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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

fomos jantar ao melhor restaurante do porto segundo as redes sociais

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Ter 4,9 valores no Zomato está hoje para um restaurante quase ao mesmo nivel do que ter o Salvador Sobral no Festival da Canção. E o Terminal 4450, em Leça da Palmeira, consegue isso e mais algumas coisas: a avaliação é a mais alta de todo o Porto naquela rede social e foi atingida através de uns significativos 516 votos e não através da boa vontade da família dos donos. Se isto não chega para lhe despertar o apetite, fique a saber que aos 4,9 valores do Zomato se juntam uns pomposos 4,7 valores dados pelos clientes no Facebook e uns honrosos 4,5 no TripAdvisor.

É claro que, perante tanta agitação, nós não podíamos ficar quietos no nosso cantinho. E, por isso, organizámos uma excursão mistério para levar a família em peso até ao restaurante mais popular do Porto. Não foi uma, não foram duas, foram seis esfomeadas almas atentas a todo e qualquer detalhe deste verdadeiro fenómeno da restauração cibernética.

 

 

o que é que faz quando um cozinheiro o recebe com um ar contrariado?

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Mal entrei no Stash, o restaurante de sanduíches do chef Pedro Lemos, no Porto, a primeira coisa que vi foram dois olhos a revirarem-se num movimento circular que podia indicar uma de duas coisas: ou um manifesto mal-estar associado a um estado de pré-desmaio, ou um manifesto mal-estar associado à nossa presença. Como em vez de desmaiar o cozinheiro suspirou, presumo que o revirar de olhos estivesse associado à nossa presença.

De facto, éramos seis bocas cheias de fome. De facto, chegámos ao Stash – The Sandwich Room para almoçar já perto das 16h. Mas, de facto, só ousámos cometer essa imprudência porque, à porta, diz que a cozinha do restaurante funciona até às 17h e pensámos que simpáticas recepções como esta só teriam lugar a partir das 16h45.

 

 

temos um convite para lhe fazer: quer ir jantar ao talho, com o chef kiko martins? e cozinhar com ele? então é ler este texto

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Vamos lá saber uma coisa: o que é que vai fazer no dia 11 de Fevereiro? Sim, quinta-feira. Sim, ao jantar. Sim, estamos a fazer-lhe um convite. Agora, pode parar com as perguntas?! Óptimo. Então, já foi confirmar à agenda? Está disponível? Esperemos que esteja, porque o programa para que o estamos a convidar é irrecusável.

No próximo dia 11 de Fevereiro, o Casal Mistério – este mesmo que aqui está à sua frente – vai organizar um jantar com o chef Kiko Martins, o jurado do programa Cook Off, da RTP, e dono dos fantásticos restaurantes O Talho e Cevicheria, ambos em Lisboa. Já que Kiko lançou no final do ano passado um livro dedicado a jantares em casa com amigos (Jantaradas, Casa das Letras), resolvemos convidá-lo a convidar os leitores do Casal Mistério para irem jantar consigo. E essa jantarada vai decorrer na quinta-feira, dia 11 de Fevereiro, no Talho, em Lisboa, uma das mecas da carne portuguesa, onde se comem alguns dos melhores pratos que estas bocas misteriosas já deglutiram.

 

sala de corte, o paraíso para quem gosta de carne

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A minha relação com a dieta é muito clara e cristalina. Desde que o meu médico me disse que a melhor maneira de dormir bem à noite era acabar sempre aquilo que começo, eu já me empenhei em conseguir acabar sozinho dois pacotes de bolachas e um bolo de chocolate com chantilly. Mais recentemente, foi a vez dos entrecôtes. E dos chuletóns. E das batatas fritas. E dos molhos. E das sobremesas maravilhosas da Sala de Corte, o novo restaurante que abriu há poucos meses no Cais do Sodré, em Lisboa.

 

duas sugestões para jantar fora no fim-de-semana em que o chef kiko estreia novo programa

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Hoje é sexta-feira e, por isso, é dia de sugestões para o fim-de-semana na Rádio Comercial. E como no domingo estreia o novo programa da RTP, com o chef Kiko Martins, não há nada melhor do que ir conhecer um restaurante do chef.

 

 

desconto especial: dois almoços pelo preço de um no novo miit (não tem nada a ver com os meets do facebook)

Confesso que não resisto a uma boa promoção. Desde que Angela Merkel se tornou a DDT em Portugal que optei por uma regra: quanto mais o meu recibo de ordenado se esvazia de dinheiro, mais a minha carteira se enche de cartões de desconto. Hoje em dia confesso que a minha média ronda os três cartões de desconto por cada nota de cinco euros.

Foi por isso com uma profunda satisfação que encontrei esta promoção fantástica do Sapo: dois menus no novo restaurante Miit (qualquer semelhança com os Meet organizados pelo Facebook é pura coincidência) por 50% do valor. E o que é que isso quer dizer em números? Um almoço com prato e bebida por 3,37 euros. Meus senhores, isto são preços que não se praticam desde que os homens usavam patilhas até ao queixo. Por isso, peguei em dois elementos da minha equipa de futsal e fui até ao Colombo depois de uma manhã de aulas. Eles pediram um menu Miit Burger, eu pedi um menu bife de alcatara (que não estava incluído na promoção).

 

 

o novo restaurante espanhol na marina de cascais

Já não tenho espaço vago no estômago para acompanhar o ritmo a que abrem novos restaurantes em Portugal. Estou a transformar-me numa pequena bola ambulante com esta sofreguidão com que pego logo no telefone mal tropeço no nome de um novo espaço.

Desta vez foi em Cascais. Meti-me no carro, fiz os 30 quilómetros de auto-estrada a salivar e estacionei na Marina de Cascais. Missão: conhecer o novo restaurante espanhol que abriu em Agosto.

 

 

a desilusão do novo bitoque no ponto de justa nobre

Para que é que eu voltei de férias??? Estava tão bem entre um magnífico sushi, uma maravilhosa ceviche e uma divinal anchova grelhada em cima do mar, e venho enfiar-me no centro comercial Alegro, em Alfragide, para uma desilusão destas? Oh minha querida Santa Agripina, que nos proteges dos maus espíritos, que mal fiz eu para merecer isto?

Antes de continuar, tenho só de fazer uma declaração de interesses: sou fã de Justa Nobre, adoro os seus cozinhados e admiro os seus restaurantes. É, claramente, uma das melhores chefs portuguesas. Mas uma coisa é ter um restaurante com Justa Nobre na cozinha, outra é ter um restaurante com Justa Nobre no cartaz. Isso não resulta. É difícil manter a qualidade. E é fácil explicar porquê.

O serviço 

Primeiro, as pequenas coisas. Um restaurante que só tem Pepsi e não tem Coca-cola é um restaurante que se preocupa mais com as contas do que com os clientes. Mas isso eu já ultrapassei. Peço água e sigo em frente. Só há um detalhe que eu gostaria de salvaguardar: já que estamos em Agosto, gostaria de beber água fresca. Foi o que eu pedi, mas trouxeram-me água morna:

- Desculpe, eu pedi água fresca.

- Fresca não temos.

(Deixem-me lá ver se percebi bem: como não têm água fresca no pico do Verão, servem água morna e não dizem nada para ver se o cliente está distraído, não repara e vai à sua vida sem chatear, é isso?)

- Então, arranje-me um copo com gelo, por favor.

E foi quando o empregado se aproximou da pilha de copos de plástico transparentes para tirar um para mim que eu vi o impensável: um gigantesco cabelo ondulado entre os dois copos seguintes. Depois de um vómito contido, deitei disfarçadamente o copo para o lixo e bebi a água da garrafa, tentando contactar o menos possível com superfíceis manuseadas por empregadas cabeludas.

A ementa 

Se todos os problemas tivessem sido capilares, eu sobreviveria – agoniado, mas sobreviveria. O problema é que houve mais surpresas no novo restaurante de Justa Nobre (abriu há poucos meses). Eu pedi um bitoque de frango com molho de lima, acompanhado de batatas fritas e salada; Ela pediu um bitoque ao natural, médio-mal passado, com arroz e salada. O médio-mal passado tornou-se muito bem passado e o arroz branco veio frio. A salada era uma semi-salada: só tinha verdes e vinha com um pretenso molho de vinagrete. Mas como foi tirada do frigorífico já empratada e com o molho colocado (se calhar, por isso é que não houve espaço para colocar a refrescar as garrafas de água), o molho engrossou com o frio e tornou-se uma pequena argamassa sem qualquer sabor. Para agravar tudo, o ovo estrelado estava morno e sem sal. 

Parece um filme cómico dos Monty Python, mas infelizmente foi uma pequena tragédia passada comigo. Sobrava o meu bitoque de frango para salvar as coisas, mas infelizmente não salvou nada. O molho de lima mal tinha sabor e o bife de frango vinha sem tempero. Quanto às batatas fritas, estavam assim-assim: um bocadinho grossas demais para o meu gosto. 

O ambiente 

O espaço é abafado e com um forte cheiro a comida. Do lado de lá do balcão, há muitos empregados que funcionam numa linha de montagem: com poucos cuidados e muita necessidade de despachar. Tudo isto dá uma péssima imagem do espaço. Mas nem precisava de entrar para ficar com essa impressão. Bastava olhar para o logótipo do restaurante e desconfiar: letras com rodas floridas lá dentro?! Isto não podia correr bem...

No final, pagámos 11,90 euros pelas duas refeições. Foi barato, mas também foi muito mauzinho.

 

O bom 

Os cafés

O mau 

A comida

O péssimo 

O cabelo dentro dos copos

 

Quero voltar já para as minhas férias, onde quer que elas estejam,

Ele

1300 taberna: boa comida, óptimo ambiente, fabulosa decoração

Estou aqui parado há meia hora à frente do ecrã vazio sem saber muito bem como explicar isto. Tenho um problema e gostava de o partilhar consigo. Vou desfazer o mistério (do restaurante, claro, não do Casal...): adorei o 1300 Taberna, mas há um "pormenor" que me ficou atravessado. Por isso, despacho agora o "pormenor" e depois passo aos elogios já sem hesitações.

Acho a descrição da ementa de algum mau gosto. Começar todos os pratos de bolo de chocolate com "O Eusébio gosta de..." e depois acrescentar o que acompanha o bolo de chocolate – como, por exemplo, "O Eusébio gosta de vinho do Porto" para bolo de chocolate com sorvete de vinho do Porto – parece-me ligeiramente racista. Eu sei que tudo isto começou há muitos anos quando os senhores da Taberna resolveram chamar Eusébio ao seu bolo de chocolate original e depois foi evoluindo para isto. Mas esse começo parece-me logo um pouco a atirar para uma Mário-Machadisse. Longe de mim querer ser politicamente correcto, mas não consegui evitar algum desconforto ao ler esta analogia entre o Eusébio e o chocolate. Se gostam muito de futebol, chamem Jorge Jesus ou Pinto da Costa ao bolo. Mas deixem lá o Eusébio em paz. Adiante. Está feito o desabafo. Agora vamos à crítica. E aos elogios.

O ambiente 

Cadeiras com diferentes cores e feitios, mesas de vários tipos de ferro e madeira rústica, candeeiros com colheres de sopa penduradas no tecto, dezenas de relógios gigantes a encher as paredes, peças de decoração em ferro forjado, velas a transbordar cera, lustres, candelabros, castiçais, velharias. Chegámos a um ferro velho? A um armazém abandonado? Não. Chegámos a um dos restaurantes mais modernos e bem decorados do país. Num enorme armazém com um pé direito onde cabem oito Brunos Nogueiras às cavalitas uns dos outros, o 1300 Taberna mistura de forma perfeita o rústico e o moderno, as peças compradas na Feira da Ladra com os objectos de design. O resultado é um espaço cheio de cor e vida, estilo e experimentalismo, ao nível dos mais modernos restaurantes da Europa. E não, não é exagero, é mesmo dos mais bonitos em que já estive.

Então não tem defeitos? Talvez um ou dois. Especialmente para homens com corpo de Cristiano Ronaldo e cabeça de Manoel de Oliveira, como eu: a porta da entrada, em vidro, provoca correntes de ar que atacam as cruzes. Se, por sorte, você tiver menos de 90 anos, então o espaço é perfeito.

O serviço 

Há o serviço de comida – simpático, rápido, atencioso e com capacidade para ouvir, sempre com um sorriso, as 52 perguntas que Ela faz antes de escolher um prato. E há o serviço de vinho – e nesse caso, ouvimos a resposta mais surreal da noite:

- Entre estes dois vinhos, qual é que me aconselha?

- São vinhos completamente diferentes.

E silêncio. Bom, em primeiro lugar, agradeço a constatação da evidência, mas sempre me convenci que o papel de um escanção fosse um pouco além de simplesmente dizer banalidades. Cheguei a pensar que um escanção deveria explicar as diferenças entre os dois vinhos e recomendar aquele que se adaptasse melhor ao prato que tínhamos pedido. Aqui não é assim. Acabei por escolher o Monte Cascas Reserva, que já conhecia, em vez de arriscar num desconhecido. Experimento quando encontrar um sommelier que não tenha tanta dificuldade em falar de vinhos.

A ementa 

O couvert

Começámos a noite de forma espectacular, com três tipos de pão: um branco de cebola e tomate – com um sabor forte e delicioso; uma focaccia bem cozida – pouco surpreendente, mas muito boa; e um pão preto de cerveja Guinness e melaço – uma mistura de sabores que nunca tinha experimentado antes e onde se sente lindamente a presença da cerveja preta. Se a tudo isto juntar uma manteiga de tomate seco e de ervas e um azeite especial da casa, por mim está a noite feita.

Nesta fase do jantar, o único problema foi a bebida. E foi um problema só meu. Resolvi inventar e pedir um Bubbles, um cocktail de espumante e maracujá em que as sementes da fruta estão no fundo e vão subindo. É muito giro para olhar, mas é muito doce para beber. Ela teve mais sorte: pediu uma cerveja. E aqui as cervejas merecem um subtítulo à parte.

As cervejas artesanais

São muitas. São óptimas. E são portuguesas. Depois do erro que cometi com o Bubbles, que deixei a meio, passei para as cervejas – uma excelente maneira de começar a noite. Vale a pena experimentar a Letra A, criada por dois cientistas da Universidade do Minho que se dedicaram ao fabrico da bebida. Feita de trigo, a partir de uma receita da Baviera, tem uma cor turva e um sabor leve e ligeiramente adocicado. Muito boa. Vale também a pena provar os diferentes tipos de Maldita e Sovina que a Taberna tem. Se gostar, pode acompanhar a refeição apenas com cerveja. São excelentes e a carta é extensa.

As entradas

Pedimos uma terrina de leitão assado, laranja espumante e pimenta preta com salada e brioche que não estava nada de especial – aliás, nem gosto de terrinas, não sei porque é que fui pedir isto. E passámos para um óptimo atum com feijão frade, que é o mesmo que dizer barriga de atum braseada (óptima), feijão frade (muito bom), puré de abacate (genial) e ervilhas wasabi (maravlihosas). Juntar tudo isto no mesmo prato é ter uma entrada muito, muito, muito boa.

Os pratos

Ela escolheu um bacalhau à Brás, de que gostou – a mim pareceu-me normal. E eu optei por um Bife à Taberna muito mal passado, com um óptimo molho (não muito forte para não apagar o sabor da carne), umas boas batatas fritas (não são nem querem ser estaladiças) e uma agradável mistura de tomate assado e cogumelos salteados.

A sobremesa

É claro que, por uma questão de coerência, não pedi o engraçaducho Eusébio. Preferi uma Homenagem ao Snickers (brownie de chocolate e amendoim com gelado de manteiga de amendoim de Aljezur) e um requeijão com abóbora (cheesecake de abóbora e noz com gelado de requeijão). Preferi claramente o requeijão. 

E, no fim de disto tudo, ainda sobrava um bocadinho de vinho tinto na garrafa. Por isso vi-me compelido a avançar para uma poderosa selecção de queijos portugueses.

Só para descansar os amáveis leitores que nesta fase já estão chocados com a quantidade absurda de comida, tenho um esclarecimento final a fazer: peso menos de 100 quilos, estavam mais pessoas à mesa, as entradas e as sobremesas foram divididas por todos. Não, não sou um alarve. Só gosto de comer. Às vezes, um bocadinho demais...

O bom 

A comida

O mau 

O Eusébio

O óptimo

A decoração

 

Um bom jantar para si onde quer que esteja,

Ele