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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

vídeo: lombos de bacalhau no forno com molho de iogurte grego para fazer em menos de 20 minutos

 

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Para muitos, segunda-feira é o dia mais difícil da semana; para mim, é o dia de fazer um jantar delicioso, surpreendente e tão fácil quanto aquele golão do Éder há um ano. Segunda-feira é um dia em que preciso sempre de chegar a casa e inventar um jantar de sonho para animar a minha querida Família Mistério antes de enfrentar mais uma longa semana de trabalho. E hoje vou aproveitar um desafio que recebemos da Pescanova para preparar uma receita facílima com uns divinais lombos de bacalhau do Atlântico.

Como os lombos de bacalhau são altos e prontos a cozinhar, vou fazê-los no forno com um fabuloso molho de iogurte grego e manjericão. Tudo o que vou precisar é de misturar os ingredientes para o molho e espalhá-los por cima dos lombos de bacalhau. Depois levo ao forno durante 12 minutos e já está. Não sei se leu bem, por isso vou repetir: 12 minutos. Um, dois. É menos do que o intervalo num jogo de futebol.

O resultado é um jantar único: os lombos de bacalhau ficam suculentos, a separar-se em fabulosas lascas; e o molho de iogurte grego vai dar-lhes um toque genial. Por cima, ainda levam uma cobertura crocante feita com pão ralado integral que esta é uma família em permanente dieta.

Mas o melhor é dar uma vista de olhos a este vídeo e confirmar como esta receita é uma das mais fáceis do universo.

 

Lombos de Bacalhau com Molho de Iogurte Grego

A cobertura é crocante, o molho é cremoso e as lascas de bacalhau separam-se de forma deliciosa. Aprenda num minuto a fazer estes fantásticos lombos de bacalhau do Atlântico Pescanova com molho de iogurte grego e queijo. Um jantar de sonho que fica pronto em menos de 20 minutos. Receita completa aqui: https://goo.gl/WnZXvZ #jantar #video #casalmisterio

Publicado por Casal Mistério em Segunda-feira, 10 de Julho de 2017

 

o que fazer para o jantar quando o dia dos namorados calha a um dia de semana

Confesse lá: quem é que tem tempo para chegar a casa, depois de um interminável dia de trabalho, e enfiar-se na cozinha durante três horas para fazer aquele javali a baixa temperatura que ele (ou ela, se houver por aqui mais homens escravizados pelo fogão) provou uma vez num restaurante? Quem é que tem vagar para se exilar na cozinha, numa terça-feira à noite, para fazer um jantarinho supimpa de Dia dos Namorados? Eu não, seguramente. E, por isso, é que estou radiante por ter descoberto esta fabulosa e supersónica receita do New York Times.

Em primeiro lugar, só leva três simples ingredientes. Depois, é tão requintada quanto um jantar tête-à-tête com o Christian Grey. A seguir, é feita pela Nigella Lawson. E finalmente é mais rápida do que o Speedy González em dia de inspiração.

Tudo o que vai precisar é de lombos de bacalhau, manteiga derretida e presunto fininho. Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, consulte a receita original aqui

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o que os portugueses comiam no natal há 100 anos

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Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do país. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.

A tradição é recordada por Maria de Lourdes Modesto num artigo publicado no jornal Público, em 2009. A maior especialista em comida portuguesa lembra-se que, na década de 30, depois da missa tinha finalmente direito a comer qualquer coisa – e normalmente os pais serviam um doce para quebrar o jejum. No dia 25, então, era servido um almoço completo e, no Alentejo, onde vivia com a família, era sempre porco – peru nem vê-lo. 

No Funchal, a tradição também era a do jejum na véspera e a do porco no Dia de Natal. De madrugada, depois da Missa do Galo, era servida uma canja e um cálice de vinho. Na verdade, a festa só começava depois da missa.

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Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância como o almoço de dia 25. Mas, há 100 anos, era coisa que existia essencialmente no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia uma tradição de jantar em família, com bacalhau – cozido ou em pastéis –, polvo guisado, arroz de polvo ou outros pratos sem carne. Na véspera de Natal, a família reunia-se à mesa para celebrar a festa em conjunto. E Missa do Galo não existia na região.

 

 

lombo de bacalhau no forno com leite de coco e gengibre, uma receita só com 5 ingredientes

Confesso: estou obcecado com molhos à base de leite de coco, gengibre e caril. Podia estar obcecado por me tornar no 21º administrador da Caixa Geral de Depósitos, mas não. Deu-me para isto. Depois dessa divinal receita de camarão com molho de coco e gengibre (veja aqui como é tão fácil de fazer), mergulhei de cabeça nas profundezas da Internet à procura do melhor, mais simples e mais rápido jantar com esse imbatível molho que a Humanidade produziu.

Trata-se de um delicadíssimo lombo de bacalhau cozido no forno com o tal molho-maravilha. A receita é do genial blog Simply Whisked e leva apenas cinco míseros ingredientes: lombo de bacalhau, leite de coco, gengibre ralado, caril e coentros picados – além, claro, de flor de sal e pimenta preta moída no momento. Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, veja a receita completa aqui.

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mais uma novidade! abriu uma nova petiscaria em lisboa (e a especialidade são conservas)

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Estamos em época de novidades. Novidades fresquinhas, bombásticas e exclusivas. Não, infelizmente não vamos publicar em primeira mão os bonecos que o Tino de Rans esteve a desenhar durante o último debate. São novidades boas, mas não tão boas. Estou aqui para anunciar solenemente a abertura de uma nova petiscaria em Lisboa. Fica em Alfama, e é dedicada ao mundo das conservas.

 

 

novidade! novidade! um restaurante num cacilheiro? é isso mesmo, e com uma vista fantástica para lisboa

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É a última novidade do ano. Ou a primeira novidade de 2016. Como queira. O que interessa é que é novidade e é deste ano. Chama-se Lisboa à Vista e é o motivo que vai fazer a Família Mistério partir em romaria a caminho do Seixal. Trata-se de um novo restaurante, inaugurado no Cais da Mundet, no Seixal, com vista para Lisboa. No local, existia antes o Cacilheiro do Tejo, no entanto o espaço foi totalmente remodelado.

Infelizmente, o barco não anda a passear pelo Tejo, o que seria mais engraçado, mas, de qualquer maneira, o programa deve ser divertido. Nós ainda não lá fomos, mas a ementa não parece nada má. 

 

qual o vinho ideal para acompanhar cada receita de natal nesta consoada

Cá em casa, o Natal tem dois momentos altamente delicados: um é o da abertura dos presentes, o outro é o da abertura das garrafas. Qual o melhor vinho para começar a refeição? O que é que deve acompanhar o bacalhau? O que beber com as sobremesas? Enfim, perguntas que nos atormentam durante dias e dias, que nos tiram o sono e que nos obrigam a provas diárias até chegar a uma conclusão que satisfaça toda a família.

Este ano, a minha tarefa ficou bastante mais facilitada depois de ter descoberto este fabuloso guia do site Wine Folly. É uma verdadeira Bíblia da gastronomia, um autêntico Corão da vitivinicultura. Tudo para percebermos que tipo de vinho é mais indicado para acompanhar cada tipo de comida. 

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a melhor surpresa dos últimos tempos: a fantástica e criativa comida do boi-cavalo em lisboa (sim, é nome de restaurante)

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É preciso ter muito pouco amor ao negócio para chamar Boi-Cavalo a um restaurante. E é preciso ter ainda menos amor ao carro para ir a guiar até Alfama. Tirando estes dois pequenos detalhes, ide em paz e que a fome vos acompanhe.

Este é um dos restaurantes mais criativos e irreverentes a que eu fui nos últimos tempos. Aqui toda a comida tem um toque diferente, original, imprevisível. E é isso que mais me fascina quando desloco os meus seis torneados abdominais para jantar fora. O resto – o ambiente, o barulho, o conforto – é secundário quando chegamos a um sítio onde a comida nos deixa de boca aberta (não de fome, mas de espanto!).

 

bacalhau assado no forno com limão, alho e ervas aromáticas, uma receita deliciosa para fazer em apenas 20 minutos

Há lá coisa mais portuguesa do que bacalhau (além do pastel de nata, do vinho do Porto, e pouco mais)? Eu adoro, de todas as maneiras: espiritual, gratinado no forno, à brás, com natas, com broa, à lagareiro, em forma de pastel, como quiserem. Por isso, quando descubro receitas diferentes, como esta do blog baker by nature, que, ainda por cima, demora apenas 20 minutos a preparar, fico tão ou mais feliz do que a Joana Amaral Dias quando vê uma máquina fotográfica.

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a comida maravilhosa (e o calor insuportável) do cantinho do avillez em lisboa

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Entrar no Cantinho do Avillez num destes dias de calor típico de Agosto é como cruzar a Etiópia de uma ponta à outra ao meio-dia. Pelo menos, se ficar na sala em que nós ficámos. É que, apesar de ser a última sala inaugurada do restaurante em Lisboa, tem um ar condicionado que funciona ao ritmo de um tractor alentejano a rasgar furiosamente a auto-estrada. Pode pedir para abrir a porta, para fechar a porta, para entreabrir a porta. Pode pedir para virar as duas ventoinhas para si. Mas esqueça. A única solução para transformar esta sala do restaurante num sítio fresco é conseguir convencer José Avillez a comprar um ar condicionado novo. Ou então fazer-se acompanhar daquela T-shirt de manga cava que tem escondida no armário ao lado dos calções de licra de ciclista.

Feito este reparo, a grande questão coloca-se: vale a pena ir ao Cantinho do Avillez? Vale sim, senhor. Por isso, escolha um dia mais fresco, prepare a T-shirt de manga cava e faça a sua reserva.

 

 

sabe o que é que se comia nos restaurantes em 1974? bem vindo ao primeiro ano das estrelas michelin em portugal

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Hoje é dia de pôr um cravo na lapela e um babete ao pescoço. Com o cravo, celebra a revolução política; com o babete, comemora a revolução gastronómica. E porquê? Porque 1974 foi o ano do 25 de Abril, mas foi também o ano em que Portugal se estreou no famoso Guia Michelin, com quatro restaurantes a entrarem directamente para o top das estrelas: o Portucale (no Porto), o Pipas (em Cascais) e o Aviz e o Michel (em Lisboa).

(Na verdade, já tinha havido duas estrelas para o restaurante Escondidinho, no Porto, em 1936-38, mas o ano de 1974 foi o primeiro em que Portugal teve estrelas no formato moderno do guia.)

É por isso que hoje decidimos fazer uma edição revivalista do Casal Mistério. Neste post, fica a conhecer os restaurantes da moda em 1974. À tarde, mostramos-lhe as receitas do ano da revolução.

 

 

bacalhau assado no forno com cogumelos, alho francês e bacon: o nosso jantar de hoje

Hoje acordei patriótica, a recitar Lusíadas e a declamar versos de Fernando Pessoa. OK, é mentira. Estava a tentar passar a imagem de uma dona de casa super intelectual. Mas a verdade pura e dura é que acordei com o som assustador da inenarrável música do Quim Barreiros, sobre o bacalhau, que saía do quarto de um dos nossos filhos. O mais grave é que, além de a música ter ficado a tocar em loop dentro da minha cabeça, provocou-me um inexplicável desejo de ir a Fátima comer aquele maravilhoso bacalhau da Tia Alice. Horrorizado com o elevadíssimo nível da minha associação de ideias, o meu sempre atento Marido Mistério calou-me de vez:

- OK, faço bacalhau para o jantar mas, pelo amor da Santa, tira o computador do quarto dos miúdos: é preciso erradicar o Quim Barreiros desta casa.

E foi assim que lhe passei para as mãos esta deliciosa receita do blog williams-sonoma que, claro, é super compatível com a minha dieta. Sem contar com o bacon. Mas qual é a graça de uma dieta, sem uma exceção ou outra?

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extra! extra! o chef kiko envia aqui uma receita especial de bacalhau para os leitores do casal mistério provarem neste natal

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Quem é que lhe disse que o bacalhau da véspera de Natal tinha de ser cozido com couves e grão? Quem é que lhe disse sequer que o grão tinha de estar em faustosas bolinhas a fumegar? Ou que o bacalhau tinha de estar quente? Este Natal vai ser diferente. E porquê? Porque o Casal Mistério convidou o chef Kiko Martins, do Talho e da recém inaugurada Cevicheria, para reinventar o bacalhau com grão para a consoada dos leitores do blog.

Quando lançámos o Casal Mistério, em Dezembro do ano passado, recebemos um simpático email do Kiko a elogiar os nossos inenarráveis textos. E, desde então, mantivemos uma relação platónica: nós sabemos quem o Kiko é (um dos melhores chefs da nova geração, dono de dois óptimos restaurantes e de uma invejável barba à Keanu Reeves), o Kiko não sabe quem nós somos. O que é divertido – sobretudo para nós. 

A única forma de comunicarmos é via email. E foi assim que o convidámos a enviar uma receita para os leitores do Casal Mistério: mandámos-lhe uma mensagem e ele respondeu.

O resultado é uma magnífica Ceviche Tuga, um dos pratos que pode encontrar no novo restaurante do chef, a Cevicheria, e que Kiko Martins partilhou com todo o Mundo Mistério espalhado por essa Internet.

 

qual a melhor maneira de partir um ovo? e qual o segredo do bacalhau à brás cremoso? josé avillez explica

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Não sei se se apercebeu, mas estreou o programa de rádio que representa o maior serviço público alguma vez colocado ao dispor da humanidade. Infelizmente para a Deco, não estou a falar do Directo ao Consumidor. Nem do Ser Português... Mostrar Portugal. E muito menos do Portugalex (é impressionante a minha cultura radiofónica!). Não senhor. Estou a falar do grande, do único, do tremendo O Chef sou Eu, da Rádio Comercial. São oito preciosos minutos e dezassete preciosíssimos segundos, durante os quais José Avillez dá dicas de cozinha e partilha receitas. Tudo isto com a gastronómica moderação de Pedro Ribeiro, Nuno Markl, Vanda Miranda e Ricardo Araújo Pereira. E com a inesgotável sabedoria culinária de Vasco Palmeirim.

Mas, voltando umas linhas acima, porque é que O Chef Sou Eu é neste momento o maior exemplo de serviço público? Porque em menos de dez minutos respondeu a duas perguntas que me atormentavam há anos. Vamos a isso.

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1 - Qual é a melhor maneira de partir um ovo? 

Segundo os rigorosos dados estatísticos de José Avillez, 99,9% da população parte mal os ovos. Tenho de admitir que sim, eu partia-os mal. O erro é bater o ovo contra uma esquina para abrir uma racha na casca. Isto faz com que estilhaços de casca possam entrar para dentro do ovo e contaminá-lo fatalmente. Meus queridos 99,9% de companheiros de erro, a maneira correcta de partir um ovo é batê-lo contra uma superfície plana e depois abrir. É simples e é a melhor maneira de acabar com os minúsculos e irritantes bocadinhos de casca no meio da sua omelete.

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2 - Qual é o segredo de um bacalhau à Brás cremoso? 

Pois é, grande drama da humanidade. Grande dúvida do planeta. Agora está tudo esclarecido. O segredo é usar dois ovos e uma gema por pessoa. E porquê dois ovos e uma gema? O chef é ele e o chef explica: a temperatura de coagulação das gemas é mais elevada do que a temperatura de coagulação da clara. Ao ter mais gemas do que claras e ao parar de cozinhar quando as claras coagulam, fica com o bacalhau mais cremoso: as claras cozinhadas e as gemas líquidas. É ou não é genial? É ou não é digno de chef? É ou não é de dar mais uma estrela a esta criatura? Por mim, eram já cinco estrelas Michelin para José Avillez.

Amanhã, encontramo-nos às 8h30 à frente do rádio?

 

Boas dicas para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: josé avillez 

1300 taberna: boa comida, óptimo ambiente, fabulosa decoração

Estou aqui parado há meia hora à frente do ecrã vazio sem saber muito bem como explicar isto. Tenho um problema e gostava de o partilhar consigo. Vou desfazer o mistério (do restaurante, claro, não do Casal...): adorei o 1300 Taberna, mas há um "pormenor" que me ficou atravessado. Por isso, despacho agora o "pormenor" e depois passo aos elogios já sem hesitações.

Acho a descrição da ementa de algum mau gosto. Começar todos os pratos de bolo de chocolate com "O Eusébio gosta de..." e depois acrescentar o que acompanha o bolo de chocolate – como, por exemplo, "O Eusébio gosta de vinho do Porto" para bolo de chocolate com sorvete de vinho do Porto – parece-me ligeiramente racista. Eu sei que tudo isto começou há muitos anos quando os senhores da Taberna resolveram chamar Eusébio ao seu bolo de chocolate original e depois foi evoluindo para isto. Mas esse começo parece-me logo um pouco a atirar para uma Mário-Machadisse. Longe de mim querer ser politicamente correcto, mas não consegui evitar algum desconforto ao ler esta analogia entre o Eusébio e o chocolate. Se gostam muito de futebol, chamem Jorge Jesus ou Pinto da Costa ao bolo. Mas deixem lá o Eusébio em paz. Adiante. Está feito o desabafo. Agora vamos à crítica. E aos elogios.

O ambiente 

Cadeiras com diferentes cores e feitios, mesas de vários tipos de ferro e madeira rústica, candeeiros com colheres de sopa penduradas no tecto, dezenas de relógios gigantes a encher as paredes, peças de decoração em ferro forjado, velas a transbordar cera, lustres, candelabros, castiçais, velharias. Chegámos a um ferro velho? A um armazém abandonado? Não. Chegámos a um dos restaurantes mais modernos e bem decorados do país. Num enorme armazém com um pé direito onde cabem oito Brunos Nogueiras às cavalitas uns dos outros, o 1300 Taberna mistura de forma perfeita o rústico e o moderno, as peças compradas na Feira da Ladra com os objectos de design. O resultado é um espaço cheio de cor e vida, estilo e experimentalismo, ao nível dos mais modernos restaurantes da Europa. E não, não é exagero, é mesmo dos mais bonitos em que já estive.

Então não tem defeitos? Talvez um ou dois. Especialmente para homens com corpo de Cristiano Ronaldo e cabeça de Manoel de Oliveira, como eu: a porta da entrada, em vidro, provoca correntes de ar que atacam as cruzes. Se, por sorte, você tiver menos de 90 anos, então o espaço é perfeito.

O serviço 

Há o serviço de comida – simpático, rápido, atencioso e com capacidade para ouvir, sempre com um sorriso, as 52 perguntas que Ela faz antes de escolher um prato. E há o serviço de vinho – e nesse caso, ouvimos a resposta mais surreal da noite:

- Entre estes dois vinhos, qual é que me aconselha?

- São vinhos completamente diferentes.

E silêncio. Bom, em primeiro lugar, agradeço a constatação da evidência, mas sempre me convenci que o papel de um escanção fosse um pouco além de simplesmente dizer banalidades. Cheguei a pensar que um escanção deveria explicar as diferenças entre os dois vinhos e recomendar aquele que se adaptasse melhor ao prato que tínhamos pedido. Aqui não é assim. Acabei por escolher o Monte Cascas Reserva, que já conhecia, em vez de arriscar num desconhecido. Experimento quando encontrar um sommelier que não tenha tanta dificuldade em falar de vinhos.

A ementa 

O couvert

Começámos a noite de forma espectacular, com três tipos de pão: um branco de cebola e tomate – com um sabor forte e delicioso; uma focaccia bem cozida – pouco surpreendente, mas muito boa; e um pão preto de cerveja Guinness e melaço – uma mistura de sabores que nunca tinha experimentado antes e onde se sente lindamente a presença da cerveja preta. Se a tudo isto juntar uma manteiga de tomate seco e de ervas e um azeite especial da casa, por mim está a noite feita.

Nesta fase do jantar, o único problema foi a bebida. E foi um problema só meu. Resolvi inventar e pedir um Bubbles, um cocktail de espumante e maracujá em que as sementes da fruta estão no fundo e vão subindo. É muito giro para olhar, mas é muito doce para beber. Ela teve mais sorte: pediu uma cerveja. E aqui as cervejas merecem um subtítulo à parte.

As cervejas artesanais

São muitas. São óptimas. E são portuguesas. Depois do erro que cometi com o Bubbles, que deixei a meio, passei para as cervejas – uma excelente maneira de começar a noite. Vale a pena experimentar a Letra A, criada por dois cientistas da Universidade do Minho que se dedicaram ao fabrico da bebida. Feita de trigo, a partir de uma receita da Baviera, tem uma cor turva e um sabor leve e ligeiramente adocicado. Muito boa. Vale também a pena provar os diferentes tipos de Maldita e Sovina que a Taberna tem. Se gostar, pode acompanhar a refeição apenas com cerveja. São excelentes e a carta é extensa.

As entradas

Pedimos uma terrina de leitão assado, laranja espumante e pimenta preta com salada e brioche que não estava nada de especial – aliás, nem gosto de terrinas, não sei porque é que fui pedir isto. E passámos para um óptimo atum com feijão frade, que é o mesmo que dizer barriga de atum braseada (óptima), feijão frade (muito bom), puré de abacate (genial) e ervilhas wasabi (maravlihosas). Juntar tudo isto no mesmo prato é ter uma entrada muito, muito, muito boa.

Os pratos

Ela escolheu um bacalhau à Brás, de que gostou – a mim pareceu-me normal. E eu optei por um Bife à Taberna muito mal passado, com um óptimo molho (não muito forte para não apagar o sabor da carne), umas boas batatas fritas (não são nem querem ser estaladiças) e uma agradável mistura de tomate assado e cogumelos salteados.

A sobremesa

É claro que, por uma questão de coerência, não pedi o engraçaducho Eusébio. Preferi uma Homenagem ao Snickers (brownie de chocolate e amendoim com gelado de manteiga de amendoim de Aljezur) e um requeijão com abóbora (cheesecake de abóbora e noz com gelado de requeijão). Preferi claramente o requeijão. 

E, no fim de disto tudo, ainda sobrava um bocadinho de vinho tinto na garrafa. Por isso vi-me compelido a avançar para uma poderosa selecção de queijos portugueses.

Só para descansar os amáveis leitores que nesta fase já estão chocados com a quantidade absurda de comida, tenho um esclarecimento final a fazer: peso menos de 100 quilos, estavam mais pessoas à mesa, as entradas e as sobremesas foram divididas por todos. Não, não sou um alarve. Só gosto de comer. Às vezes, um bocadinho demais...

O bom 

A comida

O mau 

O Eusébio

O óptimo

A decoração

 

Um bom jantar para si onde quer que esteja,

Ele