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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a desilusão do novo bitoque no ponto de justa nobre

Para que é que eu voltei de férias??? Estava tão bem entre um magnífico sushi, uma maravilhosa ceviche e uma divinal anchova grelhada em cima do mar, e venho enfiar-me no centro comercial Alegro, em Alfragide, para uma desilusão destas? Oh minha querida Santa Agripina, que nos proteges dos maus espíritos, que mal fiz eu para merecer isto?

Antes de continuar, tenho só de fazer uma declaração de interesses: sou fã de Justa Nobre, adoro os seus cozinhados e admiro os seus restaurantes. É, claramente, uma das melhores chefs portuguesas. Mas uma coisa é ter um restaurante com Justa Nobre na cozinha, outra é ter um restaurante com Justa Nobre no cartaz. Isso não resulta. É difícil manter a qualidade. E é fácil explicar porquê.

O serviço 

Primeiro, as pequenas coisas. Um restaurante que só tem Pepsi e não tem Coca-cola é um restaurante que se preocupa mais com as contas do que com os clientes. Mas isso eu já ultrapassei. Peço água e sigo em frente. Só há um detalhe que eu gostaria de salvaguardar: já que estamos em Agosto, gostaria de beber água fresca. Foi o que eu pedi, mas trouxeram-me água morna:

- Desculpe, eu pedi água fresca.

- Fresca não temos.

(Deixem-me lá ver se percebi bem: como não têm água fresca no pico do Verão, servem água morna e não dizem nada para ver se o cliente está distraído, não repara e vai à sua vida sem chatear, é isso?)

- Então, arranje-me um copo com gelo, por favor.

E foi quando o empregado se aproximou da pilha de copos de plástico transparentes para tirar um para mim que eu vi o impensável: um gigantesco cabelo ondulado entre os dois copos seguintes. Depois de um vómito contido, deitei disfarçadamente o copo para o lixo e bebi a água da garrafa, tentando contactar o menos possível com superfíceis manuseadas por empregadas cabeludas.

A ementa 

Se todos os problemas tivessem sido capilares, eu sobreviveria – agoniado, mas sobreviveria. O problema é que houve mais surpresas no novo restaurante de Justa Nobre (abriu há poucos meses). Eu pedi um bitoque de frango com molho de lima, acompanhado de batatas fritas e salada; Ela pediu um bitoque ao natural, médio-mal passado, com arroz e salada. O médio-mal passado tornou-se muito bem passado e o arroz branco veio frio. A salada era uma semi-salada: só tinha verdes e vinha com um pretenso molho de vinagrete. Mas como foi tirada do frigorífico já empratada e com o molho colocado (se calhar, por isso é que não houve espaço para colocar a refrescar as garrafas de água), o molho engrossou com o frio e tornou-se uma pequena argamassa sem qualquer sabor. Para agravar tudo, o ovo estrelado estava morno e sem sal. 

Parece um filme cómico dos Monty Python, mas infelizmente foi uma pequena tragédia passada comigo. Sobrava o meu bitoque de frango para salvar as coisas, mas infelizmente não salvou nada. O molho de lima mal tinha sabor e o bife de frango vinha sem tempero. Quanto às batatas fritas, estavam assim-assim: um bocadinho grossas demais para o meu gosto. 

O ambiente 

O espaço é abafado e com um forte cheiro a comida. Do lado de lá do balcão, há muitos empregados que funcionam numa linha de montagem: com poucos cuidados e muita necessidade de despachar. Tudo isto dá uma péssima imagem do espaço. Mas nem precisava de entrar para ficar com essa impressão. Bastava olhar para o logótipo do restaurante e desconfiar: letras com rodas floridas lá dentro?! Isto não podia correr bem...

No final, pagámos 11,90 euros pelas duas refeições. Foi barato, mas também foi muito mauzinho.

 

O bom 

Os cafés

O mau 

A comida

O péssimo 

O cabelo dentro dos copos

 

Quero voltar já para as minhas férias, onde quer que elas estejam,

Ele

hanami sushi

O serviço

Há os empregados correctos, há os empregados simpáticos e há os empregados que fazem questão de se comportar como se tivessem sido nossos amigos a vida toda. E não amigos quaisquer - amigos chegados. Quando me aproximei do balcão do Hanami Sushi, o restaurante japonês do Centro Comercial Alegro e do Tivoli Fórum, percebi que tinha à minha frente um amigalhaço - apesar de estar a olhar para ele pela primeira vez na minha vida. 

- Boa tarde.

- Boas, tudo bem? [E ainda por cima um amigalhaço da Mouraria...]

- Tudo bem, obrigado. Eu ia querer...

- ...Ia porquê? Já não quer? [Mas esta gente não muda o repertório de piadas?]

- Quero, quero. Vou querer uma sopa miso, um sakura e um tiger.

- Isso já dava para fazer um piquenique, hã?! [Agora está a chamar-me alarve...]

- Pois... Estou com fome... Arranjava-me uma factura com número de contribuinte, se faz favor?

- Claro, arranja-se aqui um espacinho para os números...

Se há uma coisa que eu nunca percebi é porque é que 89,9% dos empregados de restaurantes de centros comerciais acham que nasceram com um talento especial para o humor que está algures entre o Nilton e o Rouxinol Faduncho. Se eu quisesse passar as minhas horas de almoço a ouvir piadas, sintonizava o programa da manhã da Rádio Comercial, não me enfiava no Alegro num dia de sol. Uma pessoa ouve a Rádio Comercial para se rir, vai ao Alegro para comer. Nada mais.

Mas tirando este momento Levanta-te e ri (que eu desconfio ter sido protagonizado pelo gerente), o Hanami Sushi tem algumas vantagens. E entre elas está o contacto mínimo com os empregados. Depois de fazer o pré-pagamento, dão-lhe para a mão um aparelho que vibra quando a comida estiver pronta. Por isso, tem tempo de procurar mesa, enquanto tratam do seu pedido. E olhe que encontrar mesa pode não ser fácil... 

O ambiente

O Alegro é um centro comercial arejado, com muita luz natural e estacionamento gratuito, que não fica tão longe do centro de Lisboa como possa parecer. É uma boa alternativa para fugir da confusão e mudar de ares em dias de sol e frio como este. Mas tem defeitos. A praça da restauração é pequena de mais para a quantidade de gente e cheira demasiado a comida para a quantidade de restaurantes.

A imagem do Hanami Sushi, inspirada nas florzinhas das cerejeiras japonesas, era dispensável. Eu sei que decorar todos os restaurantes japoneses em tons de preto e branco já enjoa. Mas optar por variações de cor-de-rosa e magenta é um boacadinho demais.

 

A ementa

Há entradas, sopas, pratos quentes (arroz e massas) e rolls. Vale a pena apostar nas entradas e nos rolls. 

As entradas

As gyosas são raviolis grelhados com frango e legumes. Aqui o importante é sobretudo a massa - que consegue ser muito fininha e leve, cozinhada mesmo no ponto.

Se conseguir comer outra entrada, ou se tiver alguém com quem dividir, peça também o sakura (a primeira foto deste post), umas bolinhas de arroz envolvidas em salmão com nozes por cima e dois molhos diferentes. Isto não tem nada a ver com os rolos de sushi ou de uramaki habituais. A quantidade de arroz no meio é muito pequena e o que transforma esta entrada numa delícia são as nozes crocantes envolvidas num molho hanami doce. A conjugação fica muito semelhante a um nogat, o que liga maravilhosamente com o molho de soja.

 

Os rolls

Os tiger são uns rolos crocantes de salmão, enguia e abacate, com um topping de queijo Philadelphia. A mistura da enguia e do abacate é óptima, o crocante exterior é fantástico, mas o queijo Philadelphia é usado em tudo o que é restaurante japonês em Portugal e estraga o exotismo do sabor original.

O Plátano Tempura é um roll sem arroz e com recheio de salmão, abacate e... lá vem outra vez o queijo Philadelphia. Por fora é envolvido com banana e o molho hanami. Fica também um rolo crocante, com um forte sabor a banana. Não é doce demais, mas é seguramente Philadelphia demais.

Conclusão: tirando o Rouxinol Faduncho que nos servia ao balcão e o cheiro a comida que nos entrava pelo nariz, é um óptimo restaurante de shopping. Por isso, aqui fica o conselho: ligue para lá, encomende a comida sem dar muita confiança a quem lhe atender o telefone e traga-a para casa. Consegue ter um bom jantar de sushi bastante mais barato do que o habitual.

O bom

As misturas surpreendentes e originais do sakura e do tiger

O mau

O excesso de queijo Philadelphia

O péssimo

As graças do empregado

 

Um bom dia de sol para si, onde quer que esteja,

Ele

o novo serra da estrela

 

 

Um regional sofisticado

 

Ponto prévio.

Não há nada mais irritante do que chegar a um restaurante e:

- Para beber queria uma Coca-cola Zero com gelo e limão.

- Pode ser Pepsi Light?

 

O que apetece mesmo é:

- Não, é evidente que não pode ser Pepsi Light. Eu pedi Pepsi Light? Não pedi, pois não? Então não pode ser. É a mesma coisa que pedir um sumo de laranja natural e perguntar-me se pode ser Joy. Ou pedir um bife do lombo e perguntar-me se pode ser da rabadilha. Não pode. Odeio Joy, odeio rabadilha, odeio Pepsi e odeio mais ainda Pepsi Light. Parem com o massacre! Quero Coca-cola! É assim tão difícil de perceber?????!!!!!

 

 

 

Agora que já estou um pouco mais relaxado, podemos passar ao que interessa. Tirando esse gigante detalhe que é a perseguição da Pepsi aos clientes com bom gosto, vamos às notícias: o restaurante Serra da Estrela foi remodelado no Centro Comercial Alegro, em Alfragide. Abriu o novo espaço em Dezembro e só tem coisas boas. Algumas, boas demais.

 

 

O serviço

Uma coisa é um empregado simpático, outra coisa é um empregado com um espasmo muscular que o faz passar 24 horas por dia, 3600 segundos por hora a sorrir. É - como é que posso dizer isto sem ser ofensivo? - um pouco, muito pouco, incomodativo. Eu gosto de alguém que sabe sorrir quando deve ser simpático e sabe fazer um ar sério quando deve ser credível. De qualquer forma, para não dizerem que eu estou sempre a embirrar, também não é por aí. O serviço é rápido, eficiente e só um bocadinho simpático demais. Se houvesse um ar trombudo de vez em quando, seria perfeito.

 

O ambiente

A nova decoração não tem nada a ver com a Serra da Estrela. Mas isso não é obrigatoriamente mau. Especialmente quando a decoração que tem a ver com a Serra da Estrela é a que existia antes e ainda existe nos outros shoppings pelo país. Aqui o espaço é clean, bonito, branco e chama a atenção. Talvez um pouco sofisticado demais para um restaurante regional. Mas quem disse que este quer continuar a ser um restaurante regional?

 

 

A ementa

O couvert

Aqui houve a decência de manter o espírito regional: há presunto, queijo e tudo o resto que possa imaginar. Mas tudo isso se paga e, acima de tudo, demora. Ora, um almoço num centro comercial, entre uma reunião de manhã e uma conferência à tarde, não é programa para demorar nem para custar caro demais. É para ser rápido, barato e saboroso. E, por isso, fiquei apenas pelo pão, pela broa e pelo pão de passas. Tudo muito bom.

 

O prato principal

Aqui houve a ousadia de arriscar alguma coisa mais moderna. A descrição "costeletas de borrego grelhadas com molho de romã e vinho do Porto, folhado crocante de cogumelos e grelos salteados com presunto" dá-lhe vontade de apanhar o primeiro táxi em direcção a Alfragide? A mim dá, mesmo que isso implique 20 minutos a ouvir o taxista a falar das desgraças do País e das tragédias do Mundo. E há boas razões para esse entusiasmo. O prato é fantástico, o molho de romã e vinho do Porto é uma surpresa que joga na perfeição com o borrego, os grelos salteados são óptimos e o folhado crocante é isso mesmo - um folhado crocante. Uma única ligeiríssima crítica. Costeletas de borrego grelhadas têm de vir ligeiramente tostadas e estas estavam ligeiramente moles. Não é perfeito. Mas é bom. Muito melhor do que era antes.

 

Antes de me despedir, porque também não houve tempo para sobremesas, um último pedido - e este vem do fundo do coração: vejam lá isso da Coca-Cola, que eu já não tenho idade para me irritar desta maneira...

  

 

 

E para relaxar, aqui vai uma frase mais comprida:

Em nome de toda a equipa que produziu, relaizou e levou até si este blog, uma boa semana de trabalho,

Ele