicletas ou peças soltas, como rodas e volantes, espalhadas por todo o lado: penduradas nas paredes, no teto, enfim, originalidade não falta neste espaço meio lunático. Encontra também um menu variado que inclui saladas, nachos, bagles, tostas e a especialidade da casa: sanduíches de pão dinamarquês.Todos os pratos são saudáveis, biológicos e ecológicos, e até as sobremesas que incluem biscoitos, bolachas e brownies, são feitas com produtos naturais.

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De barriga cheia, dedique-se então a uma manhã cultural. Pode apanhar um táxi ou um uber até ao Museu Thyssen, onde pode apreciar obras do Renascimento até ao século XX, ou ao Museu do Prado, mesmo ao lado, onde se pode deliciar com nomes incontornáveis da pintura e escultura espanhola como Goya, Velázquez e El Greco, entre muitos outros. Qualquer um deles, vale a pena, têm sempre excelentes exposições. Espreite os sites (nos links acima) para escolher.

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No fim da visita, vá pelo Paseo del Prado até ao Palácio de Cibeles, também conhecido como Palácio das Comunicações, na Plaza de Cibeles, 2. Aproveite para fazer mais uma selfie na imponente Fonte de Cibeles. A cerca de 400 metros, encontra a Porta de Alcalá, bem como o Parque do Retiro, onde se pode perder à vontade durante duas a três horas nos seus incríveis 118 hectares ou simplesmente andar de barco, ao estilo Campo Grande, mas em bom.

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Bom, bom era parar para almoçar e para este segundo dia, sugiro-lhe o espetacular Marieta, na Castelhana, mesmo ao lado do Lateral, um dos muitos que há da cadeia com o mesmo nome espalhados pela capital espanhola.

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O Marieta tem uma decoração espetacular e moderna: uma das mesas tem uma árvore ao centro, uma parede tem rodas de bicicleta e várias peças (é de mim ou as bicicletas estão na moda em Madrid?). O espaço tem um ótimo ambiente e é muitíssimo bem frequentado, com gente bonita e sofisticada.

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Deliciámo-nos com vários pratos típicos espanhóis, como um ótimo salmorejo e um delicioso ovo poché com puré de batata e azeite de trufa, uma fresquíssima salada de burrata com tomate seco e pesto e, claro, como estou sempre de dieta, pedimos uma bife tártaro e um tártaro de atum “para compartir” e enchemos os miúdos com uma gigantesca Milanesa de vitela que é como quem diz, bifes panados. Ainda arranjámos espaço no fim para um carpaccio de frutas com mel. Vale mesmo a pena.

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Depois de nos estafarmos no Parque do Retiro, achámos que merecíamos um jantar elaborado. E deixámos as crianças no hotel, para experimentarmos o restaurante da moda da capital espanhola: o famoso Amazónico. De facto, o espaço é incrível, com um ambiente e uma decoração surpreendentes, onde uma vegetação exuberante ao estilo tropical impera em todos os cantos e recantos. Depois tem detalhes espetaculares como candeeiros em bambu, um som ambiente que nos transporta para a selva, tudo isto em três espaços distintos: uma zona de sushis ao balcão, o restaurante propriamente dito e a varanda.

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Não se deixe enganar pelo minimalista e saudável couvert (um prato de verduras com microgreens, mini cenouras, pimentos, rabanetes, mini tomatinhos, com molhos de sésamo, agridoce e mostarda) porque a carne (sobretudo a brasileira e a argentina) é a grande atração. Além da típica picanha (confesso que em Portugal já comi muitas iguais e a um preço bem mais razoável) e a deliciosa carne argentina, ambas acompanhadas por batatas e legumes assados, como milho e farofa (sim, impróprias para pessoas em dieta), o que mais gostámos foi um fantástico poke de atum com amendoins e cajus salpicado com arroz integral preto e um caril de carabineiros com arroz basmati que me levou ao céu. Mas inesquecível, inesquecível foi a sobremesa: um bolo com mousse de chocolate quente por dentro e um surpreendente gelado de abacate - tão mas tão boa, que terá sido provavelmente a melhor sobremesa que já comi na vida.

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Quando fomos sozinhos ficámos no Dear Hotel, uma ótima opção se for a dois, sem crianças. Situado em frente à Plaza de España, mesmo em cima da Gran Via, é um boutique hotel simples e sofisticado ao mesmo tempo. Os quartos são modernos e minimalistas, em tons suaves, como brancos, bejes e cinzentos claros, e cheios de luz com vista ou para a Gran Vía ou para a Plaza de España.

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As camas são confortáveis, os édredons ainda mais, os móveis são de design e a casa de banho é toda forrada a mármore preto: desde as paredes ao teto a passar pelo duche e o lavatório. No 14º andar, o terraço panorâmico com uma piscina infinita proporciona uma vista incrível de 360º sobre Madrid. Pagámos, por noite, em quarto duplo, cerca de €160.

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Dia 3 

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Terceiro dia, terceiro brunch. Desta vez escolhemos o Frida, que fica a 20 minutos a pé do Dear Hotel. Vale a pena ir pela Gran Vía e depois seguir pela animada Calle de Hortaleza, para entrar neste familiar restaurante em pleno bairro da Chueca. E depois é perder-se numa imensa lista de ovos, crepes, panquecas, tostas, smoothies, croissants caseiros, quesadillas, foccacias, sumos naturais, smoothies… e desgraçar-se como eu me desgracei. Além dos pratos serem todos deliciosos, a decoração é muito gira, em tons de verde, azul e verde água e madeiras claras com cadeiras coloridas e uma simpática esplanada para estes dias mais quentes.

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Reserve o último dia para se perder nas lojas do Bairro de Salamanca (Serrano, Velasquez, Claudio Coelho, Ayala, Lagasca, etc.). Mas prepare-se para sair daqui de carteira vazia. Este é o bairro mais chique de Madrid, por isso, os preços são mais caros e as lojas têm outro nível. O meu querido Marido Mistério, que vive obcecado a tentar salvar o nosso orçamento da bancarrota, foge deste bairro como o Diabo da cruz, mas desta vez, consegui domá-lo. Sugeri-lhe que fosse ao Mercado de la Paz, ali mesmo no centro do bairro de Salamanca, o que me deu duas horas de descanso. Ele não resiste a um bom mercado e este é incrível. Tem ótimos produtos e ingredientes frescos: peixe, carne, presuntos, chouriços, queijos, legumes e fruta com uma qualidade e apresentação que nos faz querer levar tudo. Além disso, tem cafés e comida pronta.

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Depois de umas comprinhas longe do olhar reprovador do meu querido Marido Mistério, fomos almoçar a um dos nossos restaurantes preferidos em Madrid: o Bar Tomate, do grupo Tragaluz. Aqui pode comer todos os dias, a qualquer hora: pequenos-almoços (desaynos, não se esqueça, não é “pequeño almuerzo”, como eu já ouvi alguém dizer!), snacks, almoços, jantares, tudo com produtos frescos e naturais com um toque mediterrânico e um excelente forno a lenha de onde saem as mais tentadoras pizzas. Também pode vir aqui simplesmente beber “una copa”. Eu adoro tanto a comida como a decoração do espaço, onde os candeeiros, por exemplo, são livros abertos.

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Outro programa que quase todos os homens devem adorar (e é sempre um ótimo sítio para os despachar enquanto fazemos mais uma comprita ou outra) é obviamente uma visita ao Estádio do Real Madrid, o mítico Santiago Barnabéu. Confesso que não me entusiasma muito o programa. Só se me garantissem que a visita guiada incluía um encontro com os abdominais do Cristiano Ronaldo. Assim, ver estádios, equipamentos e troféus não é claramente a minha praia.

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Para acabar em beleza este roteiro intenso, sugiro-lhe um jantar no Quintin, mesmo ali no Bairro de Salamanca. Pertence aos mesmos proprietários do Amazónico e é ótimo também para almoçar. O mais surpreendente de tudo é que além de restaurante, o Quintin é também uma mercearia, uma padaria, uma frutaria e uma charcutaria. Pode comprar o que quiser ou pode optar por comer ali mesmo.

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Desde as típicas tapas espanholas, como as tostadas catalanas, à irresistível burrata e ao viciante presunto, o Quintin tem uma ementa rica de pratos surpreendentes cujos ingredientes estão ali para usar e comprar. Tudo isto num ambiente sofisticado e familiar num espaço com uma decoração original que se divide por 3 pisos, sendo a mais irresistível a mezzanine. 

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Depois destes três dias intensos, uma coisa lhe garanto: vai sair de Madrid de barriga cheia e com a carteira vazia, mas com um enorme sorriso na cara!

 

Onde tomar um brunch

La Bicicleta Café 

Plaza de San Ildefonso 9

Federal 

Plaza de las Comendadoras 9

Frida

Calle San Gregorio 8

 

Onde almoçar e jantar

Bar Tomate

Calle Fernando El Santo 26

Marieta

Paseo de la Castellana 44

Bosco de Lobos

Calle Hortaleza 63 

Sala de Despiece

Calle Ponzano 11

Ultramarinos Quintin 

Calle Jorge Juan 17

Amazónico

Calle Jorge Juan 20

La Bien Aparecida

Calle Jorge Juan 8

Tatel 

Paseo de Castellana 36

Kabuki 

C Saint Agustin 3, Hilton By Double Tree

 

Onde dormir 

Dear Hotel

Gran Vía - Plaza de España

BB Hotels

Bairro da Chueca

Madrid Smart Rentals Chueca

Bairro da Chueca

NH Hotels Lagasca

Bairro de Salamanca

Room Mate Hotels

Vários no centro da cidade

 

Uma ótima viagem para si,

Ela